É imperativo mudar as plataformas de software das empresas de energia elétrica

A modernização do setor elétrico, com a introdução de redes inteligentes (Smart Grid), requer a substituição das atuais plataformas de software. A atuais plataformas são baseadas em bancos de dados relacionais e proprietários com ferramentas analíticas de Business Intelligence (BI). O uso intensivo de dispositivos remotos com IoT (Internet of Things) para monitoração e automação de processos (Self-healing) gera uma enorme quantidade de dados em diferentes formatos multimídia (valores, texto, figuras e vídeos). Os bancos de dados relacionais não são eficientes para armazenar e tratar gigantescos volumes de dados multimídia, seja pelo custo elevado ou por sua concepção de tabelas e relacionamentos. Empresas jovens de comercialização de energia já começam a utilizar softwares de Big Data open source e novas ferramentas analíticas para auxiliar seus clientes na gestão de demanda. No Brasil o mercado de energia está em transformação, onde novos players no mercado livre de energia e comercializadores poderão adotar soluções com novas plataformas de software, mais baratas e mais eficientes.

Na prática, as concessionárias de energia pouco ajudam seus usuários (propositalmente, não usei o termo cliente, já que a maioria é cativo) na gestão de demanda. Fora algumas iniciativas legais de destinação de 0,25% da receita líquida operacionais das distribuidoras de energia para eficiência energética, poucas informações são fornecidas aos usuários para melhorar a gestão de energia. Empresas que planejam investir em novos empreendimentos, primeiro precisam avaliar se existe infraestrutura de distribuição de energia local para atender sua demanda.

Espera-se que esta situação mude com as redes inteligentes de energia, o Smart Grid. Redes inteligentes fornecem uma quantidade maior de dados para análises de dados de qualidade para as tomadas de decisão. Deveria ser uma premissa as concessionárias de energia compartilhar informações para seus usuários e não apenas atender aos níveis de serviços exigidos pela agência reguladora ANEEL. Aliás, muitas concessionárias sequer atendem os níveis de serviços contratuais.

Falar é fácil, o duro é fazer. Os desafios são grandes. Os investimentos nas atuais plataformas de software foram enormes. Entretanto, apostar no time que está ganhando será um erro. Uma opção é começar a transformação nas comercializadoras de energia e uso intensivo de sensores remotos (IoT). O armazenamento de dados em plataforma aberta com bancos de dados NoSQL, Apache Cassandra, por exemplo. Ferramentas analíticas baseadas em aprendizado de máquina, Machine Learning, e aprendizado profundo, Deep Learning, usando redes neurais artificiais. Todas gratuitas.

A empresa de gás e eletricidade inglesa First Utility utiliza o Apache Cassandra e ferramentas analíticas avançadas para auxiliar seus clientes (agora mudei o termo) na gestão de demanda e na tomada de decisões para melhorar a eficiência energética. Esta plataforma aberta é utilizada por várias empresas de outros ramos, como Netflix, Safeway, ING, Adobe, Intuit, Target e eBay.

O novo marco regulatório do setor elétrico brasileiro em discussão coloca o cliente no centro das decisões. Isto reforça a tese que o sucesso das empresas de energia no futuro será auxiliar seus clientes, através de dados confiáveis, para tomadas de decisão sobre eficiência energética. Para isto, as empresas deverão adotar modernas plataformas de software, gratuitas se possível, para atuar com eficiência no mercado e gerar lucros atraentes para seus investidores.

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