Oportunidades de inovação para 88% das famílias brasileiras

Apenas 12% das famílias brasileiras possuem rendimentos acima de R$7.880,00 por mês, classificados como Classe A e B (IBGE, 2015). Um mercado atraente para produtos e serviços inovadores e oportunidade para muitas startups e empresas já estabelecidas atingirem receitas atraentes. Os avanços tecnológicos permitem maior produtividade e redução dos custos de produção e operação, nem sempre acompanhados com redução dos preços dos produtos e serviços. Fato que reduz o emprego e aumenta a desigualdade entre as pessoas. Como consequência podemos ter redução da qualidade de vida dos trabalhadores menos qualificados, aumento da violência e comprometer o crescimento do PIB nacional. Por outro lado, os 88% das famílias das classes CDE podem gerar novas e atraentes novas oportunidades de negócios.

Vários indicadores mostram grandes desafios para o futuro dos brasileiros. No Brasil, apenas 43% da população acima de 25 anos concluiu o ensino médio. Nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) o índice é de 90%. Um em cada três jovens de 19 anos está fora da escola. Estamos na 67ª posição no ranking de 72 países do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) que avalia alunos de até 15. O Brasil não está entre as 50 economias mais inovadoras do planeta. Apenas agora começamos a discutir a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da educação infantil e do ensino fundamental e, recentemente, foi aprovada a reforma no ensino médio.

A indústria brasileira enfrenta dificuldades e deve fazer um grande esforço de renovação. O setor automobilístico é um termômetro da economia do país. Ford, GM e Volks entre o início de 2014 e dezembro de 2017, tiveram perdas bilionárias. Um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Recuperação Empresarial mostra que, até setembro de 2016, 130 fabricantes de autopeças já faliram, enquanto outras 105 pediram recuperação judicial.

A renovação da indústria deve adotar as novas tecnologias da Indústria 4.0: automação extrema para a produção em massa de produtos personalizados, com suporte de inteligência artificial. Isto requer profissionais altamente qualificados. Aumentando, consideravelmente, a produtividade das fábricas os produtos tendem a reduzir de preço e alcançar mercados mais amplos.

Analisando os índices educacionais e os desafios da indústria vemos que existe um grande desafio. Felizmente, o SENAI está qualificando vários jovens para atuarem na Indústria 4.0. Entretanto, o número é insuficiente para toda a indústria nacional.

Uma alternativa é investir em novos produtos e serviços inovadores para as famílias de baixa renda. As Universidades brasileiras responsáveis pela captação da maior parte das verbas de pesquisa dos órgãos governamentais deveriam focar em projetos de geração de renda e produtos para atender as classes CDE.

Economia Criativa

Um exemplo é investir na economia criativa, conjunto de atividades econômicas relacionadas a produção e distribuição de bens e serviços que utilizam a criatividade e as habilidades dos indivíduos ou grupos como insumos primários. No mundo, o comércio de bens e serviços criativos somou US$ 624 bilhões (R$ 2,3 trilhões) em 2011, mais do que o dobro do registrado em 2002, aponta a Unesco. No Brasil, a indústria criativa empregava 1,8% dos trabalhadores formais em 2013, com 892,5 mil profissionais. Em quase dez anos, o número de empregados no ramo saltou 90%, superior ao avanço de 56% do mercado de trabalho brasileiro como um todo no mesmo período.

Os novos avanços tecnológicos podem potencializar a criatividade e as habilidades dos indivíduos. Nesta linha, sugiro pesquisas e desenvolvimento de novos negócios. Acredito que podemos encontrar novos modelos de crescimento econômico usando nossas habilidades criativas.

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