Categoria: eficiência energética

  • Geração distribuída é a alternativa para fugir dos altos impostos e melhorar a qualidade da energia

    Geração distribuída é a alternativa para fugir dos altos impostos e melhorar a qualidade da energia

    A greve dos caminhoneiros em maio de 2018 no Brasil evidenciou a fragilidade da infraestrutura e os altos impostos dos combustíveis. Se olharmos para outros insumos vemos que os impostos são igualmente altos na energia e telecomunicações. Estranha-se o fato que quando o preço do petróleo bateu US$30 o barril, os custos dos combustíveis e energia (utilizados nas termoelétricas) não refletiu no preço final ao consumidor. O maior imposto sobre os combustíveis, energia e telecomunicações é o ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços). No caso da energia, o ICMS varia de estado para estado, podendo chegar a 32%, como é o caso do estado do Rio de Janeiro. No caso de telecomunicações, o ICMS varia de 27% a 37%, que somado a outras taxas e impostos pode chegar a 42,15%. A Internet ajuda a reduzir os custos de telecomunicações com o uso do aplicativos como WhatsApp, Skype e das aplicações web. A alternativa para a energia é a geração distribuída.

    O que todos queremos é o desenvolvimento da economia no Brasil. Os impostos são essenciais para investimentos em infraestrutura e para programas sociais para reduzir a desigualdade social. Entretanto, segundo a Curva de Laffer da economia, se aumentarmos muito as alíquotas dos impostos existe uma redução da receita. Christina Romer, Professora de Economia da Universidade da Califórnia em Berkeley e ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos da administração Obama estimou em 33% de impostos o ponto de máximo da Curva de Laffer. Se somarmos os tributos (soma de taxas, impostos e outros encargos) teremos em muitos casos um valor superior a 33%, tirando a competitividade das empresas que operam no Brasil.

    Como sabemos, a indústria é nômade. Ela se desloca para onde tem mais vantagens para operar. De cada 10 empresas que se instalam no Paraguai, 7 são de brasileiros. Isto porque as vantagens tributárias são mais vantajosas. O custo da energia é a metade do Brasil (eles passaram a usar a energia de Itaipu para alavancar a indústria no país). Os impostos são o de Renda (10%) e o do Valor Agregado (10%). Se a empresa entra no regime de maquila (100% para exportação), o tributo se converte em 1% sobre o faturamento. Para repatriar o lucro, paga-se duas IR: na saída do Paraguai e na entrada do Brasil. Muitos brasileiros estão montando datacenters no Paraguai para minerar bitcoins, devido ao baixo custo da energia e impostos de importação de equipamentos.

    Obviamente, não queremos ver nossas empresas em outros países, reduzindo ainda maior o número de empregos no Brasil. A alternativa para reduzir o custo da energia é investir em geração de energia distribuída, assim como vez a Honda e a Volkswagen. A Honda investiu na construção de um parque eólico no Rio Grande do Sul de 27,7MW, com uma geração de 85.000 MW/ano, que desde sua inauguração em 2015 foi suficiente para permitir a produção sustentável de 403.000 veículos.

    A resolução normativa nº 687/2015 da Aneel, uma revisão da resolução nº 482/2012, regulamenta o uso de microgeração e minigeração distribuída de energia elétrica. Na minigeração é possível instalar até 5MW e acoplar na rede de distribuição da concessionária de distribuição local para troca de energia. Quando existe excedente de geração a energia é transferida para a concessionária, que existe a necessidade de energia a concessionária fornece. No final do mês é feito um balaço e paga-se o que consumiu a mais da concessionária. O excedente gerado pela prosumer (consumidor que também gera energia) vira crédito para os próximos meses.

    A resolução nº687/2015 permite várias modalidades de geração distribuída, destacando a possibilidade de um empreendimento ter várias unidades consumidoras, geração compartilhada através de um consórcio ou cooperativa e, o autoconsumo remoto. Estas modalidades permitem o compartilhamento dos investimentos e produção de energia em escala maior, reduzindo o custo do megawatt instalado.

    O retorno do investimento (ROI) de uma usina de geração distribuída deve ser calculado considerando o risco de ficar sem energia. Com as dificuldades financeiras das concessionárias de distribuição de energia, muitas reduziram as manutenções da rede de distribuição de energia e, consequentemente, a qualidade da prestação de serviços caiu.

    As empresas não podem ficar reféns do desempenho das concessionárias de energia. Felizmente, existem alternativas para reduzir os custos de energia através da geração distribuída.

    Adicionalmente, o mercado livre de energia, ou seja, a compra de energia direta de geradores de energia, hoje restrita a empresas com demandas superiores a 500kW, deve ser gradativamente ampliada devendo contemplar todas os consumidores comerciais e industriais. A partir de 2023, existe a expectativa que os consumidores residenciais possam ir para o mercado livre de energia, deixando de ser cativos das concessionárias.

    Os instrumentos estão disponíveis, os riscos conhecidos, o que precisamos é agir para reduzir custos, melhorar a qualidade da energia para as nossas empresas e consumidores residenciais e, aumentar o número de empregos.

  • Sistema de cogeração com gás natural torna empresas autossuficientes em energia

    Da mais simples a mais complexa e sofisticada fábrica não opera sem energia. Confiar no sistema público de fornecimento de energia tem suas vantagens, porém tem seus riscos. No Brasil, as concessionárias de distribuição têm um acumulo de multas superior a R$600 milhões por não atingirem os níveis de serviço estabelecidos nos contratos com a Aneel. Os ressarcimentos para os consumidores são tão pequenos que mal se percebe nas contas de energia, o que de longe não compensam os prejuízos gerados pela falta e qualidade da energia. Empresas que desenvolvem planos de continuidade de negócios sérios (aqueles que não são apenas para auditor ver) estão considerando a autoprodução de energia para garantir a autossuficiência de energia. Uma opção é a cogeração com gás natural.

    A cogeração com gás natural permite a produção simultânea de energia elétrica e térmica (vapor e água quente) que podem ser utilizadas de diferentes formas na indústria (produção de metanol, amônia e ureia), além de refrigeração isento de CFC no processo de produção de água gelada. (mais…)

  • Geração distribuída de energia: uma oportunidade para as cidades atraírem novos investimentos

    Um fator decisivo para a seleção de uma cidade para investir em fábricas, centros de distribuição, data centers, centros administrativos entre outros empreendimentos é a disponibilidade de energia de qualidade para atender a atual e a futura demanda da região. Ainda sentimos os reflexos das escolhas erradas do setor elétrico no passado. O fato é que se as empresas não assumirem o controle da geração de energia terão sérios problemas no futuro. A questão tem que ser vista do ponto de vista estratégico e não apenas pelo lado financeiro. O ponto é quanto perderão no futuro se não investir em autoprodução de energia agora. Uma alternativa para minimizar os custos dos projetos de geração é criar um programa dentro das cidades, liderado pelo prefeito ou por empresários, para instalar plantas de geração renováveis: eólica, fotovoltaica ou biomassa.

    As escolhas erradas levaram o sistema elétrico brasileiro ao caos. As concessionárias de distribuição de energia estão com dívidas superiores a R$60 bilhões. Os custos gerenciais pelas concessionárias caíram de 40% para 13%, ou seja, 87% da receita são repassados diretamente para o pagamento de tributos, geradoras, transmissoras e outros encargos obrigatórios. O reflexo direto é a deterioração da qualidade dos serviços, observada pela piora dos índices de frequência e duração das interrupções do fornecimento de energia. Para piorar a situação, a Aneel alterou a forma de cálculo dos índices e provocou um aumento abrupto das multas e ressarcimento para os consumidores por não atingimento dos índices de qualidade. (mais…)

  • A revolução das baterias com o Grafeno

    O grafeno é um novo material formado por uma folha (sheet) de átomos de carbono ligados entre si com uma estrutura semelhante a um favo de mel. É um excelente condutor de energia elétrica e térmica, extremamente leve, quimicamente inerte e flexível. Além disso, é não é tóxico e sustentável – eco-friendly.

    Sua aplicação na melhoria de desempenho de baterias é enorme, tanto nas atuais como nas novas gerações. O grafeno pode tornar as baterias mais leves, mais duráveis, aumentar a densidade de energia e reduzir, significativamente, o tempo de carga. Ele irá prolongar a vida das baterias que é negativamente ligada à quantidade de carbono que reveste o material. Pode aumentar a condutividade sem requerer grandes quantidades de carbono que são utilizados nas baterias convencionais.

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