Desligue o automático do seu cérebro e construa negócios disruptivos

Nosso cérebro opera em dois modos, o Sistema 1 e o Sistema 2. No primeiro, o cérebro opera no automático, os processos mentais não requerem esforço deliberado e operam de maneira inconsciente, sendo deficiente em raciocínio e estatístico. O Sistema 2, ao contrário, é mais lento e mais esforçado, exigindo esforço e energia mental. A maioria das pessoas tentam evitar utilizar o Sistema 2. Afinal, raciocinar é considerado muito chato para muitos. É muito mais agradável rolar o feed do Instagram, vendo fotos e textos curtos, do que ler um livro, planejar a carreira profissional ou elaborar um modelo de negócio disruptivo. Sabendo disso, o marketing utiliza gatilhos mentais para gerar estímulos para o cérebro dos consumidores convencendo-os a fazer uma compra.

Os termos “Sistema 1” e “Sistema 2” foram criados pelos psicólogos Keith Stanovich e Richard West, e popularizados pelo psicólogo Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel, no livro Thinking, Fast and Slow, 2012. A edição brasileira chama-se Rápido e Devagar: duas formas de pensar.

Como todos sabem disso, quase tudo que fazemos é para gerar gatilhos mentais nas pessoas que nos relacionamos para acionar apenas o Sistema 1, ou seja, não deixando as pessoas racionarem.

Se somos influenciados ou induzidos a fazer alguma coisa de forma inconsciente, apenas usando o Sistema 1. Quando mais complexo for um problema, menos recorremos à mente consciente, racional e lógica, e mais decidimos as coisas pela nossa mente inconsciente, intuitiva e emocional.

Se observarmos as imagens se tornaram predominantes em nossas vidas. Paramos de rolar um feed quando vemos uma imagem agradável, bizarra ou sensual. Com isto, podemos escolher imagens para transmitir certos sentimentos para a formação de opinião das pessoas, de forma inconsciente.

Este assunto é tão importante que na China existe um campo de treinamento, aos moldes de campos militares, para a recuperação de pessoas, principalmente jovens, viciados em internet. Os internos passam por um programa, desenvolvido pelo psiquiatra Tao Ran, que tem a opinião que a dependência à internet leva a problemas no cérebro semelhantes aos provocados pela heroína. Outro estudo da King’s College, de Londres, revelou que a distração por avisos sonoros de e-mails afeta mais os testes de QI do que os efeitos da maconha.

Neste complexo tema sobre decisões, temos o que a psicologia chama de “cegueira das escolhas”, onde nem sempre as pessoas estão conscientes de suas próprias escolhas e preferências. Mesmo assim, quando tomam uma decisão são capazes de defender e justificar suas escolhas, de forma eloquente.

Talvez você já tenha passado pela situação de alguém te levar um problema e você, em um passe de mágica, tem uma solução pronta para resolvê-lo. Isto pode te encher de orgulho e lustrar a sua autoestima pensando: “Puxa! Como eu sou bom”. Do lado de quem te pediu ajuda, adquiriu o conhecimento de como fazer e deverá usar a mesma solução em outras situações semelhantes, podendo eternizar este “novo saber”.

Em uma outra situação, hoje tão comum para as pessoas, é quando têm uma dúvida buscam a solução no Google. Afinal, “googlar” é mais fácil e rápido do que pensar.

Como já deu para perceber, utilizar apenas o Sistema 1, corremos o risco de perpetuar indefinidamente uma prática por anos a fio. Infelizmente, perde-se, constantemente, oportunidades de pensar em algo diferente, uma nova forma de fazer algo.

Se deixarmos o nosso cérebro operar apenas no Sistema 1 nunca sairemos do lugar. Teremos a sensação de evolução quando adotarmos decisões de outras pessoas.

O que deveria ter sido feito para criar algo? Aproveitar a oportunidade da pessoa que perguntou não ter vícios e questioná-la sobre alternativas para resolver o problema. Isto a levaria a utilizar o Sistema 2, racionando em maneiras de resolver o problema.

Agora, imaginem o desafio das pessoas de identificar novos modelos de negócios disruptivos. Como introduzir uma cultura de Sistema 2 na vida das pessoas e nas organizações?

Em outras palavras, como fazer as pessoas pensarem?

A melhor forma é estabelecer objetivos desafiadores. No início, não precisa ser um desafio do tipo Elon Musk de colonizar Marte. Podemos iniciar com um desafio de eliminar 80% as falhas de um processo, reduzindo 30% do custo deste processo. Ou como entregar uma encomenda no dia seguinte sem alterar os custos de logística e estoque.

Para implementar uma cultura de Sistema 2 é preciso ter um controle absoluto dos processos da empresa. Hoje facilitado com Big Data, ferramentas analíticas e monitoração remota de processos e, fundamentalmente, treinar os líderes para serem capazes de identificar as oportunidades e formular os desafios.

Isto parece fácil, mas pare para pensar um pouco e analise se os líderes conhecem realmente os principais problemas da sua empresa. Provavelmente, este será o primeiro desafio.

Formulados os desafios, a próxima etapa e buscar soluções disruptivas. Muitas vezes, a cultura interna das organizações inibe a criação de ideias disruptivas, principalmente, naquelas organizações onde os erros são punidos.

Uma alternativa para contornar as restrições internas é optar pela inovação aberta, compartilhando os desafios com fornecedores e empreendedores de startups.

Classificando isto como pesquisa e desenvolvimento (P&D) sua empresa pode conseguir benefícios fiscais que incentivam a inovação.

Resumindo, tire um tempo para acionar o Sistema 2 do seu cérebro.

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