Para que servem os dados se não agimos para mudar?

Ser otimista demais com a tecnologia, sem uma resposta para seus impactos sociais e ambientais pode assustar algumas pessoas. A falta de uma análise holística do cenário global, focando apenas em fatos isolados e locais, reduzem a visão dos movimentos que acontecem no mundo. A superficialidade das informações, através de manchetes das redes sociais, reduzem a capacidade de análise. Não entender o que está acontecendo elimina o desenvolvimento de estratégias e revisão dos planos de ação para atuar em cenários futuros. Isto vale tanto para o lado pessoal como empresarial. As mudanças no emprego, dos modelos de negócios e modelos de governo trarão maiores impactos para pessoas e empresas passivas, que esperam as mudanças acontecerem para reagir. Infelizmente, para elas a adaptação será muito mais difícil que no passado.

A Internet já está incorporada na nossa vida, ou seja, esta revolução já passou. Agora estamos vivendo a revolução da inteligência artificial (IA) e maquinas trocando informações sem a interferência humana (IoT). Com IA e IoT os robôs podem se autoprogramar para realizar novas funções para a montagem de produtos na linha de produção. Podemos acompanhar o desempenho físico e clínico de pacientes, remotamente, sem a necessidade de se deslocarem para hospitais. Conseguimos reduzir, drasticamente, a mão de obra intensiva nos escritórios de advocacia, contabilidade, call centers, entre outros. Governos podem reduzir seus quadros de funcionários públicos e melhorar a gestão, resolvendo o déficit fiscal.

Essa racionalização dos atuais serviços e avanço de serviços compartilhados que reduzem o consumo e gera desemprego. Apenas os mais qualificados conseguem se competir no mercado. Os melhores migram para economias mais desenvolvidas para melhor seu padrão de vida, aproveitando a escassez de jovens nos países desenvolvidos. A avaliação internacional de aptidão em matemática, ciências e leitura (PISA),indica quais países têm mais chances de crescimento econômico no futuro. Infelizmente, o Brasil ocupa as últimas posições no ranking dos 72 países participantes. Neste cenário, as empresas brasileiras têm como alternativa avançar na robotização e soluções de inteligência artificial, reduzindo as oportunidades de emprego.

A legislação ambiental, aperfeiçoada a partir dos acordos internacionais, obriga as empresas e cidadãos a alterem seus processos produtivos e hábitos pessoais. Novos investimentos da empresas já usarão novas tecnologias e os cidadãos adotarão o consumo consciente. Isto restringe o mercado para profissionais mais qualificados e obriga uma revisão profunda dos lucros empresárias.

O modelo de governo do “Estado do bem estar”, onde transfere cada vez mais benefícios para os cidadãos, está se mostrando insustentável. O aumento da participação popular é fundamental para criar um novo modelo de Estado. A ausência de participação criará modelos centralizados e autoritários, com apoio de eleitores que se deixam iludir por políticos populistas. Os modelos de referencia de bons governos que temos são da Suécia, Noruega, China e Coreia do Sul. Os países asiáticos lutam contra a corrupção, porém mostram um crescimento econômico vigoroso a partir do planejamento centralizado e foco na educação.

Existem milhares de sinais que estamos vivendo uma nova revolução, diferente das outras, porque as pessoas e empresas não terão tanto tempo para se adaptar como nas anteriores. Os dados estão aí para todos, o bom uso deles para desenvolver novos negócios e habilidades pessoais cabe a cada um de nós.

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