R$ 10,3 bi
Prejuízo Real (2024)
Custo total das perdas não técnicas em todo o território nacional estimado pela ANEEL
16,02%
Índice de Perdas BT
Percentual médio de desvios e fraudes medido no mercado de baixa tensão
88.870
Interrupções (2024)
Ocorrências e desligamentos na rede causados diretamente por roubos e fraudes
2 Usinas
Equivalência de Desvio
O volume de energia furtado equivale a quase duas usinas de Santo Antônio

A recente reportagem veiculada pelo Jornal Nacional expôs um diagnóstico alarmante sobre a infraestrutura crítica do país: os furtos de energia elétrica, conhecidos como “gatos”, causaram um prejuízo real de R$ 10,3 bilhões ao setor elétrico em 2024 (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2026b). Esse volume de eletricidade desviado equivale à geração de quase duas usinas de Santo Antônio, a quarta maior hidrelétrica do Brasil, ou a toda a produção da usina de Tucuruí, a segunda maior do país (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2026b). A tese central deste relatório é que o furto de energia deixou de ser um mero problema comercial de faturamento para se tornar uma crisis de sustentabilidade econômico-financeira e de segurança territorial, penalizando severamente os consumidores adimplentes e asfixiando as distribuidoras em áreas conflagradas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORAS DE ENERGIA ELÉTRICA, 2026). O que está em jogo agora é a própria viabilidade do modelo de concessão de distribuição de energia em grandes regiões metropolitanas, exigindo uma reformulação imediata das regras de repasse tarifário e a adoção sistêmica de tecnologias avançadas de monitoramento.

Diagnóstico e Marcos Regulatórios

A Discrepância entre Perdas Reais e Regulatórias no Mercado de Baixa Tensão

O sistema elétrico opera sob uma divisão clara entre perdas técnicas e não técnicas. Enquanto as perdas técnicas são decorrentes do transporte e transformação da eletricidade na rede e normatizadas pelo Módulo 7 do PRODIST (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2025), as perdas não técnicas têm origem em furtos, fraudes, erros de medição e faturamento. O risco é que essas fraudes ocorrem principalmente no mercado de baixa tensão, composto por residências e pequenos comércios, onde a fiscalização presencial é altamente complexa. Em 2024, o índice médio de furtos atingiu 16,02% desse segmento no país (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORAS DE ENERGIA ELÉTRICA, 2026). O efeito é uma assimetria severa: apenas dez distribuidoras concentram 74% de todo o volume desviado no território nacional (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2026a). O destaque negativo recai sobre as concessionárias Light e Amazonas Energia, que somam 34,1% das perdas não técnicas do Brasil (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2026a). A questão é que a ANEEL estabelece limites regulatórios de perdas que funcionam como incentivos econômicos através do Submódulo 6.4 do PRORET (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2024). Se a concessionária ultrapassa a meta, ela arca integralmente com o prejuízo financeiro. Por isso, o descompasso crônico entre a realidade operacional e as metas regulatórias ameaça a liquidez do caixa das empresas.

Quadro de Decisão — Marcos Regulatórios e Desafios Operacionais
Como funciona (mecanismo) Tensões e escolhas (trade-offs) Efeito executivo (custo, prazo, risco)
Estabelecer limites regulatórios de perdas não técnicas pela ANEEL nas revisões tarifárias de 4 a 5 anos. Garantir a modicidade tarifária versus preservar a saúde financeira e capacidade de investimento das distribuidoras. MÉDIO Risco de subinvestimento crônico na modernização das redes de distribuição.
Calcular perdas técnicas por meio das regras e modelos de simulação contidos no Módulo 7 do PRODIST. Utilizar modelagem simplificada de fluxo de carga versus refletir com precisão a degradação real dos ativos físicos. MÉDIO Custo incremental de manutenção coberto de forma parcial e defasada pela tarifa.
Absorver o excedente de perdas não técnicas diretamente no caixa da concessionária de distribuição. Estimular a eficiência comercial da empresa versus lidar com barreiras sociais e violência urbana incontroláveis. ALTO Prejuízo financeiro direto que degrada a nota de crédito e eleva o endividamento.
Faturar a energia injetada no mercado regulado de baixa tensão das grandes regiões metropolitanas. Expandir conexões regulares versus enfrentar o crescimento desordenado de aglomerados urbanos subnormais. CRÍTICO Perda constante de receita em áreas onde o faturamento físico é inviabilizado pelo crime.
Mecanismo Econômico

O Repasse Tarifário e a Penalização do Consumidor Regular

O repasse das perdas comerciais para a tarifa funciona como um imposto invisível sobre a adimplência. O mecanismo adotado pela ANEEL determina que o consumidor regular pague pela energia fraudada por terceiros até o limite regulatório estabelecido para a concessão. Em 2024, do prejuízo real de R$ 10,3 bilhões, cerca de R$ 7,1 bilhões foram classificados como perdas regulatórias aceitáveis e cobrados dos consumidores (AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA, 2026b). O efeito é que o consumidor regular arca com aproximadamente 70% desse custo bilionário. O risco é a criação de um ciclo inflacionário: tarifas elevadas impulsionam novos furtos e ampliam a inadimplência, asfixiando famílias de baixa renda. Um estudo acadêmico de insumo-produto revelou que a redistribuição do custo das perdas de energia na cesta de consumo das famílias gera um impacto direto e indireto no Valor Bruto da Produção (VBP) nacional de R$ 12,88 bilhões, reduzindo a renda disponível e o PIB (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, 2025). A questão é que os projetos de lei que tentam proibir 100% desse repasse enfrentam resistência técnica, pois inviabilizariam a própria sobrevivência operacional das distribuidoras em mercados complexos, gerando o risco de colapso no fornecimento.

📊 Formulação Regulatória da Tarifa BT

Para fins analíticos, o impacto financeiro das perdas não técnicas na composição da tarifa média da baixa tensão (Tarifa_BT) pode ser expresso por meio da seguinte modelagem contábil-regulatória:

$$\text{Tarifa}_{\text{BT}} = \frac{\text{RPO} + (\text{PNT}_{\text{reg}} \times \text{Tarifa}_{\text{comp}})}{\text{E}_{\text{faturada}}}$$

Onde Tarifa_BT representa o valor final homologado para a baixa tensão; RPO representa a Receita Regulatória Permitida para a Operação e manutenção das redes de distribuição, calculada com base em critérios de eficiência operacional e remuneração de ativos; PNT_reg representa o volume total de energia (em MWh) referente às perdas não técnicas regulatórias aprovadas pela ANEEL para incorporação na tarifa daquela distribuidora; Tarifa_comp representa o custo de aquisição de energia nos leilões do mercado regulado, utilizado para lastrear o volume furtado que necessita ser reposto ao sistema elétrico; e E_faturada representa o montante total de energia efetivamente consumida e faturada (em MWh) pelas unidades consumidoras regulares.

Quadro de Decisão — Repasse Tarifário e Inclusão Social
Como funciona (mecanismo) Tensões e escolhas (trade-offs) Efeito executivo (custo, prazo, risco)
Repassar perdas não técnicas regulatórias para a fatura de luz de todos os consumidores da área de concessão. Garantir a adimplência e liquidez do sistema versus onerar financeiramente o consumidor adimplente. ALTO Elevação média estimada de 3% no valor final das faturas residenciais do país.
Proibir legalmente o repasse de despesas não técnicas às tarifas por força de projetos de lei federais. Proteger o bolso do consumidor regular versus provocar a quebra financeira imediata das empresas distribuidoras. CRÍTICO Risco sistêmico de caducidade de concessões e devolução em massa de ativos federais.
Reajustar as tarifas periodicamente por meio de revisões ordinárias e reajustes anuais da ANEEL. Compensar as perdas da concessionária com precisão versus dilatar o impacto tarifário em períodos de recessão. MÉDIO Descompasso temporário de caixa que afeta o capital de giro operacional das concessionárias.
Diferenciar as tarifas de baixa renda por meio de ampliação regulatória dos critérios de tarifa social. Subsidiar o consumo de famílias vulneráveis versus aumentar o volume de encargos setoriais cobrados da indústria. OPORT. Redução estrutural da inadimplência e diminuição do apelo social do “gato” de energia.
Dimensão Socio-Territorial

ASROs e a Sobrança de Redes em Áreas de Segurança Crítica

O combate ao furto de energia esbarra diretamente na ausência de controle soberano do Estado sobre territórios urbanos. Nas chamadas Áreas com Severa Restrição Operativa (ASRO), o crime organizado composto por facções de tráfico e milícias controla a infraestrutura de utilidade pública para extorquir a população (FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, 2024). Na área de concessão da Light, um milhão de clientes residem em áreas dominadas por esses grupos, onde as perdas comerciais ultrapassam 95%. O efeito é que os poucos moradores regulares sofrem com bleautes frequentes e incêndios causados por sobrecarga. A questão crítica reside no parâmetro regulatório da ANEEL para classificar as ASROs, baseado na restrição de entrega de encomendas dos Correios. Essa métrica é imprecisa porque os Correios não cortam “gatos” e, por isso, não sofrem a mesma retaliação armada sofrida pelas equipes de manutenção elétrica. O risco é que, ao subestimar a abrangência das ASROs, a ANEEL impõe metas de redução de perdas inatingíveis, asfixiando o caixa de distribuidoras fluminenses e minando a viabilidade das concessões que expiram em 2026.

Quadro de Decisão — Gestão de Territórios e Riscos de Campo
Como funciona (mecanismo) Tensões e escolhas (trade-offs) Efeito executivo (custo, prazo, risco)
Classificar as ASROs a partir de mapas de CEPs com restrição de entrega de correspondências da empresa de Correios. Utilizar dados públicos consolidados versus ignorar os perigos específicos enfrentados por eletricistas. ALTO Subestimação regulatória do tamanho real das áreas de risco sob controle armado.
Intervir fisicamente na rede para identificação de fraudes e suspensão do fornecimento irregular em ASROs. Recuperar receita operacional de energia versus expor funcionários de campo a sequestros e agressões. CRÍTICO Risco iminente de mortes de profissionais e severos passivos trabalhistas.
Executar vistorias de inspeção com apoio de forças policiais e operações de segurança pública semanais. Restabelecer o ordenamento fiscal de energia versus sofrer hostilidades imediatas após a desmobilização policial. ALTO Elevado custo de despesa operacional de campo (OPEX) com eficácia de curto prazo.
Desenvolver projetos sociais de engajamento e eficientização energética com moradores locais. Integrar os consumidores de forma educativa versus enfrentar as ameaças impostas pelo poder paralelo. OPORT. Pacificação do faturamento e redução gradativa do desperdício de energia na comunidade.
Soluções Tecnológicas

A Engenharia de Redes Inteligentes, SMC e Inteligência Artificial

A superação do furto de energia exige a migração definitiva para redes inteligentes de distribuição (Smart Grids). A tecnologia de maior impacto é o Sistema de Medição Centralizada (SMC). O mecanismo consiste em deslocar os medidores convencionais das residências para caixas blindadas instaladas nos postes da rede secundária, comunicando-se por RF Mesh IP (FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, 2024). O efeito é a eliminação da fraude física direta, pois o consumidor perde o acesso direto ao relógio medidor. Adicionalmente, sistemas baseados em Inteligência Artificial monitoram o perfil de consumo de energia em tempo real nos Centros de Inteligência de Combate a Perdas (CICOP). Qualquer anomalia ou redução repentina no consumo gera um alerta automatizado de inspeção. O ponto positivo é que distribuidoras que utilizam a triagem automatizada já estabeleceram metas consistentes para reduzir suas perdas estruturais de maneira contínua. O risco é que o alto custo de CAPEX para a implantação dessas tecnologias atrase sua universalização, exigindo incentivos regulatórios específicos. A experiência global comprova que a tecnologia, isoladamente, é incapaz de erradicar o furto de energia se não estiver aliada à inclusão social e tarifária. Modelos internacionais aplicados na Índia e na Colômbia revelam a necessidade de um “tripé” composto por tarifas diferenciadas para áreas complexas, programas de microgeração de renda e modernização tecnológica (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, 2025). No Brasil, projetos sociais voltados à sustentabilidade permitem a troca de resíduos recicláveis por descontos diretos na conta de luz de famílias de baixa renda. O efeito é o desestímulo ao furto de energia e a redução pacífica da inadimplência estrutural. O risco é que a lentidão na expansão dessas iniciativas de regularização e a fragilidade das políticas de geração de emprego empurrem novamente os consumidores regulados de volta à clandestinidade elétrica, perpetuando o prejuízo econômico.

Quadro de Decisão — Engenharia de Redes e Sistemas Inteligentes
Como funciona (mecanismo) Tensões e escolhas (trade-offs) Efeito executivo (custo, prazo, risco)
Instalar o SMC deslocando fisicamente os medidores para estruturas de postes blindados. Impedir a violação do relógio pelo consumidor versus investir pesados volumes de capital de infraestrutura (CAPEX). OPORT. Recuperação rápida de energia faturada em regiões urbanas consolidadas.
Utilizar comunicação RF Mesh IP com redundância automática e eliminação de concentradores centrais. Maximizar a disponibilidade do sinal de leitura versus gerenciar a complexidade técnica de malhas em rede. MÉDIO Taxa de disponibilidade de dados de faturamento de até 99,8% em ambientes de alta interferência.
Processar padrões de dados de faturamento histórico via modelos de IA e redes neurais do CICOP. Direcionar inspeções de campo de modo cirúrgico versus lidar com alarmes falsos gerados por sazonalidade de uso. MÉDIO Economia expressiva em custos logísticos e de transporte das equipes de fiscalização.
Empregar caixas blindadas e lacradas de medição central para unidades comerciais leves. Coibir grandes desvios em pequenos comércios e indústrias versus mitigar atritos e contestações judiciais de clientes. MÉDIO Aumento imediato do faturamento por se tratar de cargas industriais de elevado consumo.
Quadro de Decisão — Modelagem de Regularização e Inclusão
Como funciona (mecanismo) Tensões e escolhas (trade-offs) Efeito executivo (custo, prazo, risco)
Implementar tarifas diferenciadas e adaptadas para áreas periféricas e complexas de baixa renda. Garantir que a conta caiba na renda familiar versus arcar com subsídios indiretos no balanço da tarifa geral. OPORT. Mitigação expressiva da reincidência de “gatos” em comunidades regularizadas.
Conceder descontos na fatura em contrapartida à entrega de resíduos sólidos recicláveis em postos de coleta. Promover a cidadania e regularidade cadastral versus gerenciar os custos operacionais de pontos de coleta. MÉDIO Alto retorno em imagem corporativa (ESG) e diminuição sustentada da inadimplência.
Recrutar lideranças e moradores das próprias comunidades para actuar no processo de cobrança. Construir pontes de confiança social versus gerenciar a exposição física dessas pessoas à violência do crime. ALTO Elevação da taxa de regularização sem necessidade de policiamento ostensivo.
Financiar a infraestrutura física interna das residências e regularizar os ramais de ligação. Eliminar focos de insegurança e vazamento térmico versus despender recursos operacionais diretos não reembolsáveis. ALTO Redução dos incidentes elétricos e das interrupções por queima de transformadores.
Modelagem de Futuro

O Que Muda até 2028

O controle e a gestão das perdas não técnicas no setor elétrico brasileiro dependerão diretamente de reformas regulatórias, da velocidade de digitalização das redes e da eficácia das políticas nacionais de segurança pública ao longo dos próximos anos.

Cenários Prospectivos — Perdas Não Técnicas e Concessões
Cenário Premissas Sinais precoces Impacto custo/prazo/risco Resposta recomendada
Cenário Base (Verde) ANEEL mantém limites de perdas estáveis; distribuidoras expandem SMC moderadamente fora de ASROs. Lentidão na queda de perdas em RJ/AM; manutenção das tarifas elevadas. Custo: Tarifário alto / Prazo: Contínuo / Risco: Médio de insolvência de concessões críticas. Direcionar CAPEX para áreas viáveis de faturamento; aprimorar detecção por Inteligência Artificial.
Cenário Otimista (Dourado) Aprovação de regulação tarifária especial para ASROs; articulação federal de segurança pública; tarifas sociais ampliadas. Queda real de perdas abaixo das metas regulatórias; redução de bleautes e acidentes em favelas. Custo: Tarifário em queda / Prazo: 24 meses / Risco: Baixo risco de mercado e de segurança. Universalizar o SMC e expandir programas circulares de reciclagem e emprego local.
Cenário Estressado (Vermelho) Avanço territorial descontrolado das facções criminosas; manutenção de metas inatingíveis de perdas pela ANEEL. Recuperação judicial da Light sem acordo de concessão; endividamento crônico da Amazonas Energia. Custo: Energia severamente onerada / Prazo: Imediato / Risco: Crítico de colapso de distribuidoras. Acionar o mecanismo de intervenção federal da ANEEL e implementar o Supridor de Última Instância (SUI).
Recomendações Práticas

Planos de Ação e Evidências de Aceite

Para restabelecer a segurança financeira das concessões e blindar os consumidores adimplentes contra distorções tarifárias severas, torna-se indispensável que os comitês executivos de infraestrutura e energia das distribuidoras articulem um roadmap estruturado em três horizontes cronológicos.

T+90 dias
Estabilização Regulatória e de Dados
  • Revisar a classificação metodológica das ASROs junto à ANEEL e propor novos critérios georreferenciados objetivos que reflitam a restrição operacional armada, superando o modelo baseado em CEPs de entrega dos Correios. Evidência de aceite: Protocolização de parecer conceitual técnico nas mesas de negociação com o Ministério de Minas e Energia.
  • Implantar algoritmos preditivos de Inteligência Artificial para análise automática de histórico de consumo no CICOP, minimizando deslocamentos sem alvos assertivos de vistoria comercial. Evidência de aceite: Painel de BI operacional integrado gerando ao menos 2.000 alertas diários consistentes de fraude.
  • Executar mutirões locais de cadastramento e inserção de famílias de baixa renda na Tarifa Social de Energia Elétrica em áreas limítrofes de vulnerabilidade social. Evidência de aceite: Crescimento de 10% no volume de famílias devidamente registradas e beneficiadas no cadastro de faturamento da distribuidora.
T+180 dias
Expansão Tecnológica e Blindagem
  • Iniciar a migração física de ramais elétricos em bairros periféricos para sistemas centralizados de medição utilizando redes inteligentes e comunicação RF Mesh IP. Evidência de aceite: Ativação de 50.000 pontos de medição centralizada devidamente monitorados à distância.
  • Formar acordos operativos com as secretarias estaduais de segurança pública e polícias para garantir escolta permanente das equipes em inspeções técnicas. Evidência de aceite: Homologação de protocolo conjunto de campo com histórico comprovado de ao menos duas operações coordenadas semanais por batalhão metropolitano.
  • Inaugurar unidades de troca e pontos de reciclagem associados a programas ambientais circulares, gerando créditos diretos nas faturas e engajamento social das comunidades. Evidência de aceite: Instalação de três ecopontos piloto com processamento mínimo mensal de 15 toneladas de resíduos recicláveis cadastrados.
T+12 meses
Modernização e Autonomia Comercial
  • Integrar a infraestrutura comercial interna aos novos fluxos e APIs estruturadas de dados do Open Energy e do mercado regulado varejista de baixa tensão. Evidência de aceite: Relatório de conformidade de comunicação de dados de faturamento emitido pela CCEE.
  • Celebrar contratos corporativos de performance operacional com metas de recuperação de perdas não técnicas vinculadas à remuneração de provedores terceiros de tecnologia. Evidência de aceite: Redução comprovada por auditoria de 1,5 ponto percentual no índice de perdas não técnicas reais sobre a energia total injetada.
  • Executar auditorias completas e periódicas em todos os processos internos de medição, faturamento e leitura regular para estancar pontos de vazamento administrativo de receita. Evidência de aceite: Certificação de conformidade de processos de medição e controle de perdas comerciais emitido por auditoria independente.

Conclusão

O enfrentamento dos furtos de energia no Brasil exige o reconhecimento de que a eletricidade não é apenas um insumo de mercado, mas o reflexo direto da presença e soberania do Estado nos territórios metropolitanos. A continuidade das perdas não técnicas no patamar bilionário atual asfixia o caixa das distribuidoras de forma irreversível e penaliza injustamente os cidadãos adimplentes, perpetuando o ciclo vicioso de preços elevados e perdas de faturamento recorrentes. A transição para um modelo digital baseado em redes de medição inteligente e governança participativa é a única saída técnica e regulatória viável.

“O furto de energia elétrica no Brasil deixou de ser uma mera irregularidade comercial: trata-se de um imposto invisível cobrado sobre a cidadania, que asfixia a infraestrutura física e financia o domínio armado territorial das facções criminosas.”

Por isso, a decisão estratégica imediata que se apresenta ao governo federal e à ANEEL não é simplesmente sobre o reajuste das tarifas de distribuição, é sobre a sustentabilidade jurídica, técnica e territorial do setor elétrico brasileiro nos próximos trinta anos.

Implementação Estratégica

nMentors Engenharia: Da Análise à Execução com PMO e Governança

O rigor analítico produzido pelo efagundes.com — síntese de sinais de mercado, inteligência regulatória e prospectiva estratégica — é a fundação metodológica dos serviços de consultoria e PMO da nMentors Engenharia. A nMentors traduz teses técnicas em projetos executáveis, com governança ponta a ponta e transferência de conhecimento para as equipes do cliente.

🛠️
PMO de Combate a Perdas
Governança ponta a ponta na transição tecnológica para redes inteligentes, mitigando desvios físicos e de medição por meio de metodologia ágil e de rastreabilidade.
📊
Inteligência Regulatória
Consultoria de modelagem avançada para estruturação de pleitos tarifários ordinários e redesenho técnico de Áreas de Severa Restrição Operativa (ASRO) junto à ANEEL.
📡
Implantação de Smart Grids
Apoio técnico no planejamento físico, projeto de engenharia, testes e especificação operacional de Sistemas de Medição Centralizada (SMC) via redes RF Mesh IP.
🧠
Ciência de Dados no Combate a Perdas
Arquitetura de soluções analíticas preditivas de Inteligência Artificial para Centros de Inteligência de Combate a Perdas (CICOP), elevando a eficiência das rotas de fiscalização.
👥
Projetos de Regularização Social
Consultoria estratégica no desenho e gerenciamento de parcerias e programas circulares de inclusão tarifária e regularização de consumo para famílias vulneráveis.
🎓
nMentors Academy
Programa de capacitação técnica para equipes do cliente em estratégias de combate a perdas comerciais e faturamento elétrico, garantindo autonomia operacional e perenidade das soluções após a entrega do projeto.

Referências Bibliográficas

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Procedimentos de Regulação Tarifária (PRORET): Submódulo 6.4: Metas e Repasse de Perdas Comerciais. Brasília: ANEEL, 2024.
  2. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional (PRODIST): Módulo 7: Cálculo de Perdas Técnicas e Não Técnicas. Brasília: ANEEL, 2025.
  3. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Furto de energia no país gerou custo de R$ 10,3 bilhões em 2024. Agência Brasil, Brasília, 17 mai. 2026a. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/. Acesso em: mai. 2026.
  4. AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Perdas não técnicas custaram R$ 10,3 bilhões em 2024, aponta ANEEL. Canal Solar, Brasília, 17 mai. 2026b. Disponível em: https://canalsolar.com.br/. Acesso em: mai. 2026.
  5. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORAS DE ENERGIA ELÉTRICA (ABRADEE). Furto de energia tem leve alta em 2024, com 16% de perdas. Agência Eixos, Brasília, 17 mai. 2026. Disponível em: https://eixos.com.br/. Acesso em: mai. 2026.
  6. FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS (FGV ENERGIA). Panorama das perdas não técnicas no Brasil e o potencial de aplicação dos sistemas de medição centralizada para mitigação dos impactos. Rio de Janeiro: FGV Energia, 2024.
  7. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (IE/UFRJ). Perdas Comerciais no Setor Elétrico Brasileiro: Impactos Econômicos Diretos e Indiretos no Consumo das Famílias. Brazilian Research in Sectoral Analytics (BRSA), Rio de Janeiro, v. 8, n. 4, p. 112–134, jul. 2025.