Acordo do clima de Paris promoverá a inovação global

O Parlamento Europeu ratificou o acordo sobre o clima para reduzir em 55% as emissões de gases do efeito estufa. O objetivo é freiar o aquecimento global. Até então 62 países tinham ratificado o acordo que representava 52% da emissões. Com a adesão da União Europeia o patamar foi superado. O Brasil ratificou o acordo em setembro de 2016.

O resultado prático dos acordos é a aprovação de leis que obrigam empresas e cidadãos a adorem novas práticas de conduta e novos processos industriais para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Isso obrigará a busca de inovação pelas empresas. Continue lendo “Acordo do clima de Paris promoverá a inovação global”

Lobistas internos retrógrados atrasam o crescimento das empresas

Você que é a favor do Uber e fã das séries da Netflix, provavelmente, é contra o lobby que os taxistas fazem nas Câmaras de Vereadores e Congresso contra o serviço e fica com medo de pagar mais e perder as melhores séries do planeta se o Netflix for regulado e limitado.

Os usuários do Uber relatam a qualidade do serviço, além de carros ótimos a cortesia dos motoristas. Uma nova regulamentação em São Paulo obriga os motoristas de taxi a serem gentis com os passageiros e regulamenta inclusive as roupas que devem usar. Os taxistas já estão sentindo o impacto do Uber no faturamento.

A Netflix é outro exemplo. Por aqui, estima-se que a Netflix 2,5 milhões de usuários e fature algo em torno de R$1 bilhão, próximo do faturamento do SBT, maior que a Band e RedeTV. Uma diferença é que a Netflix não é obrigada a pagar ICMS e nem ter no seu acervo um percentual mínimo de conteúdo nacional. Também é isenta da taxa do Condecine (Contribuição da Indústria Cinematográfica Nacional). Se adiantando a regulamentação a Netflix está lançando “3%” de conteúdo nacional e, obviamente, seremos prejudicados, pois ela terá que limitar o conteúdo internacional.

No mundo a Netflix tem próximo de 70 milhões de usuários. Nos Estados Unidos, está presente na metade dos lares, tem cerca de 30% do tráfego de Internet no horário nobre e mais de 60 milhões de assinantes de TV a cabo cancelaram os serviços. As novas produções da Netflix estão sendo gravadas e finalizadas em 4K que permitirão alta qualidade de imagem.

Assim como o Napster aterrorizou a indústria fonográfica, a Netflix está aterrorizando a indústria do cinema com suas séries e filmes exclusivos de alta qualidade.

Claro, quando um grupo se vê ameaçado partem para o ataque, afinal para quem já está confortavelmente instalado mudanças são incomodas.

Agora, vamos olhar para as nossas empresas. Será que não temos lobistas internos que sabotam a inovação para manter as coisas como estão? Aquele chefe (sic) que define como as coisas devem ser. O especialista certificado que nega uma mudança porque não está no “compliance” da norma ISO ou nos procedimentos que ele definiu. O grupo mais antigo de casa que querem “enquadrar” os jovens funcionários na cultura da empresa. Sim, temos vários lobistas internos que atrapalham a vida das empresas.

As empresas gastam mais energia em “enquadrar” os funcionários novos do que aproveitar a oportunidade de alinhar seus modelos de negócios e desenvolvimento de novos produtos aproveitando as ideias das novas gerações.

Vamos para um exemplo simples. Se você trabalha em uma empresa produz produtos ou serviços para consumo em massa, conte quantos executivos usam ônibus ou metro? Sem fazer parte do dia a dia dos consumidores será muito difícil capturar as necessidades dos consumidores. Entretanto, os jovens vivem o cotidiano do transporte coletivo, das baladas de final de semana, das viagens com amigos, da dupla jornada de trabalho e estudo, uso intensivo das redes sociais e gadgets e da grana curta. Cá entre nós, não usar essa experiência é um desperdício.

Felizmente, tenho a sorte como professor de MBA e pai de duas universitárias a oportunidade de sempre “consultar os universitários” para entender melhor o comportamento das novas gerações. Consultar os jovens aperfeiçoa as ideias e mantem o pensamento e a cultura da organização sempre atual e preparada para mudanças rápidas no mercado.

Se você é adepto do ditado que “em time que está ganhando não se mexe” ou se sua organização tem lobistas muito fortes, use a estratégia de montar startups para testar novas ideias e depois de consolidadas adote-as na empresa.

Tire o foco da inovação, aposte no empreendedorismo

Como professor e consultor tenho contato com muitos profissionais de empresas de diferentes portes e setores. Percebo de alguns deles a angustia na busca pela inovação. Isso é saudável, pois estimula a criatividade e deixa as pessoas mais atentas as oportunidades que nos cercam. Entretanto, recomendo que tenham cuidado na busca pela inovação focando apenas nas tecnologias e nas “buzzwords” do momento. A tentativa de uso de tecnologias emergentes e pouco conhecidas, além do seu custo inicial, pode inviabilizar vários projetos e ter um efeito inverso do desejado, ou seja, levar a perda de competitividade da empresa. Recomendo que o foco seja no empreendedorismo, buscando oportunidades para gerar riqueza para empresa (ou para si mesmo). O uso de tecnologias é apenas uma consequência do empreendedorismo.

Uma buzzword atual é “business transformation”, uma roupagem nova para o e-business do século passado. A diferença é a velocidade que as mudanças estão ocorrendo. No século passado as iniciativas de comércio eletrônico eram complementares e levaram quase 20 anos para se tornarem essenciais para os negócios. Hoje, o tempo de adoção de novas práticas de negócios é muito mais rápida, graças as novas tecnologias, a redução significativa dos preços dos serviços de computação e, principalmente, pela alta expectativa dos consumidores por coisa novas.

Cá entre nós, transformar um negócio, principalmente se ele é lucrativo, não é fácil. As empresas já constituídas ao longo do tempo atingem um nível de eficiência operacional que torna as ações das pessoas quase que robotizadas e os desafios de ganhos de eficiência e crescimento são modestos. Normalmente, essas empresas avançam na automação e reduzem a necessidade de pessoal especializado com altos salários.

Mas então, como romper a cultura das empresas e buscar novos negócios? A resposta é estimulando o empreendedorismo dos empregados e da comunidade.

Uma prática cada vez mais adotada pelas empresas é fomentar a criação de startups, desvinculadas das empresas e com vida própria. Isso permite contratar pessoas com perfil diferente, usar processos de negócios mais simples, fugir do compliance, ter mais agilidade na tomada de decisões e experimentar novos modelos de negócios sem afetar o negócio principal. Esqueça aquele negócio de sinergia entre as operações – serviços compartilhados – isso sufoca qualquer startup.

É claro que o conceito de startup está fortemente relacionado ao empreendedorismo. Aliás, empreendedorismo é a chave para o sucesso de qualquer negócio. Todos nós conhecemos histórias de pessoas com grandes ideias que fracassaram. Se olharmos mais atentamente veremos que a causa principal foi a falta da característica empreendedora do líder do negócio (dono, presidente, diretor, gerente, supervisor ou coordenador).

Se analisarmos as pessoas de sucesso, veremos que são grandes empreendedores. Conseguiram transformar conhecimento e habilidades em negócios rentáveis. Certamente, não foi apenas sorte, lutaram muito para estarem preparados para identificar e executar ações para aproveitar uma oportunidade e transformá-las em riqueza.

Mas isso é parte de um processo, não é um estalar de dedos que mudamos a cultura de uma pessoa ou de uma empresa. Business Transformation, não é tecnologia é mudança cultural.