Não podemos subestimar a eficiência energética

Os investimentos globais em eficiência energética chegarão a US$5,8 trilhões de dólares até 2030, com investimentos anuais de US$385 bilhões, reduzindo em um terço a demanda mundial de energia até 2040, enquanto a economia deve crescer em 150%. Iniciativas em eficiência energética geram mais empregos, reduzem os custos operacionais das empresas, fortalece a segurança energética e reduz as emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, através do Programa de Eficiência Energética da Aneel, usando 0,25% da receita líquida operacional das concessionárias de distribuição de energia, oferece recursos para projetos de eficiência energética apenas com correção monetária e juro zero (sim, juro zero – isso existe no Brasil). Porém, ainda não é o suficiente para motivar e crescer o mercado de eficiência energética no país. Obviamente, que a qualificação profissional é chave nesse mercado.

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Custo da energia para a indústria deve aumentar 53% no próximo mês.

Somando os subsídios sociais, pagamento das despesas do setor e os custos das termelétricas, a indústria deve pagar R$79 a mais por MW consumido. Uma indústria que consume 30MW que hoje paga R$150 por MW passará a pagar R$229 por MW. Passará a ter uma despesa de R$20,8 milhões ao longo de um ano. Alguns empresários afirmam que com esse cenário em breve não teremos mais problemas de energia, pois com a aniquilação da indústria nacional sobrará energia para outros setores.

Acredito ser pouco provável que a indústria consiga subsídios para a energia, pois é uma importante fonte de arrecadação de impostos. Com um ICMS de 30% é uma das poucas receitas que ficam para os Estados. O PIS/COFINS é uma receita importante para atingir a meta de superávit do governo. As concessionárias de distribuição de energia precisam pagar os empréstimos do rombo no orçamento causado pela MP579, uma das trapalhadas do governo no setor elétrico.

A carga de impostos e o desequilíbrio de preços da energia entre consumidores industriais e residenciais, faz a nossa indústria pagar um dos preços mais caros de energia do mundo. No Brasil, a energia da indústria é 20% mais barata que a residencial. Na Dinamarca é 70% e nos Estados Unidos é 44%. A justificativa é o consumo concentrado da indústria e não fortemente pulverizado como o residencial.

As novas regras da Aneel sobre os encargos para o consumidor da PLD (preço de energia do mercado à vista) deve aumentar os encargos dos consumidores em até R$20 por MW consumido.

No ano passado, o governo usou a CDE, Conta de Desenvolvimento Energético, para manter o custo da energia. Hoje, com o aperto fiscal a conta de cerca de R$21 bilhões será repassada para o consumidor.

A solução para a indústria é investir em eficiência energética, incluindo estudos de autoprodução de energia e ingresso no mercado livre de energia.

Não dá mais para “empurrar” essa questão, pois a conta será alta no final do mês, comprometendo significativamente as margens de lucro.

O crescimento sustentável da economia depende do consumo de energia renovável

Atualmente, o grande desafio dos países é o crescimento econômico com o objetivo de criar e manter os empregos. Na última reunião do G20, países que concentram 85% da econômica mundial, foi colocado o desafio de crescimento da economia de 2,1% até 2018, representando um aumento de US$2 trilhões.

A geração de energia é fundamental para apoiar o crescimento, tanto que a energia é uma das dez iniciativas apontadas para apoiar o desenvolvimento. A questão está no custo de geração da energia. Devido a escala de produção, a geração de energia renovável tem custo maior que a energia baseada na queima de carbono. Mantendo os atuais processos de produção da indústria e os hábitos de consumo das pessoas, a adoção de energia renovável torna-se, economicamente, inviável. A solução é rever os processos de produção e incentivar as pessoas a repensar seus hábitos de consumo de energia.

Por outro lado, existe um esforço internacional para controlar as mudanças climáticas e evitar situações extremas que podem neutralizar ou destruir as economias dos países. Veja o caso da grande estiagem que a região Sudeste do Brasil está sofrendo e suas consequências na economia.

De nada adianta resolvermos os problemas de curto prazo e criarmos uma bomba relógio para as gerações futuras. Estudos mostram que o limite máximo de concentração de CO2 na atmosfera para suporte da vida na Terra é de 350 ppm (partes por milhão). Esse limite foi ultrapassado em 1988.

A geração de energia com base na queima de carbono (carvão, gás e óleo) é um dos grandes ofensores de emissão de carbono. Existe um grande esforço internacional pela substituição da matriz de geração por energia renovável. Entretanto, a demanda por energia é maior que a produção de energia renovável, fazendo que ainda se use e se planeje usar energia com base na queima de carbono.

A Google, no passado, destinou grandes investimentos para o desenvolvimento de tecnologias de geração de energia limpa, porém desistiu em 2011 por entender que a solução está mudança de paradigmas de consumo.

Vamos analisar a situação do Brasil.

Em novembro de 2014, a matriz energética tinha a seguinte composição: 63,09% de geração de hidrelétricas; 28,35% de geração por termelétricas; 3,53% de geração por PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas); 3,29% de geração eólica; 1,5% de geração nuclear; 0,01% de geração fotovoltaica; e, 0,22% de energia de usinas hidrelétricas de pequeno porte (menor que 1MW).

A lição que nós estamos aprendendo que a concentração de geração de energia por hidrelétricas de grande porte coloca a matriz energética em risco quando ocorre eventos climáticos extremos, como a longa estiagem a partir de 2013. A estratégia do governo é aumentar a geração das termelétricas para compensar a queda de produção das hidrelétricas.

Incentivar a geração de energia eólica e fotovoltaica é uma boa alternativa e deve ser feita através de incentivos fiscais e outros subsídios, a exemplo de outros países, como na Alemanha. Entretanto, a geração a partir dessas fontes é instável, pois dependem do vento e do sol.

Na minha opinião, a solução está no controle da demanda individual. Na indústria, repensar os processos de produção e investir em tecnologias e insumos que requeiram menor consumo de energia. No setor de serviços (comércio e escritórios), buscar soluções de redução do consumo de energia pela substituição da iluminação por lâmpadas LED, por novas tecnologias de climatização ambiental e equipamentos com menor consumo de energia, incluindo os computadores. Nas residências, adotar aquecimento solar para água, evitar banhos longos de chuveiro elétrico (principalmente, entre 18 e 21 horas), evitar manter equipamentos ligados (mesmo em standby) e substituir as lâmpadas por LED.

Outra alternativa, cada vez mais economicamente viável, é a produção de energia independente através de micro e mini geração, usando painéis fotovoltaicos e energia eólica. A atual legislação já permite a geração independente até 1MW com a possibilidade de troca de energia com a concessionária de distribuição local. Existe uma proposta para aumentar o limite de geração para até 30MW.

Alterando a legislação para ampliar a produção da micro/mini geração será possível a adoção de soluções “off-grid” de energia, ou seja, as empresas e residências poderiam operar sem a energia da concessionária, ficando com uma conexão à rede pública apenas para contingência, em caso de falha do sistema independente.

Para as empresas, alguns desses projetos podem ser enquadrar na Lei do Bem pelo seu viés de inovação e conseguir incentivos fiscais adicionais.

É fato que as concessionárias de distribuição não estão preparadas, tecnologicamente, para a adoção em massa de produção independente de energia pelos consumidores. Existem questões técnicas de acoplamento elétrico das fontes independentes com o sistema integrado de distribuição de energia para garantir a estabilidade do sistema.

Outra questão é a medição do consumo que nesse novo ambiente, que deve ser, totalmente, automatizado com medidores eletrônicos. Essa adequação tecnológica por parte das concessionárias requer investimentos que devem ser amortizados através de aumento de tarifas, situação que impacta, diretamente, na economia e inflação.

Os desafios são grandes, entretanto, se quisermos o crescimento sustentável da economia com geração de empregos e garantir o futuro das próximas gerações temos que tomar decisões de tamanha proporção e responsabilidade.