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Alinhamento de TI e Negócio: uma questão acadêmica TI pode ser o catalisador de modelos de negócios de alta-tecnologia e tornar as empresas flexíveis para enfrentar rápidas mudanças de cenários de mercado. Por outro lado, pode ser um inibidor se as estratégias de TI falharem. Por quê? Tecnologia e informação têm se tornado tão importante para as operações das empresas que, às vezes, pequenas mudanças nos sistemas de aplicação podem afetar dramaticamente muitas áreas de negócios. Apesar da importância de TI para as organizações, as áreas de negócios ainda citam o baixo alinhamento de TI com os objetivos empresariais. Esses cenários que foram descritos por Richard L. Nolan em 1979 no seu livro Managing the Crises in Data Processing, ainda são válidos nos dias de hoje. Segundo Nolan, o crescimento do processamento de dados traz uma série de problemas em todos os aspectos organizacionais de TI: sistemas de informação, usuários, tecnologia, ferramentas de gestão de especialistas em TI etc. Durante meus 25 anos na área TI, venho observando que esses problemas são decorrentes dos diferentes níveis de maturidade tanto das áreas de negócios das empresas como das organizações de TI. Em alguns casos, situações de desalinhamento entre TI e as áreas de negócios são cíclicos, dependendo dos lideres. Refletindo sobre o assunto, encontro uma correlação entre a formação acadêmica dos profissionais da área de TI e o desalinhamento de TI com os negócios. O problema já começa no entendimento correto dos propósitos dos cursos universitários de bacharelado em informática disponíveis no Brasil: Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Sistemas de Informação. Na leitura leiga dos propósitos dos cursos é difícil distinguir as diferenças marcantes de atuação dos profissionais de Ciência da Computação e Sistemas de Informação. A diferença do campo de atuação fica na Engenharia da Computação, onde os profissionais têm uma vocação maior para equipamentos, porém com habilidades para análise de sistemas. Veja a descrição dos propósitos dos cursos publicados por uma edição especial do jornal Zero Hora de Porto Alegre em 5 de setembro de 2007: Ciência da Computação: cria e desenvolve software e aplicativos para computadores. Gerencia equipes e instala sistemas de computação, desde um simples programa de controle de estoque até sofisticados sistemas de processamento de informações. Sistemas de Informação: planeja o uso adequado da informática para empresas. Desenvolve programas para a geração, o processamento, o armazenamento e a recuperação de informações em redes de computadores. Engenharia da Computação: atua na supervisão e orientação técnica de construção, operação e assistência de equipamentos elétricos e eletrônicos e sistemas de comunicação e telecomunicações. Realiza estudos, projetos e operação de equipamentos. Também atua na análise de sistemas computacionais. Entretanto, o mercado de trabalho faz uma equalização dos profissionais, denominando-os simplesmente como Analistas de Sistemas. Para regulamentar a profissão de Analista de Sistema existe uma definição das atividades e atribuições dos profissionais para efeito de lei: I - planejamento, coordenação e execução de projetos de sistemas de informação, como tais entendidos os que envolvam o processamento de dados ou utilização de recursos de informática e automação; II – elaboração de orçamentos e definições operacionais e funcionais de projetos e sistemas para processamento de dados, informática e automação; III – definição, estruturação, teste e simulação de programas e sistemas de informação; IV – elaboração e codificação de programas; V – estudos de viabilidade técnica e financeira para implantação de projetos e sistemas de informação, assim como máquinas e aparelhos de informática e automação; VI – fiscalização, controle e operação de sistemas de processamento de dados que demandem acompanhamento especializado; VII – suporte técnico e consultoria especializada em informática e automação; VIII – estudos, análises avaliações, vistorias, pareceres, perícias e auditorias de projetos e sistemas de informação; IX - ensino, pesquisa, experimentação e divulgação tecnológica; X - qualquer outra atividade que, por sua natureza, se insira no âmbito de suas profissões. A partir da redação da lei, a análise de sistemas é uma profissão, cujas responsabilidades concentram-se na análise do sistema e na administração de sistemas computacionais. Cabe a este profissional parte da organização, implantação e manutenção de aplicativos e redes de computadores, ou seja, o analista de sistemas é o responsável pelo levantamento de informações sobre uma empresa a fim de utilizá-las no desenvolvimento de um sistema para a mesma ou para o levantamento de uma necessidade específica do cliente para desenvolver este programa especifico com base nas informações colhidas. (Dados da enciclopédia Wikipedia, consultada em 24-set-2007). Observamos que em nenhum momento é enfatizado os aspectos de negócios. A descrição das atividades do analista de sistema coloca-o numa posição de passividade frente aos desafios empresariais, remetendo-o ao nível estritamente operacional. Com esse perfil de atuação, dificilmente a organização enxergará a TI com potencial para liderar inovações tecnológicas na transformação de negócios na busca de diferencial competitivo. O segundo problema é a visão dos coordenadores dos cursos universitários de informática sobre as necessidades do mercado. Em muitos casos, por terem uma forte cultura acadêmica e pouca experiência na gestão de organizações de TI, tendem a privilegiar as disciplinar de tecnologia dentro de um purismo acadêmico. O lado positivo dessa orientação é passar os fundamentos teóricos da informática. O lado negativo é o distanciamento das reais necessidades das empresas de buscarem profissionais empreendedores com habilidades de usar as inovações tecnológicas para modelar novos negócios. No final, esses cursos acabam formando mão-de-obra de programação barata. Entretanto, o lado mais perverso desse cenário é o tempo e dinheiro desperdiçado pelos alunos. Eu sustento que a formação de um bom programador é possível num curso de tecnologia de 5 semestres (ou 2,5 anos) com um currículo fortemente direcionado as questões técnicas de programação, banco de dados, redes, segurança e metodologias de desenvolvimento de sistemas. O custo total de um curso com esse perfil pode ser de R$18.000, contra um curso de 8 semestres (4 anos) que pode atingir R$60.000 numa instituição tradicional de ensino. (para a determinação dos custos foi levado em consideração apenas as matriculas e mensalidades). Os cursos de 5 semestres são adequados para a formação de programadores, abrindo a oportunidade de assumir cargos que exijam formação universitária e, conseqüentemente, maior remuneração. Isso cria oportunidades aos formandos buscarem cursos específicos de negócios em escolas de ótima reputação. Onde, certamente, terão maior peso no currículo. Dentro de um cenário empresarial dominado por sistemas integrados de gestão (SAP, Oracle Enterprise, Microsiga, Datasul e outros) a ação de programadores nas empresas está ficando cada vez mais restrito, abrindo espaço para os especialistas no negócio. Profissionais que atuam nessa área estão obtendo ótima remuneração. Para as empresas pode ser mais eficaz contratar profissionais especialistas nos negócios e oferecer um curso de pós-graduação em informática, externamente ou internamente através da sua Universidade Corporativa. Essa é uma proposta que deve aproximar mais a TI das áreas de negócios uma vez que esse profissional “fala” a linguagem do negócio. Sumarizando: apesar da importância da área de TI para as empresas, ainda existe um distanciamento entre a expectativa das áreas de negócios e as entregas de TI. Uma das causas desse desentrosamento é a formação dos profissionais de TI. As faculdades de informática estão muito orientadas a tecnologia e existem poucas iniciativas de formação de empreendedores. O tempo e investimento dos alunos de informática poderia ser otimizado reduzindo a duração dos cursos de informática de oito para cinco semestres. Isso daria oportunidade para os alunos se aperfeiçoarem em cursos específicos de negócios em escolas de ótima reputação, já que teriam uma melhor remuneração pelo fato que já ter um diploma universitário.
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