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Governança Algorítmica no Setor Elétrico: Capacitação Estratégica para Conselhos e Alta Direção

Introdução

O setor elétrico brasileiro vive uma transformação silenciosa, mas profunda. Sistemas inteligentes já operam em centros de controle, algoritmos orientam decisões comerciais e assistentes virtuais interagem com milhões de consumidores. A inteligência artificial, antes restrita a laboratórios ou projetos-piloto, agora está integrada à operação, ao atendimento e à gestão de ativos. Essa realidade não é futura — é presente. O que falta, em muitos casos, é a devida atenção estratégica por parte dos conselhos de administração.

Este post nasce de um estudo minucioso: analisamos os relatórios de sustentabilidade e integrados de 14 empresas de energia listadas na B3. O objetivo foi claro — identificar o estágio atual de uso da inteligência artificial, avaliar os mecanismos de supervisão existentes e compreender como os conselhos estão se preparando para lidar com tecnologias que desafiam modelos tradicionais de governança.

O resultado revela um paradoxo: embora a adoção de IA seja ampla, a supervisão algorítmica no nível da governança ainda é incipiente. Poucos conselhos declaram ter políticas ou comitês preparados para lidar com decisões automatizadas, vieses algorítmicos ou riscos digitais. Não por negligência, mas por falta de estrutura e formação continuada.

Diante desse cenário, este briefing executivo tem um propósito claro: mobilizar conselhos e altos dirigentes para a urgência da capacitação em governança algorítmica. Não se trata de transformar conselheiros em especialistas técnicos, mas de prepará-los para avaliar riscos, aprovar investimentos com consciência e exigir transparência em sistemas cada vez mais autônomos.

A seguir, apresentamos os principais achados do estudo, as implicações estratégicas para a alta gestão e um conjunto de recomendações práticas para iniciar — ou fortalecer — a governança algorítmica no setor elétrico.

Por que isso importa agora?

A inteligência artificial já está sendo usada no setor elétrico brasileiro para:

  • Otimizar operação e manutenção;
  • Prever consumo e eventos climáticos extremos;
  • Automatizar decisões comerciais e técnicas;
  • Atender clientes por algoritmos e assistentes virtuais.

Esse uso é crescente, estratégico e, em muitos casos, crítico para a continuidade do negócio. No entanto, a supervisão dessas tecnologias ainda está ausente nos níveis mais altos da governança corporativa.

O que o estudo revelou?

Analisamos os relatórios de sustentabilidade e integrados de 14 empresas do setor elétrico listadas na B3, incluindo Eletrobras, CEMIG, Neoenergia, CPFL, TAESA, ENGIE, ENEL e outras.

Principais achados:

TemaObservação
IA em operaçãoTodas as empresas analisadas já usam IA ou algoritmos críticos
Supervisão formal nos conselhosNenhuma empresa declara estrutura específica de governança algorítmica
Capacitação contínuaApenas algumas companhias indicam capacitação contínua para conselheiros, com foco em temas como ESG, riscos e inovação — mas sem menções específicas a IA ou riscos digitais.
Avaliação de conselheiros4 empresas utilizam autoavaliação com matriz de competências, mas ainda sem foco em IA

O que é Governança Algorítmica?

Governança algorítmica é a capacidade institucional de supervisionar sistemas baseados em algoritmos e IA com foco em:

  • Ética e transparência;
  • Responsabilidade por decisões automatizadas (accountability);
  • Prevenção de vieses e discriminações algorítmicas;
  • Alinhamento com objetivos ESG e regulatórios;
  • Mitigação de riscos digitais.

Diferença chave: Enquanto a governança tradicional de TI supervisiona infraestrutura, a governança algorítmica supervisiona decisões geradas por sistemas inteligentes.

Quais são os riscos para empresas que ignoram o tema?

  • Decisões críticas automatizadas sem validação humana ou supervisão ética;
  • Vieses e falhas operacionais que afetam clientes, rede ou reputação;
  • Falta de responsabilização clara em incidentes envolvendo IA;
  • Atrasos na adaptação regulatória e tecnológica;
  • Redução da confiança de investidores, parceiros e órgãos reguladores.

O que o conselho pode (e deve) fazer agora

Ações prioritárias para conselhos e comitês:

  1. Incluir a governança algorítmica nos comitês de riscos, auditoria ou ESG;
  2. Solicitar inventário das aplicações de IA/algoritmos já existentes na organização;
  3. Promover a capacitação continuada de conselheiros sobre IA, riscos digitais e ética algorítmica;
  4. Incluir princípios algorítmicos em códigos de conduta, ESG e manuais de governança;
  5. Estabelecer métricas para monitoramento da maturidade algorítmica institucional.

Boas práticas já identificadas no setor

  • Neoenergia e Eletrobras: trilhas de capacitação para conselheiros com foco em ESG, riscos e tecnologia.
  • TAESA e ENGIE: autoavaliação estruturada e critérios para evitar sobrecarga de mandatos (overboarding).
  • COPEL: inclusão de membros indicados por empregados e foco em diversidade de pensamento.
  • Celesc e EMAE: presença de representantes internos nos conselhos — oportunidade para discutir governança tecnológica de forma mais ampla.

Mensagem final

A inteligência artificial já está tomando decisões nas empresas — é hora de os conselhos assumirem seu papel de supervisores estratégicos dessas decisões. A governança algorítmica não é mais opcional: ela protege a reputação, fortalece a governança ESG e garante que o uso de IA esteja alinhado aos interesses da organização e da sociedade.

📖 Leia o artigo completo com dados, exemplos e recomendações operacionais

Acesse: Governança Algorítmica no Setor Elétrico – Estudo Completo

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