Eficiência Energética e a Gestão de Ativos

O desafio de evitar o aquecimento global é enorme. É necessário neutralizar as emissões de gases do efeito estufa, principalmente do CO2. O relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) de novembro de 2014, mostra que será necessário investir 0,06% do PIB mundial nos próximos 76 anos para evitar o aumento de 2°C para evitar uma ação irreversível do clima. Os impactos já começam a serem sentidos com ondas de calor e eventos extremos do clima, afetados as pessoas e os negócios. Um ofensor grave do clima é a geração de energia por fontes fosseis (carvão, diesel e gás). Entretanto, para atender o crescimento econômico dos países é necessário cada vez mais energia para suprir a demanda de novas fábricas, escritórios e conforto das pessoas. Sem dúvida, um dilema difícil de resolver. A solução de curto prazo é fazer o controle da demanda de energia nas empresas com uma gestão eficiente de seus ativos.

No Brasil, a crise hídrica de 2014 mostra os impactos gerados pela escassez de recursos. Várias comunidades estão privadas do abastecimento de água, trazendo enormes dificuldades para as pessoas. Para continuar a suprir a demanda por energia, foi necessário acionar as termelétricas, que além de produzir energia mais cara são poluentes. Apenas esse evento extremo de falta de água já produz impactos econômicos e sociais.

As empresas deverão rever seus processos para reduzir o consumo de energia para evitar o aumento de custo de seus produtos. Em 2015, além do aumento das tarifas de energia haverá um adicional de custo pelo uso das termelétricas, as chamadas bandeiras tarifárias. Isso afetará, significativamente, toda a cadeia produtiva brasileira e, consequentemente, nossa competitividade global.

Para minimizar o problema de energia e melhorar a competitividade no mercado as empresas devem fazer o controle da demanda de energia. É necessário rever todos os processos e quebrar alguns paradigmas. Será necessário adotar novos processos de produção, reduzir o consumo de energia nos escritórios, rever processos logísticos e estratégias do uso de tecnologias da informação.

O primeiro passo é conhecer, detalhadamente, os ativos da empresa. Infelizmente, a maioria das empresas não têm controle total de seus ativos. Muitas apenas o controle contábil. Por exemplo, os data centers são grandes ofensores do consumo de energia, porém as despesas com energia estão inseridas na conta geral da empresa, tornando difícil avaliar o impacto no custo final dos produtos.

Uma gestão eficiente de negócios tem o controle do ciclo de vida de todos os seus ativos físicos para maximizar sua utilização e valor. O gerenciamento de ativos envolve o controle de construções físicas, comissionamento, operação, manutenção, ativação e desativação de instalações e equipamentos.  Ao gerenciar os ativos de forma eficaz é possível reduzir os custos de capital e os custos operacionais, aumentar a vida útil dos ativos e, consequentemente, o retorno dos ativos (ROA, Return on Assests).

Uma forma estruturada de controle da demanda eficaz nas empresas e condomínios prediais é adotar as práticas da ISO 50.001, norma sobre eficiência energética.  A norma prevê a formação de uma equipe gestora, o desenvolvimento de uma política energética e o engajamento da alta direção e todos funcionários na adoção de práticas de uso eficiente de energia.

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O desenvolvimento de práticas inovadoras de eficiência energética podem receber incentivos fiscais da Lei do Bem, além da redução efetiva dos desperdícios do consumo de energia.

As propostas de controle da demanda pode incluir, por exemplo:

  • Instalação de painéis fotovoltaicos em prédios de escritório ou residenciais para gerar energia complementar;
  • Reformas de prédios antigos que podem reduzir em até 80% o consumo de energia, melhorando o isolamento térmico, incluindo projetos de iluminação por LEDs;
  • Instalação de coletores térmicos para produzir água quente para consumidores individuais ou coletivos;
  • Instalação de estações de ar condicionado para prédios ou conjunto de prédios próximos para evitar perdas de calor na transmissão; e,
  • Uso de energia limpa para o mercado livre utilizando os incentivos fiscais locais e estudos para a implantação de condomínios industriais e residenciais próximos às fontes geradoras de energia, incluindo grandes data centers para computação em nuvem.

Investimentos em geração própria de energia não devem ser analisados apenas pelo simples retorno de investimento baseado no consumo atual e valor da energia da concessionária. A análise econômica deve considerar potenciais racionamentos de energia e seus impactos na produção dos produtos.

Um projeto de eficiência energética, além de reduzir custos ajuda a conter a emissão de gases do efeito estufa, demonstrando a responsabilidade socioambiental da empresa. Isso pode ser capitalizado, positivamente, publicando os resultados obtidos no banco de dados do CDP (Carbon Disclosure Project) e GRI (Global Reporting Initiative). Esses dados são vistos por milhares de pessoas e, principalmente, por investidores engajados no movimento de preservação ambiental.

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