Incentivos para energia fotovoltaica gera emprego, produz crescimento e cria riqueza com uma criptomoeda própria

A ABSOLAR prevê um saldo líquido positivo de R$25,2 bilhões até 2027 da geração própria de energia fotovoltaica conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e a geração de mais de 672 mil novos empregos até 2035. Estas informações foram dadas após a publicação de um relatório (junho/2019) da SECAP – Secretaria de Avaliação de Políticas Públicas, Planejamento, Energia e Loteria – criticando os atuais subsídios, argumentando que as famílias mais pobres acabam financiando os sistemas fotovoltaicos das famílias de maior renda. A ABSOLAR alega que o estudo do governo apenas levou em conta as perdas, esquecendo de computar o aumento de arrecadação. Neste contexto, embora não mencionado nas discussões, existe um incentivo mundial para o aumento do uso de energia fotovoltaica através de recompensas para os produtores com uma moeda referenciada pela energia – o SolarCoin.

A Fundação SolarCoin (www.solarcoin.org) oferece aos fabricantes de energia tokens digitais baseados em blockchain à taxa de uma SolarCoin (SLR) por megawatt-hora (MWh) de energia solar produzida. O SolarCoin é gratuito. É uma recompensa adicional para os produtores de energia solar, separado de outros incentivos, como subsídios do governo ou créditos de carbono.

O SolarCoin é uma criptomoeda e está listada entre as mais de 2.600 criptomoedas existentes atualmente. Sua cotação em 25/06/2019 era de US$0,04875 com um valor de mercado de US$2,61 milhões, muito distante dos US$11.409,60 e valor de mercado de US$202,21 bilhões do Bitcoin e dos US$310,04 e valor de mercado de US$32,98 bilhões do Ethereum. Porém, ocupava a 724º posição no ranking de todas as criptomoedas.

Alguns comparam a SolarCoin com milhas de passagens aéreas, com a diferença que a pessoa (ou empresa) não fica vinculado a uma empresa aérea.

Eu prefiro compará-la ao Bitcoin, por reunir várias semelhanças. Bitcoin é uma moeda digital descentralizada sem um banco central ou administrador único que pode ser enviada de usuário para usuário na rede bitcoin peer-to-peer sem a necessidade de intermediários. As transações são verificadas pelos nós da rede por meio de criptografia e registradas em um livro-caixa (ledger) distribuído e público, chamado blockchain. Bitcoins são criados como recompensa para um processo conhecido como mineração.

O SolarCoin utiliza a infraestrutura de blockchain e são criados a partir da comprovação que um produtor de energia fotovoltaica gera 1MWh, similar ao processo de mineração do Bitcoin. O número máximo de Bitcoins no mercado será de 21 milhões, com previsão de mineração até 2140. O número máximo de SolarCoins definido é de 97,5 bilhões criados nos próximos 40 anos.

Um estudo realizado por Nick Gogerty e Paul Johnson, em outubro de 2018, estima que seria possível uma recompensa entre US$10-20/MWh, onde a produção de energia fotovoltaica está entre R$23-30/MWh, representando uma economia entre 40-70% para os usuários da rede SolarCoin.

Genericamente, o preço de uma moeda é definido pela seguinte fórmula:

P = Max [R, N + S]

onde o P = Preço; R = Resgate; N = Network e S = Especulação.

Resumindo a fórmula, quanto maior o poder de resgate e a rede de atores que participam nas transações com a moeda, adicionado a especulação, maior será o preço da moeda.

Verificamos isto com o Bitcoin. Inicialmente, o valor da moeda era baixo e, praticamente, só circulava nos mercados negros, como o Silk Road, um mercado negro on-line conhecido como plataforma de venda de drogas ilegais, onde aceitava, exclusivamente, bitcoins como pagamento, chegando a movimentar 9,9 milhões em bitcoins, no valor de cerca de US$214 milhões. Em 2011, o preço começou em US$0,30 por bitcoin, crescendo para US$5,27 no ano. O preço subiu para US$31,50 em 8 de junho. Dentro de um mês, o preço caiu para US$11,00. No mês seguinte, caiu para US$7,80 e, no outro mês, para US$4,77. Em 25/06/2019, o preço era de US$11.409,60.

Se o Bitcoin conseguiu esta façanha, nada impede que o SolarCoin siga o mesmo caminho. Isto significa que as pessoas e empresas de energia fotovoltaica devem converter sua produção de energia em SolarCoin para usufruir no futuro de um patrimônio gerado pelo Sol.

Obviamente, que está riqueza gera mais empregos, acelera o crescimento da infraestrutura instalada de geração fotovoltaica e mais riqueza para a sociedade.

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