A intermediação e a desintermediação na cadeia de fornecimento

Quando analisamos um trem de valor de fornecimento vemos, basicamente, quatro atores: o criador, o produtor, o distribuidor e o consumidor final. O criador desenvolve ou fabrica um artefato (hardware ou software) que é uma parte de um produto. O produtor faz a integração de vários artefatos que, por sua vez, entrega para um distribuidor vender para o consumidor final. Cada parte vagão do trem de valor é remunerado pelo valor agregado ao processo. Por exemplo, a Microsoft desenvolve o sistema operacional Windows (criador), entrega para a Dell que instala em seus PCs (produtor) que, por sua vez, entrega para uma rede de lojas (distribuidor) para vender para o consumidor final. Neste trem de valor existem diferentes opções, como a Microsoft vende diretamente o Windows para o consumidor final, via download de arquivos ou via distribuidor. A Dell pode vender seus PCs diretamente para o consumidor final, atuando como produtor e distribuidor. As vantagens e desvantagens da intermediação e desintermediação na cadeia de fornecimento deve ser tratada caso a caso.

Trem de valor de fornecimento com diferentes abordagens de venda para o consumidor final

A princípio podemos pensar que o custo final de um produto seria mais barato se eliminarmos os intermediários. Entretanto, isto pode não acontecer. Por exemplo, os grandes portais de vendas online, como Amazon e Mercado Livre, são modelos típicos de intermediários, que agregam alto valor no processo de venda, pois concentram em um único local, em seus marketplaces, vários criadores, produtores e até mesmo distribuidores que se valem da poderosa infraestrutura do portal de vendas, com mecanismos de sugestões, meios de pagamento, sistemas antifraude e um sistema logístico para entrega de encomendas eficiente, com rastreamento das encomendas em tempo real. Sem esta sinergia e compartilhamento de recursos, em muitos casos, os consumidores pagariam mais caro pelos produtos.

Além da infraestrutura de comércio eletrônico dos grandes portais de vendas, eles trazem uma outra grande vantagem, a confiabilidade. Muitos consumidores concordam em pagar um pouco mais por um produto para ter a garantia de entrega e restituição do dinheiro em caso de problema com a compra.

Por outro lado, existem vários outros trens de valor de fornecimento que a intermediação traz grandes vantagens. Por exemplo, no mercado editorial onde o trem clássico é o autor (criador), a editora (produtor) e a livraria (distribuidor) para a venda do livro para o leitor é possível eliminar um ou dois vagões do trem de valor. No caso do serviço Kindle da Amazon o autor pode produzir e publicar o seu livro diretamente no marketplace da Amazon, eliminando a editora e a livraria. Ou ainda, a editora pode vender os livros diretamente para os leitores. Neste exemplo, o vagão mais vulnerável é a livraria, pois outros vagões podem assumir sua função. Isto levou a muitas livrarias a se reinventarem ou outras a fecharem seus negócios.

Durante a pandemia da Covid-19 as vendas online tiveram um grande salto, em função das restrições de circulação das pessoas e pelo fechamento temporário das lojas. Muitos criadores e produtores desenvolveram meios de entregas diretas para os consumidores utilizando os serviços de entregas de aplicativos, como o Rappi e iFood, ou couriers tradicionais, como os Correios.

Em projetos de transformação digital deve-se analisar, cuidadosamente, os modelos de intermediação e desintermediação para decidir qual o melhor para o negócio.

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