O que aprendemos com a corrida espacial que levou o homem à Lua?

Em 20 de julho de 1969 o homem pousava na superfície da Lua. A missão Apollo 11 com a alunissagem de Neil Armstrong e Buzz Aldrin marcou a supremacia da engenharia, a eficiência de um modelo de gerenciamento de projeto e, mais importante, a capacidade humana de atingir objetivos ambiciosos. Outras missões tripuladas voltaram para a Lua e, depois disso, o interesse desapareceu. Durante o desenvolvimento do projeto, na intrigante e criativa década de 60, foram criados novos materiais, novas tecnologias, modelos de gestão e novos testes para avaliar a capacidade humana de enfrentar o desconhecido. Missões foram lançadas ao espaço para testar os protótipos, milhares de pessoas foram envolvidas no projeto e bilhões foram gastos. Este movimento de desenvolvimento tecnológico, associado com a Guerra Fria, gerou movimentos culturais igualmente singulares, como o movimento de contracultura hippie. Também, foram criadas séries para a televisão memoráveis como Jornada nas Estrelas, Perdidos no Espaço, O agente da UNCLE, The Jetsons, além do filme 2001 Uma Odisseia no Espaço. Mas afinal, o que aprendemos com todos estes movimentos?

Uma das grandes conquistas tecnológicas depois da ida do homem à Lua foi a capacidade de miniaturização dos componentes eletrônicos com saltos exponenciais de desempenho. A capacidade de processamento de dados da missão Apollo é comparável a uma simples calculadora atual. No filme Apollo 13 ainda vemos um astronauta calculando com régua de cálculo (aparato de cálculo que se baseia na sobreposição de escalas logarítmicas). Este avanço permitiu avanços gigantescos na compreensão da natureza que nos cerca, como a comprovação do Bóson de Higgs, as ondas gravitacionais e mapeamento do genoma humano. A tremenda capacidade de processamento, armazenamento de dados e comunicação permite o desenvolvimento de software de inteligência artificial, onde os computadores poderão superar a capacidade de raciocínio humano antes de 2030. A engenharia conseguiu desenvolver um computador baseado na teoria quântica, usando matéria e antimatéria para aumentar, exponencialmente, a capacidade de processamento atual. Desenvolvimento de soluções de integração do cérebro humano com computadores com inteligência artificial já estão entrando em escala comercial com a criação da Neuralink de Elon Musk, além de suas empresas SpaceX e Tesla. O projeto de colonização de Marte avança com o cronograma para 2030, conforme anúncio do ex-presidente Barack Obama. A quarta revolução da indústria, conhecida como Industria 4.0, integrando as principais tecnologias (IoT, Big Data, impressoras 3D, robotização e inteligência artificial), promete produção em massa de produtos diferenciados, com autoprogramação dos componentes da linha de produção sem a interferência humana.

Todo este progresso, alavancado em parte da corrida espacial da década de 60, acabou gerando outras preocupações e riscos para a própria existência dos seres humanos no planeta. A automação extrema dos processos nas empresas cria o temor do desemprego e de um grande contingente de inempregáveis, pessoas que não reúnem qualificações para trabalhar no novo contexto de trabalho, cobrindo não só trabalhadores braçais, mas profissionais especializados em tecnologias e processos que não conseguem operar as novas tecnologias, como engenheiros, advogados, médicos, entre outros.

A situação se agrava com grandes hordas de imigrantes involuntários devido a guerras e perseguições religiosas e ideológicas. Os refugiados e seus descendentes terão maiores dificuldades para se adaptar a novos costumes e conseguir trabalho decente nos países que os acolherem.

Além das mudanças climáticas extremas que coloca em risco nossa existência, o desemprego é uma das nossas maiores preocupações. A falta de trabalho descente pode gerar o aumento da violência e a criação de grupos radicais que rivalizam com a sociedade.

O grande volume de informações que recebemos através da Internet e das redes sociais tornam as pessoas mais vulneráveis para aceitar conceitos forjados por pequenos grupos organizados e mudar sua realidade subjetiva, assumindo novos valores e critérios de julgamentos.

Um dos temas polêmicos discutidos é como garantir a sobrevivência dos inempregáveis. A ideia de uma renda mínima para a população avança, inclusive entre os empresários. O avanço da inteligência artificial gera preocupações entre cientistas, como Stephen Hawking, e o próprio Elon Musk, que afirmou que a inteligência artificial é um risco para a existência da nossa civilização. Curioso é que o próprio Musk conduz projetos revolucionários, onde a inteligência artificial é fundamental.

Paradoxalmente, é possível que uma alternativa para salvar a raça humana seja a inteligência artificial das máquinas. Temos que mudar, radicalmente, nossos hábitos de vida para um estilo mais sustentável. Por exemplo, reduzindo o consumo de carne que, além dos aspectos éticos de sacrificar animais providos de consciência para alimentos acima da nossa necessidade, a cadeia de produção da carne é uma das que mais gera gases do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global. O desafio é grande porque muitas mudanças implicam na transformação da economia atual. Outras mudanças, mais difíceis, envolvem a revisão de conceitos que praticamos escritos a milênios atrás.

Tecnologicamente, aprendemos muito com a ida do homem à Lua, desencadeamos um movimento de progresso sem precedentes, entretanto, a humanidade não está conseguindo se adaptar as rápidas transformações do mercado e da sociedade, gerando apreensões e infelicidade, justamente o que o progresso deveria evitar.

 

Deixe uma resposta