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O ponto de equilíbrio entre o SLA x Lucro A arte do negócio está em oferecer os serviços
requeridos pelos clientes com o maior lucro possível. Pelas leis de mercado o
valor de um produto ou serviço está relacionado com os custos internos,
incluindo os impostos, e a margem de lucro desejada. A concorrência baliza o
lucro. Quanto maior a concorrência menor o lucro. Uma componente importante na
formação do preço é a qualidade do serviço oferecido pelo produto, o SLA (service
level agreement). Essa componente estabelece a relação custo x benefício.
Admite-se pagar um pouco mais para se ter um maior benefício do produto, mesmo
que esse benefício seja intangível. A confiança no fornecedor leva os clientes
há pagar um pouco mais pelos serviços. Esse preâmbulo mostra uma economia de livre mercado onde
os clientes têm a sua disposição vários produtos e podem escolher livremente.
Porém, o que acontece quando o fornecedor é único? Por exemplo, um serviço
público que uma empresa privada tem a concessão de operá-lo por vários anos.
Nesse caso, o cliente não tem opção de escolha e fica a mercê da oferta do
fornecedor. Sua única proteção é a agência reguladora daquele setor do serviço.
É essa agência que determina qual é o nível de serviço que o fornecedor deve
oferecer para os clientes e o seu valor final, sem os impostos. Cabe a essa
agência monitorar se os serviços estão sendo prestados de acordo com a
regulamentação do setor. Para as empresas concessionárias de serviços públicos a
forma mais efetiva de aumentar o lucro e, consequentemente, aumentar os
dividendos dos acionistas é reduzindo os custos operacionais e investimentos.
Encontrar o ponto de equilíbrio entre o SLA (service level agreement,
acordo de nível de serviço) e o lucro é o grande desafio dos gestores dessas
empresas. Mais do que isso, é fazer com que os clientes tenham uma boa percepção
dos serviços. Note que maximizar o lucro independe se o valor dos serviços,
mesmo que o serviço esteja sendo super atrativo para a empresa. Invariavelmente, a palavra de ordem das empresas
privadas que possuem concessão pública é “redução de custos”. Os gerentes devem
ser trituradores de custos, custe o que custar. Redução de custos sem
orquestração e sem uma forte liderança leva a uma rápida deterioração dos
serviços, consequente perda do SLA, multas da agência reguladora e desgaste da
imagem pública da empresa. Iniciativas de redução de custos é sinal de amadurecido
empresarial e busca constante por eficiência. O desafio é encontrar o ponto de
equilíbrio. Acredito que as panes dos sistemas da Telefônica em São
Paulo que têm afetado milhões de pessoas é resultado do processo de busca do
ponto de equilíbrio entre o SLA e o lucro. Cabe aos órgãos reguladores
inspecionar e avaliar se a infra-estrutura e a capacitação do pessoal são
compatíveis com os quesitos técnicos para atender ao SLA necessário para os
negócios cada vez mais sofisticados dos clientes. Publicado em 12/junho/2009
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