Transformação digital é tema superado, o desafio é enfrentar as empresas 996

Empresas 996, onde os funcionários trabalham no mínimo 12 horas/6 dias por semana, dominarão os mercados globais em diversos setores. Quem trabalha mais evolui seu midset e consegue o sucesso. As empresas de tecnologia 996 chinesas já lideram o mercado de inteligência artificial, pelo menos em projetos de implementação. Quem dominar a tecnologia de inteligência artificial dominará os mercados. As novas leis de restrição a dados ainda são pouco efetivas frente aos sofisticados algoritmos de redes neurais que podem detectar perfis de comportamentos por diversos elementos indiretos. Trabalhar muito, diminui a curva de aprendizado, massifica processos e reduz custos. Transformação digital é uma fase que está superada, o desafio agora é enfrentar as empresas 996. A solução é se tornar uma 996.

Deus ajuda quem cedo madruga, diz o velho ditado. Pesquisas mostram que executivos de sucesso acordam entre 5 e 6 horas da manhã. Hábitos saudáveis incluem disciplina na alimentação, sono, exercícios, meditação e acordar cedo. Boa alimentação logo cedo, exercício de pelo menos uma hora, meditação de 10 minutos e sono de qualidade, nos permite iniciar o trabalho às 9 horas da manhã. Trabalhar 12 horas por dia pode ser compensador se o objetivo for gratificante com indicadores de crescimento profissional em um ambiente agradável e motivador, apesar do esforço.

As empresas de tecnologia chinesas adotaram o conceito de empresas 996, onde trabalham das 9 horas da manhã até as 9 horas da noite, de segunda a sábado. Pode parecer loucura, mas estas empresas estão transformando o mercado.

O volume de trabalho reduz o tempo de implementação de projetos, maximizando os recursos humanos e tecnológicos, e antecipando os benefícios financeiros dos projetos. Ou seja, desenvolver projetos com empresas 996 é mais eficaz e rentável.

Alguns podem dizer que isto vai contra ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 8 da ONU, que prevê o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas e todos. Entretanto, só haverá emprego para todos e todas se houver empresas para contratá-los. Se as empresas não adotarem práticas e modelos de negócios globais perderão a competitividade e reduzirão, drasticamente, o número de empregados.

Se parece ser inevitável competir no futuro com empresas 996, como se preparar para enfrenta-las?

O desafio é grande. A começar pelo novo comportamento dos jovens que buscam o equilíbrio entre o trabalho e o lazer. Um outro desafio é legislação trabalhista, especialmente, no Brasil onde existe uma Justiça do Trabalho desde 1941, que ainda usa conceitos do seu criador, Getúlio Vargas (o pai dos pobres), que resiste em legislar com as novas regras trabalhistas aprovadas pelo Congresso e homologadas pelo Presidente da República. Compreensivelmente, frente a insegurança jurídica, os empresários adiam decisões que podem tornar suas empresas mais competitivas.

Enquanto observamos o desenvolvimento das empresas 996 fora do país, podem adotar algumas práticas que não firam nossa atual legislação, como:

  1. Implementar ferramentas de produtividade;
  2. Montar pequenas equipes orientadas a serviços usando metodologias ágeis;
  3. Incentivar os empregados a estudarem no período noturno no desenvolvimento de projetos acadêmicos em áreas do conhecimento utilizadas pela empresa.

Tais ações, reduzem a curva de aprendizado e aumentam a produtividade da empresa.

Qualquer alternativa para operar empresas 996 no Brasil deve passar por revisões profundas na legislação pelo Congresso Nacional e que sejam cumpridas pelo Poder Judiciário, incluindo a revisão da pertinência da Justiça do Trabalho. A grande questão é a insegurança jurídica.

Ainda nos resta avaliar a alternativa de aproveitar os atraentes benefícios fiscais das Zonas Francas do Uruguai e Colômbia ou dos baixos tributos do Paraguai. Países próximos com legislação mais flexível que a brasileira. No Brasil, a flexibilização das ZPEs (Zonas de Processamento de Exportação) para permitir serviços ao invés de apenas indústrias de transformação foi barrada no Congresso. Lembrando, que o sucesso chinês se deve às ZPEs, que empregam 30 milhões de trabalhadores do total global de 37 milhões trabalhadores em ZPEs.

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