Geração distribuída de energia: uma oportunidade para as cidades atraírem novos investimentos

Um fator decisivo para a seleção de uma cidade para investir em fábricas, centros de distribuição, data centers, centros administrativos entre outros empreendimentos é a disponibilidade de energia de qualidade para atender a atual e a futura demanda da região. Ainda sentimos os reflexos das escolhas erradas do setor elétrico no passado. O fato é que se as empresas não assumirem o controle da geração de energia terão sérios problemas no futuro. A questão tem que ser vista do ponto de vista estratégico e não apenas pelo lado financeiro. O ponto é quanto perderão no futuro se não investir em autoprodução de energia agora. Uma alternativa para minimizar os custos dos projetos de geração é criar um programa dentro das cidades, liderado pelo prefeito ou por empresários, para instalar plantas de geração renováveis: eólica, fotovoltaica ou biomassa.

As escolhas erradas levaram o sistema elétrico brasileiro ao caos. As concessionárias de distribuição de energia estão com dívidas superiores a R$60 bilhões. Os custos gerenciais pelas concessionárias caíram de 40% para 13%, ou seja, 87% da receita são repassados diretamente para o pagamento de tributos, geradoras, transmissoras e outros encargos obrigatórios. O reflexo direto é a deterioração da qualidade dos serviços, observada pela piora dos índices de frequência e duração das interrupções do fornecimento de energia. Para piorar a situação, a Aneel alterou a forma de cálculo dos índices e provocou um aumento abrupto das multas e ressarcimento para os consumidores por não atingimento dos índices de qualidade.

A geração distribuída, produzindo energia localmente, cria uma ilha de fornecimento de energia de qualidade, apoiada pela energia do sistema elétrico integrado. Isso torna o fornecimento confiável com alta disponível, pois existe duas fontes de alimentação, uma local e outra provida pelo sistema. Em caso de apagão do sistema integrado de energia, o microgrid provê a energia para a operação dos negócios. Como as energias eólica e fotovoltaica são intermitentes é necessário a instalação de sistemas de baterias de grande capacidade, já disponíveis no mercado.

A estratégia de autoprodução de energia pode ser realizada junto com a concessionária local, como foi feita em Uberlândia entre a Algar Tech e a Efficientia, uma empresa do Cemig, onde foram investidos mais de R$2,2 milhões, sendo R$1,2 milhão do Programa de Eficiência Energética da Cemig e o restante da própria Algar Tech. As placas fotovoltaicas foram instaladas no teto do edifício do data center com 1.278 de 235 Wp (watts-pico) cada, gerando 300kWp, com capacidade de 466MWh por ano.

A Efficientia atua em projetos de geração distribuída com energia fotovoltaica para condomínios em associação com o grupo Algar, em Uberlândia, e na UniverCemig para viabilizar a conexão de usinas solares à rede empresas vencedoras de leilões de energia renovável. A Cemig divulgou em 2015 que pretende investir R$4 bilhões em projetos de energia renovável.

As empresas devem desenvolver um planejamento energético para avaliar todas as possibilidades de geração e eficiência energética para garantir o suprimento de energia agora e no futuro buscando melhores preços, qualidade e confiabilidade.

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