Autor: Eduardo Fagundes

  • Big Data, Analytics, IoT and Smart Grid GRC

    O incentivo a geração de energia distribuída em residências e o crescimento de plantas de geração eólica e solar aumentam a complexidade de gestão do sistema elétrico, particularmente no Brasil que possui um sistema de transmissão integrado com dimensões continentais. Já experimentamos vários apagões elétricos por falhas no gerenciamento, problemas técnicos em equipamentos e quedas de linhas de transmissão devido a eventos climáticos extremos ou queimadas. A crescente automação dos processos de monitoração e controle do sistemas introduziu novos ativos de hardware e software passíveis de ataques cibernéticos. É fundamental adotar políticas e processos de governança de segurança cibernética, novas ferramentas de gerenciamento de risco e controles de conformidade para avaliar a aderência com a regulamentação e a legislação, ou o Smart Grid Cyber Security Governance, Risk Management, and Compliance. A correta manipulação do alto volume de dados produzidos pelos equipamentos inteligentes é crítica para o monitoramento e controle do sistema elétrico. Neste contexto, as tecnologias de Big Data, Analytics e Internet of Things são indispensáveis para garantir a alta disponibilidade dos serviços.

    As principais aplicações de uma solução de Smart Grid Cyber Security Governance, Risk Management, and Compliance são:

    •  Identificação de ativos cibernéticos;
    •  Ferramentas de avaliação de risco de ativos cibernéticos;
    •  Documentação da arquitetura, política e padrões do GRC;
    •  Gestão de Mudanças;
    •  Gerenciamento da Configuração;
    •  Monitoração das interfaces de sistemas não empresariais, como SCADA e acesso físico;
    •  Conformidade com a legislação e normas regulatórias;
    •  Preparação e gerenciamento de auditorias.

    O sistema elétrico é complexo envolvendo várias dimensões: mercado; geração; transmissão; distribuição; operação; provedores de serviços e clientes. A integração dos sistemas dentro de cada dimensão e com outras dimensões é fundamental para o perfeito funcionamento dos serviços.

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    Para uma visão integrada e holística do sistema de forma centralizada a única solução disponível hoje é criar um grande banco de dados com tecnologia noSQL, ferramentas avançadas de análise de dados (Analytics) em ambiente de Cloud Computing. A coleta de dados pode ser realizada com soluções de SOA, REST, interfaces com sistemas SCADA e a partir de sensores remotos usando tecnologia Internet of Things. Ter os dados armazenados e fazer análises aleatórias não é produtivo e coloca em risco o investimento, a segurança e a disponibilidade do sistema. É necessário uma metodologia para analisar os dados. Minha recomendação é utilizar o Six Sigma, uma metodologia de melhoria contínua de processos e redução do número de falhas, aplicada tanto para equipamentos como para processos.

    A figura abaixo mostra uma solução para o gerenciamento e análise avançada de dados usando a metodologia de Six Sigma. Esse solução é baseada quase que exclusivamente em software open source, reduzindo consideravelmente os custos de implantação e operação. Uma alternativa é a substituição de software de análise pelo desenvolvimento de programas específicos e reutilizáveis usando a linguagem R.

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    O assunto é complexo e não se esgota apenas na visão apresentada nesse artigo. Recomendo a leitura de outros artigos que escrevi sobre o assunto.

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  • O desafio da sustentabilidade no Brasil

    O Brasil, representado pela presidente Dilma Rousseff, se comprometeu nas Nações Unidas a alcançar o desmatamento ilegal zero até 2030, fazer o reflorestamento ou restauração de 12 milhões de hectares, recuperar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e com 5 milhões de hectares para a integração lavoura-pecuária-floresta. Na área de energia, o governo mantém o compromisso de ter 45% de fontes renováveis e a manter 66% de fonte hidrelétrica, 23% de outras fontes como solar, eólica e biomassa.

    Sem dúvida, um grande desafio para os brasileiros. Associado com os 17 objetivos globais de sustentabilidade das Nações Unidas que prevê a erradicação da fome e pobreza, preservação da natureza e redução dos gases de efeito estufa, cria um desafio ainda maior para a nação.

    O Brasil enfrenta severas dificuldades conjunturais, tais como a desindustrialização, a reprimarização da economia, uma gigantesca massa de pessoas vivendo nas periferias das cidades sem perspectivas de melhoria de vida e uma precária educação que nos impede de ter competitividade no cenário global, podendo tornar os acordos de livre comércio com outros países ainda mais prejudiciais para o nosso país.

    O desafio de reflorestar e recuperar 32 milhões de hectares e, ao mesmo tempo, ampliar nossas exportações de alimentos para o mundo requer um esforço para aumentar a produtividade no campo e na melhoria significativa da infraestrutura de armazenamento e de transportes das nossas commodities. Para atingir esse objetivo, além de recursos financeiros, o país precisa melhorar, significativamente, sua capacidade de gerenciamento de grandes obras e adotar projetos inovadores para aumentar a produtividade e reduzir nossos custos operacionais.

    Os economistas mais pessimistas comentam que o Brasil poderá levar até 10 anos para ter uma normalidade econômica, depois do desastre das decisões erradas que o governo tomou na condução da sua política econômica. Essa previsão pode desestimular investidores nacionais e internacionais na implantação de projetos para atingir as metas propostas.

    Para conseguir limitar áreas de desmatamento, mesmo legais, para ampliar nossa capacidade de plantio e pecuária, teremos que investir, pesadamente, na agricultura de precisão. É verdade que as novas tecnologias de Big Data, Internet of Things e Drones conseguem reduzir os custos de análise e monitoramento das plantações e áreas de pastagem, porém para atingir um alto nível de adoção de novas tecnologias e práticas devemos ter profissionais no campo altamente capacitados. Cenário com baixa probabilidade de acontecer devido ao baixo aproveitamento escolar das escolas públicas, demonstrada nos estudos de aproveitamento escolar do próprio governo.

    Além disso, enfrentamos mudanças climáticas observadas pelos próprios agricultores que afirmam não ser mais possível prever o clima como no passado. Investimentos em cenários em mudança exigem cautela.

    Investir em energia renovável no Brasil fora de programas incentivados pelo governo, assegurando leilões exclusivos para cada tipo de geração da matriz energética é arriscado, reduzindo dessa forma a livre iniciativa de autoprodução de energia. A promessa de manter em 66% a geração por hidrelétricas, considerando que nossos reservatórios não atingirão os níveis de água do passado, teremos que investir em PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) que usam fio d’água para suas turbinas. Entretanto, isso só se justifica com o aumento da demanda de energia que está associado, diretamente, com o crescimento econômico e a volta do crescimento da produção da indústria, que hoje vive um cenário adverso.

    O brasileiro é criativo para se ajustar a situações adversas, porém a história tem mostrado que temos dificuldades em implantar projetos de inovação, onde transformamos uma boa ideia em um produto para o mercado ou uma solução para aumentar a produtividade. No nosso caso, sem inovação não atingiremos os objetivos propostos pelas Nações Unidas até 2030.

    Por outro lado, se observamos os índices de desenvolvimento humano (IDH) do Brasil nos últimos 20 anos, vemos que evoluímos consideravelmente. Bem verdade que fomos beneficiados pelo alto preço das commodities no mercado internacional e ao câmbio favorável. Infelizmente, esse cenário mudou. As commodities estão em baixa e o Real teve uma das maiores desvalorizações no mundo, ganhando apenas do Rubro russo.

    Uma transformação dessa magnitude no pais exige uma forte liderança, um objetivo nacional claro e tangível, confiabilidade nas instituições, qualificação da mão de obra, segurança pública eficiência, infraestrutura apropriada e capacidade de investimento. A melhoria da saúde é uma consequência das outras melhorias.

    Vamos em frente!

  • Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável

      
    Objetivos Globais da ONU

    Objetivo 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares

    Objetivo 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável

    Objetivo 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades

    Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos

    Objetivo 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas

    Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos

    Objetivo 7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos

    Objetivo 8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos

    Objetivo 9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação

    Objetivo 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles

    Objetivo 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis

    Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis

    Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos

    Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável

    Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade

    Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis

    Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável

  • Mais vale um funcionário com vontade de aprender que um especialista desinteressado

    Tenho a felicidade de conviver com jovens e acompanhar a transformação das gerações “baby boomer”, X, Y e Z, tanto no ambiente acadêmico como nas empresas. As mudanças são marcantes, desde funcionários totalmente submissos a hierarquia organizacional aos jovens que questionam as regras e buscam, constantemente, novas oportunidades de crescimento e qualidade no ambiente de trabalho. Obviamente, essas transformações impactam a operação das empresas e geram conflitos entre gerações. O lado, extremamente, positivo é o constante alinhamento das práticas de negócios e produtos ao mercado.

    Pessoas motivadas

    Dentro deste contexto, o desafio é saber contratar. Usar apenas o critério técnico é valido para projetos que exigem conhecimento especifico e pontual. A contratação de pessoal para quadros fixos da organização exige focar mais no comportamento que nas habilidades atuais e experiência anterior. Meu argumento é que a empresa contrata colaboradores para transformar a empresa alinhando com as necessidades do mercado ao longo do tempo.

    Ressalto três características importantes: ética, qualificação acadêmica compatível com a função e vontade de aprender.

    A ética resguarda a empresa de uso de práticas indesejáveis pelos clientes e pela legislação do país. Cria um ambiente de trabalho mais saudável com menos intrigas e conflitos pessoais. Melhora a satisfação dos clientes com o desenvolvimento de produtos e serviços em conformidade com as expectativas do mercado, dentro da legislação e com responsabilidade socioambiental, resultando em melhores resultados financeiros.

    A qualificação acadêmica compatível é essencial para exercer funções regulamentadas, como engenharia. A graduação assegura acesso a cursos de especialização e participação em fóruns e associações de classe para influenciar no uso de novas tecnologias, práticas de negócios e desenvolvimento de novos negócios.

    A última, porém tão ou mais importante que as duas primeiras, é a vontade de aprender. Pessoas com esse perfil questionam os processos, buscam fazer as coisas de forma diferente, encaram os erros como parte do processo de aprendizado, buscam conhecimento e habilidades em cursos e profissionais mais experientes e assumem riscos controlados para aplicar aquilo que aprenderam. Encaram a empresa como um meio para aprender e evoluir profissionalmente.

    As empresas se beneficiam com profissionais que querem aprender de várias formas. Para aprender essas pessoas preferem fazer que contratar, reduzindo o custo das operações e projetos. Por não terem medo de errar quebram paradigmas organizacionais e ultrapassam limites estabelecidos por funcionários mais experientes. Aprendendo mais rápido e usando novas tecnologias absorvem o conhecimento de outros funcionários, acelerando as transformações na empresa. Essas atitudes fazem que outros funcionários deixem suas zonas de conforto e reajam para não perderem seus empregos e status quo.

    Infelizmente, os maiores sabotares desse processo são a cultura da empresa e chefes que não estão dispostos a aceitar mudanças e riscos.

    Empresas que têm a cultura de punir erros, mesmo daqueles que querem acertar, inibem a criatividade e controlam seus funcionários pelo medo, resultando em baixo desempenho organizacional e alta rotatividade de pessoal, principalmente os mais jovens e talentosos. Nas empresas sem cultura de aprendizado, os treinamentos são para desenvolver habilidades técnicas para exercer funções especificas, para atender a regulamentação e programas de conformidade. Ao contrário, empresas com cultura de aprendizado permitem que seus funcionários desenvolvam habilidades em outras áreas, permitindo o desenvolvimento de uma visão holística que contribuirá para melhorar o ecossistema da empresa.

    Para não perder tempo, não comentarei sobre chefes que apenas controlam tarefas e exigem que seus subordinados ajam conforme suas regras e visão de mundo.

    Agora, como superar o desafio de recrutar pessoas que querem aprender? Se for sua empresa tiver uma cultura de aprendizado, os talentos baterão na sua porta. As dinâmicas de seleção e recrutamento atuais são suficientes para identificar os melhores talentos. Encontrando talentos contrate-os, mesmo que não tenha um posição no momento. Coloque-os em projetos e em departamentos de baixo desempenho como observadores. Os programas de trainees são excelentes para recrutar talentos. Outro processo são parcerias com Universidade e escolas técnicas para identificar alunos com potencial e investir em programas de estágio.

    A “vontade de aprender” não está associado a idade da pessoa e sim a uma característica. Pessoas com mais experiência e vontade de aprender são ideais para serem mentores dos mais jovens, pois veem a oportunidade de continuar a aprender.

    Profissionais com vontade de aprender são mais valiosos que especialistas altamente qualificados que não estão dispostos a quebrar paradigmas e contribuir para o desenvolvimento da empresa.