Uma análise sobre a sustentabilidade do setor de serviços baseada em tendências econômicas recentes.
Nesta véspera de Natal de 2025, o jornal O Estado de S. Paulo nos oferece duas peças que, quando lidas em conjunto, desenham o “mapa da mina” — e o campo minado — para o setor de engenharia e consultoria na América Latina.
De um lado, o analista Andrés Oppenheimer alerta para um cenário de estagnação econômica, onde a região crescerá apenas 2,3% em 2026, pressionada por tarifas e falta de inovação. Do outro, o especialista Felipe Matos demonstra como quebrou o “Triângulo de Ferro” da gestão, entregando um projeto de 12 anos em apenas 2 meses com o uso de Agentes de IA.
A conclusão do nosso Think Tank é inequívoca: o modelo de negócios baseado em Homem-Hora de Engenharia (HHE)tornou-se tóxico. Em um mundo onde a IA comprime o tempo de execução (reduzindo o faturamento por hora) e a economia estagnada exige eficiência máxima, as empresas de engenharia que não mudarem suas métricas de valor entrarão em colapso.
O Cenário de Risco Global e a Cadeia de Suprimentos
Para entender a urgência dessa mudança, precisamos olhar para a infraestrutura física. A cadeia de suprimentos global para o setor elétrico vive um momento crítico. O lead time (prazo de entrega) para a reposição de transformadores de grande porte ultrapassou a barreira dos dois anos.
Neste contexto, a engenharia não pode mais ser vista como commodity. Uma falha em um ativo crítico — seja por desgaste ou por comandos erráticos em sistemas de automação vulneráveis — não gera apenas um custo de reparo; gera um “apagão” de receita de 24 meses.
Um Novo Modelo em Ascensão: O Caso nMentors
Como resposta a esse cenário, observamos o surgimento de modelos de negócio disruptivos no Brasil. Um exemplo claro dessa transição é a nMentors Engenharia, que vem abandonando a venda de “esforço” (horas) para vender “redução de incerteza”.
Ao analisar a abordagem desta empresa, identificamos três novos parâmetros que tendem a se tornar o padrão de mercado para contratos de alta complexidade:
1. Do “Custo Hora” para o Índice de Intensidade Cognitiva (IIC)
Enquanto consultorias tradicionais vendem o tempo de seus engenheiros, o novo modelo foca na profundidade analítica permitida pela IA.
- A Mudança: Em vez de analisar 3 cenários de carga (amostragem humana), a metodologia observada na nMentors utiliza IA para simular 5.000 cenários de estresse em 48 horas.
- A Lição: O cliente não paga pelas horas gastas, mas pela garantia estatística exaustiva, humanamente impossível de ser realizada no modelo anterior.
2. Do “Preço de Tabela” para o Fator de Mitigação de Risco (FMR)
Considerando o risco de downtime de dois anos citado anteriormente, o preço do serviço de engenharia deixa de ser calculado sobre o custo do consultor e passa a ser ancorado no Valor do Ativo Protegido.
- A Lógica: Programas de Self-Assessment contínuo, que verificam a integridade lógica e física contra comandos indevidos, funcionam como um seguro. O custo é ínfimo se comparado ao prejuízo de um ativo insubstituível.
3. Da “Burocracia” para a Velocidade de Decisão (Time-to-Decision)
Em linha com a produtividade citada por Felipe Matos no Estadão, a velocidade é o novo prêmio.
- O Impacto: Diagnósticos de vulnerabilidade que levavam meses agora são entregues em uma semana. Esse ganho de tempo (Time-to-Decision) destrava investimentos e antecipa a segurança operacional.
A Necessária Reeducação do Mercado
Para que a América Latina escape da irrelevância tecnológica prevista por Oppenheimer, os contratantes (indústrias e concessionárias) precisam atualizar sua matriz de compras.
A tabela abaixo resume a transição que nosso Think Tank defende:
| Visão Tradicional (Em Declínio) | Visão Estratégica (O Futuro do Setor) |
| O que se compra: Horas de engenharia. | O que se compra: Redução de Incerteza e Performance. |
| Métrica de Sucesso: Cumprimento de horas. | Métrica de Sucesso: Riscos eliminados e ativos blindados. |
| Percepção de Valor: “Engenharia é commodity.” | Percepção de Valor: “Engenharia é seguro de continuidade.” |
| Foco: Reparo e Manutenção. | Foco: Self-Assessment e Prevenção de Comandos Erráticos. |
Conclusão
A “recessão de vagas” no setor de tecnologia, também citada na imprensa hoje, atinge profissionais e empresas que insistem em fazer o básico.
O exemplo da nMentors e a análise econômica atual convergem para um ponto único: a sobrevivência no setor de infraestrutura dependerá da capacidade de usar a Inteligência Artificial não apenas para fazer “mais rápido”, mas para fazer o que antes era impossível — garantir a integridade total de ativos em um mundo de incertezas.

