Tag: cloud computing

  • Mais da metade das empresas brasileiras não tem planos de recuperação de desastres

    Uma pesquisa divulgada no início de 2012 pela Regus mostrou que 51% da empresas brasileiras não possuem uma estratégia para retomar as atividades de TI em até 24 horas. Embora 66% dos entrevistados declararam que investiriam em planos de contingência se o custo fosse razoável. As grandes empresas estão melhor preparadas para as contingências, até mesmo por que isso faz parte da governança de TI e corporativa.

    Um plano completo de contingência envolve todas as áreas da empresa, não apenas a TI. Em caso de um desastre natural ou eventos que impeçam os funcionários de irem ao trabalho é necessário existir um plano de trabalho alternativo.

    Por uma questão de otimização de negócio, algumas empresas de call center estão melhor preparadas. Atualmente, é possível o transbordo de ligação de um local para outras através de redes inteligentes de telefonia baseadas em VoIP. Com isso, se todas as posições de atendimento estiverem ocupadas em São Paulo, automaticamente, as chamadas são redirecionadas para Porto Alegre, por exemplo. Isso otimiza a ocupação das atendentes. Entretanto, para manter um serviço com alta disponibilidade o data center da empresa também deve ter um plano eficiente de recuperação.

    Uma alternativa para reduzir os custos dos planos de recuperação é adotar o estilo de processamento em nuvem – cloud computing. Um dos pontos que inviabiliza projetos de recuperação é o custo da infraestrutura de servidores e instalações que devem ser duplicadas. Com o cloud computing é possível reduzir a contratação de recursos e expandi-lo em caso de necessidade.

    Entretanto, para utilizar essa estratégia os data centers das empresas devem ter configurações compatíveis com um ambiente de cloud computing. De uma certa forma isso já está ocorrendo com a adoção da virtualização de servidores e storage.

    A adoção cada vez maior do trabalho remoto utilizando conexões seguras via Internet resolve em parte a questão de locais alternativos para trabalhar em caso de impedimento de acesso dos funcionários ao seu local de trabalho. Para intensificar esse estilo de trabalho e reduzir os riscos de paralisação dos negócios, as empresas devem incentivar programas de trabalho em casa, quebrando alguns paradigmas de produtividade que ainda existem.

    Desta forma, acredito que o cloud computing é a solução para que empresas de todos os portes adotem cada vez soluções de recuperação contra desastres.

  • O provedor de Cloud Computing deve pagar o custo de indisponibilidade?

    Calculamos o custo de indisponibilidade de um serviço de TI pela seguinte formula:

    Custo da Indisponibilidade = (DT x U x PU) + (DT x LBR) + OT + S, onde DT é o tempo de indisponibilidade, U é o número de usuário afetados, PU é o total dos custos médios por usuário afetado, LBR é perda de receita por hora, OT é a quantidade de horas extras para recuperar o trabalho (se aplicável) e S são outros custos da operação.

    Quando falando em cloud computing (pública, privada ou mista) a responsabilidade pelo desempenho do processamento é do provedor do serviço. Essa responsabilidade pode ser parcial ou total, dependendo da modalidade da prestação do serviço. Por exemplo, se o provedor de serviços  oferece apenas a infraestrutura (IaaS) sua responsabilidade está limita ao desempenho da infraestrutura dentro dos parâmetros negociados associado a uma carga de processamento estimada. Se o serviço oferecido é uma solução completa incluindo o software, o prestador de serviços tem total responsabilidade pelo desempenho do serviço.

    Garantias de alta disponibilidade de serviços são caras e podem inviabilizar um projeto. O fator de tomada de decisão é o risco. Empresas que buscam uma solução de cloud computing orientada a custos devem ser flexíveis para aceitar maiores riscos. Dentro dessa linha, se o risco for bem avaliado antes da assinatura do contrato o provedor de serviços não estará obrigado a reembolsar o custo de indisponibilidade.

    Entretanto, se as questões de risco não forem bem negociadas poderá haver uma longa disputa sobre o ressarcimento dos prejuízos em casos de interrupção dos serviços. Um ponto importante é que o ressarcimento de uma grande quantia pode abalar a estrutura financeira do provedor de serviços e, por consequência, aumentar ainda mais o risco de novos interrupções.

    Creio que o bom senso e espirito de parceria devam nortear as decisões sobre os custos de indisponibilidade. Salvo o melhor juízo.

     

  • Data Centers para Cloud Computing devem estar em zonas desmilitarizadas?

    O governo da Indonésia ameaçou bloquear os serviços de mensagens e de Internet do BlackBerry (RIM) alegando “ameaça à segurança” com a recusa da empresa de hospedar seus servidores no país. Muitos governos colocam restrições sobre a hospedagem de dados, principalmente financeiros, fora de suas fronteiras com a justificativa de “segurança nacional”. Essa politica acaba restringindo as aplicações de Cloud Computing em escala global. A logística e os custos de implantação e operação de data center de alto desempenho e segurança só se justificam para grandes volumes de transações. Pulverizar o processamento implica em aumentar os custos por transação e geram um impacto ambiental importante. A pergunta é quem deveria legislar sobre os data centers? O país onde ele está instalado ou eles poderiam ser instalados em zonas desmilitarizados sob acordos internacionais?

    A pressão por redução de custos leva as empresas a contratar serviços baratos adequados a suas necessidades. O fenômeno dos produtos chineses é um claro exemplo. O mesmo fenômeno acontece com a Amazon AWS (Amazon Web Services). Seus custos são tão competitivos que empresas de todo o mundo utilizam seus serviços. Isso concentra o tráfego internacional de várias aplicações na rede americana, que se monitorada estatisticamente, poderia revelar tendências de comportamento internacional. Aparentemente, ninguém se preocupa com isso, pois sabem que os Estados Unidos têm fortes regras de confidencialidade. Será que as empresas teriam a mesma tranquilidade se o serviço estivesse hospedado em um país onde as instituições governamentais são instáveis e duvidosas? Creio que não.

    Por outro lado, se fossem criadas zonas desmilitarizadas para a instalação de data centers com fortes acordos internacionais de segurança e garantias de sigilo das informações seria possível criar grandes condomínios de data centers ao redor do mundo. Essas zonas desmilitarizadas poderiam ter incentivos para investimentos e algumas isenções de impostos. Para isso se concretizar seria necessário que os governos estabelecessem acordos globais ou regionais. Por exemplo, um acordo entre os países da América do Sul.

    Em um primeiro momento teríamos uma competição entre os países para hospedar os condomínios de data centers. Essa disputa reduziria os custos de implantação com prováveis financiamentos do governo local. Certamente, a região teria um enorme desenvolvimento em seu contorno. O benefício da redução de custos seria estendida para todos os usuários desses condomínios em outros países e seria um impulsionador para novos negócios locais e internacionais com preços competitivos internacionais. Ou seja, ninguém perderia com essa estratégia. Essa estratégia de condomínios de data centers, também, poderia ser adotada dentro de um país.

    Acredito que essa discussão poderia ser estendida e avaliada para o desenvolvimento de novos negócios, benefícios para os usuários finais, impacto ambiental e inclusão social.

  • O BPMN e o Cloud Computing

    As boas práticas de cloud computing exigem um mecanismo formal de descrição de processos de negócios. Serviços web baseados em linguagens XML tem sido utilizados em BMP, Business Managament Process, nos últimos anos. Linguagens como o WS-BPEL, Web Services Business Process Execution Language, fornecem mecanismos formais para a definição de processos de negócios. O objetivo dessas linguagens é otimizar a operação e interoperabilidade entre os sistemas de negócio. Entretanto, essas notações não permitem uma visão clara dos processos de negócios para o pessoal de negócios, apenas para o pessoal de TI.

    Com o crescente uso de cloud computing, será possível uma empresa utilizar vários ambientes em diferentes provedores de serviços. Gerenciar sistemas com diferentes linguagens de descrição de processos aumenta a complexidade e, consequentemente, os custos de gestão. Também, para minimizar os impactos de migrações, as empresas devem buscar independência e flexibilidade para a troca de fornecedores. Nesse contexto, descrever os processos em linguagens em formatos potencialmente complexos e diferentes gera um fator adicional de dificuldade para a gestão dos sistemas, incorrendo em custos adicionais e aumentando o risco de falhas.

    O pessoal de negócios fica mais confortável com a visualização dos processos em um formato de fluxograma. Essa situação cria uma lacuna técnica entre o formato do projeto que é apresentado ao pessoal de negócio e a descrição através de uma linguagem como o WS-BPEL. Essa lacuna precisa ser atendida com um mecanismo formal que mapeie os processos de negócios e apresente uma notação apropriada ao pessoal de negócios.

    Nesse contexto é sugerido o uso do BPMN, Business Process Management Notation, um padrão para modelagem de processos que fornece uma notação gráfica para a especificação de um Diagrama de Processos de Negócio, baseado em uma técnica de fluxograma muito semelhante ao de diagramas de atividades da UML, Unified Modeling Language.  O objetivo do BPMN é apoiar a gestão de processos de negócios tanto para usuários técnicos e usuários de negócios, fornecendo uma notação intuitiva para os usuários corporativos e ainda ser capaz de representar a semântica complexa do processo. A especificação BPMN também fornece um mapeamento entre os gráficos da notação para as construções subjacentes de linguagens de execução, particularmente a WS-BPEL.

    Essa discussão reforça a necessidade de investir mais esforço em governança de TI em projetos de cloud computing para criar um ambiente mais confiável, robusto e flexível. Atualmente, as discussões sobre cloud computing estão fortemente dirigidas para as questões técnicas, entretanto, sem uma governança eficaz os projetos podem ser comprometidos no futuro.