1. Resumo executivo
A semana de 22 a 28 de novembro de 2025 reforçou o cenário de aparente robustez financeira do Brasil, com o Ibovespa batendo recorde em 159.072 pontos, inflação sob controle (IPCA-15 em 0,20% no mês e 4,50% em 12 meses) e expectativas de juros mais baixos no médio prazo. Apesar disso, o crescimento do PIB foi revisto levemente para baixo, a dívida bruta permanece elevada (próxima de 78,6% do PIB) e a Selic segue alta até o final de 2025, o que limita a retomada de investimentos.
No mercado de trabalho, o desemprego baixo convive com renda média comprimida, alta informalidade e grandes disparidades regionais, indicando que a quantidade de empregos não se traduz automaticamente em qualidade ou poder de consumo.
No campo tecnológico, a semana foi positiva: destaque para o avanço de modelos multimodais (Gemini 3 Pro), otimização de GPUs para LLMs autohospedados e ferramentas de observabilidade de agentes corporativos, consolidando a IA como estrutura central das operações.
Em energia e clima, há estabilidade operacional no curto prazo, mas medidas emergenciais para corte de excedente renovável e flexibilização do licenciamento ambiental aumentam o risco regulatório e climático para projetos de longo prazo.
No ambiente político-regulatório, o stress permanece alto, com prisão preventiva de ex-presidente, disputas no STF e pautas sensíveis no Congresso (anistia 8/1, reforma administrativa, apostas, fintechs, vetos ambientais), além de um contexto geopolítico fragmentado.
2. Painel dos indicadores Radar 360
Escala comum:
−2 = fortemente negativo
−1 = moderadamente negativo
0 = neutro / misto
+1 = moderadamente positivo
+2 = fortemente positivo
| Indicador | Valor | Descrição resumida |
| RBA – Risco Brasil Ampliado | 1 | Ativos em alta, apetite a risco positivo, mas com fiscal e política sensíveis |
| PER – Pulso da Economia Real | 0 | Economia em “voo de cruzeiro”: sem crise, sem boom |
| QTR – Qualidade do Trabalho e Renda | -1 | Emprego formal positivo, porém renda fraca, informalidade e assimetria regional |
| VTT – Vetor de Transformação Tecnológica e IA | 2 | Semana forte em IA, infraestrutura e observabilidade de agentes |
| PEC – Pressão Energética e Climática | -1 | Sistema estável no curto prazo, mas com decisões que elevam risco estrutural |
| SPG – Stress Político-Regulatório e Geopolítico | -2 | Conflito institucional elevado e cenário externo fragmentado |
3. Macro e mercados
- Ibovespa: 159.072 pontos em 28/11, alta de 6,37% no mês, melhor desempenho em 15 meses, puxado por bancos, exportadoras e ações de dividendos.
- Inflação: IPCA-15 em 0,20% no mês, 4,50% em 12 meses, no teto da meta, indicando desaceleração gradual.
- PIB e fiscal: Projeção de PIB 2025 revisada de 2,3% para 2,2%; dívida bruta em torno de 78,6% do PIB mantém pressão fiscal; Selic elevada até o fim de 2025, cortes esperados apenas em 2026.
O RBA em +1 reflete esse balanço: ativos animados e percepção de risco-país favorável, mas com fundamentos frágeis (dívida alta, crescimento modesto, ruído político). O ambiente é bom para operações de equity e empresas capitalizadas; para novos projetos intensivos em CAPEX, exige-se retorno elevado.
4. Economia real e trabalho
- Economia real: Sinais mistos. Indústria e serviços não aceleram; agro segue forte, com safra de soja robusta e exportações em alta.
- Emprego: Geração formal positiva, mas inferior a 2024; informalidade e disparidades salariais regionais continuam elevadas; subocupação e desalento permanecem relevantes.
PER em 0 indica economia em “cruzeiro operacional”: sem crise, sem boom. QTR em -1 reforça: desemprego baixo não garante mercado saudável – renda fraca, informalidade e assimetrias regionais comprometem a qualidade da recuperação.
5. Tecnologia e IA
- Google Gemini 3 Pro: Modelo multimodal para geração de conteúdo visual, com impacto direto em design, marketing e produto digital.
- ScaleOps: Solução para reduzir em até 50% o custo com GPU em LLMs autohospedados, por meio de orquestração e otimização de recursos.
- Salesforce: Ampliação de ferramentas de monitoramento e observabilidade de agentes de IA em produção, com telemetria detalhada e métricas de desempenho.
VTT em +2 reflete avanços estruturais, não só anúncios pontuais. Organizações que ainda tratam IA como projeto periférico já perdem espaço para quem avança em arquitetura alvo (dados, modelos, infraestrutura e governança).
6. Energia, clima e sustentabilidade
- ONS: Previsão de crescimento da carga em novembro para 1,4% a.a., com hidrologia menos estressada.
- Aneel: Aprovação de corte coordenado de excedente de energia renovável, com distribuidoras definindo critérios em 20 dias.
- Licenciamento ambiental: Derrubada de vetos presidenciais ao PL, gerando críticas de “demolição” da proteção ambiental.
PEC em -1 mostra o paradoxo: curto prazo estável, mas decisões aumentam risco estrutural para renováveis, infraestrutura e credibilidade ambiental do país. Modelos de “energia por assinatura” e projetos sem contratos sólidos ficam sob risco de prejuízo e judicialização.
7. Política e regulação
- STF: Prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro em 22/11, além de condenação de generais.
- Composição do STF: Indicação de Jorge Messias acirra disputas.
- Congresso: Câmara discute anistia 8/1 e reforma administrativa; Senado debate regulação de apostas, regras para fintechs, vetos ambientais.
SPG em -2 reflete alto stress institucional, com várias frentes sensíveis ao mesmo tempo. Isso aumenta a incerteza sobre marcos regulatórios em setores como energia, infraestrutura, financeiro, telecom e economia digital.
8. Cadeias globais e geopolítica
- Conflitos na Ucrânia e Oriente Médio sem solução, afetando preços de energia e fertilizantes.
- Tensões EUA x China pressionam preços de minerais críticos e semicondutores.
- Eventos climáticos extremos (ex: seca no Canal do Panamá) expõem vulnerabilidades logísticas.
- Ciberataques em operadores logísticos evidenciam riscos de continuidade operacional.
Para o Brasil, é fundamental diversificar fornecedores, mapear tiers e usar IA para antecipar rupturas. Seguros, cláusulas contratuais flexíveis e planos de contingência ganham importância em logística, energia e insumos críticos.
9. Matriz de correlação de eventos
Clusters de eventos da semana e impacto qualitativo nos indicadores Radar 360
- A – Ibovespa recorde, incerteza menor, projeções de inflação/juros mais benignas
- B – PIB revisto para baixo, dívida alta, Selic elevada
- C – Emprego formal positivo, renda baixa e informalidade elevada
- D – Avanços em IA e tecnologia (Gemini 3 Pro, LLMs, observabilidade)
- E – Energia: crescimento de carga, corte de excedente renovável, licenciamento ambiental
- F – Política interna: prisão de ex-presidente, STF, pautas no Congresso
- G – Geopolítica: guerras, G20 frágil, cadeias globais pressionadas
| Cluster de eventos | RBA | PER | QTR | VTT | PEC | SPG |
| A. Ibovespa recorde, incerteza menor, projeções de inflação/juros melhores | 2 | 1 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| B. PIB revisto para baixo, dívida alta, Selic elevada | -1 | -1 | -1 | 0 | 0 | 0 |
| C. Emprego formal com renda baixa e informalidade | 0 | 0 | -1 | 0 | 0 | 0 |
| D. IA e tecnologia: modelos, infraestrutura, observabilidade | 1 | 1 | 0 | 2 | 0 | 0 |
| E. Energia: carga, corte de excedente renovável, licenciamento ambiental | -1 | 0 | 0 | 0 | -2 | -1 |
| F. Política interna: prisão, STF, pautas sensíveis no Congresso | -1 | 0 | 0 | 0 | -1 | -2 |
| G. Geopolítica: guerras, G20 frágil, cadeias globais tensionadas | -1 | -1 | 0 | 0 | -1 | -1 |
Leituras:
A eleva RBA e PER, consolidando ambiente pró-risco em ativos brasileiros.
B e C pesam sobre PER e QTR, mostrando que crescimento e renda não acompanham o otimismo do mercado.
D impulsiona VTT, reforçando a transformação tecnológica.
E, F e G deterioram PEC e SPG, evidenciando riscos energéticos, climáticos, políticos e geopolíticos.
10. Implicações para negócios
- Capital e investimentos: Aproveitar o momento positivo da Bolsa para fortalecer o caixa, financiar projetos de produtividade, digitalização e eficiência energética. Ser rigoroso em projetos intensivos em CAPEX, priorizando retornos robustos e baixa exposição a riscos regulatórios e climáticos.
- Mercado de trabalho e consumo: O planejamento comercial e de crédito deve levar em conta renda real, informalidade e diferenças regionais, além do desemprego agregado. Programas de qualificação em IA e competências digitais são fundamentais para melhorar a força de trabalho e a cadeia de valor.
- Estratégia de IA e infraestrutura digital: Definir arquitetura alvo de IA (dados, modelos, infraestrutura, governança) e avançar além de pilotos dispersos. Priorizar casos de uso com ROI mensurável nos setores de energia, logística, financeiro e serviços.
- Energia, clima e ESG: Revisar contratos de projetos renováveis expostos a cortes de excedente, ajustando matrizes de risco e cláusulas de reequilíbrio econômico-financeiro. Estruturar projetos de transição energética com governança ESG robusta, visando acesso a capital climático e resiliência de longo prazo.
- Governança regulatória e geopolítica: Incorporar risco político-regulatório como dimensão estratégica de gestão de risco, com cenários e planos de contingência claros. Reforçar resiliência da cadeia de suprimentos por meio de diversificação, monitoramento contínuo com IA e proteção contratual e financeira.
Como podemos ajudar
O think-tank por trás do Radar 360 apoia empresas na tradução desse ambiente de alta complexidade em decisões concretas de negócio. A partir dos indicadores proprietários (RBA, PER, QTR, VTT, PEC, SPG) e da matriz de correlação de eventos, estruturamos análises personalizadas por setor, simulando impactos regulatórios, tecnológicos, energéticos e geopolíticos sobre portfólios, CAPEX, receitas e risco operacional. Esse trabalho se desdobra em estudos setoriais, matrizes de risco, cenários macro e setoriais, roadmaps de IA e energia e insumos para planejamento estratégico, orçamento e alocação de capital.
De forma complementar, atuamos na capacitação de lideranças e equipes para que consigam internalizar esse tipo de leitura e aplicá-la no dia a dia. Fazemos isso por meio de mentorias executivas, cursos e workshops customizados, com foco em leitura de conjuntura, uso de dados e IA no processo decisório, governança de risco e desenho de cenários. O objetivo é construir organizações com capacidade analítica própria, menos reativa, mais preparada para navegar ciclos econômicos, choques regulatórios, transição energética e a adoção acelerada de tecnologias de Inteligência Artificial.


