O que fazer com o encolhimento da economia?

A Fiesp publicou um estudo que prevê o encolhimento de 4,5% da indústria neste ano, sendo mais pessimista que alguns economistas consultados pelo Banco Central que apontam uma queda de 0,83% em 2015. Como sabemos a economia tem um forte viés de comportamento humano. Noticias como essa fazem as pessoas ficarem mais cautelosas nas despesas e investimentos. Diante de desse cenário, o que fazer?

É de senso comum que uma das saídas é a exportação. Quando se comenta isso a primeira reação é de desamino e fala-se no famoso Custo Brasil. Entretanto, existem soluções que pouco são utilizados pelos empresários, como o uso das ZPEs (Zonas de Processamento de Exportação) e de Leis de Incentivo.

As ZPEs, no total de 24 no Brasil, permite a isenção de vários impostos para a exportação utilizando matérias primas nacionais e mão de obra local.

As Leis de Incentivo, algumas conhecidas como Lei do Bem, permite a renuncia fiscal de alguns tributos, permitindo compensar os aumentos de outros tributos.

Demitir e encolher os investimentos das empresas, entrando em uma espiral negativa, dificultará a retomada do crescimento. Manter profissionais qualificados fora do mercado de trabalho reduz nossa velocidade de crescimento.

A solução é jogar fora alguns paradigmas, pensar em alternativas de crescimento e explorar novos mercados.

O tempo que se perde em falar sobre a crise econômica e a corrupção pode ser melhor utilizado para pensar em crescimento.

SAP Forum Brasil 2015

A SAP promoveu mais uma vez o SAP Forum em São Paulo. Alem das tradicionais soluções de ERP e sistemas especialistas, o foco foi Big Data e Analytics. As soluções de integração são boas e algumas bem sofisticadas.

Como sempre, exite um gap entre a visão dos fornecedores e as necessidades praticas das empresas. As soluções funcionam maravilhosamente com bases de dados perfeitas e consistentes. Entretanto, quando olhamos para a realidade das empresas e seus sistemas legados e poucos investimentos para mudanças (não apenas tecnológicas, mas culturais) percebemos o desafio da implementação de novos processos de negócios.

O desafio é fazer a implementação em uma empresa líder para criar seguidores, principalmente, dos concorrentes que não querem ficar para trás.

Sem duvida a SAP define alguns padrões de praticas de negócios. Para empresas que buscam eficiência operacional é uma ótima alternativa.

Custo da energia para a indústria deve aumentar 53% no próximo mês.

Somando os subsídios sociais, pagamento das despesas do setor e os custos das termelétricas, a indústria deve pagar R$79 a mais por MW consumido. Uma indústria que consume 30MW que hoje paga R$150 por MW passará a pagar R$229 por MW. Passará a ter uma despesa de R$20,8 milhões ao longo de um ano. Alguns empresários afirmam que com esse cenário em breve não teremos mais problemas de energia, pois com a aniquilação da indústria nacional sobrará energia para outros setores.

Acredito ser pouco provável que a indústria consiga subsídios para a energia, pois é uma importante fonte de arrecadação de impostos. Com um ICMS de 30% é uma das poucas receitas que ficam para os Estados. O PIS/COFINS é uma receita importante para atingir a meta de superávit do governo. As concessionárias de distribuição de energia precisam pagar os empréstimos do rombo no orçamento causado pela MP579, uma das trapalhadas do governo no setor elétrico.

A carga de impostos e o desequilíbrio de preços da energia entre consumidores industriais e residenciais, faz a nossa indústria pagar um dos preços mais caros de energia do mundo. No Brasil, a energia da indústria é 20% mais barata que a residencial. Na Dinamarca é 70% e nos Estados Unidos é 44%. A justificativa é o consumo concentrado da indústria e não fortemente pulverizado como o residencial.

As novas regras da Aneel sobre os encargos para o consumidor da PLD (preço de energia do mercado à vista) deve aumentar os encargos dos consumidores em até R$20 por MW consumido.

No ano passado, o governo usou a CDE, Conta de Desenvolvimento Energético, para manter o custo da energia. Hoje, com o aperto fiscal a conta de cerca de R$21 bilhões será repassada para o consumidor.

A solução para a indústria é investir em eficiência energética, incluindo estudos de autoprodução de energia e ingresso no mercado livre de energia.

Não dá mais para “empurrar” essa questão, pois a conta será alta no final do mês, comprometendo significativamente as margens de lucro.

A Apple está pronta para entrar no mercado de carros elétricos?

Já faz tempo que a Apple eliminou o “Computer” do seu nome. Sua visão é oferecer produtos inovadores para melhorar a vida das pessoas de forma sustentáveis.

Ela tem investido em energia renovável em seus data centers e em baterias de maior capacidade para seus equipamentos. Ela é responsável pelo design e projeto completo de seus produtos. Tem em caixa cerca de US$180 bilhões e um valor de mercado de cerca de US$700 bilhões. Alguns de seus principais executivos  já trabalharam na Ford, GM e Chrysler. Tem reputação e experiência em operações globais.

Não tenho dúvidas que a Apple está pronta para ingressar no mercado automobilístico, não apenas como fornecendo soluções complementares, mas como fabricante de carros.

Ford revela planos para Big Data

A Ford Motor Company revelou planos ambiciosos de novos para colocar Big Data no centro de seus negócios. A Ford vai contratar 125 novos funcionários em funções relacionadas a dados no seu centro de pesquisa do vale do silício até o final do ano.

O CTO da Ford Raj Nair disse ao Wall Street Journal: “Acho que Big Data será muito maior do que a telemática”.

Os planos da empresa é capturar dados de frete e logística para comparar os custos de peças e serviços em escala global. Nair disse: “uma vez que começamos a ficar realmente bons na análise de grande volume de dados, podemos usar essa experiência para olhar para a cadeia de suprimentos.”

A Ford já tem experiência no tratamento de grandes volumes de dados – seus carros mais recentes vêm equipados com 74 sensores e o seu carro híbrido gera 25GB de dados a cada hora que são enviados para a fábrica para análise e pode ser consultada pelos proprietários através de um aplicativo móvel.

Os desafios e oportunidades do crescimento sustentável brasileiro

Enfim uma sinalização sobre a economia brasileira. O ministro da Fazenda Joaquim Levy deu uma ótima notícia sobre as bases da economia para os próximos anos, em Davos no World Economic Forum. A direção é focar nos investimentos e estabilizar a transferência de renda através dos programas sociais. Ele mencionou a estratégia de formação de PPPs (Parcerias Público-Privadas) para atrair novos investimentos em infraestrutura. A operação Lava a Jato que investiga a corrupção na Petrobras deve conter a corrupção em outras áreas e melhorar o retorno dos investimentos no país. O desafio será transferir a mão de obra de setores da economia que perderam atratividade para os setores que investirão na infraestrutura.

Apesar do pessimismo em Davos, comparado com o ano passado, as ações mencionadas pelos governos devem surtir bons resultados no médio prazo. O programa QE europeu (Quantitative Easing), compra de ativos e títulos públicos, pelo EBC (European Central Bank) deve fomentar o crescimento econômico na Europa. A estabilização da economia americana e o anúncio do presidente Obama de um programa de distribuição de renda, incluindo US$320 bilhões de crédito estudantil e US$60 bilhões para colégios comunitários em 10 anos, deve criar novos mercados para produtos disruptivos de países emergentes. A afirmação do primeiro ministro chinês que o país deve crescer acima de 7% em 2015 deve manter as importações e exportações em níveis normais. A grande expectativa é que com a redução do preço do petróleo em 50% os países terão a oportunidade de reorganizar suas economias e criar um novo ciclo de crescimento.

Como afirmou o ministro Levy temos que arrumar a casa e nos prepararmos para acompanhar o novo ciclo de crescimento global. Infelizmente, se não fosse a corrupção colossal no país retardando o término das obras de infraestrutura para, através de aditivos contratuais, aumentar o faturamento e desvios de recursos, o Brasil estaria em condições de acompanhar o crescimento global e reduzir a distância social e econômica dos países desenvolvidos. Agora só nos resta captar dinheiro da iniciativa privada para concluir as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e remunerar esses investimentos, aumentando os custos de produção e, esperançosamente, colocar os bandidos na cadeia.

Os desafios do Brasil são do seu tamanho:imenso e diversificado. Estamos sofrendo as conseqüências do descaso da sociedade que permitiu que empresas, governos e cidadãos corruptos se apropriassem de recursos da nação e mantivesse governantes incompetentes na gestão pública. A falta de combate efetivo do desmatamento da Amazonia está refletindo na forte estiagem nas regiões Sudeste e Cento-Sul. Essas regiões estão na faixa desértica do hemisfério sul e só são férteis devido a umidade vinda da região amazônica. O desmatamento e a fumaça das queimadas impedem a formação de chuva e antecipou em 15 anos a previsão da grande estiagem. O risco é tão grande de desertificação que pode acabar com o agronegócio e criar um êxodo da população para outras regiões, como segundo alguns estudos ocorreu entre os anos 1.000 e 1.300 que dizimou populações na região.

Infelizmente, a questão dos desmatamentos não é tão simples de se resolver. O Brasil tem a maior área cultivável do mundo e terá uma enorme responsabilidade para alimentar os mais de 9 bilhões de habitantes do planeta até 2050. Isso significa que cada metro quadrado de terra arável deve ser usada com máxima eficiência na produção de alimentos. Apesar de justos os movimentos pela reforma agrária, a agricultura e pecuária deve ser tratada como estratégia de Estado direcionando investimentos e regulamentando o setor para aumentar, significativamente, a produtividade no campo. Devem ser aplicados investimento pesados em agricultura de precisão, colocando a tecnologia a serviço da nação. Felizmente, temos a Embrapa que desenvolve avançados estudos e tecnologia para o campo com reputação internacional.

Exportar commodities reduz, consideravelmente, nossa capacidade de aumentar o superávit da nossa balança comercial. Empresas e governo devem investir na transformação da commodities em produtos industriais para exportação. As Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) devem ser incentivadas para focar na exportação e reduzir os tributos e burocracia interna. As áreas de serviços, incluindo tecnologia da informação, devem ser habilitadas para exportar serviços a partir das ZPE, fato que a legislação atual não permite.

Obviamente, para implementar qualquer plano de crescimento precisamos de mão de obra qualificada e ferramentas avançadas. Temos que coordenar a criação de cursos para atender as necessidades do mercado e orientar os jovens para as reais possibilidades de cada setor. As escolas técnicas e faculdades devem assumir a responsabilidade de formar profissionais que possam ingressar no mercado de trabalho habilitados, sem a necessidade de treinamento adicional pelas empresas ou de cursos de pós-graduação.

O período de retração e ajustes da economia brasileira está gerando uma massa de desempregados que precisam, rapidamente, retornar ao trabalho para não perderem a competitividade e criar um gap tecnológico. Sindicatos e governo devem promover treinamentos para novos postos de trabalho ajustando o perfil dos trabalhadores para as áreas com escassez de mão de obra.

Resumindo, temos desafios e oportunidades. Cabe a sociedade e seus governantes agirem de forma planejada e eficiente para colocar o Brasil no rumo do desenvolvimento sustentável.

The Global Economic Outlook -Davos 2015

Apesar do maior pessimismo no Fórum Econômico Mundial, que no ano passado, os banqueiros centrais e líderes econômicos eram mais otimista sobre as perspectivas económicas para o próximo ano. Com o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento de 3,5% este ano, os entrevistados em uma sessão sobre as perspectivas económicas mundiais apontou para o potencial de valorização do pacote de estímulo do Banco Central Europeu, a queda dos preços do petróleo, a mudança estrutural no Brasil, China e Japão, e um crescimento robusto nos Estados Unidos.

A decisão do BCE sobre flexibilização quantitativa (QE), estabelece as bases para estímulo na zona do euro, mas o desafio agora é para os governos para avançar com reformas estruturais. “Fizemos nossa parte, mas o BCE não pode aumentar a produtividade, aumentar o emprego ou encorajar o investimento. Isso exige um conjunto mais abrangente de reformas “, afirmou Benoît Coeuré, membro da Diretoria Executiva, do Banco Central Europeu, Frankfurt. Explicando a intervenção do BCE, ele disse: “Nós não poderíamos sentar e assistir as bases políticas do projecto europeu que está sendo prejudicada.”

Outros membros do painel congratulou-se com o pacote BCE, embora sublinhando a necessidade de apoio a essa manobra monetária com reformas estruturais, incluindo a reforma do mercado de trabalho e estímulo fiscal para aumentar a demanda agregada. “QE cria o espaço para as reformas estruturais e de investimento”, disse Zhu Min, vice-diretor, o Fundo Monetário Internacional (FMI), Washington DC.

A queda do preço do petróleo é um impulso para o crescimento na maioria das economias e vai facilitar a transição para uma reforma estrutural. Este é o caso do Brasil, apesar de sua crescente produção de petróleo. Joaquim Levy, o ministro da Fazenda do Brasil, disse que o país está mudando de aumentar os rendimentos dos seus cidadãos mais pobres, que foi o foco de suas políticas econômicas durante a última década, para a construção de investimento, tanto por empresas e pelo governo. “Nosso objetivo é fazer do Brasil um mercado mais ágil, mais ágil, onde é mais fácil fazer negócios”, disse ele.

O Japão também está bem em implementação de um programa que inclui flexibilização monetária agressiva, a consolidação fiscal gradual, e de reformas estruturais que têm a intenção de lançar as bases para um crescimento de 2% este ano. Haruhiko Kuroda, presidente do Banco do Japão, é otimista, não só sobre as perspectivas de crescimento do Japão, mas também sobre a China. “A China está fazendo grandes reformas estruturais, enquanto continua a crescer a 7,5%”, disse ele.

Desempenho econômico dos EUA é forte e fornece um impulso significativo para a demanda global. Mas Zhu alertou que grande parte do crescimento está vindo de consumidores e os gastos do governo, com o investimento privado ainda relativamente baixo. Enquanto isso, ele pediu que os decisores políticos para colocar os países mais pobres, que foram agredidas por ventos contrários econômicos, no topo da agenda política.

A tecnologia vai desempenhar um grande papel e imprevisível, não só na economia real, mas também no setor financeiro através de pagamentos e sistemas de negociação. O potencial é enorme, disse Mark J. Carney, governador do Banco da Inglaterra, mas a prudência é necessária. “Nós não queremos nos encontrar em uma situação de Uber nos mercados financeiros”, acrescentou.

Gás para a produção de energia deveria custar à metade

Segundo Altino Ventura, secretário do planejamento do Ministério de Minas e Energia, o gás natural para geração de energia deveria custar US$7/milhão de BTUs, metade do que custa hoje para ser competitivo. O gás é nossa segunda fonte de energia, depois da hídrica. Com o pré-sal e descobertas de gás em terra poderemos reduzir o preço é instalar termelétricas na “boça do poço”, eliminando os custos de transmissão. O secretário tinha que ter mencionado que a energia fotovoltáica pode se tornar viável com incentivos à sua produção e podem estar no lado das fontes de consumo, eliminando completamente os custos e infraestrutura de transmissão.

Preço do petróleo e o pré-sal

Alguns especialistas prevêem o preço do barril do petróleo em US$40 para um futuro próximo. Outros afirmam que o ponto de equilíbrio do preço do barril para viabilizar o pré-sal é de US$45. Como as futuras verbas da educação estão atreladas aos recursos do pré-sal poderemos ter problemas. Hoje mais da metade dos jovens (54,3%) até 19 anos não conseguiram concluir o ensino médio. Sem recursos, esse número pode aumentar.