Apagão elétrico e Planos de Continuidade de Negócios

O apagão controlado de energia do dia 19 de janeiro de 2015 emitiu um sinal de alerta sobre a ameaça crescente de racionamento de água e energia. Apesar das informações desencontradas entre o Ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, e do Diretor Geral do ONS, Hermes Chipp, sobre as causas da interrupção de energia em 10 Estados e Distrito Federal, sabe-se que foi uma restrição de fornecimento de energia na interligação Norte e Sul. Em outras palavras, a energia de sobra no Norte e Nordeste não teve como ser transmitida para a região Sul.

O potencial de novas ocorrências é grande, ainda mais que 59% das obras dos 388 projetos de linhas de transmissão de energia estão atrasados. Atualmente, temos 107 mil quilômetros de linhas de transmissão de alta tensão, que devem ser constantemente inspecionadas para evitar falhas, sem dúvida, um grande desafio.

A queda de uma torre de transmissão ou uma falha grave em um grande transformador de energia em uma subestação pode restringir, consideravelmente, o fornecimento de energia. A situação é tão crítica e sem saída para os humanos, que a única opção é rezar para São Pedro mandar chover e apostar na sorte para não ocorrer novas falhas no sistema.

Infelizmente, os impactos são desastrosos para as empresas. As ações das empresas do setor elétrico tiveram forte queda na Bovespa no dia apagão: CPFL ON (-7,30%), Light ON (-6,58%), Cemig PN (-6,37%), Tractebel ON (-6,31%) e Copel PNB (-5,99%).

Quem trabalha no mundo corporativo sabe que para todo risco deve existir uma ação de contingencia. Imagine um executivo relatando para seus superiores no exterior a crise de energia no país e o potencial risco de paralisação das operações e apresentar como plano de ação uma oração para São Pedro todos os dias no início do trabalho.

Para muitas empresas, o plano de contingência é a instalação de geradores de energia a diesel, incluindo os data centers. Imagine uma falha grave no sistema elétrico por mais de 72 horas. Os tanques de combustível deverão ser reabastecidos. Sem energia, teremos um caos no trânsito, longos congestionamentos e difícil acesso dos caminhões de abastecimento, se é que existirão caminhões disponíveis para atender a todas as empresas. A consequência é que sua empresa ficará sem energia.

Seguindo o mesmo raciocínio, se os reservatórios de água atingirem níveis insustentáveis haverá racionamento de água. Os restaurantes industriais ou dos arredores terão dificuldade em fornecer refeições. A higiene dos banheiros ficará comprometida. E o desastre total, não teremos cafezinho.

As empresas que já adotam o trabalho remoto como prática e possuem uma infraestrutura de colaboração virtual terão menos impacto com uma falta prolongada de energia. Os funcionários poderão ser deslocados para regiões com energia para operar a empresa. Para acontecer isso, o data center deve estar ativo e os dados disponíveis via Internet. Nesses casos, empresas que adotam computação em nuvem (Cloud Computing) e virtualização de desktop ganham em flexibilidade e mobilidade.

Apesar da TI viabilizar os planos de continuidade de negócio, o plano não é responsabilidade dela. A TI deve se concentrar em seu Plano de Recuperação de Desastre que já é, suficientemente, complexo para garantir a disponibilidade e segurança das informações.

As empresas devem montar uma equipe multifuncional para elaborar e, principalmente, manter e atualizar os planos de continuidade de negócios, uma vez que mudanças são constantes nas empresas.

Comece com um workshop para levantar os processos que devem ter prioridade. Identifique quais os potenciais riscos da falta de energia e outros que podem afetar o processo. Use o método FMEA (Failure Modes and Effects Analysis) para identificar ações de contorno e prioridades, baseado na probabilidade de ocorrência e impacto no negócio. Depois de definidas as ações e suas prioridades parta para a implementação e testes periódicos para avaliar sua eficiência.

 

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