Os CEOs devem assumir o papel dos CIOs

Esse vídeo argumenta a proposta de transferir para os CEOs (Chief Executive Officer) o papel estratégico dos CIOs (Chief Information Officer). Um estudo da IBM com CEOs em todo o mundo mostrou que a tecnologia está no topo das atenções. Pressionados pela inovação, os CEOs concentram a atenção nos clientes e em formar uma organização mais colaborativa. A busca pela inovação externa e a entrada em mercados totalmente diferentes são citados pela maioria dos entrevistados. A tecnologia é parte fundamental nesse processo de transformação das organizações. Desta forma, os CEOs devem se envolver mais nos assuntos de tecnologia e assumir a responsabilidade direta por suas estratégias.

Os CIOs que nas organizações tradições têm o papel de definir a estratégia da tecnologia da informação, na maior parte das organizações assume o atividades tático-operacionais.  Na maioria das organizações os CIOs estão subordinados a diretorias de finanças ou de assuntos corporativos, reduzindo seu poder de influência dentro da organização. Dentro desse contexto, as estratégias de negócios integradas com a tecnologia podem ficar prejudicadas.

Dentro de um cenário onde o CEO tem a responsabilidade pela tecnologia, as barreiras organizacionais são naturalmente eliminadas e a velocidade de implantação de novas tecnologia são mais rápidas.

Numa proposta de organização, cada diretoria funcional teria um gerente de TI se reportando diretamente ao diretor funcional. A diretoria de novos negócios seria responsável pela inteligência de negócios (BI) e Big Data. Seria criada uma diretoria de tecnologia, exclusivamente para tratar de assuntos de infraestrutura de TI com um CTO (Chief Technology Officer).

O que fazer com os atuais CIOs? Eles são candidatos naturais a assumir a diretoria de novos negócios ou ser assessor direto do CEO em uma fase de transição organizacional.

Essa proposta de organização cria maior sinergia e eficiência organizacional, facilita a introdução de projetos de inovação, quebra as barreiras organizacionais e oferece um salto de competitividade.

O que é inovação disruptiva?

Assista o vídeo sobre inovação disruptiva. Esse vídeo explica o que uma inovação disruptiva com exemplos de produtos. Uma inovação evolutiva adiciona novas funcionalidades aos produtos e serviços, não necessariamente exigidas pelos clientes. Um inovação disruptiva é quando um produto ou serviço atende com simplicidade e baixo custo as necessidades essenciais dos clientes. Com isso é possível atingir novos mercados e não consumidores.

Mudança de paradigma no mercado de crédito de carbono

A preocupação com o meio ambiente levou os países da Organização das Nações Unidas a assinarem um acordo que estipulasse controle sobre as intervenções humanas no clima. Este acordo nasceu em dezembro de 1999 com a assinatura do Protocolo de Kyoto. Os países desenvolvidos signatários devem reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 5,2%, em média, relativas ao ano de 1990, entre 2008 e 2012. Esse período é conhecido como primeiro período de compromisso. Para não comprometer as economias desses países, o protocolo estabeleceu que parte desta redução possa ser através da compra crédito de carbono.

Os créditos de carbono ou Redução Certificada de Emissões (RCE) são certificados emitidos para uma pessoa ou empresa que reduziu a sua emissão de gases do efeito estufa (GEE). Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. Este crédito pode ser negociado no mercado internacional. A redução da emissão de outros gases, igualmente geradores do efeito estufa, também pode ser convertida em créditos de carbono, utilizando-se o conceito de Carbono Equivalente.

O atual paradigma é que o vendedor comercialize a diferença entre o seu compromisso de redução e sua redução efetiva. Em países com grandes áreas de florestas é possível o vendedor comercializar a garantia que não desmatará sua área para outros fins.

Entretanto, a prática de crédito de carbono não cobre tecnologias que possam sequestrar o carbono da natureza. O ato de retirar o carbono da atmosfera tem o mesmo efeito de reduzir sua produção. Desta forma, deveria ser possível pessoas ou empresas que executam práticas de sequestro de carbono poderem vender créditos.

Uma pesquisa conduzida pelo professor do departamento de Genética Juarez Gabardo, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o apoio da Monsanto e parceria com a Universidade de Auburn, no Alabama (EUA), tem mostrado que o melhoramento genético em plantas pode contribuir a mitigação do dióxido de carbono (CO2) atmosférico. Vista como uma das responsáveis pelo aumento do efeito estufa pela elevada emissão de gases, principalmente o dióxido de carbono (CO2), a agricultura pode atuar como acumuladora de carbono, de acordo com a pesquisa, desde que siga o caminho da precisão, aplicando a inovação tecnológica desenvolvida em laboratórios e acessível aos agricultores.

Segundo Daniela Calazans, gerente de originação da empresa Ecosecurities. “Por enquanto, não há metodologias que tratem da questão do sequestro de carbono no solo. Para isso, seria necessária uma alteração das regras pela conferência das partes do Protocolo de Kyoto”, finaliza Daniela, que trabalha com o desenvolvimento de projetos MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo).

Uma proposta de inovação seria a criação de uma linha de pesquisa para desenvolver uma metodologia para medir com exatidão o volume de sequestro de carbono de plantas geneticamente modificadas e patenteadas.  Essa metodologia patenteada associada com um novo modelo de negócio com agricultores poderia gerar um novo e lucrativo negócio.

Em busca de inovação na pecuária brasileira

A polêmica criada pelo Greenpeace em junho de 2012 sobre as práticas da JBS na Amazônia traz uma reflexão sobre o paradoxo entre a responsabilidade socioambiental e a necessidade de aumento de alimento no mundo. A JBS é o maior processador de produtos de gado no mundo. O Greenpeace é uma organização global independente que age para mudar as atitudes e comportamentos das pessoas para proteger e conservar o meio ambiente e promover a paz. O Greenpeace denunciou que os produtos pecuários que a JBS vende globalmente ainda estão contaminados pela destruição da Amazônia, trabalho escravo e invasão de terras indígenas. A JBS reagiu afirmando que o Greenpeace está mentindo. A JBS conseguiu uma liminar da justiça no Brasil para suspender a publicação de novos relatórios do Greenpeace sobre o assunto.

Saindo da polêmica do trabalho escravo e invasão de terras indígenas, vem à questão da melhor utilização das áreas de pastagem para os rebanhos de gado liberando áreas da pecuária para a expansão do cultivo agrícola de grãos, fibras e sementes oleosas, evitando o desmatamento e terras protegidas.

Segundo Carlos Clemente Cerri, doutor pelo Instituto de Geociências da USP, a produção pecuária no Brasil é uma atividade extensiva, devido à disponibilidade de grandes áreas. Dados do IBGE (2006) mostram que a área de pastagens no Brasil é de cerca de 172 milhões de hectares, cobrindo quase 50% da área total.

Cerri argumenta que o baixo potencial de uso da terra das pastagens leva o produtor a abandonar terras e limpar outras áreas de floresta para novas pastagens, resultando no aumento do desmatamento. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a área desmatada na região amazônica é estimada em mais de 551 mil km2. Da área total de terras desmatadas na Amazônia, 45% é coberta por pastagens, 28% por mata secundária originada em pastos abandonados após 1970 e 2% são pastagens degradadas (Fearnside, 1996).

Resultados preliminares divulgados pelo IBGE (2006) mostram que a área de pastagens na região Norte do Brasil aumentou de 24,3 Mha em 1995 para 32,6 Mha em 2006, o que representa um aumento de 33,8% das terras usadas na pecuária.  Na região Norte, o aumento das áreas de pastagem deve estar ligado ao aumento de quase 14 milhões de cabeças de gado, o que representa 80,7% do rebanho total (IBGE, 2008).

Segundo Cerri, as áreas sujeitas ao uso agrícola na região Amazônica vêm apresentando sérios problemas com relação à conservação de recursos naturais. Atualmente, cerca de 60% da área coberta por pastagens está em avançado processo de degradação. Pastos degradados se caracterizam pela falta de nutrientes no solo, baixa biomassa vegetal, poucas sementes da floresta primária, presença de grande quantidade de ervas daninhas, falta de sementes florestais nos bancos de sementes, baixa taxa de germinação e baixa drenagem e compactação do solo. A degradação de pastos se dá pelo manejo inadequado de rebanhos de gado e falta de fertilização corretiva e de manutenção da pastagem.

Em 2011, o Brasil exportou US$4.2 bilhões em carnes in natura e US$643 milhões em carnes processadas. A média de valor por tonelada da carne in natura é de US$5,083 e da carne processada é de US$6,167. Ou seja, o valor agregado da carne processada é de US$1,084 por tonelada. (ABIEC, Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

Segundo a ABIEC, o maior destino de carnes in natura é a Rússia com 228.772 toneladas e os Estados Unidos com 12.289 toneladas. As exportações em 2011 somaram 819.924 toneladas de carne in natura e 104.000 toneladas de carne processada.

O relatório do Greenpeace deve ser considerado como um sinal de alerta para a reputação do setor pecuário brasileiro. Em mercados altamente competitivos, um questionamento internacional sobre práticas de agressão ao meio ambiente e dos direitos humanos pode prejudicar os negócios do setor.

Acredito que possam ser exploradas práticas inovadoras para melhorar a produtividade dos pastos abrindo espaço para a agricultura e talvez criando um novo negócio sustentável para a JBS e acabando com a polêmica do Greenpeace.