Tecnologia: vilã e salvadora do trabalho no futuro

Estima-se que existem 285 milhões de adultos fora do mercado de trabalho no mundo e, dos que trabalham, cerca de 100 milhões gostariam de trabalhar mais. Cerca de 30% a 45% da população economicamente ativa no mundo é subutilizada. Atualmente, existem cerca de 75 milhões de jovens desempregados. As mulheres representam um dos maiores grupos de trabalho inexplorados. Globalmente, cerca de 655 milhões de mulheres são menos economicamente ativas que os homens. Se, simplesmente, equiparássemos as mulheres aos homens poderíamos ter um crescimento de US$12 trilhões anuais do PIB até 2025, globalmente, valor equivalente a soma dos PIBs do Japão, Alemanha e Reino Unido. Em 2015, aproximadamente, 247 milhões de pessoas moravam em países que não nasceram, número que triplicou nos últimos 50 anos. Para este grupo de migrantes, os salários são entre 20% e 30% menores que os nativos. A automação (ou robotização) das atividades de trabalho pode chegar a 15% e 20% das categorias de trabalhadores de média qualificação. Cerca de 60% de todas as atividades podem ser, no mínimo, 30% automatizadas. Alguns cálculos demonstram que a tecnologia de automação pode afetar 1,2 bilhões de trabalhadores e cerca de US$14,6 trilhões em salários, em cerca de 50% da economia mundial. Paradoxalmente, enquanto a tecnologia destrói empregos, ela é a solução para a maioria das pessoas.

Cerca de 20% a 30% da população economicamente ativa, nos Estados Unidos e Europa, estão envolvidas em trabalhos independentes. Deste total, 70% trabalham de forma independente por opção e 30% porque não encontram outro tipo de trabalho. Do total de trabalhadores independentes, 85% utilizam plataformas digitais que incluem o Uber, por exemplo.

A tecnologia digital permite a criação de novos modelos de negócios, favorecendo pequenos empreendedores e abrindo oportunidades para ganhos de renda maiores. Uma nova classe de trabalho baseada no conhecimento e inteligência artificial pode ser desenvolvida por pessoas sem a exigência de longos treinamentos de qualificação em tecnologia, apenas explorando seu conhecimento na sua área de especialização. O crescimento de trabalhos de análises avançadas de dados com Big Data exige conhecimentos de estatística. Estima-se a necessidade de 250.000 cientistas de dados nos próximos 10 anos, apenas nos Estados Unidos.

Infelizmente, estima-se que apenas uma pequena parcela dos trabalhadores irá capturar os benefícios das tecnologias digitais: 18% nos Estados Unidos; 12% na Europa e 10% no Brasil.

Um desafio urgente é rever o sistema de ensino, criando condições de desenvolvimento do STEM (Science, technology, engineering and mathematics) nos alunos, ou seja, habilidades em ciências, tecnologia, engenharia e matemática.

No caso do Brasil, a última avaliação PISA de 2016, mostrou que tivemos um recuo nas notas nas três disciplinas avaliadas: Ciências, Matemática e Leitura. Ficamos na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática, dentre os 70 países e economias avaliadas.

Dentro de cenário, é urgente que a sociedade de cada país encontre meios de criar uma rede de proteção para as pessoas que ficarem fora do mercado de trabalho. Uma ação saudável e de valorização das pessoas é fomentar o empreendedorismo em diferentes áreas, buscando utilizar plataformas digitais para beneficiar mais pessoas.

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Eduardo Fagundes

Eduardo Fagundes é um empreendedor polivalente. Desenvolve projetos de P&D nas áreas de Big Data, Analytics, IoT e Inteligência Artificial para o setor de energia na Universidade Mackenzie (SP). Professor de Engenharia de Software no pós-graduação em Governança de TI da Universidade Mackenzie (SP), e de Estratégias de Negócios Sustentáveis no MBA da FIAP (SP). Desenvolveu e é tutor do curso online sobre Cidades Sustentáveis baseado na ISO 37.120, e coordena o fórum virtual sobre Cidades Inteligentes. Desenvolve projetos de eficiência energética e energia sustentável. Produz cursos online, aplica workshops de ideação, mentoring sobre tecnologias sustentáveis e projetos de inovação sustentável baseados no GRI (Global Reporting Initiative). Desenvolveu projetos na Alemanha, Argentina, Estados Unidos, Índia, Inglaterra e Itália. Fundou três startups.
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