Publicado em 6-agosto-2007, Revisado em 25-outubro-2011.
A deliberação consciente, mesmo cuidadosa, pode ser uma forma ineficaz de tomada de decisão. Essa é a afirmação do professor de psicologia AP Dijksterhuis da Radboud University Nijmegen, na Holanda. Segundo alguns experimentos do professor, alguns voluntários tiveram que decidir qual de quatro apartamentos era o mais atraente. Após a coleta de informações, eles tiveram que optar por decidir no ato; dedicar algum tempo à deliberação; ou deixar para depois – ou seja, deixar seu inconsciente fazer o trabalho. Aos que escolheram a terceira opção, foram dadas outras atividades não relacionadas com a decisão de escolha do apartamento. Quando essa turma de “inconscientes” teve que escolher um dos apartamentos, quase sem exceção, as decisões foram melhores que dos outros grupos. Suas decisões foram melhores dos pontos de vista racionais e subjetivos.
A conclusão do professor Dijksterhuis é que devemos reunir toda informação necessária à tomada de decisão – mas não tentar analisar os dados. Em vez disso, tire uma folga e deixe sua mente inconsciente digerir os dados por um ou dois dias. O que sua intuição decidir será, quase certamente, a melhor escolha.
O fato é que a maioria das pessoas não consegue analisar muitas informações pela limitação da mente consciente. Quem fica coletando mais e mais informações para tomar uma decisão, provavelmente, tomará uma decisão errada. Existe uma dificuldade natural de analisar os prós e contras de uma alternativa.
Lendo sobre essas conclusões do professor Dijksterhuis, lembrei de um livro que li na adolescência chamado “O Poder do Subconsciente” de Joseph Murphy, que descreve como a pessoa pode usar os pensamentos para mudar circunstâncias e atingir certas metas em vida, incluindo a tomada de decisões. Em vários relatos no livro as decisões viam em sonhos ou no despertar. Uma das técnicas é ficar pensando no problema antes de adormecer, ou seja, coletando ou revendo informações na mente consciente e durante a noite a mente inconsciente trabalhava na analise dos dados, levando a melhor decisão.
Interessante essa capacidade de processamento do nosso inconsciente! Temos um hardware poderoso e um software espetacular para nos auxiliar na tomada de decisões e, simplesmente, não o utilizamos. Ao invés disso, gastamos fortunas com ferramentas de apoio à decisão que em última análise podem até nos atrapalhar na escolha da melhor alternativa.
Concluindo, devemos ser frenéticos na leitura do maior número de informações possível e deixar nosso inconsciente trabalhar, enquanto nosso consciente descansa através do sono ou de atividades mais prazerosas.
