O desafio do crescimento do Brasil será vencido através da produtividade e criatividade

Parece que existem dois consensos entre os economistas, a necessidade de um ajuste fiscal e o aumento da produtividade da indústria. A previdência é uma bomba relógio que se não desarmada agora destruirá a aposentadoria no futuro. De dezembro de 2014 até agosto de 2016 a massa trabalhadora perdeu R$10 bilhões, como resultado do desemprego e redução dos rendimentos. A recuperação projetada acontecerá, gradativamente, até o final de 2018. O desemprego recuará pouco de 11,9% em 2016 para 10,2% em 2020, enquanto a variação anual da massa salarial real atingirá 3,7% em 2020, menor que em 2004.

Segundo o IBGE, a produtividade nacional caiu de 3,4% em 2013 para -1,7% em 2015, onde produtividade é a relação entre a Produção Física e o Número de Horas Pagas. Existem outras formas de calcular a produtividade, como a relação entre PIB (Produto Interno Bruto) e o total de horas pagas trabalhadas ou ainda, a relação entre o PIB e a massa trabalhadora empregada.

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Independente do cálculo, a forma de aumentarmos nossa produtividade é produzimos mais com menos funcionários ou salários menores. Entretanto, sabemos que quanto maior o número de funcionários maiores são as despesas de infraestrutura, organização e burocracia. Com isso, a alternativa viável é aumentar a automação e revisão dos processos.

As empresas não podem mais operar com fortes subsídios como no passado para mascarar a falta de produtividade. O mundo cada vez mais conectado e a falência de modelos de econômicos protecionistas e isolacionistas decretaram o fim de uma era e, consequentemente, das empresas que operavam naquele modelo.

É ilusão querer “fazer mais com menos” sem investimento, planejamento integrado e inovação. A chamada “transformação digital” das organizações é muito séria que apenas um buzzword do mercado de TI. Ou você vai, ou você morre.

A Indústria 4.0, onde temos “produção em massa personalizada”, as máquinas se auto programam para atender demandas personalizadas dos consumidores, sem a necessidade de operadores reprogramando a linha de produção, provoca um tremendo salto de produtividade e produção sustentável, produzindo apenas o que será consumido. Isso muda o paradigma de produzir em massa, para ter menor preço, e ter que “empurrar” isso para os consumidores com dispendiosas campanhas de marketing.

A robotização dos processos administrativos – Robotic Process Automation (RPA) – é uma outra tecnologia que trará um enorme impacto na produtividade das organizações. Atualmente, é necessário um grande número de funcionários atender a demanda de transações eletrônicas dos processos. O RPA automatiza o preenchimento correto dos dados das transações eletrônicas, eliminando erros humanos, agilizando a execução dos processos e aumentando a produtividade.

Obviamente, para implantar uma produção em massa personalizada e robotização dos processos exige investimento e pessoal qualificado. Entretanto, isso é condição para a sobrevivência das empresas.

Com relação ao desemprego funcional gerado pelas novas tecnologias, os mais velhos dirão que isso já aconteceu, que surgirão novos empregos e tudo se acomodará. Na minha opinião, isso irá acontecer, mas como o novo cenário é tão disruptivo que a transição das pessoas de uma atividade para outra não será tão tranquila. Exigirá um enorme esforço pessoal de transformação e pouco se poderá esperar do Estado para ajudar.

A questão é que se o desemprego for alto as empresas não terão para quem vender. Desta forma, a sociedade (e não falo apenas do Governo) deve se mobilizar para entrar novas oportunidades de negócios, fora dos modelos tradicionais. As cidades que prosperarão serão aquelas que criarem uma nova plataforma de negócios, combinando tecnologia e criatividade.

Acredito que no momento, nosso maior desafio é transformar nossa visão sobre o futuro dos negócios. Abandonar velhos conceitos e reinventar os negócios e carreiras profissionais.

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Eduardo Fagundes

Eduardo Fagundes é um empreendedor polivalente. Desenvolve projetos de P&D nas áreas de Big Data, Analytics, IoT e Inteligência Artificial para o setor de energia na Universidade Mackenzie (SP). Professor de Engenharia de Software no pós-graduação em Governança de TI da Universidade Mackenzie (SP), e de Estratégias de Negócios Sustentáveis no MBA da FIAP (SP). Desenvolveu e é tutor do curso online sobre Cidades Sustentáveis baseado na ISO 37.120, e coordena o fórum virtual sobre Cidades Inteligentes. Desenvolve projetos de eficiência energética e energia sustentável. Produz cursos online, aplica workshops de ideação, mentoring sobre tecnologias sustentáveis e projetos de inovação sustentável baseados no GRI (Global Reporting Initiative). Desenvolveu projetos na Alemanha, Argentina, Estados Unidos, Índia, Inglaterra e Itália. Fundou três startups.
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