Categoria: Produtividade

  • A atual politica de TI brasileira decretará o fim da indústria nacional

    A atual política de importação de bens e serviços, a não participação nas cadeias globais de valor (CGVs), a opção por focar o comércio internacional com parceiros latino-americanos e a não participação do Acordo de Tecnologia da Informação (ATI) decretarão o fim das empresas nacionais. Ao contrário de outros países latino-americanos (México, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai entre outros) que estão estabelecendo acordos bilaterais e aderindo a acordos de comércio internacionais, como a Aliança do Pacífico, o Brasil continua adotando políticas protecionistas com o falso argumento de incentivar a indústria nacional. O fato é que essa política está nos distanciando do nível de competitividade internacional e tirando, completamente, as oportunidades de crescimento da indústria nacional.

    O Brasil perdeu uma posição no ranking mundial do Global Competitiveness Index, publicado pelo Fórum Econômico Mundial em 2015, caindo da 56º para 57º de um total de 144 posições. Em outro índice criado pelo Banco Mundial, o Logistics Performance Index (LPI), o Brasil se comparado a outros países da América Latina, aparece atrás de Chile, México e Argentina. Nosso fraco sistema educacional, ranqueado em 126º entre todos os países, é apontado com um problema por não conseguir capacitar os trabalhadores da forma necessária ao mercado de trabalho.

    Deixar de participar das cadeias globais de valor (CGV) é um risco enorme. Os principais benefícios para quem participa das CGVs são: i) aumento das taxas de crescimento econômico; ii) aumento da inovação e produtividade das empresas; iii) atração de novos investimentos; iv) melhoria de processos, governança e capacitação em novas competências; v) modernização do parque industrial e sofisticação da matriz funcional; e vi) aumento do comércio de bens e serviços. Atualmente, o Brasil em 53 países, ocupa a antepenúltima posição, atrás de Argentina e África do Sul, com um índice de inserção nas cadeias globais de 33%.

    O Brasil não é signatário do Acordo de Tecnologia da Informação (ATI), acordo que elimina tarifas aduaneiras de computadores e acessórios, semicondutores e equipamento para sua fabricação, aparelhos de telecomunicação, aparelhos e instrumento de medida, partes e componentes, com o objetivo de aumentar o comércio e a difusão desses bens. Atualmente, entre os 159 membros da OMC (Organização Mundial do Comércio), 78 participam do ATI, correspondendo a 90% do produto interno bruto (PIB) dos membros da OMC.

    O ATI se diferencia dos demais acordos por beneficia todos os setores da economia, acentua o crescimento e permite a criação de novos produtos. Isso tem fortes implicações sobre a competitividade da economia. Se eliminássemos as restrições às importações de computadores, reduzindo o preço interno, isso estimularia o uso mais intensivo da tecnologia da informação, elevando nossa produtividade e diminuindo os custos e os preços de produtos e serviços. Com isso, todo o processo produtivo se tornaria mais lucrativo. O resultado seria equivalente ao de uma desvalorização real da taxa de câmbio.

    Embora alguns países latino-americanos não sejam signatários do ATI, como o Chile e Uruguai, estabeleceram acordos comerciais com os principais países exportadores. O México adotou uma liberalização unilateral dos produtos de tecnologia da informação por meio do programa ATI-plus, incluindo produtos adicionais aos do ATI.

    O Brasil adota uma política de incentivo a produção doméstica por meio da combinação de tarifa aduaneira e isenção parcial dos impostos indiretos – IPI, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Programa de Integração Social e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (PIS-COFINS). Em contrapartida, as empresas beneficiadas por esses incentivos devem investir 4% do seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento local.

    Para exemplificar, com esses benefícios, um PC produzido no Brasil tem uma proteção nominal contra importações de aproximadamente 50%, o que penaliza os compradores locais. Neste calculo, a tarifa aduaneira é de 16%, contribuindo com apenas um terço da proteção total, enquanto o restante é proporcionado pela isenção dos impostos indiretos.

    As empresas globais que operam no Brasil estão alinhadas com as tecnologias e práticas de negócios internacionais, pois em outros países elas têm acesso fácil e com preços competitivos as novas tecnologias da informação. Ao contrário, a indústria nacional tem difícil acesso às novas práticas de negócios por não participar das cadeias globais de valor e pelo alto custo das tecnologias de informação.

    Esse cenário seria minimizado se pelo menos tivéssemos custos mais acessíveis às tecnologias da informação, permitindo a sofisticação de nossos processos e redução de custos de produção, abrindo novas oportunidades de negócios internos e externos.

    Se não houver uma mudança na politica de tecnologia da informação no Brasil estaremos decretando o fim da indústria nacional.

  • A vulnerabilidade dos sistemas legados está nas pessoas

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    Desenvolver sistemas corporativos não é fácil e nem barato. Mais complexo fica quando migramos um sistema legado desenvolvido há muitos anos e com manutenções corretivas e evolutivas pouco documentadas. Devido a isso, muitas empresas assumem o risco de manter os sistemas legados, alegando que em time que esta ganhando não se mexe e, talvez o mais importante, economizando um bom dinheiro.

    Entretanto, um fator que pouco se avalia é necessidade de manter pessoal especializado em tecnologias ultrapassadas, tanto de hardware como de software, para dar suporte aos sistemas legados. A questão não é apenas de treinamento, mas ter experiência nas tecnologias utilizadas no passado. Isso não se adquire após uma sessão de treinamento, mas sim pelos acertos e erros ao longo de anos.

    Muitas tecnologias são cinquentenárias, como é o caso dos mainframes da IBM, e obviamente, uma grande parcela de profissionais que trabalharam no passado desenvolvendo e operando esses sistemas já estão aposentados ou morreram.

    Podemos até tornar essas tecnologias atraentes para os jovens por oferecer salários compensadores, porém temos que ter paciência e assumir alguns erros por falta de experiência.

    Com isso, a vulnerabilidade dos sistemas aumenta de forma exponencial, tanto pela falta de suporte de sistemas operacionais e hardware antigo como pela inexperiência dos jovens programadores. Essa escala de riscos atinge um ponto que pode parar a operação da empresa por uma falha irrecuperável.

    Essa situação se agrava em localidades onde a mão de obra especializada é escassa e existe uma forte dependência de pequenos fornecedores.

    A melhor estratégia é monitorar a capacidade de manutenção dos sistemas legados usando os seguintes parâmetros:

    • Existência de suporte do fornecedor da tecnologia
    • Número de profissionais capacitados na tecnologia
    • Evolução dos salários dos profissionais que dominam essa tecnologia
    • Número de falhas do sistema legado
    • Tempo de indisponibilidade dos processos de negócios por falha nos sistema legados
    • Necessidade de novas funcionalidades dos processos de negócio e esforço de implantação nos sistemas legados
    • Custo de treinamento para capacitar novos profissionais nas tecnologias dos sistemas legados
    • Custo de implantação de sistemas para substituir os sistemas legados.

    Uma migração de sistemas não se faz de um dia para o outro, requer planejamento e recursos financeiros e humanos e, parceiros confiáveis. Se não existir planejamento a empresa terá pelo menos dois custos altos, um pela paralisação dos processos de negócios e outro pela urgência de implantação do novo sistema. Com certeza, devido à pressão e prazo curto o novo sistema não será bem implantado e gerará muitos problemas.

    Concluindo, a melhor alternativa é manter um cronograma de atualização tecnológica e monitoração dos fatores que influenciam o desempenho dos sistemas.

     

  • Como será a liderança nas empresas no futuro?

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    Uma pesquisa encomendada pela Saba Software entrevistou 1.000 profissionais de Recursos Humanos e mostrou que 47% acreditam não ter talentos capazes de suprir a carência de executivos de gestão em suas empresas. Dos funcionários entrevistados apenas 11% aspiram um cargo de C-Level. Esses números preocupam porque os atuais executivos da geração Baby Boomer, nascidos na década de 50 e 60, estão se aposentando. Em contraste, quando perguntado aos funcionários da geração Y se eles se consideram líder, 68% afirmaram que sim. Ao que parece, os jovens tem uma boa percepção do que é ser líder e como podem contribuir com a organização. Ter liderança na empresa é a capacidade de influenciar outras pessoas, gerenciar conflitos e capacidade de execução. E isso, não está ligado a cargos de chefia (sic).

    Diferente dos Baby Boomers, os jovens das gerações Y e X, esses últimos nascidos nos anos 80, não pretendem ficar mais de uma década em uma empresa. Eles buscam empresas que valorizem seu trabalho e oriente-os no seu desenvolvimento pessoal. Os cursos atuais de liderança, muitos orientados para Baby Boomers, não cumprem mais seu papel de formação. Os jovens querem aprender da mesma forma que consomem informações da Google, Facebook, Twitter, YouTube e Netflix. Ou seja, acessam quando precisam e dispõem de tempo.

    Se existe uma mudança de comportamento dos jovens perante o trabalho, está em curso um processo de aposentadoria dos mais experientes e o tempo médio de permanência na empresa é menor que uma década, como será a liderança nas empresas no futuro? Ou melhorando a pergunta, como serão as empresas no futuro?

    Embora não tenha uma bola de cristal, aposto na liderança situacional. Ou seja, lideres com habilidades especificas para situações especificas. Por exemplo, quando a empresa precisa desenvolver seu planejamento estratégico deverá contar com líderes com habilidades de visão de longo prazo aguçada, capacidade de análise e criação e seleção de cenários prospectivos. Já o processo de implantação da estratégia serão necessários líderes com foco no resultado definido e capacidade, habilidade de gerenciar conflitos e remover paradigmas. Uma vez implantada a estratégia, entra em cena líderes com perfil para tocar os processos e lidar com a mão de obra operacional.

    Uma organização baseada em lideranças situacionais aloca recursos por demanda, reduzindo as despesas operacionais e permite trabalhar com os melhores profissionais do mercado. Esse modelo de organização reduz os riscos do turnover de pessoal e atende as expectativas dos jovens de desafios constantes.

  • Os desafios e oportunidades do crescimento sustentável brasileiro

    Enfim uma sinalização sobre a economia brasileira. O ministro da Fazenda Joaquim Levy deu uma ótima notícia sobre as bases da economia para os próximos anos, em Davos no World Economic Forum. A direção é focar nos investimentos e estabilizar a transferência de renda através dos programas sociais. Ele mencionou a estratégia de formação de PPPs (Parcerias Público-Privadas) para atrair novos investimentos em infraestrutura. A operação Lava a Jato que investiga a corrupção na Petrobras deve conter a corrupção em outras áreas e melhorar o retorno dos investimentos no país. O desafio será transferir a mão de obra de setores da economia que perderam atratividade para os setores que investirão na infraestrutura.

    Apesar do pessimismo em Davos, comparado com o ano passado, as ações mencionadas pelos governos devem surtir bons resultados no médio prazo. O programa QE europeu (Quantitative Easing), compra de ativos e títulos públicos, pelo EBC (European Central Bank) deve fomentar o crescimento econômico na Europa. A estabilização da economia americana e o anúncio do presidente Obama de um programa de distribuição de renda, incluindo US$320 bilhões de crédito estudantil e US$60 bilhões para colégios comunitários em 10 anos, deve criar novos mercados para produtos disruptivos de países emergentes. A afirmação do primeiro ministro chinês que o país deve crescer acima de 7% em 2015 deve manter as importações e exportações em níveis normais. A grande expectativa é que com a redução do preço do petróleo em 50% os países terão a oportunidade de reorganizar suas economias e criar um novo ciclo de crescimento.

    Como afirmou o ministro Levy temos que arrumar a casa e nos prepararmos para acompanhar o novo ciclo de crescimento global. Infelizmente, se não fosse a corrupção colossal no país retardando o término das obras de infraestrutura para, através de aditivos contratuais, aumentar o faturamento e desvios de recursos, o Brasil estaria em condições de acompanhar o crescimento global e reduzir a distância social e econômica dos países desenvolvidos. Agora só nos resta captar dinheiro da iniciativa privada para concluir as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e remunerar esses investimentos, aumentando os custos de produção e, esperançosamente, colocar os bandidos na cadeia.

    Os desafios do Brasil são do seu tamanho:imenso e diversificado. Estamos sofrendo as conseqüências do descaso da sociedade que permitiu que empresas, governos e cidadãos corruptos se apropriassem de recursos da nação e mantivesse governantes incompetentes na gestão pública. A falta de combate efetivo do desmatamento da Amazonia está refletindo na forte estiagem nas regiões Sudeste e Cento-Sul. Essas regiões estão na faixa desértica do hemisfério sul e só são férteis devido a umidade vinda da região amazônica. O desmatamento e a fumaça das queimadas impedem a formação de chuva e antecipou em 15 anos a previsão da grande estiagem. O risco é tão grande de desertificação que pode acabar com o agronegócio e criar um êxodo da população para outras regiões, como segundo alguns estudos ocorreu entre os anos 1.000 e 1.300 que dizimou populações na região.

    Infelizmente, a questão dos desmatamentos não é tão simples de se resolver. O Brasil tem a maior área cultivável do mundo e terá uma enorme responsabilidade para alimentar os mais de 9 bilhões de habitantes do planeta até 2050. Isso significa que cada metro quadrado de terra arável deve ser usada com máxima eficiência na produção de alimentos. Apesar de justos os movimentos pela reforma agrária, a agricultura e pecuária deve ser tratada como estratégia de Estado direcionando investimentos e regulamentando o setor para aumentar, significativamente, a produtividade no campo. Devem ser aplicados investimento pesados em agricultura de precisão, colocando a tecnologia a serviço da nação. Felizmente, temos a Embrapa que desenvolve avançados estudos e tecnologia para o campo com reputação internacional.

    Exportar commodities reduz, consideravelmente, nossa capacidade de aumentar o superávit da nossa balança comercial. Empresas e governo devem investir na transformação da commodities em produtos industriais para exportação. As Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) devem ser incentivadas para focar na exportação e reduzir os tributos e burocracia interna. As áreas de serviços, incluindo tecnologia da informação, devem ser habilitadas para exportar serviços a partir das ZPE, fato que a legislação atual não permite.

    Obviamente, para implementar qualquer plano de crescimento precisamos de mão de obra qualificada e ferramentas avançadas. Temos que coordenar a criação de cursos para atender as necessidades do mercado e orientar os jovens para as reais possibilidades de cada setor. As escolas técnicas e faculdades devem assumir a responsabilidade de formar profissionais que possam ingressar no mercado de trabalho habilitados, sem a necessidade de treinamento adicional pelas empresas ou de cursos de pós-graduação.

    O período de retração e ajustes da economia brasileira está gerando uma massa de desempregados que precisam, rapidamente, retornar ao trabalho para não perderem a competitividade e criar um gap tecnológico. Sindicatos e governo devem promover treinamentos para novos postos de trabalho ajustando o perfil dos trabalhadores para as áreas com escassez de mão de obra.

    Resumindo, temos desafios e oportunidades. Cabe a sociedade e seus governantes agirem de forma planejada e eficiente para colocar o Brasil no rumo do desenvolvimento sustentável.