A retomada da indústria no Brasil será baseada na quarta revolução indústria

Acredito que a partir de 2019 o cenário político e econômico estará atrativo para estimular investimentos na indústria. Os novos projetos devem contemplar os novos paradigmas do mercado, como o consumo sustentável e preferência por produtos personalizados dos mais jovens e gastos mais comedidos dos mais velhos para garantir uma poupança para uma vida financeira mais estável, incluindo planos para a aposentadoria. Teremos uma redução da demanda de produtos físicos industrializados, principalmente os massificados. Isto pode transformar o conceito de globalização, fazendo que os produtos sejam produzidos localmente, para atender no menor tempo possível o consumidor e custos logísticos.

Acredito que nos próximos anos teremos um cenário industrial moderno, eficiente e competitivo. Entretanto, para atingir esse objetivo temos que começar agora, com planejamento e formação de mão de obra especializada. Investimento não deverá ser o problema.

As oportunidades para os jovens estão na área da tecnologia da informação, análise de grandes volumes de dados (Big Data & Analytics), Internet of Things, Inteligência Artificial, Robótica e Segurança da Informação. O incentivo nestas áreas, associado com o desenvolvimento do empreendedorismo, fomentará a criação de novos negócios combinando produtos físicos e digitais.

Estas novas fábricas puxarão outros negócios e atividades que requerem mão de obra mais focada em habilidades manuais, tais como a manutenção dos robôs, serviços logísticos, eletricistas, pedreiros, bombeiros, entre outros.

Minha opinião é que os novos investimentos serão em fábricas inteligentes, totalmente automatizadas. Isto trará enormes vantagens competitivas para as empresas no mercado local, entre elas produtos adequados a realidade local, menor tempo de entrega dos produtos físicos, menores custos logísticos e, consequentemente, menor preço de venda e maximização do lucro.

Neste cenário, as empresas terão que adotar os conceitos e tecnologias da Indústria 4.0, conhecida como a quarta revolução industrial. As fábricas terão que ser inteligentes para se autoconfigurar de acordo com os pedidos personalizados dos consumidores. Programações pré-definidas de produção e com forte interação humana serão inviáveis neste novo cenário de negócios.

O desafio será formar e contratar mão de obra especializada para projetar e operar estas novas fábricas. Obviamente, que para começarem a operar em 2019 o planejamento deve começar agora.

O outro desafio é realocar a mão de obra que perderá o emprego funcional e criar novas oportunidades para a massa de trabalhadores que estão atualmente desempregados. Sem renda, estes trabalhadores ficam fora mercado e não comprarão os produtos produzidos pelas novas fábricas. O foco deverá ser os jovens consumidores, público alvo do novo modelo de produção personalizada.

 

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Eduardo Fagundes

Eduardo Fagundes é um empreendedor polivalente, pesquisador e professor de tecnologias emergentes e negócios sustentáveis. Desenvolve projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) na área de inteligência artificial e automação na Universidade Mackenzie. Professor de estratégias de negócios sustentáveis no MBA da FIAP. Professor dos cursos de pós-graduação de Big Data e Governança de TI da Universidade Mackenzie. Lidera projetos de infraestrutura e governança de Data Centers. Desenvolveu e ministra o curso online e projetos de Cidades Inteligentes. Atua como external advisor em projetos de tecnologias emergentes (ex. IoT e Smart Cities) em consultorias de renome internacional. Como engenheiro, desenvolve projetos de eficiência energética e geração distribuída. Palestrante em congressos nacionais e internacionais. Escreveu o livro “Como Ingressar nos Negócios Digitais” em parceria com o SEBRAE. Foi gerente de TI da Ford Motor Company na América do Sul e CIO da AES Brasil, controladora da AES Eletropaulo e AES Tietê. Desenvolveu projetos na Alemanha, Argentina, Estados Unidos, Índia, Inglaterra e Itália. Fundou três startups.
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