Empreendedores acima de 50 anos

Uma questão não discutida na reforma da previdência pública no Brasil é o que a massa de trabalhadores acima de 50 anos fará até se aposentar. É possível que com o aumento da robotização a idade de empregabilidade caia, alguns especialistas falam em 35 anos para os menos qualificados. A saída está no empreendedorismo. A Kauffman Foundation diz que 26% dos novos empreendedores tinham entre 55-64 anos em 2015, comparado com 15% em 1997.  Segundo a Business Insider, pessoas entre 55-64 anos têm a maior taxa de empreendedorismos dos últimos 10 anos. Uma reportagem do NY Times, diz que existem mais de 5 milhões de empreendedores acima de 55 anos nos Estados Unidos. Estes dados oferecem bons insights para a vida após os 50 anos (ou antes).

Um dado animador é que grandes empreendedores começaram suas empresas depois dos 50 anos, como Raymond Kroc (52) fundador do McDonald’s, John Pemberton (55) fundador da Coca-Cola e o Coronel Harland David Sanders (65) fundador da KFC. No Brasil, Roberto Marinho (61) fundou a Rede Globo.

Para quem não vem de uma linhagem de empreendedores, a transformação leva algum tempo, principalmente, para quem está vive no mundo corporativo. A dica é começar a agir como dono da empresa, procurando analisar os movimentos estratégicos da empresa, ter um posicionamento pessoal, e estudar os resultados frente a sua opinião e a estratégia da empresa, caso você não tenha ainda poder de influência.

O passo seguinte, caso seja empregado, é montar uma pequena atividade que gere receita a partir de uma ideia. Não vale ser motorista do Uber ou alugar um quarto no AirBnB. Mas, vale criar um produto e começar a vender no Mercado Livre ou através de um site de vendas próprio (hoje é muito fácil criar sites de e-commerce).

Se tiver oportunidade, tempo e competência até o momento da decisão de empreender é possível montar uma loja física ou um negócio digital. Particularmente, não sou adepto a franquias.

Estes passos são genéricos e servem para ajudar a definir o que você realmente deseja empreender. Na fase de experimentação, você deve ter identificado suas preferências e competências. Use seus pontos forte e busque ajuda para cobrir seus pontos fracos. Cursos são ótimos para complementar as habilidades, mas também avalie buscar um sócio.

Uma questão chave para o sucesso do negócio é fazer o que gosta (suas preferências) combinando com suas habilidades (suas competências). Faça uma lista de oportunidades de negócios, analise o mercado para cada proposta e decida.

O bom de começar a empreender cedo é que você pode errar cedo e pode aprender com os erros, diferente de errar quando não pode errar.

Pessoalmente, acredito que a melhor previdência é o empreendedorismo. Além de garantir uma receita para os melhores anos da vida (segundo os mais experientes) e garantir uma atividade produtiva mais prolongada.

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Eduardo Fagundes

Eduardo Fagundes é um empreendedor polivalente. Desenvolve projetos de P&D nas áreas de Big Data, Analytics, IoT e Inteligência Artificial para o setor de energia na Universidade Mackenzie (SP). Professor de Engenharia de Software no pós-graduação em Governança de TI da Universidade Mackenzie (SP), e de Estratégias de Negócios Sustentáveis no MBA da FIAP (SP). Desenvolveu e é tutor do curso online sobre Cidades Sustentáveis baseado na ISO 37.120, e coordena o fórum virtual sobre Cidades Inteligentes. Desenvolve projetos de eficiência energética e energia sustentável. Produz cursos online, aplica workshops de ideação, mentoring sobre tecnologias sustentáveis e projetos de inovação sustentável baseados no GRI (Global Reporting Initiative). Desenvolveu projetos na Alemanha, Argentina, Estados Unidos, Índia, Inglaterra e Itália. Fundou três startups.
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