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IA e erosão cognitiva em engenharia: o papel da engenharia de prompt na qualidade dos projetos

Resumo

A difusão acelerada de modelos de linguagem (Large Language Models – LLMs) e de sistemas de inteligência artificial generativa colocou engenheiros, professores e executivos diante de um dilema estratégico: como capturar ganhos de produtividade e qualidade sem provocar erosão cognitiva, isto é, o enfraquecimento gradual da capacidade de raciocínio independente, análise crítica e julgamento técnico. Evidências recentes em educação e interação humano–IA mostram que o uso indiscriminado de LLMs pode induzir offloading cognitivo, redução do engajamento mental e viés de automação, afetando diretamente a profundidade do aprendizado e a qualidade de decisões em contextos complexos (GEORGIOU, 2025; HONG; VATE-U-LAN; VIRIYAVEJAKUL, 2025; BULUT; BEITING-PARRISH, 2024; JIANG; WU; LEUNG, 2025).

Ao mesmo tempo, a literatura sobre engenharia de prompt, metacognição e geração aumentada por recuperação (Retrieval-Augmented Generation – RAG) indica que é possível estruturar o uso da IA como alavanca cognitiva, e não como substituto de pensamento, sobretudo quando prompts são concebidos como uma espécie de back-of-the-envelope digital (rascunho de engenharia) e conectados a bases de conhecimento especializadas (CHEN et al., 2025; LEWIS et al., 2021; WANG et al., 2025; AWS, 2025; AUBERGINE, 2025; SILVA, 2025).

Neste artigo, tomando como gatilho o debate público sobre “podridão cerebral” associada à sobrecarga de conteúdo superficial e ao uso acrítico de IA, analisamos o problema sob a perspectiva da engenharia. Resgatamos o papel histórico da régua de cálculo, das calculadoras, das ferramentas CAD/CAE e de ambientes estatísticos na formação da intuição numérica e da competência de modelagem em engenharia, discutindo como cada onda tecnológica redesenhou o balanço entre automação de tarefas e exigência de habilidades de alto nível (NADWORNY, 2014; LOCKLIN, 2021; THE EDUCATIONAL VALUE OF SLIDE RULES, 2025; ROMERO, [s.d.]; LIU; WANG; WANG, 2025). Em seguida, argumentamos que a engenharia de prompt pode ocupar hoje o lugar do back-of-the-envelope clássico (, estruturando hipóteses, limites, critérios de plausibilidade e checks de segurança antes da ação da IA. Por fim, mostramos como arquiteturas LLM+RAG e chatbots de engenharia, quando bem governados, podem transformar interações cotidianas em capital intelectual corporativo, mitigando a erosão cognitiva e ampliando a qualidade de projetos, decisões e processos de aprendizagem. O público-alvo inclui professores universitários, pesquisadores, engenheiros, executivos e conselheiros de administração interessados em alinhar IA, competência profissional e governança de risco em engenharia.

1. Introdução

A expressão “podridão cerebral” ganhou espaço no debate público para descrever o efeito cumulativo do consumo de conteúdo superficial e fragmentado, associado principalmente a redes sociais e, mais recentemente, ao uso acrítico de sistemas de inteligência artificial generativa. A matéria que motivou este artigo apresenta justamente esse cenário: jovens e adultos que terceirizam síntese, argumentação e escrita para algoritmos, exibindo menor atividade cerebral, menor retenção de conteúdo e dificuldade de reconstruir com as próprias palavras aquilo que “produziram” com auxílio de IA. No plano educacional, estudos já apontam quedas preocupantes em leitura, compreensão e vocabulário em segmentos relevantes da população estudantil, enquanto docentes e pesquisadores discutem o papel da IA entre ferramenta de apoio e atalho cognitivo perigoso.

No campo da engenharia, o problema ganha contornos ainda mais sensíveis. De um lado, o Brasil convive com escassez crônica de engenheiros qualificados em diversas áreas, o que leva muitas organizações a enxergar a IA como solução rápida para déficits de capacidade analítica, documentação técnica e suporte a decisão. De outro, a natureza do trabalho de engenharia depende justamente da integridade cognitiva de profissionais: formulação de problemas, modelagem físico-matemática, avaliação de riscos, leitura crítica de normas e relatórios, entendimento de incertezas e trade-offs. Uma estratégia de adoção de IA que ignore essa dimensão cognitiva pode produzir o efeito inverso ao desejado: projetos mais frágeis, decisões menos fundamentadas e aumento de risco operacional e regulatório, ainda que embalados por relatórios impecáveis gerados por LLMs.

Esse dilema não é completamente novo. Quando a régua de cálculo deu lugar às calculadoras eletrônicas, muitos educadores alertaram para a possível perda de intuição de ordem de grandeza e de habilidades de estimativa, mesmo reconhecendo os ganhos em velocidade e precisão numérica. Na sequência, a expansão de ferramentas CAD (Computer-Aided Design) e CAE (Computer-Aided Engineering) redesenhou o perfil de competência esperado do engenheiro, permitindo simulações sofisticadas, mas também trazendo o risco de modelos visualmente convincentes e conceitualmente equivocados quando faltam checagens de plausibilidade e senso físico (ROMERO, [s.d.]; LIU; WANG; WANG, 2025). A discussão atual sobre IA e erosão cognitiva se insere nessa mesma trajetória de tensão entre automação e julgamento.

A diferença é que, com a IA generativa, não estamos apenas automatizando cálculos, desenhos ou simulações, mas também partes da formulação do problema, da argumentação e da documentação técnica. Isso eleva o risco de que a erosão cognitiva atinja camadas mais altas do raciocínio profissional. A pergunta central deixa de ser “podemos usar IA em engenharia?” e passa a ser “como usar IA de modo a preservar e ampliar a capacidade de pensar, decidir e aprender dos engenheiros?”.

Neste contexto, propomos tratar a engenharia de prompt como uma disciplina estruturante, equivalente ao back-of-the-envelope na engenharia clássica: o momento em que o profissional enquadra o problema, explicita hipóteses, define limites e antecipa critérios de plausibilidade antes de acionar qualquer ferramenta avançada. Ao articular engenharia de prompt, práticas de metacognição e arquiteturas LLM+RAG conectadas ao acervo técnico das empresas, argumentamos que é possível transformar chatbots de engenharia em instrumentos de reforço cognitivo e de consolidação de capital intelectual, e não em vetores de erosão da competência técnica. As seções seguintes desenvolvem essa tese, combinando análise conceitual, referências acadêmicas e exemplos práticos, incluindo experiências com chatbots de apoio a estudantes de engenharia em projetos de eficiência energética.

2. Declínio cognitivo, offloading e viés de automação

Estudos empíricos recentes indicam que o uso acrítico de LLMs pode reduzir o esforço cognitivo e o engajamento mental em tarefas de escrita e resolução de problemas:

  • Experimentos com estudantes mostram que grupos assistidos por ChatGPT apresentam níveis mais baixos de engajamento cognitivo, interpretados como evidência de offloading de esforço mental para a IA (GEORGIOU, 2025).
  • Pesquisas quase-experimentais com “cognitive offload instruction” mostram, por outro lado, que quando a IA é usada para descarregar tarefas de baixa ordem (por exemplo, brainstorming ou ajustes superficiais de texto), enquanto o desenho argumentativo permanece com o aluno, é possível obter ganhos de pensamento crítico, desde que haja scaffolding pedagógico explícito (HONG; VATE-U-LAN; VIRIYAVEJAKUL, 2025).
  • Análises na área de avaliação educacional destacam riscos de viés de automação, em que professores e gestores tendem a aceitar sem contestação as saídas de sistemas de IA em processos de medição educacional, o que ameaça validade, transparência e equidade (BULUT; BEITING-PARRISH, 2024).
  • Pesquisas com EEG (Electroencephalography) sobre interação humano–LLM indicam que a forma de colaboração com IA altera padrões de atenção, carga cognitiva e tomada de decisão, reforçando a necessidade de projetar sistemas e práticas que mantenham o usuário em modo de raciocínio ativo (JIANG; WU; LEUNG, 2025).

Em paralelo, artigos de divulgação científica e ensaios analíticos chamam atenção para o risco de a IA tornar-se um “GPS do pensamento”: altamente eficiente, mas suscetível a corroer a capacidade de síntese mental e de construção autônoma de argumentos se usada como substituto, e não complemento, da cognição humana (AI MAY BLUNT…, 2025; PENN, 2025; SEWAK, 2025).

Para a engenharia, cujo núcleo é o raciocínio crítico sobre sistemas físicos, riscos, trade-offs e consequências, esse quadro exige uma resposta estruturada, que envolva desenho de processos, formação e governança de uso da IA.

3. Linha do tempo dos artefatos de cálculo em engenharia

A trajetória dos instrumentos de cálculo em engenharia oferece um referencial histórico útil para pensar a IA generativa e os riscos de erosão cognitiva.

3.1. A régua de cálculo e a formação da intuição de ordem de grandeza

A literatura sobre réguas de cálculo destaca que esses dispositivos analógicos, baseados em escalas logarítmicas, foram durante décadas o instrumento portátil padrão para cálculos de multiplicação, divisão e funções transcendentais em engenharia (SLIDE RULE SCALE, 2025).

Figura 1 – Régua de Cálculo
  • Relatos históricos mostram que a régua de cálculo esteve presente em projetos críticos, incluindo o programa espacial que levou o homem à Lua, sendo destacada como “computing device that put a man on the moon” (NADWORNY, 2014).
  • Textos recentes defendem que o uso da régua de cálculo estimulava a percepção de ordens de grandeza, a verificação rápida de plausibilidade numérica e a intuição sobre escalas, justamente porque o instrumento não fornecia casas decimais exatas, exigindo estimativa mental (LOCKLIN, 2021; THE EDUCATIONAL VALUE OF SLIDE RULES, 2025).
  • No contexto da educação em engenharia contemporânea, iniciativas que reintroduzem a régua de cálculo em atividades de ensino reportam ganhos na compreensão histórica da profissão e na consciência sobre as limitações e pressupostos embutidos nas ferramentas digitais modernas (STOKES, 2025; SYPHERS, 2025; LINDSAY; WANKAT, 2012).

3.2. Calculadoras, CAD (Computer-Aided Design) e CAE (Computer-Aided Engineering)

A substituição da régua de cálculo pelas calculadoras eletrônicas, a partir dos anos 1970, aumentou a velocidade e a precisão dos cálculos, mas acentuou debates sobre possível perda de “number sense” e de habilidades de estimativa (THE EDUCATIONAL VALUE OF SLIDE RULES, 2025; LOCKLIN, 2021).

Na fase seguinte, ferramentas de CAD e CAE transformaram profundamente o ciclo de projeto e análise:

  • Estudos sobre competências computacionais em cursos clássicos de engenharia apontam que a digitalização do setor AEC exige integração explícita de habilidades computacionais e de modelagem aos currículos, sob pena de um descompasso entre formação e prática (ROMERO, [s.d.]).
  • Pesquisas sobre requalificação e atualização de engenheiros indicam que programas de educação executiva eficazes combinam atualização técnica com desenvolvimento de competências não técnicas, como liderança, trabalho em equipe e resolução adaptativa de problemas (HAVERLAND, 2020).
  • Revisões sistemáticas sobre IA em educação em engenharia mostram um uso crescente de ambientes virtuais de experimento, tutores inteligentes, robôs educacionais e analítica de aprendizagem, com impactos significativos sobre modelos pedagógicos, mas também com desafios de equidade, ética e qualidade (LIU; WANG; WANG, 2025).

3.3. Lições para a IA generativa

O fio condutor dessa história não é a substituição do engenheiro por ferramentas, mas o reposicionamento das habilidades humanas. A cada nova geração de artefatos, o risco de “deskilling” em tarefas de baixa ordem convive com uma exigência maior de competências de alto nível: modelagem, julgamento, integração de conhecimento e coordenação em equipes complexas (ROMERO, [s.d.]; HAVERLAND, 2020).

A IA generativa é mais um passo nesse caminho, com a diferença de que agora a automação atinge camadas superiores do raciocínio simbólico: linguagem, síntese, explicação e até esboços de modelagem.

Tabela 1 – Evolução dos artefatos de cálculo e impactos cognitivos esperados

Era / artefatoFunção principal no trabalho de engenhariaGanhos típicosRiscos cognitivos discutidos na literatura
Régua de cálculoCálculo aproximado, ordens de grandezaIntuição de escala, estimativa rápida (NADWORNY, 2014; LOCKLIN, 2021)Dependência de aproximações; limitação de precisão
Calculadora eletrônicaCálculo exato, numérico detalhadoVelocidade e precisão numéricaMenor foco em ordens de grandeza e estimativa mental (LOCKLIN, 2021)
CAD/CAEModelagem geométrica e análise avançadaComplexidade de projeto, simulações ricas (ROMERO, [s.d.])“Síndrome do modelo bonito e errado” se faltar checagem física
Ferramentas estatísticas e analíticasModelos probabilísticos, risco, confiabilidadeAnálises de incerteza e apoio à decisão“Estatística de botão” sem compreensão de pressupostos
IA generativa (LLMs)Síntese textual, código, argumento, documentaçãoAceleração cognitiva, suporte à decisão (CHEN et al., 2025)Offloading cognitivo, viés de automação, perda de engajamento (GEORGIOU, 2025; HONG et al., 2025)

4. Engenharia de prompt como “back-of-the-envelope digital”

4.1. Da pergunta solta ao prompt estruturado

Revisões recentes sobre engenharia de prompt mostram que a forma de estruturar a entrada para um LLM é decisiva para desempenho, robustez e alinhamento com objetivos do usuário. Técnicas como encadeamento de raciocínio, auto-consistência e geração de conhecimento são destacadas como mecanismos para melhorar a qualidade de respostas em tarefas complexas (CHEN et al., 2025).

Guias práticos de mercado convergem na ideia de que prompts eficazes precisam explicitar contexto, objetivo, restrições, formato de saída e critérios de qualidade, tratando a interação com o modelo como parte de um processo de design, e não como simples pergunta–resposta (HOW TO USE PROMPT ENGINEERING…, 2025; GUIA DE ENGENHARIA PROMPT, 2025).

Do ponto de vista cognitivo, isso aproxima a engenharia de prompt da lógica do back-of-the-envelope: antes de “rodar o modelo”, o engenheiro precisa organizar hipóteses, parâmetros, casos de teste e critérios de plausibilidade.

4.2. Metacognição sintética: limites e oportunidades

A literatura recente mostra que, embora LLMs alcancem desempenho de nível especialista em tarefas específicas, eles carecem de metacognição robusta: são pouco capazes de avaliar seus próprios limites de conhecimento, calibrar confiança ou indicar quando deveriam abster-se de responder (GRIOT et al., 2025).

  • Estudos com benchmarks específicos em medicina revelam que os modelos muitas vezes respondem com alta confiança mesmo quando a alternativa correta não está disponível, o que é particularmente crítico em domínios de risco (GRIOT et al., 2025).
  • Experimentos sobre vulnerabilidades metacognitivas sugerem que modelos avançados podem ser levados a contornar salvaguardas via argumentações lógicas cuidadosamente construídas, evidenciando a necessidade de defesas adicionais e de design de prompts com foco em segurança (SPIVACK, 2025).
  • Pesquisas em metacognitive prompting indicam que instruções que induzem o modelo a refletir sobre sua própria compreensão e incertezas podem melhorar desempenho em tarefas complexas de compreensão de linguagem natural, superando abordagens tradicionais de “chain-of-thought” em determinados cenários (METACOGNITIVE PROMPTING…, 2025).

Esse conjunto de resultados indica que a engenharia de prompt não é apenas uma técnica de “melhor pergunta”, mas um mecanismo para injetar metacognição sintética na interação com LLMs, compensando parcialmente limitações estruturais desses modelos.

4.3. Back-of-the-envelope e engenharia de prompt: analogia operacional

A analogia entre o rascunho clássico de engenharia e a prática de engenharia de prompt pode ser sintetizada na tabela a seguir.

Tabela 2 – Correspondência entre back-of-the-envelope clássico e engenharia de prompt

Elemento do back-of-the-envelope clássicoEquivalente na engenharia de prompt
Definir o problema físico e o domínio de aplicaçãoContextualizar o sistema, o cenário de uso e o objetivo do prompt
Listar hipóteses simplificadoras explícitasIncluir premissas, limites e suposições diretamente no prompt
Estimar ordens de grandeza e faixas plausíveisEspecificar ranges, condições de contorno e critérios de plausibilidade
Planejar casos de verificação simplesSolicitar à IA cenários de teste, contraexemplos e checks de consistência
Registrar raciocínio em rascunhosUsar prompts iterativos, com registro de hipóteses e revisões sucessivas

Quando prompts são construídos desse modo, o engenheiro continua exercendo a função crítica de modelagem e validação, enquanto a IA acelera síntese, documentação e exploração de alternativas, em vez de substituir o raciocínio.

5. LLM+RAG (Retrieval-Augmented Generation) e chatbots de engenharia

5.1. Fundamentos de RAG em organizações de engenharia

Modelos de geração aumentada por recuperação conectam LLMs a índices externos de conhecimento, permitindo que respostas sejam produzidas com base em documentos específicos, atualizados e auditáveis, em vez de depender exclusivamente do conhecimento paramétrico do modelo (LEWIS et al., 2021; AWS, 2025).

  • Arquiteturas RAG típicas realizam a vetorização de documentos, buscam trechos semanticamente relevantes para cada consulta e combinam esses trechos com o prompt do usuário para gerar respostas ancoradas em evidências (LEWIS et al., 2021).
  • Pesquisas no setor de engenharia de edificações mostram que estruturas de índice híbrido, combinando vetores, grafos de propriedades e palavras-chave, melhoram significativamente a capacidade do sistema em reconhecer riscos, erros e responder a consultas complexas ao longo do ciclo de vida de empreendimentos (WANG et al., 2025).
  • Estudos e relatórios de mercado descrevem ganhos expressivos em produtividade, redução de erros e ROI quando RAG é usado para conectar IA a bases proprietárias de conhecimento (AUBERGINE, 2025; STRATECHI, [s.d.]).
  • Análises específicas de soluções abertas, como DeepSeek, indicam que mesmo modelos enxutos podem suportar cenários de RAG, desde que exista curadoria adequada de fontes e desenho rigoroso de prompts e consultas (SILVA, 2025).

5.2. Chatbots de engenharia como ativos de capital intelectual

Ao acoplar LLM+RAG a repositórios internos (especificações, normas internas, relatórios de comissionamento, análises de falhas, lições aprendidas), organizações de engenharia podem transformar chatbots em interfaces ativas da sua “memória técnica” (AUBERGINE, 2025; WANG et al., 2025).

A engenharia de prompt, nesse contexto, cumpre três funções estratégicas:

  • Governança cognitiva: prompts padronizados garantem que interações sigam roteiros que respeitam normas, limites de segurança e critérios de qualidade técnica.
  • Captura de conhecimento: boas sessões de interação, com hipóteses e decisões explicitadas, podem ser reindexadas no RAG, ampliando o acervo e reduzindo dependência de poucos especialistas.
  • Mitigação de riscos de offloading: ao exigir que o usuário forneça contexto, premissas e critérios de avaliação no próprio prompt, a organização reduz a probabilidade de uso “preguiçoso” da IA, alinhando-a à lógica de pensamento crítico (GEORGIOU, 2025; HONG et al., 2025).

6. Agenda de ação por público-alvo

6.1. Professores universitários e pesquisadores

  • Redesenhar disciplinas de projeto, modelagem e comunicação técnica para incluir explicitamente competências de engenharia de prompt e uso crítico de IA em atividades avaliativas (LIU; WANG; WANG, 2025; CHEN et al., 2025).
  • Usar cenários de “laboratório cognitivo” em que estudantes comparam soluções obtidas com e sem IA, analisando diferenças de engajamento, qualidade argumentativa e erros conceituais, em linha com os resultados sobre engajamento e offloading (GEORGIOU, 2025; HONG et al., 2025).
  • Estimular projetos de pesquisa que combinem métricas comportamentais e indicadores neurofisiológicos (como EEG) para entender melhor os efeitos da IA no raciocínio em tarefas de engenharia (JIANG; WU; LEUNG, 2025).

6.2. Engenheiros em atuação e líderes técnicos

  • Adotar templates corporativos de prompts por domínio (projeto, operação, manutenção, confiabilidade, riscos), incorporando hipóteses padrão, parâmetros mínimos e checklists de plausibilidade (HOW TO USE PROMPT ENGINEERING…, 2025; GUIA DE ENGENHARIA PROMPT, 2025).
  • Posicionar a IA como apoio à análise, não como substituto de verificação, mantendo práticas de cálculo de ordem de grandeza, sanity checks e revisão por pares, numa lógica análoga à disciplina que outrora acompanhava o uso da régua de cálculo (NADWORNY, 2014; LOCKLIN, 2021).
  • Participar de programas continuados de reskilling que integrem IA, RAG e competências de liderança e colaboração em equipes multidisciplinares (HAVERLAND, 2020; DEFRANCO; NEILL; CLARIANA, 2011).

6.3. Executivos e conselheiros de administração

  • Tratar LLM+RAG e chatbots de engenharia como investimentos em capital intelectual, não apenas em automação de tarefas, estabelecendo indicadores de valor como redução de erros, tempo de resposta técnica e reuso de lições aprendidas (WANG et al., 2025; STRATECHI, [s.d.]).
  • Exigir políticas claras de uso responsável de IA, com ênfase em mitigação de viés de automação, proteção de dados sensíveis e rastreabilidade das decisões em sistemas críticos (BULUT; BEITING-PARRISH, 2024; GRIOT et al., 2025).
  • Apoiar iniciativas de cultura organizacional que valorizem tanto a eficiência tecnológica quanto a preservação da capacidade analítica humana, inspirando-se em experiências históricas em que novas ferramentas aumentaram, e não substituíram, a engenharia de julgamento (NADWORNY, 2014; THE EDUCATIONAL VALUE OF SLIDE RULES, 2025).

Tabela 3 – Gaps e oportunidades por público

Público-alvoGap principal observado na literaturaOportunidades com engenharia de prompt e RAG
Professores e pesquisadoresFalta de modelos consolidados para integrar IA sem perda de profundidade cognitiva (LIU; WANG; WANG, 2025; BULUT; BEITING-PARRISH, 2024)Currículos que combinem back-of-the-envelope, prompts estruturados e avaliação crítica de outputs de IA
Engenheiros e líderes técnicosRisco de uso acrítico de LLMs, com offloading excessivo (GEORGIOU, 2025)Templates de prompts, guidelines de verificação e chatbots de engenharia integrados a RAG
ExecutivosVisão de IA centrada apenas em automação operacionalTransformar IA em ativo de conhecimento reutilizável e em vantagem competitiva (WANG et al., 2025)
ConselheirosLacuna de governança específica para IA em sistemas críticosFrameworks de risco que considerem metacognição limitada e viés de automação em decisões assistidas por IA (GRIOT et al., 2025; SPIVACK, 2025)

7. Considerações finais

A discussão contemporânea sobre “podridão cerebral” e declínio cognitivo não deve ser lida como um argumento contra IA em engenharia, mas como um alerta sobre desenho inadequado de práticas, processos e ferramentas. A evidência disponível sugere que:

  • o uso indiscriminado de LLMs pode de fato reduzir engajamento e esforço cognitivo em tarefas de escrita e solução de problemas, reforçando offloading e viés de automação (GEORGIOU, 2025; HONG et al., 2025; BULUT; BEITING-PARRISH, 2024);
  • a forma como estruturamos a interação – via engenharia de prompt, scaffolding e metacognitive prompting – é determinante para converter IA de ameaça em alavanca cognitiva (CHEN et al., 2025; METACOGNITIVE PROMPTING…, 2025);
  • arquiteturas LLM+RAG permitem transformar chatbots em “interfaces de memória técnica” das organizações, potencializando aprendizado organizacional e gestão de risco em engenharia (LEWIS et al., 2021; WANG et al., 2025; AUBERGINE, 2025; SILVA, 2025).

Do mesmo modo que a régua de cálculo não diminuiu a engenharia, mas a levou à Lua, e que calculadoras, CAD e CAE ampliaram a fronteira do projetável, a IA generativa pode ser vista como uma extensão da capacidade humana, desde que acompanhada de disciplina cognitiva e de uma engenharia de prompt tratada como competência central da profissão.

Para universidades, empresas e conselhos que desejam liderar essa transição, a mensagem é clara: é hora de tratar IA, RAG e engenharia de prompt não como moda tecnológica, mas como eixo estruturante de estratégias de formação, operação e governança em engenharia.

8. Como podemos ajudar

A partir desse arcabouço conceitual e da experiência acumulada em projetos de IA aplicada à engenharia, a equipe do Think Tank – efagundes.com – em parceria com a nMentors Engenharia, estruturou sua atuação em três frentes complementares: diagnóstico de processos, formação em engenharia de prompt e construção de chatbots de engenharia baseados em LLM (Large Language Model) e RAG (Retrieval-Augmented Generation).

8.1. Análise de processos em empresas de engenharia

Em organizações de engenharia, o ponto crítico não é apenas “ter IA”, mas encaixá-la nos ciclos reais de decisão, projeto e operação. A partir das evidências sobre RAG, gestão do conhecimento e competências em engenharia, o trabalho começa por um diagnóstico estruturado dos processos-chave (LEWIS et al., 2021; ROMERO, [s.d.]; LIU; WANG; WANG, 2025; SILVA, 2025; STRATECHI, [s.d.]).

Principais entregáveis dessa etapa:

  • Mapeamento de fluxos de informação e decisão – projetos, operação, manutenção, confiabilidade, risco, P&D e interface com órgãos reguladores.
  • Identificação de pontos de dor e oportunidades para IA generativa e RAG – reaproveitamento de relatórios de campo, atas técnicas, especificações internas e lições aprendidas.
  • Definição de casos de uso priorizados – critérios de seleção combinando risco, impacto econômico, maturidade de dados e aderência regulatória.
  • Blueprint de “ciclos de raciocínio” – onde o back-of-the-envelope precisa ser preservado, onde a IA pode acelerar síntese e onde RAG pode reduzir erros de memória organizacional.

Essa análise é a base para que executivos, áreas técnicas e conselhos de administração consigam tomar decisões de investimento em IA com clareza de retorno técnico, cognitivo e econômico.

8.2. Treinamento em engenharia de prompt para engenheiros, docentes e gestores

Com base na literatura sobre prompt engineering, metacognição e impactos cognitivos de LLMs, são desenvolvidas trilhas de formação que tratam a engenharia de prompt como competência técnica, não como truque de ferramenta (CHEN et al., 2025; METACOGNITIVE PROMPTING…, 2025; SPIVACK, 2025; GEORGIOU, 2025; HONG; VATE-U-LAN; VIRIYAVEJAKUL, 2025; JIANG; WU; LEUNG, 2025).

Estrutura típica de programa:

  • Fundamentos – como funcionam LLMs e RAG, limitações, viés de automação e offloading cognitivo.
  • Engenharia de prompt como back-of-the-envelope – construção de prompts que explicitam hipóteses, parâmetros, critérios de plausibilidade e checks de segurança.
  • Metacognitive prompting e scaffolding – como induzir o modelo a explicitar incertezas, listar alternativas e confrontar hipóteses, em vez de apenas “responder”.
  • Laboratórios práticos por domínio – casos orientados em projeto, operação, manutenção, confiabilidade, risco, sustentabilidade e eficiência energética.
  • Diretrizes de uso responsável – políticas internas de “IA não substitui verificação”, alinhadas a boas práticas de medição, experimentação e governança.

Esses programas podem ser configurados para universidades (disciplinas de graduação e pós em engenharia) e para academias corporativas, alinhando-se à agenda de reskilling e upskilling em engenharia já destacada na literatura (HAVERLAND, 2020; ROMERO, [s.d.]; LIU; WANG; WANG, 2025).

8.3. Construção de chatbots de engenharia com LLM+RAG

A terceira frente é o desenvolvimento de chatbots de engenharia personalizados, integrados às bases técnicas da organização (normas internas, manuais, relatórios, estudos de confiabilidade, documentos regulatórios), com arquitetura LLM+RAG e engenharia de prompt incorporada como camada de governança (LEWIS et al., 2021; AWS, 2025; AUBERGINE, 2025; WANG et al., 2025; SILVA, 2025).

Componentes principais:

  • Arquitetura – integração via API com modelos generativos; uso de embeddings para indexar documentos técnicos; mecanismos de recuperação híbrida (vetores, grafos, palavras-chave); camadas de segurança e LGPD quando aplicável (AWS, 2025; SILVA, 2025).
  • Camada de engenharia de prompt – instruções customizadas para manter o chatbot dentro do escopo técnico, evitando extrapolações regulatórias; templates de prompts alinhados a padrões de projeto e operação da empresa (CHEN et al., 2025; GUIA DE ENGENHARIA PROMPT, 2025).
  • Governança de conhecimento – rotinas de curadoria, monitoração de desempenho, coleta de feedback e retraining/fine-tuning para garantir aderência contínua ao acervo técnico da organização (LEWIS et al., 2021; WANG et al., 2025; STRATECHI, [s.d.]).

8.3.1. Experiência prática: chatbot de IA no projeto CPFL nas Universidades

A experiência recente no projeto educacional de eficiência energética CPFL nas Universidades materializa esse modelo em um contexto de formação de engenheiros. Nesse projeto, a nMentors desenvolveu uma solução completa que combina curso intensivo em eficiência energética com um chatbot de IA integrado à plataforma de aprendizado.

O programa é um piloto estratégico regulado pela ANEEL, voltado à formação de 100 estudantes de engenharia em práticas de eficiência energética, combinando módulos teóricos, forte ênfase prática e uso de um chatbot de IA como suporte contínuo ao aprendizado.

A especificação técnica do chatbot detalha que:

  • o objetivo é apoiar estudantes de um curso de eficiência energética, oferecendo respostas automáticas a perguntas técnicas e assistência em quizzes e atividades práticas, com uso de IA generativa integrada a uma plataforma LMS;
  • o modelo utiliza embeddings e bases de conhecimento especializadas para responder a consultas complexas, referenciando manuais, normas de eficiência energética e conteúdos dos módulos do curso;
  • há integração via API com modelos generativos, fine-tuning com dados específicos de eficiência energética, e mecanismos de monitoramento contínuo, feedback, estatísticas de uso e melhoria incremental do desempenho da IA;
  • o chatbot é projetado para operar em conformidade com LGPD, com controle de limites de uso por aluno, relatórios de desempenho e customização visual alinhada ao ambiente educacional (Especificacao-ChatBot-IA-v1.pdf, doc. interno).

Essa experiência ilustra, em escala real, a convergência entre:

  • engenharia de prompt (instruções customizadas, templates para dúvidas técnicas e apoio a quizzes);
  • RAG e embeddings (acesso contextual ao conteúdo dos módulos do curso e a documentos técnicos);
  • governança pedagógica e regulatória (conformidade com ANEEL, LGPD e objetivos formativos do programa).

A mesma abordagem pode ser adaptada para contextos corporativos em engenharia de energia, infraestrutura, manufatura, óleo e gás, saneamento, transportes e outros setores intensivos em conhecimento técnico.

8.4. Modelos de engajamento

Em termos práticos, universidades, empresas e conselhos podem ser apoiados em três modelos de engajamento, que podem ser combinados:

  • Projetos de diagnóstico e roadmap – análise de processos, revisão de acervo técnico, identificação de casos de uso prioritários de IA generativa e RAG, definição de arquitetura de chatbot e de política de governança.
  • Programas de formação – trilhas modulares de engenharia de prompt para docentes, estudantes e equipes técnicas, com laboratórios práticos alinhados às ferramentas e fluxos da organização.
  • Construção e operação assistida de chatbots de engenharia – desenho, desenvolvimento e implantação de chatbots especializados, com transferência de conhecimento para equipes internas de TI e engenharia, e suporte de melhoria contínua.

Esse conjunto de ofertas busca alinhar a adoção de IA à preservação e ampliação da cognição de engenheiros, transformando a engenharia de prompt em uma competência organizacional crítica e os chatbots em ativos de capital intelectual, e não apenas em mais uma ferramenta de automação.

Referências

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