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A gestão de TIC em empresas familiares. As empresas familiares caracterizam-se pelo
empreendedorismo de seu fundador. Eles são focados no que fazer e não no como
fazer. Eles assumem riscos e contratam pessoas que sabiam fazer as coisas que
eles não sabem fazer ou que não vêem razão para fazê-lo. Existem empreendedores
que (1) entendem a importância estratégia de TIC, (2) os que são aficionados por
tecnologia e (3) os que vêem a TIC como um mal necessário. O desempenho da área
de TIC e de seu gestor depende diretamente da visão do empreendedor sobre TIC. No primeiro caso, a vida do gestor de TIC é mais
confortável e lhe permite o exercício pleno de suas atividades tendo contra si
apenas suas próprias limitações. É importante nesse caso o gestor de TIC estar
sempre atualizado tanto na tecnologia como nos negócios da empresa e do segmento
que atua. Sua contribuição será direta nos negócios e poderá explorar ao máximo
o potencial da tecnologia em prol do negócio. Pode desenvolver novos negócios e
produtos, atrair e manter clientes, atuar como agente de mudanças liderando
projetos não apenas na área de TIC. No segundo caso, a vida não será tão fácil. A cada
novidade de tecnologia no mercado ele será questionado pelo empreendedor sobre a
implantação da solução na empresa. Como qualquer produto novo no mercado as
questões de manutenção e suporte são difíceis, ficando os problemas de
funcionalidade, integração e suporte a cargo da área de TIC. Esses projetos
ad hoc podem desviar a atenção do gestor de TIC dos projetos importantes e
críticos para a empresa. Nessa situação a melhor alternativa é envolver o
fornecedor no desenvolvimento do projeto e na alocação dos recursos necessários
para a execução das tarefas, protegendo a equipe para as atividades que agregam
valor a empresa. Entretanto, muitas serão as vezes que o gestor terá que dizer
“não” ao empreendedor para garantir a integridade, confidencialidade e
confiabilidade da informação. Isso requererá do gestor uma alta capacidade de
negociação e de ter construído uma base sólida de confiança com o empreendedor.
O lado positivo é o apoio incondicional para a implantação de projetos
inovadores e de projetos de retorno de investimento baseados em critérios
intangíveis. O terceiro caso é o mais complicado e requererá
habilidades especiais de convivência e negociação para aprovar projetos
importantes e necessários para a empresa. Nessa situação sugiro o gestor de TIC
considerar os seguintes passos: (1) Entenda a cultura da empresa e como funciona
o processo de tomada de decisão; (2) Se a empresa não tiver um processo formal
de planejamento, consiga informações de novos projetos através de conversas com
pessoas influentes na empresa. Normalmente, as pessoas gostam de falar sobre
seus projetos e planos; (3) Desenvolva alternativas para melhorar e ajudar nos
projetos sempre atribuindo a idéia ao autor do projeto; (4) Para os projetos de
infra-estrutura de TIC sempre os associe a algum projeto de negócio e busque um
patrocinador da área de negócios; (5) Desenvolva um orçamento de despesas (OPEX)
e investimentos de TIC (CAPEX) e discuta-o dentro da empresa; (6) Crie métricas
para demonstrar os ganhos de desempenho dos projetos de TIC e seu impacto nos
negócios da empresa; (7) Faça uma análise de risco da TIC e mostre como as
vulnerabilidades podem afetar o desempenho do negócio e compartilhe com as
pessoas chaves da empresa; (8) Compartilhe com todos da empresa os projeto que a
TIC está envolvida e elogie os patrocinadores. Isso atrairá outros
patrocinadores; (9) Entregue os projetos dentro do prazo e orçamento; (10) Se
não tiver sucesso, arrume outro emprego para não estagnar sua carreira
profissional. As empresas familiares estão se profissionalizando e
trazendo novos investidores para acelerar o crescimento. Esse movimento cria a
necessidade de um modelo profissional de governança corporativa e dentro desse
contexto a TIC encontra uma enorme oportunidade de crescimento. Basta o gestor
de TIC não perder a oportunidade. Publicado em 16/junho/2009
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