O desafio do consumo de energia dos Data Centers no Brasil

O consumo total de energia dos data centers ocupa a sexta posição no mundo se comparado ao consumo de países, perdendo apenas para a China, Estados Unidos, Japão, Índia e Rússia (2011). Os recursos por mais processamento, armazenamento de dados e comunicações irá triplicar entre 2012 e 2017, crescendo de 44 para 121 exabytes. O crescimento de streaming de vídeo e áudio são os principais componentes para a explosão do crescimento dos dados, representando 50% do aumento. Nos Estados Unidos, o tráfego de dados da Netflix e YouTube combinados representam mais de 50% do tráfego de Internet nos horários de pico.

Globalmente, o YouTube continua sendo o serviço que mais cresce em volume de dados, entretanto serviços como o Instagram, Twitter e Pinterest também estão crescendo.

O Brasil tem um grande potencial para utilizar energia renovável para os data centers. Sua matriz energética tem 75% de geração de fontes hídricas e as fontes de energia eólica vem crescendo. Outras fontes de energia renováveis, como solar e biomassa, são oportunidades dependendo do custo de construção das usinas.

Entretanto, em 2014 o Brasil vem enfrentando um longo período de estiagem que está comprometendo o uso das hidrelétricas e forçando o uso de energia gerada por termelétricas.

A situação se agrava pelo fato que as previsões meteorológicas indicam que os níveis dos reservatórios de água levarão vários meses para se normalizarem. Durante esse período, a única alternativa é usar, maciçamente, a geração térmica.

Minha recomendação para a questão energética para os data centers no Brasil é adotar a seguinte estratégia:

  1. Curto Prazo: Migrar para o mercado livre de energia contratando energia de fontes renováveis: Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH); energia eólica; e, energia fotovoltaica;
  2. Médio Prazo: Adotar o modelo OCP (Open Compute Project) para a infraestrutura de seus data centers; e,
  3. Longo Prazo: Construir ou utilizar usinas de geração de energia renováveis próximas de seus data centers para mitigar os riscos de falhas do sistema integrado de transmissão de energia nacional;

A legislação do setor elétrico brasileiro permite que empresas que tenham uma demanda superior a 500kW possam comprar energia, diretamente, de fontes geradoras de energia renovável. O processo não requer grandes investimentos e oferece garantia total de fornecimento pelo sistema integrado nacional, mesmo em caso da fonte geradora ficar inoperante.

O Open Compute Project, lançado pelo Facebook em 2011, tem o objetivo de replicar o sucesso do Open Source para os data centers e estimular a eficiência energética do setor. Embora os impactos do OCP ainda não sejam conhecidos, o projeto mostra o potencial das ações coletivas para mitigar as mudanças climáticas no planeta e o uso racional de energia.

A opção de localizar os data centers próximo de fontes geradoras de energia renovável tem várias vantagens, incluindo a de ter duas fontes independentes de fornecimento, condição para a certificação Tier 4 do Uptime Institute. O desafio é tornar, economicamente, viável o projeto. Para isso, é necessária uma mobilização do setor para pleitear incentivos fiscais para reduzir o investimento dos equipamentos.

Essa estratégia garante estabilidade dos preços de energia e garantia de fornecimento continuo de energia dentro da demanda necessária para operar os data centers. Mesmo que os preços de energia contratados inicialmente sejam ligeiramente superiores aos praticados pelas concessionárias locais de energia, existe a contrapartida de redução dos riscos de falta ou racionamento de energia e blindagem dos preços em cenários futuros de aumento de preço definidos pelo governo.

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