efagundes.com

Tech & Energy Think Tank

Think tank independente com foco em energia, tecnologia e tendências globais. Análises para apoiar decisões estratégicas com visão de impacto.

Assine a Newsletter no Linkedin

Radar 360 – IA, datacenters, ZPE e COP-30: energia, água e robôs humanoides (17–21/11/2025)

Mensagem-chave da semana

  • Na semana de 17 a 21 de novembro de 2025, a agenda de Inteligência Artificial (IA – Inteligência Artificial) consolida-se como driver de arquitetura de consumo, operação e infraestrutura. A combinação entre modelos de IA, dados proprietários, nuvem e edge computing passa a orientar decisões de investimento, com impacto direto em CAPEX (Capital Expenditure) e OPEX (Operating Expenditure).
  • O Complexo do Pecém, no Ceará, reafirma-se como hub estratégico de datacenters em Zona de Processamento de Exportação (ZPE – Zona de Processamento de Exportação), combinando energia renovável, logística portuária, conectividade internacional e sistemas de refrigeração em circuito fechado com reuso de água tratada, adequados ao clima semiárido. Em paralelo, ganha relevância a tramitação da Medida Provisória 1.307/2025, que atualiza o regime de ZPEs para serviços e exige o uso de energia renovável de novas usinas por datacenters instalados nesses regimes.
  • A COP-30 (Conference of the Parties 30), em Belém, tem a semana marcada por debates sobre água, adaptação climática e cidades. A Agenda Global de Transformação em Investimentos em Água prevê até 20 bilhões de dólares para a América Latina e Caribe até 2030, enquanto se discute a necessidade de mais de 1 bilhão de dólares em financiamentos urgentes para adaptação em países vulneráveis e para ações de adaptação urbana (arborização, drenagem, mitigação de ilhas de calor).
  • A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica) autoriza cerca de 200 megawatts em usinas eólicas e solares em operação de teste, e a EDF inicia a operação comercial do parque eólico Serra das Almas, com 261 megawatts na Bahia. Esses movimentos reforçam a base renovável para ancorar cargas de datacenters intensivas em energia, somando-se a mais de 6,5 gigawatts de capacidade de fontes renováveis adicionados à matriz brasileira ao longo de 2025.
  • A entrega do primeiro lote de robôs humanoides industriais por fabricante chinesa, para indústrias automotiva e eletrônica, com operação 24 horas por dia e IA embarcada, combinada com o avanço do humanoide ultra-realista da XPENG (com pele sintética e sistema muscular biomimético), acelera a agenda de “IA física” e reabre o debate sobre produtividade, segurança, relações de trabalho e regulação.
  • Consolidam-se narrativas de que o Brasil só disputará protagonismo global em datacenters se combinar sua matriz majoritariamente renovável com expansão de energia firme (incluindo energia nuclear), regimes especiais como ZPE e REDATA (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center), infraestrutura hídrica e condições regulatórias para soberania digital.

Painel 360 da semana

Na semana de 17 a 21 de novembro de 2025, os principais movimentos se concentram em cinco frentes: consolidação da IA em plataformas de consumo, avanço regulatório e político em torno de ZPEs e datacenters, reforço da matriz renovável, aprofundamento das discussões de adaptação climática na COP-30 e aceleração da robótica humanoide.

Tabela 1 – Visão rápida dos principais fatos

Eixo / SetorFato-Chave da SemanaPor Que ImportaHorizonte
Tecnologia e IAGrandes plataformas digitais seguem embarcando IA (Inteligência Artificial) em consumo, logística, atendimento e prevenção de fraude, com agentes conversacionais integrando front-end e back-office.A tese de valor migra de “produto digital isolado” para ecossistemas que combinam modelos de IA, dados proprietários, nuvem e edge computing, com impacto direto em CAPEX (Capital Expenditure) e OPEX (Operating Expenditure) de infraestrutura.Médio / longo
Infraestrutura digital e datacentersO CZPE aprova cinco datacenters na ZPE de Pecém (CE). Tramita a MP 1.307/2025, que exige que datacenters em ZPEs utilizem energia renovável proveniente de novas usinas.ZPEs passam a ser vistas como instrumentos estratégicos para soberania digital e atração de hiperescaladores, dependendo da aprovação e dos termos finais da Medida Provisória.Médio / longo
Água, clima e COP-30Na COP-30 em Belém, água e adaptação climática sobem de patamar com a Agenda Global de Transformação em Investimentos em Água (até US$ 20 bi até 2030) e intensos debates sobre adaptação urbana e financiamentos urgentes (mais de US$ 1 bi) para países vulneráveis.Datacenters e grandes cargas digitais passam a ser lidos também pela lente de uso de água, resiliência climática urbana e alinhamento a metas de adaptação e mitigação.Médio
Matriz elétrica e renováveisA ANEEL autoriza cerca de 200 MW em usinas eólicas e solares em operação de teste, e a EDF inicia a operação comercial do parque eólico Serra das Almas (261 MW) na Bahia, somando-se a mais de 6,5 GW de capacidade renovável adicionados à matriz brasileira em 2025.Reforça a disponibilidade de energia de baixo carbono para contratos de longo prazo com datacenters e grandes consumidores digitais e evidencia a necessidade de coordenação com demanda crescente de IA e infraestrutura digital.Curto / médio
Robótica e automação industrialFabricante chinesa entrega o primeiro lote de robôs humanoides industriais para setores automotivo e eletrônico, operando 24 horas por dia com IA embarcada, enquanto a XPENG avança com humanoide ultra-realista.“IA física” abre um novo ciclo de automação intensiva, com impacto em produtividade, ergonomia, segurança e desenho de postos de trabalho, além de criar demanda por software, integração OT/IT e segurança.Médio / longo
Geopolítica, energia e soberania digitalAnalistas reforçam a tese de que o Brasil pode se tornar polo global de datacenters se combinar matriz renovável com expansão de energia firme (incluindo energia nuclear), ZPEs e regimes fiscais como REDATA.O debate sai de “atrair qualquer datacenter” e passa a focar em posicionamento estratégico na cadeia global de infraestrutura digital, com energia previsível, baixa pegada de carbono, segurança jurídica e soberania de dados.Médio / longo

Deep dives temáticos

1. IA, plataformas digitais e arquitetura de infraestrutura

Os eventos da semana reforçam que IA deixa de ser um aditivo em produtos e passa a reconfigurar a arquitetura operacional das empresas. Plataformas de varejo, hospedagem, serviços financeiros e outras verticais intensificam o uso de agentes conversacionais com as seguintes características:

  • integração em tempo quase real com estoques, logística, crédito, cobrança e atendimento pós-venda;
  • uso de dados proprietários para recomendações, prevenção de fraude e gestão de risco;
  • dependência crescente de nuvem, datacenters regionais e edge computing para garantir baixa latência e experiência consistente.

Para conselhos de administração e executivos de primeira linha, a consequência é objetiva: IA, dados, infraestrutura digital, contratos de energia e riscos climáticos precisam ser tratados em uma mesma agenda estratégica, com visão de portfólio e horizonte de médio e longo prazo.

2. Datacenters regionais, ZPE de Pecém e a assimetria paulista

A aprovação de cinco datacenters na ZPE de Pecém, no Ceará, posiciona o complexo como vitrine de convergência entre porto, energia renovável, cabos submarinos, hidrogênio e serviços digitais exportáveis. O desenho hídrico é o diferencial técnico:

  • sistemas de refrigeração em circuito fechado, com forte redução de perdas por evaporação;
  • uso intensivo de água de reúso, tratada em estação dedicada ao complexo industrial;
  • consumo de água em patamar significativamente inferior ao de datacenters tradicionais, condição crítica em contexto semiárido;
  • combinação de chillers, tanques de regulação térmica e sistemas de ar-condicionado específicos para tecnologia.

Na semana de 17 a 21 de novembro, o debate em Brasília e em capitais como Fortaleza e São Paulo foi marcado pela tramitação da Medida Provisória 1.307/2025, que:

  • atualiza o regime de ZPEs para incluir com mais clareza data centers e serviços intensivos em dados;
  • exige que datacenters em ZPE consumam energia de novas usinas renováveis, vinculando incentivos fiscais a expansão adicional da oferta limpa;
  • cria incerteza de curto prazo quanto aos termos finais e ao prazo de vigência, tornando a prorrogação da MP e sua conversão em lei fatores críticos para o cronograma dos projetos em Pecém e em outras regiões.

Enquanto isso, o Estado de São Paulo continua sem ZPE operacional. Há audiências públicas e discussões na Comissão de Desenvolvimento Econômico, mas o decreto de criação ainda não foi formalizado. Isso amplia a assimetria competitiva: ZPEs aprovadas em estados com oferta abundante de energia renovável e acesso a cabos internacionais avançam na captação de projetos de grande porte, enquanto São Paulo, apesar da densidade econômica, tecnológica e de demanda, segue limitado a regimes tradicionais.

3. COP-30, água, energia e o jogo de longo prazo para datacenters

Na semana de 17 a 21 de novembro de 2025, a COP-30 em Belém teve foco explícito em água, adaptação climática e cidades. Destacam-se três pontos:

  • a Agenda Global de Transformação em Investimentos em Água, com meta de mobilização de até 20 bilhões de dólares em projetos resilientes ao clima até 2030 na América Latina e Caribe;
  • debates intensos sobre adaptação urbana, envolvendo arborização, drenagem urbana, mitigação de ilhas de calor e infraestrutura verde nas cidades;
  • a sinalização de que há necessidade imediata de mais de 1 bilhão de dólares em financiamentos rápidos para projetos de adaptação em países vulneráveis, com ênfase em áreas urbanas expostas a eventos extremos.

Esse contexto é diretamente relevante para datacenters e infraestruturas digitais críticas:

  • o uso de água para resfriamento passa a ser observado sob a lente de segurança hídrica, justiça climática e reputação corporativa;
  • projetos que adotam sistemas em circuito fechado com reuso de água, como em Pecém, ganham vantagem competitiva em termos de licenciamento, acesso a financiamento e aceitação social;
  • a necessidade de redes de transmissão resilientes e de planejamento integrado entre expansão renovável, armazenamento, demanda de IA e riscos climáticos entra no radar de reguladores e investidores.

Os mais de 6,5 gigawatts adicionados à matriz ao longo de 2025 demonstram a capacidade de expansão renovável, mas a discussão na COP-30 e nos fóruns setoriais deixa claro que a próxima fronteira está na coordenação entre renováveis, energia firme, armazenamento e grandes cargas digitais.

4. Robôs humanoides e a emergência da “IA física”

A entrega do primeiro lote de robôs humanoides industriais na China e o avanço do humanoide ultra-realista da XPENG consolidam a transição de um estágio de demonstrações tecnológicas para pilotos operacionais em escala. As implicações:

  • aumento do grau de automação em linhas de montagem, logística e operações repetitivas, com robôs aptos a operar 24 horas por dia;
  • demanda crescente por software de controle, monitoramento, segurança cibernética, visão computacional e integração com sistemas de gestão;
  • necessidade de redesenho de funções, programas de requalificação e novos arranjos contratuais e regulatórios no mundo do trabalho.

Para o Brasil, a oportunidade está em desenvolver camadas de software, integração OT/IT (Operational Technology / Information Technology), segurança e serviços especializados que possam ser acoplados a plataformas de hardware produzidas globalmente.

5. Conexões intersetoriais

– IA, datacenters e energia

A combinação de IA, datacenters e matriz renovável coloca o tema de energia no centro da estratégia digital. A exigência, pela Medida Provisória 1.307/2025, de uso de energia de novas usinas renováveis por datacenters em ZPE obriga coordenação entre planejamento energético, localização de infraestrutura digital e estratégia fiscal.

– COP-30, água, adaptação e infraestrutura digital

Programas de investimento em água e adaptação climática na Amazônia e na América Latina passam a ser também um tema de viabilidade para grandes datacenters, que dependem de água para resfriamento e de redes de transmissão resilientes em cenários de eventos extremos. Adaptação urbana, drenagem e arborização entram na mesma agenda que energia e conectividade.

– Robótica humanoide, trabalho e demanda energética

Robôs humanoides alteram o perfil de consumo de energia e reforçam a tendência de eletrificação da produção, pressionando ainda mais a necessidade de energia firme, armazenamento e redes robustas, ao mesmo tempo em que exigem políticas de requalificação de trabalhadores e novos arranjos regulatórios.

6. Matriz de riscos e oportunidades

No vetor “Energia limpa, nuclear e pressão de carga digital”, a semana de 17 a 21 de novembro evidencia:

  • risco de aceleração da demanda de datacenters sem expansão coordenada de energia firme, o que pode pressionar tarifas e gerar restrições operativas;
  • impacto adicional da Medida Provisória das ZPEs, que ao exigir energia renovável de novas usinas para datacenters, aumenta a pressão para planejamento coordenado de fontes firmes (hidrelétrica, termelétrica de menor emissão, nuclear) e soluções de armazenamento;
  • oportunidade de estruturar programas integrados de expansão renovável, nuclear, armazenamento e resposta da demanda, com contrapartidas de eficiência, flexibilidade e investimento em redes.

Tabela de Matriz de Risco e Oportunidades

Vetor EstratégicoRisco CentralOportunidade AssociadaSetores Mais Afetados
Datacenters em ZPE e hubs regionaisConcentração excessiva de incentivos, infraestrutura e conectividade em poucos hubs (como Pecém), deixando outras regiões fora da nova geografia digital e criando dependências logísticas e políticas.Desenhar portfólios multi-região, combinando ZPEs, edge computing e parcerias com utilities para reduzir risco de concentração, aumentar resiliência e capturar oportunidades em diferentes marcos regulatórios.Cloud, telecom, utilities, governos estaduais
Energia limpa, nuclear e pressão de carga digitalAceleração da demanda de datacenters sem expansão coordenada de energia firme (incluindo energia nuclear), com risco de encarecimento estrutural de tarifas e de restrições operativas. A Medida Provisória 1.307/2025, ao exigir energia renovável de novas usinas para datacenters em ZPE, pressiona ainda mais o planejamento de fontes firmes para equilibrar a intermitência renovável.Estruturar programas integrados de expansão renovável, nuclear, armazenamento e resposta da demanda, com contrapartidas claras de eficiência, flexibilidade e investimentos em redes, articulados com políticas de ZPE e REDATA.Utilities, grandes consumidores, formuladores de políticas públicas
Água, COP-30 e resfriamento de datacentersPercepção de conflito entre uso de água por datacenters e metas de segurança hídrica e adaptação climática em regiões sensíveis, especialmente quando são adotados sistemas de refrigeração de alto consumo e baixa taxa de reuso.Usar casos como o Complexo do Pecém – com circuito fechado de refrigeração, reuso de água tratada em estação dedicada e consumo hídrico reduzido – como referência de projeto, vinculando licenciamento e financiabilidade a métricas claras de eficiência hídrica e de adaptação.Operadores de datacenters, reguladores ambientais, utilities de água, estados com ZPEs ou projetos de hubs digitais
Robôs humanoides e mercado de trabalhoResistência social e regulatória à adoção de robôs humanoides em tarefas industriais e de serviços, com risco de litígios trabalhistas, tensões políticas e narrativas negativas sobre substituição de pessoas.Construir agendas de requalificação profissional, redesenho de funções e modelos de cooperação homem–robô, posicionando empresas como parceiras da transição do trabalho e da adoção responsável de IA física.Indústria automotiva, logística, saúde, varejo, setor público

Implicações por perfil decisório

Para C-level

  • Tratar Inteligência Artificial (IA – Inteligência Artificial), datacenters, energia e água como uma agenda única de portfólio estratégico, e não como projetos isolados de TI, infraestrutura ou ESG.
  • Definir uma tese clara de presença geográfica em função de Zonas de Processamento de Exportação (ZPE – Zona de Processamento de Exportação), incentivos fiscais, oferta de energia renovável e disponibilidade hídrica, priorizando hubs como Pecém e avaliando alternativas para São Paulo.
  • Avaliar opções de funding climático e instrumentos financeiros verdes para projetos de datacenters, automação avançada e digitalização intensiva em energia, capturando a narrativa de transição energética e adaptação climática discutida na COP-30 (Conference of the Parties 30).
  • Tomar posição estratégica em relação à expansão de energia firme, incluindo energia nuclear, e seu papel na viabilização de cargas de IA em larga escala, alinhando compromissos de crescimento digital com estabilidade tarifária e de suprimento.
  • Definir, em nível de board, a ambição da organização frente à “IA física” (robôs humanoides), com diretrizes para automação, requalificação de pessoas e postura pública sobre impactos no trabalho.

Para diretoria e gerência

  • Revisar propostas de valor e portfólio comercial incorporando atributos de baixa pegada de carbono, eficiência hídrica, resiliência climática e soberania digital como diferenciais competitivos tangíveis.
  • Planejar roadmaps de produtos e serviços que aproveitem a evolução regulatória das ZPEs, inclusive a Medida Provisória 1.307/2025, associando incentivos fiscais a compromissos de uso de energia renovável de novas usinas.
  • Mapear oportunidades em clientes corporativos e governos a partir das agendas da COP-30, com foco em soluções de gestão de água, adaptação urbana, eficiência energética e monitoramento de riscos climáticos em tempo quase real.
  • Estruturar programas internos piloto para uso de IA em processos críticos (fraude, crédito, logística, atendimento) e, em paralelo, avaliar casos de uso iniciais de robôs humanoides em operações específicas, com métricas claras de produtividade e segurança.
  • Construir planos de comunicação e relacionamento que traduzam essa agenda integrada de IA, energia, água e automação para investidores, clientes e colaboradores, alinhando narrativa e execução.

Para engenharia, operações e tecnologia

  • Incorporar cenários de clima extremo, restrições hídricas e novas métricas de resiliência no planejamento de sites de datacenters, redes, subestações e infraestrutura crítica.
  • Desenhar arquiteturas híbridas entre nuvem e edge computing que minimizem latência, otimizem consumo energético e permitam escalabilidade de cargas de IA, com redundância e observabilidade fim a fim.
  • Especificar e implementar soluções de refrigeração em ciclo fechado e reuso de água, tomando o Complexo do Pecém como benchmark técnico para projetos em regiões sensíveis ou semiáridas.
  • Reforçar competências em integração OT/IT (Operational Technology / Information Technology), automação, telemetria avançada e segurança cibernética industrial, preparando o ambiente para robôs humanoides e demais ativos conectados.
  • Estabelecer padrões internos para contratação de energia renovável, uso de armazenamento e participação em programas de resposta da demanda, alinhando operação de datacenters e cargas de IA à disponibilidade de geração e às metas de descarbonização.

Para jurídico, regulatório e relações institucionais

  • Operar um radar regulatório integrado para energia, ZPE, tributação de serviços digitais, trabalho e clima, acompanhando de forma coordenada a Medida Provisória 1.307/2025, regulamentos da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), debates da COP-30 e normas trabalhistas relacionadas à automação.
  • Preparar dossiês técnicos que demonstrem aderência a requisitos de uso de energia renovável, eficiência hídrica, adaptação climática e proteção de dados, apoiando pedidos de licenciamento, acesso a funding climático e participação em ZPEs.
  • Atuar proativamente em fóruns setoriais, audiências públicas e instâncias legislativas para defender marcos regulatórios que viabilizem datacenters verdes, expansão de energia firme, uso responsável de robôs humanoides e desenvolvimento de ecossistemas regionais de IA.
  • Revisar contratos-chave (energia, data center, nuvem, automação, robótica) para incorporar cláusulas de desempenho climático, hídrico, de segurança e de continuidade operacional, alinhadas às novas expectativas de investidores e reguladores.
  • Apoiar a construção de políticas internas sobre IA e automação física que enderecem responsabilidade civil, privacidade, segurança e direitos trabalhistas, mitigando risco jurídico e reputacional em implementações de alto impacto.

Conclusão

A semana de 17 a 21 de novembro de 2025 deixa claro que a agenda de IA, datacenters, energia e clima deixou de ser um conjunto de temas paralelos e passou a operar como um único eixo estratégico de competitividade. ZPEs como a de Pecém, a tramitação da MP 1.307/2025, a expansão de mais de 6,5 GW de renováveis, os debates de adaptação na COP-30 e a aceleração da robótica humanoide apontam para o mesmo denominador: quem não integrar infraestrutura digital, matriz energética, água e trabalho sob uma única tese de futuro ficará estruturalmente fora do jogo.

Do ponto de vista de governança, o recado é inequívoco. Conselhos e C-level precisam tratar decisões sobre localização de datacenters, contratação de energia, uso de água, uso de IA e automação física como carteira integrada de ativos e riscos, com métricas claras de retorno e resiliência. A disputa não será apenas por CAPEX, mas por capacidade de operar em ambientes regulatórios mais complexos, com maior escrutínio climático e social.

No plano tático, a janela de oportunidade está em três frentes: antecipar movimentos regulatórios em ZPE, energia e COP-30; estruturar parcerias com players de energia, telecom e tecnologia para capturar o ciclo de expansão de datacenters e edge computing; e posicionar-se desde já no ecossistema de IA física, oferecendo camadas de software, integração e segurança. Organizações que fizerem essa leitura integrada agora tendem a capturar prêmio de risco, acesso a capital e relevância de longo prazo em um cenário em que infraestrutura digital, energia limpa e adaptação climática se tornam, de fato, as novas linhas mestras da estratégia corporativa.

Como podemos ajudar

Apoiamos conselhos e C-level a transformar o Radar 360 em decisão executiva: definindo onde faz sentido investir em datacenters e edge (ZPE, energia renovável, água, conectividade) e qual o nível de exposição regulatória e climática aceitável no portfólio.

Podemos ajudar a:

  • Desenhar tese geográfica e de investimento em IA, datacenters e energia (incluindo ZPE, REDATA e MP 1.307/2025).
  • Estruturar arquitetura integrada de IA, nuvem e edge, alinhada a custos de energia, resiliência e metas ESG.
  • Qualificar projetos para funding climático (água, adaptação, datacenters verdes) e preparação de dossiês para reguladores e investidores.
  • Avaliar casos de uso de robôs humanoides e automação avançada, com foco em segurança, integração OT/IT e impactos em trabalho e qualificação.

Entregamos isso por meio de diagnósticos rápidos, workshops executivos e roteiros de implementação objetivos, sempre conectando estratégia, regulação e viabilidade técnico-financeira.

SERVIÇO PREMIUM

Serviço sob demanda para quem precisa de análises independentes para decisões de investimento, inovação e risco.

ARTIGOS TÉCNICOS

Conteúdos aprofundados para engenheiros, arquitetos de soluções e especialistas em TI que precisam traduzir tendências em decisões de arquitetura, segurança, dados e infraestrutura.


ARTIGOS RECENTES

E-BOOKS

Do insight à ação: e-books que estruturam pensamento e impulsionam inovação.

Como transformar cortes em alavancas de eficiência e inovação, usando inteligência artificial e o framework RE-FRAME para reduzir estruturas, preservar talentos e redesenhar a organização em 90 dias. 


GUIA

Projetos de Inteligência Artificial

Como Gerenciar Projetos de Inteligência Artificial: O Guia Completo