Os desafios da transformação digital e sustentabilidade

Investidores querem mais informações sobre questões ambientais, sociais e de governança corporativa antes de colocar dinheiro em uma empresa, segundo uma pesquisa da consultoria EY (Ernst & Young). Em 2016, 68% dos 320 investidores com mais de US$10 bilhões em ativos disseram que as informações não financeiras são fundamentais para definir o destino de seus investimentos. Simultaneamente, os executivos são pressionados para a transformação digital de seus negócios, buscando os benefícios da automação extrema usando as tecnologias da Industria 4.0 e sistemas mais inteligentes fazendo uso de sensores remotos (IoT), Big Data, realidade aumentada e inteligência artificial (Machine Learning, Redes Neurais e Deep Learniing). O uso destas tecnologias reduz o impacto ambiental e o aquecimento global, porém também reduz, drasticamente, o número de empregos. A velocidade das mudanças tecnológicas gera uma rápida obsolescência de algumas habilidades humanas, incluindo o raciocínio mental, e um desafio para a requalificação da mão de obra. Para ser sustentável e usando as novas tecnologias digitais as empresas precisam ampliar suas ações sociais com a comunidade, incluindo o fomento ao empreendedorismo.

Sustentabilidade e Transformação Digital

Apesar de existirem frameworks para a avaliação dos fatores ambientais e sociais, como o GRI (Global Reporting Initiative) e o Índice de Sustentabilidade Empresarial do Instituto Ethos e Sabrae, os investidores ainda utilizam bases informais de dados para suas avaliações. Isto porque uma boa parte das empresas não divulgam de forma estruturada seus programas de Responsabilidade Socioambiental. Existem algumas iniciativas para auxiliar os empresários a desenvolver programas de sustentabilidade empresarial, como o Fórum Negócios Sustentáveis (www.forumnegociossustentaveis.com.br) que realiza um pré-diagnóstico gratuito da situação das empresas e recomenda ações de ambientais e sociais, a partir de um questionário estruturado com informações das empresas.

A BM&FBovespa criou em 2015 o ISE, Índice de Sustentabilidade Empresarial, com uma carteira de 50 empresas. O ISE acumula uma valorização de 154,6% desde seu lançamento, enquanto o Ibovespa, índice das ações mais negociadas da Bolsa, acumula um avanço de 101,5%, no mesmo período. Isto demonstra a importância dos fatores ambientais e sociais considerados pelos investidores. Quando uma empresa decide investir em sustentabilidade e medir seus impactos é necessário ter um modelo de governança mais robusto, o que melhora a avaliação do desempenho da empresa e reduz os riscos operacionais.

Melhorando o controle, cria-se oportunidades para melhorias contínuas dos processos e automação. Estas ações, muitas vezes, provocam redução de mão de obra.

Vejamos, investidores e consumidores exigem responsabilidade socioambiental, melhor qualidade nos produtos e serviços, e preço competitivo das empresas. A solução para atender os requisitos de qualidade e preço é a automação e digitalização, que por sua vez reduz a necessidade de mão de obra, incluindo mão de obra especializada. A crescente adoção destes fatores pelas empresas fará que o “novo normal” seja automação extrema, uso intensivo de inteligência artificial, otimização extrema dos recursos naturais e poucos empregos.

Conseguiremos atender todas as demandas de investidores e consumidores, menos a geração de empregos de qualidade. Uma das poucas alternativas para geração de empregos é o investimento das empresas em programas sociais e fomento ao empreendedorismo.

Os programas sociais são importantes para garantir que as crianças e os inempregáveis tenham condição de vida dignas e possam contribuir com a sociedade. O empreendedorismo cria oportunidades para os dois lados, para o empreendedor que desenvolve novos negócios e para a empresa que pode aproveitar as startups para alavancar novos produtos e novos mercados. Com estas ações as empresas podem completar alcançar suas metas de sustentabilidade e transformação digital.

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