Assumir riscos é fundamental em equipes de alto desempenho

Podemos medir a agilidade na tomada de decisões e sucesso de organizações pela cultura de assumir riscos de seus empregados. Falo de riscos calculados e dentro de limites que não colapsem os negócios da empresa. Assumir risco gera adrenalina, motivação para trabalhar e provoca mudanças nas empresas. Obviamente, que os empregados esperam ser recompensados por isso. Adiar tomadas de decisão por achar que faltam informações abre oportunidade para competidores lançarem produtos em primeiro lugar e ganhar mercado. Manter-se na zona de conforto, pode até gerar tranquilidade no primeiro momento, porém gerará um tremendo stress no futuro e sensação de culpa por ter adiado uma decisão. Como diz o velho ditado “tempo é dinheiro”, adiar decisões pode-se perder dinheiro. Esperar para tomar uma decisão para avaliar a mudança de algum cenário futuro também é uma decisão que envolve risco.

Aí vem a pergunta, que tipos de riscos podemos assumir? Riscos ligados a modelos de negócios, novos procedimentos administrativos, novos produtos ou serviços e outros que não afetem a segurança física de pessoas, ações que comprometam a ética e procedimentos regulatórios claros e sem margem para interpretações.

As organizações devem construir uma cultura de tomada de decisões envolvendo risco. Não se pode punir alguém se uma das decisões tomadas não atingir o resultado esperado. A punição é a pior atitude para levar as pessoas a permanecer na zona de conforto.

Como medir o risco de uma decisão? Use todo o capital intelectual da sua empresa para avaliar os impactos em todas as áreas para se ter uma visão holística. Várias opiniões ajudam a convergir para uma tomada de decisão rápida e avaliar seus impactos e riscos. O Bradesco tem um processo de decisão centralizado e ágil. Todos os diretores ficam em uma grande sala com uma mesa no centro. Quando um diretor precisa tomar uma decisão fora do cotidiano, ele convoca todos os diretores na grande mesa e tomam a decisão em conjunto.

Como eu saber quando tenho que tomar uma decisão? Interagindo com as pessoas o tempo todo e, principalmente, escutando. Ninguém sabe tudo e com as rápidas mudanças do mercado é quase impossível estar acompanhando sozinho todos os movimentos de mercado. A conversa franca e sem restrições de hierarquia permite identificar quando uma decisão deve ser tomada.

O que fazer para mudar a cultura organizacional para tomadas decisões rápidas assumindo riscos? Use e abuse da participação dos jovens. Tenha mente aberta e avalie todas as possibilidades definindo um tempo limite para isso. Tome a decisão com os elementos disponíveis dentro do tempo que você definiu.

Não procrastine. Tome a decisão de mudar agora.

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Tecnologia: salvadora ou vilã da economia?

A economia mundial começou a se transformar de forma mais visível depois da Revolução Industrial no século XIX e andou a passos lentos, mas agora as transformações estão ocorrendo de forma exponencial fortemente impactada pelas tecnologias da informação. Esse novo contexto cria novas empresas com capacidade quase infinita de serviços e aumentos brutais de produtividade, trazendo altos salários para os trabalhadores do conhecimento e empreendedores. Por outro lado, acelera a concentração de renda, mantem os salários dos trabalhadores estagnados e cria um enorme desafio para os governos garantir empregos e salários decentes para as pessoas.

Esse contexto começou a mudar com o surgimento de novos serviços baseados em negócios digitais – e-Business – que, praticamente, rompeu o paradigma de escassez de produtos. A tecnologia digital permite o acesso rápido e barato (alguns gratuitos) a informação, possibilitando maior conhecimento sobre produtos e comparações de preços. Nos dias de hoje, dificilmente alguém compra um bem de consumo sem pesquisar os preços na Internet. Em tese, por haver uma competição mais aberta os preços devem se manter estáveis e com baixas margens de lucro.

Como consequência desse novo contexto de negócios provocado pela tecnologia, existe uma busca incessante pela produtividade, resultando altos salários para os trabalhadores do conhecimento e baixos salários para os trabalhadores operacionais. Apesar do crescimento dos Estados Unidos nas últimas décadas, o salário médio dos americanos está estagnado desde 1979 e a desigualdade explodiu.

A Suécia ilustra uma tendência perigosa, cresce o PIB (3,9%), os salários (2,2%) e o crédito (7,3%), porém a inflação segue extremamente baixa (0,1%). Com inflação muito baixa ou deflação os consumidores não antecipam compras e alguns esperam que os preços baixem ainda mais, criando uma bomba relógio para a economia no futuro. Por lá, 95% da população acessa a Internet regularmente e quase a metade trabalha intensivamente com o conhecimento, criando uma força deflacionária estrutural.

Por outro lado, economias que dependem fortemente de commodities em abundância no mercado com preços baixos, como o petróleo, estão enfrentando dificuldades e alta da inflação. Entretanto, as ondas de produtividade geradas pela tecnologia da informação desconhecem fronteiras e forçam a estagnação dos salários dos trabalhadores operacionais, reduzindo o poder de compra.

Aparentemente, estamos caminhando de uma economia da “escassez” para uma economia da “abundância” a medida que cada vez mais consumimos produtos digitais que se levados ao limite não custam quase nada para serem reproduzidos. Veja o caso do WhatsApp, uma empresa de 55 pessoas, que vale mais que a Sony e foi comprada pelo Facebook por US$19 bilhões. Outros exemplos, são a Google, o iTunes da Apple, o Wise e tantos outros.

Agora, como medir o impacto dessas empresas na economia atual? Como medir o impacto na produtividade quando alguém consegue chegar mais rápido a um destino usando o Wise, um serviço que combina Big Data e colaboração gratuita de seus usuários? O Wise, por exemplo, otimizando rotas de entrega de encomendas pode reduzir a quantidade de caminhões de uma transportadora e, consequentemente, deixa de comprar novos veículos e reduz a quantidade de motoristas e auxiliares. Essa situação coloca mais motoristas a procura de empregos, mais metalúrgicos procurando empregos demitidos porque houve queda na produção de caminhões, provocando salários mais baixos no mercado e desemprego.

Como a economia irá se acomodar nesse contexto? Confesso que tenho dúvidas. Uma certeza é que devemos estimular a educação e o empreendedorismos nas pessoas, principalmente nos jovens. Os governos, globalmente, devem criar estratégias para garantir uma melhor distribuição de renda e salários decentes para as pessoas possam oferecer boa qualidade de vida para suas famílias.

Afinal, o que você acha? A tecnologia é a salvadora ou a vilã nessa história?

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Skype e WhatsApp transformaram o modelo de negócios de telecomunicações

No dia 2 de fevereiro de 2016, o WhatsApp atingiu a marca de 1 bilhão de usuários. Em setembro de 2015 tinha reportado 900 milhões de usuários ativos, o que significa a adesão de 100 milhões de usuários em quatro meses. O Skype reporta 600 milhões de usuários e 300 milhões de usuários ativos por mês com 34 milhões de usuários concorrentes (agosto de 2015). O Skype foi adquirido pela Microsoft em maio de 2011 por US$8.5 bilhões e o WhatsApp foi comprado pelo Facebook em fevereiro de 2014 por US$19 bilhões, sendo considerada a maior transação de venture capital até agora.

O Skype e WhatsApp têm algumas características comuns. Primeiro, ambos são aplicações “over-the-top” (OTT), ou seja, utilizam a infraestrutura da Internet para seus serviços. Não pagam nada por isso e pelo sucesso de seus produtos exigem mais recursos dos provedores de Internet. O WhatsApp vai mais longe, usa o número de telefone celular da operadora de telefonia móvel como endereço para suas conexões.

O Skype, quebrou o paradigma das conexões de longas distâncias, não apenas por estabelecer conexões peer-to-peer entre os usuários do serviço via Internet, mas estabelecendo conexões telefônicas tradicionais na última milha através do serviço Skype Out para telefones convencionais, reduzindo drasticamente os custos de telecomunicações.

Outra semelhança é o fato que foram serviços começaram de forma gratuita, o Skype na modalidade freemium com serviços pagos do Skype Out/Skype In e o WhatsApp gratuito no primeiro ano e depois cobrando US$0,99 por ano. Em 2016, o serviço do WhatsApp passou a ser gratuito e anunciado novos serviços para o mercado corporativo.

Ambos foram lançados com mínimos recursos de marketing valendo-se da divulgação boca-a-boca, reduzindo os riscos e tendo a oportunidade de aperfeiçoar o produto.

O que espanta é a crescente velocidade de adoção desses serviços. É verdade que impulsionados mais recentemente pelos gigantes que adquiriram as empresas. O Facebook, por exemplo, com 1,44 bilhões de usuários ativos (março, 2015).

Assim como o Skype que, literalmente, acabou com as ligações telefônicas de longas distâncias no mundo, o WhatsApp está acabando com o negócio de telefonia móvel tradicional e, felizmente, o alto custo de chamadas entre diferentes operadoras.

Com a expansão de pontos de WiFi em locais públicos, muitas vezes de forma gratuita, a tendência é desaparecer o serviço de telefonia móvel tradicional. Provavelmente, isso afetará a maioria dos planos de negócio e taxas de retorno de investimento da maioria das operadoras de telefonia móvel. O negócio, por enquanto, é tentar resistir colocando barreiras regulatórias, acusando os serviços de piratas e se preparando para o fim. A mesma coisa aconteceu com o Skype no passado.

Como lição, estamos vendo que os nossos modelos de negócios estão cada vez mais vulneráveis a novos serviços, principalmente, que utilizam tecnologia digital. Foi-se a época de pesados investimentos iniciais de lançamento de novos produtos, implicando em grandes riscos para as empresas. O negócio é experimentar e desenvolver planos de negócios com ciclos de produto cada vez menores.

Novos tempos, implicam novas atitudes.

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Melhore o desempenho da sua empresa com a geração Baby Boomers

Quando olhamos os novos e ricos empreendedores, como Larry Page e Sergey Brin da Alphabet (fundadores da Google) e Mark Zuckerberg do Facebook, fica a impressão que os novos e lucrativos negócios são exclusivamente dos jovens.

Entretanto, algumas histórias de sucesso tiveram a participação decisiva de executivos seniores para o crescimento das empresas. Um dos fundadores da Apple, Ronald Wayne, era 21 anos mais velho que Steve Jobs quando com sua ajuda a empresa decolou. O atual chairman da Apple, Arthur Levinson nasceu em 1950. O chairman da Google, Eric Schmidt nasceu em 1955, contratado quando a Google fez o IPO (Initial Public Offering) em 2004. Todos da geração Baby Boomers, pessoas nascidas entre a segunda guerra mundial até 1964.

Existe uma falsa ideia que substituir funcionários mais experientes por jovens sai mais barato, entretanto, existem custos ocultos nesse processo, como por exemplo, os custos das indenizações legais e de agências de outplacement, normalmente contratadas para executivos. O custo de treinamento do sucessor gira em torno de 1,5 vezes do salário do novo funcionário.

Pensar que os funcionários mais velhos são menos criativos que os jovens também é uma falsa impressão. Os jovens tendem a ter mais ideias criativas que os mais velhos, entretanto, falta a experiência para transformar essas ideias em resultados. A experiência ajuda a criar atalhos para a implementação de novas ideias e mitigar falhas, aumentando as chances de sucesso de um projeto.

Algumas pessoas acreditam que os funcionários mais experientes têm dificuldade para aprender coisas novas, como tecnologia, por exemplo. Entretanto, esquecem da velocidade de adoção das novas tecnologias pelo mais velhos, incluindo pessoas da terceira idade. Nossos avós usam o Facebook e WhatsApp com facilidade e demonstram conhecimento nos aplicativos.

Imaginar que treinar os mais velhos para novas funções é jogar dinheiro fora, temos que lembrar que hoje os jovens trocam de emprego com muito mais frequência que tempos atrás. Isso não acontece com os funcionários mais experientes, porque eles conhecem as restrições do mercado de trabalho e procuraram manter seus empregos.

Por outro lado, contratar funcionários experientes de alto desempenho não é uma tarefa fácil. Muitos executivos seniores ou técnicos experientes que acumularam uma boa reserva financeira e um bom plano de previdência privada, provavelmente, não estão mais dispostos a se submeter a rotina estressante de uma empresa em período integral. Muitos preferem o convívio dos netos e liberdade para atividades de lazer e novos cursos.

Isso cria a necessidade de desenvolver novos formatos de trabalho, como atividades em tempo parcial (part-time), atividades em projetos por tempo determinado, contratos de interim management para organizar uma área e treinar um sucessor e, atividades que possam ser executadas em home-office.

Essas modalidades podem ser utilizadas também para outros funcionários como forma de contribuições pontuais para a empresa.

As startups podem obter contribuições riquíssimas de profissionais mais experientes, tanto como consultores ou como “anjos”, uma modalidade onde o investidor contribui não apenas com o dinheiro, mas com sua experiência profissional para ajudar na alavancagem da empresa.

Resumindo, não descarte profissionais simplesmente pela idade, muito pelo contrário, avalie como esses profissionais podem contribuir para o crescimento da sua empresa.

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Downsizing com dignidade

As empresas estão reduzindo de tamanho (downsizing), seja pelo aumento de produtividade com novas tecnologias, pela perda de mercado para novos competidores ou pela recessão econômica. Uma situação difícil é demitir pessoas. Isso afeta não apenas os empregados que deixam a empresa, mas também as que ficam. Se os empregados percebem que a empresa é apenas uma máquina de fazer dinheiro, os sobreviventes perderão o respeito pela empresa e a moral acaba sendo destruída. Desta forma, é importante não centrar as demissões por questões de eficiência financeira, mas dentro de um contexto de produtividade e mercado.

Empregados que detém o capital intelectual das organizações são menos atingidos pelo downsizing, pois são os responsáveis pelo aumento de produtividade e transformações dos negócios. É claro que os empregados intelectuais precisam se manter atualizados e gerando soluções de negócios e produtividade de forma permanente. Contribuições passadas não garantem a manutenção do emprego.

Mesmo assim, os empregados intelectuais não estão livres de perderem o emprego. Por exemplo, em casos de aquisições e fusões de empresas alguns serão afetados. Sobreviverão aqueles mais competentes. Certamente, a compra do banco HSBC pelo Bradesco irá gerar redução de pessoal qualificado, não apenas dos bancos, mas de toda a cadeia de fornecedores que prestam serviços ou vendem produtos para esses bancos. Isso significa que os empregados devem se manter competitivos no mercado e não apenas dentro da empresa.

A situação é mais complicada para empregados operacionais que podem ser substituídos por novos sistemas de informação, melhores práticas ou mudanças nos negócios da empresa. Por exemplo, os novos sistemas de computação cognitiva usando inteligência artificial e com poderosas ferramentas de interação homem-máquina irão reduzir, drasticamente, o número de operadores de Call Centers.

Uma medida importante é assegurar que o downsizing está dentro da lei. Por exemplo, se as demissões forem em massa é obrigatório uma negociação prévia com o sindicato. Evite cometer o mesmo erro da Gol quando demitiu os empregados da Webjet em 2012 depois de adquirir suas operações. A Gol convidou os empregados para um evento em um hotel e foram surpreendidos com o aviso de demissão. O ministério público recorreu e a Gol teve que fazer a reintegração dos empregados.

Tenha sempre em mente duas coisas antes de fazer as demissões: respeito aos empregados e um plano de médio e longo prazo. Compartilhe com os sobreviventes sua visão e seus planos. Isso será importante no futuro se você tiver que fazer demissões involuntárias.

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A onda do live video streaming

Apesar de não ser uma novidade, o sucesso do Periscope e o lançamento da função live vídeo streaming do Facebook devem impulsionar o uso dessa tecnologia para dispositivos móveis. O YouTube já disponibiliza essa função há pelo menos três anos. O serviço Hangout da Google também possui uma função de live video streaming, o Hangout on Air. Existem outros aplicativos com as mesmas funções, como o Wirecast Go para iOs que funciona usando os recursos do YouTube.

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A popularização desse recurso e aplicativos criará novas oportunidades de serviços, um novo comportamento dos consumidores e, como sempre, questões polêmicas.

Será possível, em tempo real, transmitir acontecimentos do cotidiano, como reunião de amigos, manifestações populares, aulas, apresentação de produtos e discussões em grupo com grandes audiências. É possível utilizar o Periscope com as câmeras da GoPro ampliando as possibilidades de vídeos em tempo real.

Como também, transmitir em tempo real lançamentos de filmes diretamente da tela do cinema, peças de teatro, shows de artistas famosos e outros eventos fechados ferindo direitos autorais. Embora, hoje seja comum a gravação desses eventos e divulgação na rede, embora de forma ilícita.

A Ford usa o Periscope para divulgação de seus produtos, aparentemente, feitas pelos próprios funcionários, dando uma sensação de reality show. O presidente Barack Obama já fez transmissões pelo Hangout da Google em 2013 e 2014, inaugurando uma nova forma de interação com a sociedade. O cineasta Steven Spielberg usou o Hangout para lançamento do filme Lincoln em setembro de 2012.

Agora com a função de live video streaming no Facebook o alcance será gigantesco. O serviço inicialmente foi lançado nos Estados Unidos para iPhone e depois deverá estar disponível no resto do mundo. Diferente do Pericospe que envia um alerta para todos seus seguidores no Twitter, o Facebook poderá limitar as notificações apenas para seus contatos na rede social.

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Não precisamos de crédito bancário, precisamos de bons negócios e menos intervenção na economia

Existe muita gente com dinheiro sem opções para investir no Brasil. Com certeza, aplicar dinheiro em bancos privados é um péssimo investimento. As pessoas com grandes fortunas estão perdendo dinheiro e ainda correndo o risco de aumento de impostos. Nossa bolsa de valores é frágil e restritiva para muitas empresas. No final de 2015 as 289 empresas com ações negociadas na bolsa valiam, juntas US$463,751 bilhões, menos que os US$528,448 bilhões do Google. Parece, e aqui no Brasil tudo parece, que a nova regulamentação de “equity crowdfunding” – sistema de financiamento coletivo para startups – está saindo do papel e deve facilitar a captação de fundos de apoio as novas empresas. O fato é que precisamos de bons negócios, liderados por empreendedores sérios e obstinados, para alavancar novos negócios, gerando mais riqueza e crescimento da economia brasileira. O governo (executivo e legislativo) tem um papel importante, que pode atrapalhar ou ajudar. Atrapalha se continuar a mudar as regras do jogo e legislando unilateralmente. Ajuda se criar mecanismos para simplificar o funcionamento das startups e reduzir os riscos de investidores individuais.

O sucesso de um negócio começa antes dele ser lançado e está ligado diretamente à rede de relacionamento do empreendedor e sua capacidade de identificar novas oportunidades no mercado.

O primeiro passo é identificar uma nova oportunidade de negócio, formata-la e testa-la na sua rede de relacionamento. Manter sua ideia em segredo com medo que alguém roube é uma visão equivocada. Colete feedbacks das pessoas e aperfeiçoe sua ideia. Monte um pitch e vá atrás de dinheiro. Evite ao máximo usar dinheiro próprio, compartilhe o risco.

O segundo passo é os empreendedores colocarem como última opção a busca de crédito bancários para seus negócios. Devem explorar outras opções através da sua rede de contatos, de associações de classe, comunidades locais e programas de incentivo do governo (sim, existem, mas pouco divulgados).

Uma boa opção é utilizar um sistema de financiamento coletivo para startups – equity crowdfunding – uma nova estrutura para a captação de recursos dentro do sistema de crowdfunding. O modelo usa sociedades de propósito específico (SPE) para investir nas statups. A SPE, também chamada de consórcio societário, é um tipo de personalidade jurídica, organizada na forma sociedade limitada ou anônima, constituída, para um determinado fim, com atuação limitada. Nesse modelo, os investidores fazem aportes por meio de campanhas online nos sites de equity crowdfunding adquirindo títulos de dívida conversíveis emitidos pela SPE. Isso beneficia tanto os investidores, reduzindo o risco de responsabilização que os sócios correm quando ocorrem problemas na empresa, como para os empreendedores que elimina o risco de pulverização de participantes, que inibe a captação de grandes investidores.

O terceiro passo é buscar colaboradores capacitados e alinhados com a visão do empreendedor e… trabalhar pra caramba!

O governo tem um papel importante na regulamentação do mercado. A crise econômica de 2008-09 foi, mais uma vez, gerada pela desregulamentação do mercado. Depois das políticas de incentivo dos governos dos países ricos usando o QE – Quantitive Easing – onde o Banco Central compra títulos, tais como títulos do governo, dos bancos e dinheiro eletrônico para aumentar o tamanho de suas reservas bancárias pela quantidade de ativos comprados (daí vem o nome quantative) para baixar os juros e estimular a economia, existe um receio que parte desse fluxo de caixa tenha sido utilizado de forma irresponsável. Isso pode gerar uma nova crise financeira.

Outro ponto que exige reflexão é como a economia mundial permite que apenas 62 pessoas tenham uma riqueza maior que 3,5 bilhões de pessoas pobres. Isso coloca a necessidade de uma revisão global do sistema financeiro e como melhorar a distribuição de renda. Aqui o papel da comunidade internacional é fundamental para criar um movimento de mudança, um país sozinho não consegue mudar devido ao forte vínculo do poder econômico com os políticos. Um dos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, onde o Brasil é signatário, tem o compromisso de corrigir essa distorção.

Entretanto, o governo não pode assumir a condução sozinho da economia e mudar as regras do jogo toda hora. O pior cenário econômico é aquele que muda sem aviso.

Continuo convencido que a única forma de sairmos da crise econômica e social é o empreendedorismo.

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Lobistas internos retrógrados atrasam o crescimento das empresas

Assistimos diariamente a briga entre os taxistas e o Uber e entre as operadoras de TV e a Netflix, entretanto, temos várias brigas internas nas empresas que também impedem a inovação.

Você que é a favor do Uber e fã das séries da Netflix, provavelmente, é contra o lobby que os taxistas fazem nas Câmaras de Vereadores e Congresso contra o serviço e fica com medo de pagar mais e perder as melhores séries do planeta se o Netflix for regulado e limitado.

Os usuários do Uber relatam a qualidade do serviço, além de carros ótimos a cortesia dos motoristas. Uma nova regulamentação em São Paulo obriga os motoristas de taxi a serem gentis com os passageiros e regulamenta inclusive as roupas que devem usar. Os taxistas já estão sentindo o impacto do Uber no faturamento.

A Netflix é outro exemplo. Por aqui, estima-se que a Netflix 2,5 milhões de usuários e fature algo em torno de R$1 bilhão, próximo do faturamento do SBT, maior que a Band e RedeTV. Uma diferença é que a Netflix não é obrigada a pagar ICMS e nem ter no seu acervo um percentual mínimo de conteúdo nacional. Também é isenta da taxa do Condecine (Contribuição da Indústria Cinematográfica Nacional). Se adiantando a regulamentação a Netflix está lançando “3%” de conteúdo nacional e, obviamente, seremos prejudicados, pois ela terá que limitar o conteúdo internacional.

No mundo a Netflix tem próximo de 70 milhões de usuários. Nos Estados Unidos, está presente na metade dos lares, tem cerca de 30% do tráfego de Internet no horário nobre e mais de 60 milhões de assinantes de TV a cabo cancelaram os serviços. As novas produções da Netflix estão sendo gravadas e finalizadas em 4K que permitirão alta qualidade de imagem.

Assim como o Napster aterrorizou a indústria fonográfica, a Netflix está aterrorizando a indústria do cinema com suas séries e filmes exclusivos de alta qualidade.

Claro, quando um grupo se vê ameaçado partem para o ataque, afinal para quem já está confortavelmente instalado mudanças são incomodas.

Agora, vamos olhar para as nossas empresas. Será que não temos lobistas internos que sabotam a inovação para manter as coisas como estão? Aquele chefe (sic) que define como as coisas devem ser. O especialista certificado que nega uma mudança porque não está no “compliance” da norma ISO ou nos procedimentos que ele definiu. O grupo mais antigo de casa que querem “enquadrar” os jovens funcionários na cultura da empresa. Sim, temos vários lobistas internos que atrapalham a vida das empresas.

As empresas gastam mais energia em “enquadrar” os funcionários novos do que aproveitar a oportunidade de alinhar seus modelos de negócios e desenvolvimento de novos produtos aproveitando as ideias das novas gerações.

Vamos para um exemplo simples. Se você trabalha em uma empresa produz produtos ou serviços para consumo em massa, conte quantos executivos usam ônibus ou metro? Sem fazer parte do dia a dia dos consumidores será muito difícil capturar as necessidades dos consumidores. Entretanto, os jovens vivem o cotidiano do transporte coletivo, das baladas de final de semana, das viagens com amigos, da dupla jornada de trabalho e estudo, uso intensivo das redes sociais e gadgets e da grana curta. Cá entre nós, não usar essa experiência é um desperdício.

Felizmente, tenho a sorte como professor de MBA e pai de duas universitárias a oportunidade de sempre “consultar os universitários” para entender melhor o comportamento das novas gerações. Consultar os jovens aperfeiçoa as ideias e mantem o pensamento e a cultura da organização sempre atual e preparada para mudanças rápidas no mercado.

Se você é adepto do ditado que “em time que está ganhando não se mexe” ou se sua organização tem lobistas muito fortes, use a estratégia de montar startups para testar novas ideias e depois de consolidadas adote-as na empresa.

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Os benefícios do Outsourcing de TI em tempos de recessão econômica

Alguns gestores ainda encaram o outsourcing mais como uma opção de redução de custos do que aumento de eficiência operacional. Pior, consideram a redução apenas no seu centro de custo, não visualizando os impactos de custos nas áreas que prestam serviços internos. Os custos ocultos são os que mais impactam na eficiência operacional e muitas vezes não são considerados nas análises de viabilidade técnico/econômica.

Felizmente, as novas modalidades de uso de software baseado em web ajudam na redução de custos. Por exemplo, eliminam a necessidade de distribuição de pacotes de softwares de atualização pesadas. O uso de discos virtuais aumentam a segurança e eliminam o tempo dos usuários de longos períodos para fazer backup de dados. A adoção do conceito de BYOD – Bring Your Own Device – reduz os custos de manutenção e gestão de alguns equipamentos. A adoção do ensino da distância (EaD) para treinamento dos usuários reduziu o custo e melhorou a capacitação dos usuários. O uso de Cloud Computing para alguns serviços reduziu o esforço de gerenciamento e recursos de infraestrutura. A migração de desktops para notebooks e o período de substituição dos equipamentos também influenciam nos custos.

O uso de melhores práticas e tecnologias aumenta a segurança e gerenciamento, reduzindo consideravelmente o custo total de propriedade (TCO – Total Cost Ownership). A planilha a seguir compara os custos de ambientes sem gerenciamento com diferentes níveis de gerenciamentos em ambientes locais e de viagem, considerando funcionários operacionais (horário fixo de trabalho) e funcionários de conhecimento (horário estendido).

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Os benefícios do outsourcing são maiores que uma simples redução de custos na linha do budget de TI. É uma grande oportunidade para aumentar a eficiência operacional da organização como um todo e um gatilho para adotar novas tecnologias que, no mínimo, alinham a empresa aos competidores mais eficientes.

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O desafio da transformação da matriz energética

Apesar do eloquentes discursos sobre a necessidade de investimentos em energia renovável para minimizar as mudanças climáticas na COP21 em Paris, o desafio para transformar a matriz energética é gigantesco. Não apenas no campo da tecnologia, mas na economia e política.

No campo da tecnologia, para usar energia eólica e fotovoltaica temos que avançar na digitalização do sistema (Smart Grid). As fortes variações de frequência de geração de energia criam pertubações significativas na rede que podem levar ao desligamento automático de sistemas integrados. Para se ter uma ideia, a variação de geração de energia eólica pode variar de 100% para 10% em apenas 3 segundos.

Outro ponto sobre tecnologia são as discussões sobre geração de energia centraliza e descentralizada. Tanto do ponto de vista técnico como econômico a geração centralizada é mais simples e barata. A geração distribuída e acoplada a sistemas elétricos integrados necessita de grandes investimentos em automação e controle para evitar falha no serviço. O uso de baterias de grande capacidade, que além de armazenar energia ajudam na estabilização do sistema, são caras e com produção limitada.

Do ponto de vista econômico, substituir a energia gerada através de carvão, óleo e gás significa pesadíssimos investimentos. Atualmente, cerca de 80% da energia gerada no mundo usa combustíveis fosseis. Além disso, em alguns países ainda existem subsídios para energias de alta emissão de carbono. Aliás, uma tremenda distância entre o discurso ambiental e a prática.

Na esfera política as escolhas são difíceis. Veja o caso do Brasil, qual a melhor opção? Usar o dinheiro público (Tesouro Nacional ou altos preços dos combustíveis) para salvar a Petrobrás, garantindo os royalties de Estados e municípios, a manutenção dos empregos, os investimentos realizados e planejados e o poder de barganha dos políticos ou redirecionar os investimentos para geração de energia renovável, incluindo financiamentos e subsídios?

Apesar dos investimentos em projetos de petróleo estarem em declínio nos últimos dois anos, ainda têm uma parcela importante no contexto global de energia.

O fato é que temos que investir em geração, transmissão e distribuição de energia para atender a crescente demanda. Cada vez mais a energia é fonte de crescimento econômico e alavancador de novas tecnologias, produtos e serviços.

Parte da solução está na digitalização do sistema elétrico (Smart Grid) para melhorar o controle da demanda. Redes inteligentes permitem o uso mais eficiente de energia e, consequentemente, reduz e aproveita melhor os recursos de geração.

Uma discussão interessante sobre transformação de energia foi realizada no Fórum Econômico Mundial 2016 em janeiro em Davos.

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