Autor: Eduardo Fagundes

  • TI é a maior fonte de instabilidade para as profissões

    Novos processos e modelos de negócio aplicando intensamente tecnologia da informação (TI) estão eclipsando a importância de certas profissões. A eBay consegue arbitrar mais de 60 milhões de disputas entre compradores e vendedores com o auxilio da tecnologia, evitando o envolvimento de advogados. As decisões sobre patentes na Suprema Corte de Justiça americana já podem ser previstas analisando o perfil de juízes, procuradores, advogados e o histórico de processos onde eles participaram. O serviço WebMD de informações médicas recebe mais de 190 milhões de consultas por mês, evitando milhares de consultas médicas tradicionais. O serviço de computação cognitiva da IBM, Watson, já é considerado um dos maiores especialistas em oncologia do planeta. O conhecimento do Watson se expande para outras áreas da medicina, permitindo que agentes de saúde possam identificar doenças em estágios iniciais, evitando a sobrecarga do sistema de saúde dos países. A massificação dos cursos online gratuitos abertos permite que milhões de pessoas tenham acesso ao conhecimento via Internet, melhorando e ampliando a qualificação das pessoas, reduz a necessidade de escolas e professores. Parece que os softwares conseguem tratar as complexidades humanas melhor que as pessoas. 

      
    Entretanto, ainda precisamos de profissionais certificados e com competência legal para exercer atividades, tais como médicos e engenheiros. Porém, com o auxilio de softwares cada vez mais poderosos terão muito mais produtividade. Nesse cenário, o diferencial será o relacionamento humano.  

    O grande desafio da sociedade será criar novas profissões para empregar o contingente de pessoas com a eliminação de profissões que hoje empregam milhões de trabalhadores, como atendentes de Call Center, motoristas, operários de linhas de produção, homens do campo, entre outros. Os maiores afetados são os países em desenvolvimento e pobres com mão de obra pouco qualificada. Também, profissionais com pouca afinidade com a tecnologia da informação.

  • Mobilidade e os carros elétricos

    O paradigma do carro está mudando. Dentro de uma visão disruptiva, precisamos de um dispositivo que nos transporte de forma rápida, confortável e barata entre dois pontos com mínimo impacto ambiental. Bicicletas limitam-se a pessoas com capacidade física e que estejam dispostas a enfrentar as intempérias do tempo, como forte calor e chuva. As motocicletas ganham das bicicletas no menor esforço físico, porém são mais poluidoras se usarem gasolina. Carros elétricos usando o conceito tradicional dos carros são caros e continuariam a congestionar as cidades. Parece que um triciclo elétrico pode ser uma solução disruptiva para transporte. Usando apenas três pneus minimiza a extração de recursos naturais para a fabricação de pneus, rodas e outros componentes. O tamanho reduzido torna-o ágil e leve, exigindo menor consumo de energia elétrica para funcionar e dando mais autonomia.

    A americana Arcimoto deve lançar o Firefly no próximo ano ou no ínicio de 2017. O reduzido número de peças e simplicidade de montagem viabiiliza a montagem de fabricas em vários locais com utilização de materias locais para minimizar a logística e atender a legislação de alguns países que exigem conteúdo local, como no Brasil onde é exigido 30% de componentes locais.

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    A comunidade internacional incentiva o uso de carros elétricos, incluindo competições, como a World Solar Challenge na Austrália entre 18 e 25 de outubro de 2015. Várias Universidades participam com protótipos de carros elétricos com patrocínio de grandes empresas do mercado de energia e automobilístico.

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    Todas essas iniciativas devem mudar o paradigma dos carros e acelerar a adoção de novos dispositivos de mobilidade para transporte de pessoas com conforto, rápidos, baratos e sustentáveis.

  • Relatório WWF-Brasil sobre Energia Fotovoltaica

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    Relatório da WWF-Brasil sobre mecanismos de suporte para inserção de energia solar fotovoltaica na matriz brasileira. O relatório propõe modelos e sugestões para um desenvolvimento acelerado. [ download ]

  • O desafio para aumentar nossa produtividade e competitividade global

    Em setembro de 2015, o Fórum Econômico Mundial divulgou o ranking de competitividade dos países com a triste notícia que o Brasil perdeu 18 posições em relação a 2014. Na América do Sul, o melhor colocado é o Chile que aparece na 35ª posição. O primeiro país no ranking é a Suíça, seguido por Cingapura, Estados Unidos, Alemanha e Holanda.

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    Vários fatores reduzem nossa competitividade, destacando-se nossa precária educação e a baixa capacidade do trabalhador gerar lucratividade para as empresas. Enquanto um americano recebe cerca de 120 a 140 horas de treinamento anual, o brasileiro recebe 30 horas. A produtividade do brasileiro em relação ao americano é de apenas 24%, caindo significativamente desde 1980 quando era de 40%. Voltamos aos níveis de produtividade dos anos 50, ou seja, perdemos 65 anos mesmo com os extraordinários avanços da tecnologia. Nossa opção pelo isolamento nos distanciou do resto mundo.

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    Apesar de sermos a 7ª maior economia mundial temos nossas fraquezas. Por exemplo, o valor de mercado da Apple poderia comprar as pouco mais de 500 empresas listadas na BM&FBovespa. Nossa poupança interna é baixíssima que impede o financiamento de empresas e promove a expansão dos negócios, fazendo que novos empreendimentos tenham que ser financiados pelo sistema financeiro.

    Saímos da lista de países da fome, mas ainda temos mais de 3 milhões que passam fome. No ranking de educação internacional que avalia a capacidade em interpretação de texto, matemática e ciências de estudantes no último ano do ensino fundamental estamos nas últimas posições. Nossas Universidade formam poucos professores e muitos optam por seguir outras profissionais ou pelo ensino particular, evitando as escolas públicas devido as más condições de infraestrutura e pela crescente violência dos alunos.

    Temos que melhorar bastante a gestão nas fábricas. Projetos de melhoria de processos em fábricas de médio porte conseguem melhorar a produtitividade em até 40%. Embora existam incentivos fiscais para a inovação não existe uma adesão maciça por parte das empresas.

    Os fatos listados até aqui podem ser causa ou efeito da desindustrialização do país, da reprimarização da nossa economia, da grande massa de jovens nas periferias sem perspectivas de futuro e a nossa precária educação.

    O que podemos espera para o futuro? Os pessimistas dirão que a melhor saída é o aeroporto internacional de Guarulhos. Os otimistas dirão que existem milhares de oportunidades. Fico com os otimistas. Somos mais de 200 milhões de habitantes e essas pessoas têm necessidades que devem ser atendidas por produtos e serviços.

    Existem inúmeras oportunidades para o crescimento da nossa indústria produzindo produtos inovadores que atendem as necessidades básicas dos consumidores. A Índia irá produzir carros de US$2.000, enquanto os nossos custam no mínimo US$10.000 incluindo os impostos e considerando que o brasileiro tem o dobro da produtividade dos indianos.

    Temos que promover a inovação e o empreendedorismo para as pessoas em todos os níveis. Inovação não é uma nova tecnologia ou um aplicativo para smartphone. Inovação é a capacidade do empreendedor de tornar uma ideia em um produto para ganhar dinheiro. Reunir pessoas de comunidade para produzir comida vegetariana com serviço de entrega nas empresas pode ser uma rentável inovação em uma determinada região. Ideias simples podem inserir no mercado de trabalho a massa de jovens que estão marginalizados nas periferias.

    Embora utópico e de difícil execução, minha visão seria inverter os gastos em educação entre o ensino fundamental e o universitário. Hoje um aluno nas universidade públicas custa para o Estado cerca de R$20.000,00 por ano, enquanto o aluno do ensino fundamental custa R$5.000,00 por ano. O fato é que sem um ensino fundamental eficiente temos alunos universitários ineficientes que além de desperdiçar o dinheiro dos contribuintes forma profissionais com baixa produtividade. Para isso os cidadãos devem participar das audiências públicas para obrigar os servidores públicos que administram o ensino a seguir a orientação da população. Ainda em mundo utópico, os dirigentes públicos da educação devem ser políticos eficientes, aqueles que conseguem capturar as necessidades da nação e forçar os técnicos a desenvolver estratégias de transformação.

    Jeito tem. Temos que nos unir para transformar.