A guerra do marketing dos certificados dos Data Centers

Acompanhei uma discussão no Linkedin sobre certificações de data centers pelo Uptime Institute. A discussão começou com um post de um grande player do mercado relatando à conquista de certificados Tier III em dois de seus data centers no Brasil. A discussão avançou com um participante dizendo que outro player também tinha dois data centers certificados. Teve uma replica dizendo que a certificação do primeiro era para Cloud Computing e não serviços de Colocation. Outro post comparou o investimento de R$100 milhões de um data center Tier III contra R$3,3 bilhões de um data center Tier IV, citando o caso do novo data center do Itaú em Mogi Mirim.

Durante a leitura dos posts, lembrei que quando comecei a trabalhar com data centers, há muitos anos atrás, era proibido colocar placas de identificação de data centers, para não facilitar a ação de pessoas de má fé. Hoje, com a ajuda do pessoal de marketing e do Google Maps conseguimos ter acesso a muitas informações críticas, incluindo a localização dos geradores de energia, tanques de combustível, subestação de energia, etc.

Apenas para lembrar, o Uptime Institute tem duas formas de certificação: (1) Design Documents; e, (2) Constructed Facility. Essas certificações referem-se apenas à topologia física da infraestrutura que impacta, diretamente, no ambiente computacional. Existem quatro níveis de certificação: (1) Tier IV – infraestrutura local tolerante a falhas com disponibilidade de 99,995%; (2) Tier III – infraestrutura local paralelamente sustentável com disponibilidade de 99,982%; (3) Tier II – infraestrutura local com componentes redundantes com disponibilidade de 99,741%; e, (4) Tier I – infraestrutura local básica com disponibilidade de 99,671%.

Entretanto, a certificação que considero mais relevante é de sustentabilidade operacional do Uptime Institute. Essa certificação avalia a gestão e operações (como qualificação do pessoal, programas de manutenção, presença de pessoal, por exemplo), construção com características adicionais e, localização do site (por exemplo, inundações, corredores de transporte, etc.).

O único site com certificação de sustentabilidade operacional pelo Uptime Institute no Brasil é o data center da Telefônica/Vivo em Santana de Parnaíba, na Av. Marcos Penteado de Ulhôa Rodrigues, atrás da Sky TV, no lado da Plural Indústria Gráfica (onde é impresso o jornal Folha de São Paulo). Também dividido apenas pelo muro da gráfica, fica localizado o novo data center da BM&F Bovespa, classificado como Tier III Certification of Design. Veja a foto abaixo.

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Instalar dois data centers de missão crítica no lado de uma gráfica que processa toneladas de papel diariamente e que mantem estocados toneladas de tinta e outros componentes altamente inflamáveis é no mínimo curioso. Um eventual incêndio na gráfica, paralisaria complemente a região, impedindo inclusive o reabastecimento dos tanques de combustível dos dois data centers, por questões do bloqueio do trânsito e riscos devido ao calor irradiado do incêndio. Comento isso por experiência própria em um incêndio na área de pintura da linha de produção que ficava próxima do data center na planta da Volkswagen (na época da Autolatina) na Rodovia Anchieta. Tivemos que acionar o plano de contingência e desativar o data center devido ao calor, riscos de explosões e dificuldade de acesso ao prédio.

A exposição das certificações dos data centers na mídia para marketing, tanto da entidade certificadora como das empresas, aguça o apetite dos crakers e se tornam alvo de mais ataques cibernéticos. Entramos na mesma questão de quais arquivos criptografar nas empresas. Melhor criptografar todos, evitando a sinalização de quais arquivos são mais importantes.

Outra questão que considero importante avaliar é a concentração de data centers em determinadas regiões, tipo na cidade de São Paulo, Barueri e região de Campinas. Veja o post  http://efagundes.com/blog/o-risco-de-concentrar-data-centers-em-grandes-cidades/.

Confesso que selos de certificação não me impressionam.  Nos bastidores existe uma disputa entre o Uptime Institute e a Associação das Indústrias de Telecomunicações (TIA) com sua norma TIA 942, com algumas trocas polidas de opiniões. Nas seleções de serviços de data centers que fiz ao longo dos anos, inclusive internacionais, sempre fui atrás dos detalhes e evidências que comprovassem os processos e infraestrutura que suportam as certificações.

Em minha opinião é necessário identificar a real necessidade da infraestrutura e processos dos data centers para as operações da sua empresa e esquecer as certificações. Dá mais trabalho, porém você terá a certeza que está contratando um serviço adequado a sua empresa com mais opções de fornecedores para contratação e maiores oportunidades de redução de custos.

Lista dos data center certificados pelo Uptime Institute no Brasil em 16/7/2015.

Company Data Center Name Data Center Location Tier Certification
Telefonica VIVO Data Center Tambore Sao Paulo, Sao Paulo Tier III Gold Certification of Operational Sustainability
Brasil Tier III Certification of Constructed Facility
Tier III Certification of Design Documents
Banco Santander Brasil S/A Centro Tecnológico Campinas – DC2 Sao Paulo, Tier IV Certification of Constructed Facility
Brasil Tier IV Certification of Design Documents
Banco Santander Brasil S/A Centro Tecnológico Campinas – DC1 Sao Paulo, Tier IV Certification of Constructed Facility
Brasil Tier IV Certification of Design Documents
EQUINIX Brasil Site Tambore – SP2, Phase 3 Barueri, Sao Paulo Tier III Certification of Constructed Facility
Brasil Tier III Certification of Design Documents
Ascenty Data Centers Locação E Serviço LTDA Ascenty DC Fortaleza Fortaleza, Ceara Tier III Certification of Constructed Facility
Brasil Tier III Certification of Design Documents
Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo DATA CENTER – DCMPF – TJES Vitoria, Espirito Santo Tier III Certification of Constructed Facility
Brasil Tier III Certification of Design Documents
Itau Unibanco Centro Tecnologico Mogi Mirim-DC2 Sao Paulo, Tier III Certification of Constructed Facility
Brasil Tier III Certification of Design Documents
Itau Unibanco Centro Tecnologico Mogi Mirim-DC1 Sao Paulo, Tier III Certification of Constructed Facility
Brasil Tier III Certification of Design Documents
VIVO S.A. Data Center Tambore Sao Paulo, SP Tier III Certification of Constructed Facility
Brasil Tier III Certification of Design Documents
Matrix Data Center DC Matrix 1 Sao Paulo, Tier III Certification of Design Documents
Brasil
Getnet Tecnologia Getnet Campo Bom Campo Bom, Rio Grande do Sul Tier III Certification of Design Documents
Brasil
Ascenty Data Centers Locação E Serviço LTDA Ascenty DC Jundiai Sao Paulo, Tier III Certification of Design Documents
Brasil
Oi Cyber Data Center Data Center SIG – Brasília – DF Brasília, Distrito Federal Tier III Certification of Design Documents
Brasil
Governo do Estado do Parana CELEPAR Data Center Curitiba, Tier III Certification of Design Documents
Brasil
ALOG Data Centers do Brasil Rio de Janeiro – Site RJ2 Rio de Janeiro, Tier III Certification of Design Documents
Brasil
CSU CSU.ITS Sao Paulo, Tier III Certification of Design Documents
Brasil
BM&F BOVESPA S.A. DATA CENTER BM&F BOVESPA Sao Paulo, Tier III Certification of Design Documents
Brasil
CODEMIG Data Center da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais Belo Horizante, Tier III Certification of Design Documents
Brasil
CODEMIG DC PRODEMGE – Tecnologia Belo Horizonte, Tier III Certification of Design Documents
Brasil
Ascenty Data Centers Locação E Serviço LTDA Ascenty DC Campinas Sao Paulo, Tier III Certification of Design Documents
Brasil
Embratel Data Center Embratel Lapa Sao Paulo, Tier III Certification of Design Documents
Brasil
Globo.com Globo.com Datacenter Rio de Janeiro, Tier III Certification of Design Documents
Brasil
Petrobras CIPD Centro Integrado de Processamento de Dados Rio de Janeiro, Rio de Janeiro Tier III Certification of Design Documents
Brasil
T-Systems Brazil T-Center Barueri, Sao Paulo Tier III Certification of Design Documents
Brasil
Ativas Data Center Belo Horizonte, MG Belo Horizonte, Minas Gerais Tier III Certification of Design Documents
Brasil

Sensores wireless para medir temperatura e umidade em data centers

Uma solução para monitorar a temperatura e umidade dos data centers é usar sensores wireless. Essa solução permite centralizar a monitoração de todos os espaços dos prédios, especialmente do data centers que são grandes consumidores de energia e precisam ter temperaturas e umidade controladas. Ocorre que muitas instalações usam diferentes sistemas de automação (BAS – Building Automation System) que apresentam os dados de forma individualizada, dificultando o acompanhamento integrado. Ainda, alguns desses sistemas usam displays que precisam ser lidos e registrados em planilhas pelos técnicos de manutenção. A monitoração integrada através de sensores wireless permite a redução do PUE (Power usage effectiveness), métrica de eficiência energética dos data centers.

Entre os benefícios dessa tecnologia estão a visualização do desempenho da refrigeração através de software, atender os requisitos de umidade da instalação, minimizar as medições manuais que requerem abertura de tampas do piso, identificar pontos críticos de temperatura, acompanhar o histórico das temperaturas, melhorar o desempenho das manutenções preventivas e acompanhar o PUE em tempo real.

A figura abaixo mostra a localização dos sensores em um rack para equipamentos em um data center.

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Com a expansão do uso de sensores baseados em IoT (Internet of Things) é possível soluções de excelentes relação custo/benefício.

Projeto sobre Sustentabilidade e Energia Renovável para Data Centers

Estamos liderando um projeto sobre sustentabilidade e energia renovável para data centers na SUCESU-SP. O próximo encontro será no dia 24 de abril de 2014 entre 8h30 às 13h00.

O projeto introduz ações para reduzir a emissão de gases do efeito estufa, consumo e custo da energia nos data centers, através de práticas de racionalização de uso, novas tecnologias e ações conjuntas com o governo. Essas ações de responsabilidade empresarial contribuem para a preservação do meio ambiente e aumento da competitividade dos data center, resultando em melhor qualidade de vida para as pessoas, manutenção e crescimento de empregos qualificados.

O projeto prevê programas educacionais para uso racional de energia, estudos e benchmarking entre os associados sobre eficiência energética e emissão de gases do efeito estufa, aconselhamento em projetos técnicos, negociação com governos e agências reguladoras para a viabilização de projetos, identificação de municípios para a instalação de novos data centers e estudo para uso de energia do mercado livre.

Estudos mostram que os data centers consumem entre 1.1% e 1.5% da eletricidade global.

O estilo de computação em nuvem (Cloud Computing) e a computação móvel têm impulsionado o uso intensivo de processamento centralizado, indicando que apesar das ações de eficiência energética, o crescimento de consumo de energia dos data centers tem viés de alta.

Outro desafio dos data centers é reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Um estudo do Greenpeace de 2008 (Smart 2020) mostrou que os data centers produzem cerca de 116 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) e que o setor de TI inteiro é responsável por 2% das emissões globais de gases do efeito estufa.

A crescente dependência dos data centers gera reflexos na economia e na política. Hospedar um data center em uma região (cidade, estado ou país) traz desenvolvimento socioeconômico através do aumento do nível emprego qualificado, crescimento da economia local, saúde e educação.

O primeiro encontro de executivos de data centers em novembro de 2013 contou com a participação do Banco do Brasil, Bradesco, HSBC, Santander, Infor, Interadapt, CA, CPFL Renováveis, Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE) e ABRAGEL (Associação dos Geradores de Energia Limpa), entre outros. O resultado foi a conscientização do tema e a confirmação da viabilidade do projeto.

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O segundo encontro, agendado para o dia 24 de abril de 2014, tem o objetivo de engajamento de mais associados ao projeto, apresentação de novas tecnologias e modelo de fornecimento de energia renovável, aproximação com agências reguladoras e governo, e apresentação da proposta de levantamento de dados sobre consumo de energia e emissão de gases de efeito estufa dos associados.

PAUTA DO ENCONTRO

  • Cenário do setor elétrico brasileiro;
  • Plano Municipal de Mudanças Climáticas e Gestão de Resíduos Sólidos;
  • Novas tecnologias e modelos de negócios de fornecimento de energia;
  • Métricas para avaliação e acompanhamento do consumo de energia e emissão de gases do efeito estufa;
  • Apresentação da proposta de levantamento e benchmarking entre os associados.

Material do projeto

Facebook investiu US$660M em 2011 no seu novo data center

Fazendo uma análise nos documentos que a empresa Facebook entregou para a Comissão Valores Imobiliários dos EUA (SEC – Securities and Exchange Commission) para fazer o seu IPO, observa-se o aumento dos gastos na sua infraestrutura de data centers.

As despesas da Facebook saltaram de US$223M em 2009, para US$493M em 2010 para US$860M em 2011, respectivamente. A Facebook alega que o aumentou é em decorrência de sua mudança de estratégia de gestão de data centers e de sua rápida expansão.

As despesas dos data center incluem as instalações, depreciação dos servidores, aluguel de equipamento, custos de energia e telecomunicações, custos de manutenção, salários dos empregados, benefícios e bônus em ações da companhia.

O investimento da Facebook na sua infraestrutura de data center, incluindo os custos de servidores, equipamentos de armazenamento de dados e rede, e a própria construção do data center foi de US$606M em 2011.

Esse custo reflete a mudança de sua estratégia na gestão dos data center. A nova abordagem está se mostrando mais econômica do que alugar espaço em data centers de terceiros e na utilização de servidores padrão da indústria. A Facebook utiliza uma arquitetura de servidores exclusiva para suas operações.

A Facebook tem data centers em Prineville, Oregon e na Carolina do Norte. Anunciou planos para construir um data center na Suécia em outubro de 2011.