Planejamento empresarial pós eleição para presidente

 

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Vencida a eleição para presidente do Brasil pela candidata oficial não ficou claro quais as propostas de crescimento econômico do país. Segundo uma entrevista do futuro ex-Ministro da Fazenda Guido Mantega, a população aprovou a política econômica pelo fato da atual presidente ter sido reeleita. Entretanto, a plataforma de campanha do partido governista e seus aliados venderam a ideia de um governo novo e ideias novas. Desta forma, em tese, teremos novidades no campo econômico e, consequentemente, isso se refletirá no planejamento empresarial para 2015 e dos próximos anos.

Acredito que o governo se concentrará na manutenção do emprego, ampliação dos programas sociais e na reforma política.

O desafio da manutenção do emprego tem que ser apoiado pelo crescimento econômico para manter e criar novos empregos. O crescimento econômico é fundamental para gerar receita para ampliar os programas sociais.

A reforma política apoiada por um plebiscito poderá acontecer em dois cenários: com ou sem pressão social por mais emprego e programas sociais.

Particularmente, acredito que a reforma política é a prioridade da presidente. Foi o primeiro objetivo do seu discurso após a vitória nas urnas. Agora precisamos saber qual dos dois cenários é o mais favorável para a reforma política desejada pelo partido do governo que, claramente, tem tendências pelo Socialismo, Leninismo e Trotskismo.

O primeiro cenário com pressão da sociedade, o ideal é uma situação de caos social. Esse cenário incluiria o aumento do desemprego, alta da inflação, falência de empresas provocando o desabastecimento de produtos, falta de produtos do campo pela continuidade da estiagem, queda dos preços das commodities resultando redução da entrada de dólares e aumentando o déficit da balança comercial. Com a redução da arrecadação os subsídios ficarão comprometidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Para compensar o caixa, o Tesouro Nacional terá que emitir mais títulos da dívida pública e, consequentemente, teremos um aumento dos pagamentos dos juros da dívida interna. Como isso o governo fica com o caixa limitado e deve recorrer a empréstimos externos. Com a falta de credibilidade do país, os juros serão mais elevados significando maior comprometimento da receita para o pagamento da dívida.

Nesse cenário caótico, começarão as greves de trabalhadores por mais emprego e melhores salários. O pessoal do MST aproveitará o declínio da produção agrícola para reivindicar a tomada das terras para implantar o regime de produção sob gestão dos trabalhadores, porém sem financiamento do governo os projetos se inviabilizam. O pessoal do MST entra em confronto com o governo.

Esse cenário é apropriado para convocar um plebiscito e aprovar um regime socialista para o país. A partir daí, teremos controle de preços, criação de novas empresas estatais para a produção de alimentos, habitação e infraestrutura. Com financiamento chinês serão abertas frentes de trabalho em projetos de infraestrutura. As empresas serão obrigadas a contratar os trabalhadores desempregados sob o risco de terem que passar o controle da empresa para o Estado. Altera-se o cálculo da inflação e inicia-se a emissão de moeda para criar uma economia artificial e de pleno emprego.

O segundo cenário é fazer a reforma política sem pressão. Nesse caso, a solução é criar condições para o crescimento do país. As condições climáticas e do mercado de commodities não se alterarão. As empresas têm crescimento limitado pelo elevado endividamento da população, desacelerando o consumo. Uma das medidas deve ser o aumento das exportações. Como nossa indústria não é competitiva deverão ser aprovados subsídios para as empresas exportadoras dentro dos limites exigidos pela Organização Mundial do Comércio. Novas linhas de crédito subsidiados deverão ser liberadas com flexibilização de garantias.

Novos acordos internacionais bilaterais deverão ser estabelecidos para ajudar nas exportações. O que sobrou do Fundo Soberano de R$14 bilhões para financiar empresas no exterior deverá ser utilizado para garantir a compra de produtos brasileiros como contrapartida. Isso exigirá uma maior agressividade comercial das embaixadas e das Câmaras de Comércio com os países aliados e no desenvolvimento de novos parceiros comerciais.

Com base na cooperação entre os países latino-americanos do pacto do Fórum São Paulo, teremos que negociar a ampliação das nossas exportações para esses países minimizando as contrapartidas.

O setor de turismo pode ajudar, significativamente, com uma maior divulgação e subsídios para os turistas visitarem o país.  Como atrativo para os turistas e retenção da evasão de divisas dos turistas brasileiros no exterior, poderiam ser criadas Zonas Francas nas regiões turistas.

Para estimular o crédito e aumentar o consumo, deverão ser criadas condições e subsídios para o pagamento das dívidas da população. Desta forma, começaria um novo ciclo de consumo interno e crescimento econômico.

Nesse cenário, o governo teria credibilidade para aprovar uma reforma política de acordo com suas premissas e desejos.

PLANEJAMENTO EMPRESARIAL NOS DOIS CENÁRIOS

Cenário com pressão da sociedade

Nesse cenário a empresa deve ter provisão de caixa para suportar um longo período de prejuízo, baixa liquidez dos seus ativos e fundos para indenizações trabalhistas. Deverá aumentar sua segurança patrimonial para se proteger contra eventuais atos de vandalismos. Reduzir ao mínimo o número de empregados para se proteger de eventuais Decretos Lei que proíbam demissões para evitar o desemprego em massa. Rever sua linha de produtos para focar ou desenvolver produtos de baixo custo e explorar novos mercados. Explorar mercados no exterior similares ao mercado da empresa no Brasil para exportação. Criar uma empresa no exterior em conformidade com a legislação brasileira para coordenar as operações fora do país (off-shore). Avaliar a montagem de uma fábrica no país de maior mercado no exterior com investimento próprio dos sócios estatutários da empresa, mesmo que tenha que se desfazer de algum ativo no país. Utilizar ao máximo os incentivos fiscais permitidos pela legislação, incluindo a Lei do Bem e subvenções da FINEP.

Cenário sem pressão da sociedade

Nesse cenário a empresa deve aproveitar todos os incentivos fiscais, subvenções da FINEP e crédito subsidiado do governo. Deve manter sua estrutura organizacional, aumentar sua equipe de vendas e desenvolver uma estratégia mais agressiva de vendas na Internet. Existindo recursos de financiamento do BNDES ampliar a produção e construir novas fábricas para novos produtos e mercados. A empresa deve aproveitar os recursos para desenvolver novos produtos e explorar novos mercados, incluindo mercados no exterior. Criar uma empresa no exterior em conformidade com a legislação brasileira para coordenar as operações fora do país (off-shore). Avaliar a montagem de uma fábrica no país de maior mercado no exterior com investimento próprio dos sócios estatutários da empresa, mesmo que tenha que se desfazer de algum ativo no país.

SUMÁRIO

O governo deve se concentrar na manutenção do emprego, ampliação dos programas sociais e na reforma política. Provavelmente, a reforma política é uma prioridade do governo. Pelas tendências pelo Socialismo, Leninismo e Trotskismo dos partidos aliados ao governo o país deve se encaminhar para um regime socialista, acompanhando o movimento dos países latino-americanos signatários do Fórum São Paulo.  O sucesso da manutenção do emprego e dos programas sociais depende do crescimento econômico do país ou de um regime centralizador que imponha condições artificiais na economia. A reforma política pode acontecer em cenários com ou sem pressão social. O empresário deve ter estratégias para os dois cenários. Entretanto, nos dois cenários possíveis o empresário deve considerar novos produtos de baixo custo e novos mercados, incluindo mercados no exterior. Deve considerar a criação de empresa no exterior (off-shore) em conformidade com a legislação brasileira para coordenar e fabricar seus produtos no país de maior mercado.

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