Negócios lucrativos de TI para reduzir as emissões de CO2

A expectativa é de redução das emissões de TI (dispositivos de usuários, telecomunicações e data centers) entre 2011 e 2020 em 2,3%, comparado com o aumento de 6,1% entre 2002 e 2011. Os principais motivos são a maior eficiência energética dos equipamentos e a substituição dos PCs por tablets.

Em 2011, os data centers contabilizaram 0,16 GtCO2, ou 17%, das emissões de TI. É esperado um crescimento mais rápido até 2020, chegando a 0,29 GtCO2. As emissões serão lideradas pela demanda de armazenamento de dados. Entretanto, várias tecnologias estão contribuindo para neutralizar os impactos do crescimento das emissões, como a virtualização de servidores, eficiência energética dos equipamentos, e melhoria das tecnologias de refrigeração, resultando na melhoria do PUE (Power Usage Effectiveness).

O crescimento do consumo de energia pelos data centers é inevitável, porém é essencial para viabilizar outras tecnologias que contribuem para a redução global das emissões de CO2. A utilização de ambientes Cloud Computing contribui para o aumento da eficiência operacional das pequenas e médias empresas e abrem novas oportunidades de negócios. Tecnologias de pesquisa na Web, e-mail, redes sociais, acesso remoto e colaborativo para documentos, música e vídeo são alguns serviços que contribuem para a redução geral das emissões de CO2.

O uso de Big Data contribuirá, significativamente, para o mapeamento em tempo real do tráfego, das redes sociais, ferramentas de tomada de decisão a partir de análises de negócios em tempo real, medições inteligentes (smart metering) que contribuem para a geração de valor na economia.

Em 2008, o Brasil estava na 14ª posição no ranking dos maiores emissores de CO2 do planeta, contribuindo com 1,4% do total das emissões. O principal ofensor era o desmatamento das florestas para a agricultura e pecuária, com 42% das emissões. A geração de energia contribuía com 18% e o transporte com 12%.

Em 2013, devido a longa estiagem que o Brasil está sofrendo nossa matriz energética se alterou e deixamos o 2º lugar do ranking de maiores produtos de energia hidráulica do mundo, com uma queda de 7%. O uso de gás natural e óleo provocou o crescimento de 6,7% das emissões de CO2, segundo relatório BP Energy Review. Essa mudança fez o Brasil sair da 14ª posição para a 11ª posição no ranking de maiores emissores de CO2.

Essa mudança da matriz energética, aumentando a produção de energia das termelétricas, pressiona o aumento de preços da energia e as emissões de gases do efeito estufa. São esperados aumentos significativos do preço da energia enquanto durar a estiagem através do uso das bandeiras tarifarias que repassa para os consumidores o custo extra pelo uso das termelétricas em 2015.

Por outro lado, o mercado de TI continua crescendo, principalmente nos acessos à Internet. Em 2013, o Brasil tinha 143 milhões de usuários de celulares com 52,3 milhões com conexões banda larga móvel. Em agosto de 2014, o número de celulares pulou para 276,15 milhões, com 132,89 milhões de conexões banda larga móvel, dos quais 3,67 milhões com terminais 4G, segundo a ANATEL.

No Brasil, 70% do faturamento de TI são provenientes de 16% de fornecedores de TI, principalmente de grandes multinacionais. Algumas dessas empresas estão criando centros de desenvolvimento no país que podem contribuir com soluções locais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e minimizar as mudanças climáticas.

A TI pode contribuir em quatro áreas: (1) digitalização e desmaterialização de produtos e processos; (2) comunicação e coleta de dados; (3) integração de sistemas; e, (4) otimização de processos.

Na área de digitalização e desmaterialização de produtos e processos, podemos utilizar videoconferência e trabalho remoto para minimizar os impactos dos meios de transporte e intensificar o uso do comércio eletrônico, redução do uso de papel e mídia online, reduzindo o impacto na área de serviços ao consumidor.

Na área de comunicação de coleta dados, a utilização de medidores eletrônicos pelas concessionárias de energia e água reduziria, significativamente, o enorme contingente de pessoas nas ruas coletando dados e equipes de corte e religa. Coletas de dados sobre trânsito orientam os motoristas a utilizar novas rotas e ganhar tempo e combustível, evitando emissões de CO2 (serviços como o Wase). Outra aplicação pouco desenvolvida no país é a agricultura de precisão que auxilia na otimização do cultivo agrícola e na gestão da pecuária.

A integração de sistemas permitirá a integração dos dados das novas fontes de micro e mini geração de energia renováveis independentes ao sistema integrado, melhorando a gestão da demanda de energia. A integração dos sistemas de tráfego melhorará a eficiência da gestão.

Nos data centers, o uso de ferramentas DCIM, Data Center Infraestruture Management, integrando dados dos sistemas de TI com os sistemas de infraestrutura predial aumentarão a disponibilidade dos serviços e melhorará a gestão dos recursos de forma integrada.

A otimização de processos com o objetivo de redução das emissões de CO2 tem uma ampla gama de soluções. No setor de energia, melhorar o balanceamento de carga e otimização da geração de energia. Na área de transporte, otimização do planejamento de rotas e sistemas de logística. Na indústria, a automação de processos industriais. No comércio, a redução de estoques e otimização de entregas de encomendas. Na agricultura, a introdução do conceito de fazendas inteligentes. Na área de construção predial, o uso de práticas de conservação de energia.

Resumindo, a área de TI tem uma enorme contribuição a oferecer na redução das emissões dos gases de efeito estufa, tanto de sua própria infraestrutura como contribuir em outras áreas da economia. Essas contribuições, além de gerar negócios lucrativos, são ações de responsabilidade social e ambiental.

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