O avanço da inteligência artificial e robótica

Cada vez mais o poder computacional está decifrando o comportamento das pessoas e podendo substituir as interações humanas repetitivas com mais eficiência. O robôs há muito tempo substituíram as tarefas perigosas e repetitivas das linhas de produção com muito mais eficiência do que os humanos. Agora essas facilidades, antes exclusivas para as grandes organizações, estão chegando ao alcance das pequenas empresas e pessoas.

O Watson, um software de computação cognitiva da IBM, consegue estabelecer um dialogo consistente e fluido com humanos, assumindo inclusive a personalidade de seu instrutor. Como ele consegue ler, literalmente, todas as publicações na área médica, por exemplo, ele tornou-se um dos maiores especialistas em oncologia do mundo. A partir dos sintomas dos pacientes o Watson consegue com diagnosticar uma doença com um melhor grau de certeza que um médico.

Uma das potenciais aplicações do Watson no mercado corporativo é a substituição dos atendentes de Call Center. Muito provavelmente ele substituirá o humano com grandes vantagens. Conseguirá alterar a abordagem de convencimento do cliente a medida que identifica um padrão de dialogo e passa a utilizar um script (ou constrói um) baseado em experiências passadas que deram certo. Fato que apenas os operadores de Call Center mais experientes e habilidosos conseguem fazer. Existem muitas outras vantagens, como redução do passivo trabalhista das empresas, absenteísmo, licença maternidade e humor dos atendentes.

Os robôs domésticos estão, gradativamente, executando as tarefas de rotina (e chatas) de uma casa sem interferência humana. Um exemplo, é o robô que limpa a casa enquanto os moradores trabalham, produto já disponível no mercado brasileiro.

Os carros autônomos já são uma realidade. O desafio é aprovar legislações que permitam seu uso pleno.

O avanço da tecnologia da Internet da Coisas (Internet of Things), que permite que dispositivos inteligentes troquem informações entre si sem a interferência humana, avança de forma exponencial em todas as áreas de negócios e no cotidiano das pessoas.  A IoT potencializa aplicações de análises avançadas de dados através de Big Data, permitindo a coleta de dados em tempo real de um número ilimitado de dispositivos remotos.

Esse é um caminho sem volta. A questão agora é encontrar soluções para criar novas oportunidades de trabalho para a massa de trabalhadores que perderão seus empregos com as novas tecnologias. Os principais afetados serão os trabalhadores em processos de mão de obra intensiva. Isso pode incluir até professores, que estão perdendo espaço depois do avanço do ensino a distância.

Analisando cenários prospectivos reforço minha tese que a única alternativa é desenvolver o empreendedorismo nas pessoas para que elas encontrem novas atividades produtivas para a sua manutenção e de sua família.

As escolas, definitivamente, têm que mudar a forma e o que ensinam para oferecer mais oportunidades para os jovens. O desenvolvimento do raciocínio lógico e habilidade de expressão para vender ideias são importantíssimos no novo cenário global, uma vez que o conhecimento está disponível, gratuitamente, na Internet.

 

 

Computação cognitiva e IoT: Digitalize-se ou morra

Para aqueles que ainda não se deram conta da nova onda dos negócios. Estamos em uma nova era de tecnologia que está impactando todos os negócios: computação cognitiva, Internet of Things (IoT) e robótica. Para os fãs de Guerra nas Estrelas é a concretização de um sonho.

Na abertura da CES 2016, Consumers Electronics Show, a CEO da IBM,  Ginni Rometty, apresentou as iniciativas da IBM e de três parceiros (Under Armour, Medtronic e SoftBank) na área de computação cognitiva, IoT e robótica. Enfatizou a importância de um ecossistema, incluindo cloud computing, IoT e inteligência artificial. O Watson, um Software as a Service, de computação cognitiva que pode se integrar a várias aplicações de empresas através de API (Application Program Interface).

Rometty começou explicando o impacto da computação cognitiva nos negócios. Disse que a IBM está adquirindo várias empresas, entre elas a empresa de previsão do tempo, The Weather Company (o canal de televisão não foi incluído no negócio). A ideia é incluir informações de milhares de dispositivos IoT e outros parâmetros na análise do tempo utilizando computação cognitiva, através do Watson, para previsões de tempo com muito mais precisão.

Um dos convidados, o CEO da Under Armour, Kevin Plank, mostrou o impacto da computação cognitiva no monitoramento de exercícios físicos e acompanhamento e histórico da saúde das pessoas. Coletando informações de milhões de usuários do software Record by Under Armour, é possível melhor a performance das atividades físicas, podendo até substituir os personal trainers.

Outro convidado, o CEO da Medtronic, Omar Ishrak, mostrou que com dispositivos de IoT e o Watson fazendo analises remotas de amostras de sangue é possível detectar um caso extremo de saúde com até três horas de antecedência. Um aplicativo pode indicar para o usuários quais as comidas que pode ou não comer em um restaurante, baseado no histórico recente do usuários. A revolução disso é impressionante no acompanhamento de pacientes. Com certeza, se aplicado ao setor público de saúde, pode reduzir muito os custos do governo. Os planos de saúde privados também podem se beneficiar com o acompanhamento em tempo real de seus segurados e agindo para evitar tratamentos mais caros.

O CEO da Softbank Robotics, Kenichi Yoshida-san, apresentou o robô Pepper que utiliza a tecnologia de computação cognitiva do Watson. O Softbank está trabalhando com a Nestle e o banco japonês Mizuho para atendimento a clientes. Quando os clientes chegam nas lojas ou nas agencias do banco são recepcionadas pelo Pepper que presta o primeiro atendimento. Segundo Yoshida-san, a interação com um robô é melhor que um aplicativo, pois estabelece um engajamento do cliente.

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Um dado curioso é que a Softbank está ensinando o Pepper a pensar em japonês. Assim como o Bradesco está ensinando o Watson a pensar como os brasileiros (sem piadas por favor).

O mais interessante é que todo esse poder de computação pode ser contratado como serviços e integrado a aplicações através de APIs. A IBM tem uma plataforma de desenvolvimento rápido de aplicativos móveis chamado Bluemix. Isso permite que, literalmente, qualquer empresa possa digitalizar seus serviços utilizando computação cognitiva e dispositivos IoT para uma nova geração de negócios. Veja a apresentação da IBM.

Não tem jeito. Ou as empresas digitalizam seus produtos ou morrem. Não estou falando em automatizar processos internos através de ERPs, isso já foi. Alias, deixem de investir nesse negócio. Usem softwares com processos padrão de mercado em ambientes cloud computing: mais barato, mais seguro e em conformidade com a legislação local.

Invista em digitalizar seus produtos. Se a Ford pode transformar seu negócio de carros para um negócio de mobilidade, porque você não pode transformar seus produtos?

Parece que as empresas centenárias com IBM e Ford estão garantindo seu lugar para os próximos anos. E a sua empresa?