O desafio de construção de uma plataforma tecnológica

As empresas e comunidades de negócios, constantemente, são desafiadas a construir plataformas tecnológicas para aumentar a produtividade, reduzir custos e melhor a segurança da informação. As plataformas são compotas por diversas tecnologias, que muitas vezes estão em estágios diferentes de maturidade, colocando em risco a sua continuidade e aceitação pela comunidade. Se utilizarmos apenas tecnologias já consolidadas, no chamado platô da produtividade, corremos o risco da obsolescência rápida, porém teremos soluções confiáveis e mais baratas. Por outro lado, se adotarmos apenas tecnologias incipientes, quando apenas se fala e não existem resultados concretados de estabilidade e continuidade, corremos o risco do mercado rejeitar ou ser substituída por outra e teremos que redefinir a plataforma, gerando custos não projetados. Uma solução uma modular com funções especificas, independente da tecnologia, e combinar tecnologias em fase de aceitação e tecnologias no platô da produtividade. Outra solução é criar um startup para testar a efetividade da plataforma, aperfeiçoando-a ou saindo rápido para outra, minimizando os riscos e prejuízos.

Muitas vezes ficamos empolgados com o surgimento de uma nova tecnologia e visualizamos novas aplicações, saltos grandes de produtividade e novos negócios. Entretanto, muitas tecnologias não conseguem ganhos de escala e adoção pelo mercado, frustrando aqueles que gostam de adotar novidades, os chamados early adopters, e trazendo prejuízos para empresas que buscaram a inovação.

Muitos procuram consultorias para predizer o futuro das tecnologias. É uma boa alternativa, porém de difícil prognóstico. Bill Gates não acreditou na Internet e continuou investindo, pesadamente, em uma rede de satélites para levar comunicação a todos os lugares do planeta. A Apple fracassou com o Newton, um PDA com tela sensível ao toque, reconhecimento inteligente de escrita, memória flash e processador RISC, em 1993. A IBM não acreditou em computadores pessoais. A história está cheia de previsões malsucedidas.

Por outro lado, que acreditaria que o Facebook dominaria o mercado de redes sociais, sem produzir nenhum conteúdo. Ou, a Google conseguisse armazenar informações em tempo de milhões de usuários no mundo, com serviços gratuitos.

Com tantas incertezas, como construir uma plataforma tecnológica para uma empresa ou para uma comunidade de negócios?

O primeiro passo é criar um modelo modular com funções bem definidas que possam ser executadas por diferentes tecnologias. O modelo da rede Internet funciona a décadas, mesmo com novas tecnologias sem lançadas constantemente. O desafio é definir os protocolos e tecnologias de cada modulo (também chamada de camadas).

Por exemplo, o Blockchain utiliza a Internet como meio de transporte de dados, e um protocolo próprio de funcionamento, usando chaves privadas e públicas de criptografia, associação de blocos de informação, mecanismos de disputa para “mineradores” serem recompensados por elos na cadeia de dados, e muitas outras funções. Para seu funcionamento todos os participantes devem adotar todas as suas especificações.

Algumas tecnologias podem ter variantes. Por exemplo, é possível criar uma rede de dispositivos remotos com protocolos proprietários ou selecionando certos protocolos de comunicação. Entretanto, isto não garante a interoperabilidade. Este é o caso das implementações de Internet of Things. Cada solução pode adotar protocolos diferentes e critérios de funcionamento proprietários. A solução no caso de IoT é cada indústria defina um padrão para garantir a interoperacionalidade pelo menos na sua comunidade e influenciar que outras comunidades adotem sua arquitetura.

Minha recomendação para empresas já estabelecidas e comunidades de negócios já consolidados é utilizar tecnologias em fase de aceitação pelo mercado e que já estejam no platô da produtividade. A vantagem é que temos um maior nível de certeza que uma determinada tecnologia irá se consolidar, tento suporte e investimentos para aprimoramento. Os equipamentos e serviços ganhando escala forçam a redução de custo e aceleram a adoção por mais pessoas e empresas.

A figura (1) e (2) mostram duas possibilidades de construção de uma plataforma tecnológica. A primeira utilizando apenas tecnologias já consolidadas e a segunda, adotando tecnologias em fase de aceitação pelo mercado.

Figura 1. Plataforma tecnológica usando tecnologias no platô da produtividade
Figura 2. Plataforma tecnológica mesclando tecnologias em fase de aceitação e tecnologias no platô da produtividade

Chegar a um consenso de quais tecnologias utilizar é uma tarefa árdua e envolve muita negociação entre os participantes, principalmente, se existirem empresas que já implementaram suas plataformas proprietárias. Já participei de várias definições de plataformas tecnológicas, e o maior esforço é acomodar diferentes interesses.

Outra solução, para tecnologias emergentes, é a criação de uma startup e adotar um padrão próprio e depois fomentar seu uso pela comunidade para se tornar um padrão de fato. A Google Cloud está promovendo o software TensorFlow na área de Machine Learning. Oferece treinamento online gratuito, uso de recursos limitados na Cloud para testes e tornou o software open-source.

A definição de uma plataforma é importante para direcionar os fornecedores no desenvolvimento de produtos e serviços aderentes, aumentando a escala de produção e garantindo preços mais baixos e suporte de qualidade e continuo.

O lobby dos fornecedores e até de países é forte. Alguns governos acabam assumindo a responsabilidade pela definição de plataformas tecnológicas, alegando a necessidade de garantir a interoperabilidade e o fomento da indústria. A experiência mostra que sempre que os governos tentam substituir o mercado as coisas não funcionam e acabam gerando mais custos para as empresas e cidadãos. As agências regulatórias devem gerenciar os recursos que são comuns e escassos, como por exemplo, as frequências de onda e potências dos transmissores para evitar interferências, porém os protocolos devem ser definidos pelo mercado. Quem for competente fica, os outros saem do mercado.

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