Categoria: Produtividade

  • Inovação como estratégia de vendas

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    A competição no mercado de tecnologia é muito grande, agravando-se pelo fato que fornecedores de diferentes portes brigam pelas mesmas oportunidades de negócios. O porte do fornecedor tem impacto direto nos custos. A reputação e estrutura de um grande fornecedor traz mais segurança para o cliente, entretanto, muitas vezes o preço da solução está acima da capacidade financeira do cliente. Esse cenário traz um desafio para os fornecedores que investem em pesquisa e desenvolvimento, usam melhores práticas de gestão e mantém técnicos especializados. Esse desafio pode ser vencido levando inovação para os clientes.

    A inovação é incentivada pelo governo com isenções de impostos e subvenções da FINEP para pagamento de mestres e doutores em projetos de pesquisa, através da Lei do Bem. Acredito que essa é uma oportunidade para as grandes empresas no desenvolvimento de projetos nos clientes.

    A isenção de impostos do cliente com projetos de inovação pode compensar um maior investimento na contratação de fornecedores de tecnologia de médio e grande porte. Por sua vez, os fornecedores podem considerar como membros do projeto mestres e doutores subvencionados pela FINEP.

    Existem vários desafios nessa área. Um deles é a falta de dedicação e a ausência de amplo conhecimento do mercado de tecnologia dos clientes para o desenvolvimento de projetos de inovação. As pressões do dia a dia para lançamento de novos produtos e a operação do negócio drenam a maior parte dos recursos das empresas.

    A solução é os próprios fornecedores investirem na identificação de oportunidades de inovação nos clientes. Para isso, existe um trabalho prévio que é conquista da confiança do cliente no fornecedor. Isso só se consegue com aproximação e flexibilidade de ambas as partes.

    Como consultor de inovação, meu negócio é fazer o meio de campo entre os potenciais clientes e os fornecedores de tecnologia. Realizo workshops de inovação nas empresas para identificar oportunidades de novos projetos. Selecionados os projetos os fornecedores entram com suas soluções. Alguns seminários são subsidiados pelos fornecedores.

    Essa estratégia de vendas traz benefícios para os clientes, para os fornecedores de tecnologia e para as Universidades. Para os clientes, a oportunidade de ter fornecedores de reputação trabalhando no desenvolvimento de seus projetos e se beneficiando da Lei do Bem. Para os fornecedores novos contratos e crescimento, e para as Universidades a oportunidade de contribuição e interação com o mercado.

  • Segurança da Informação nas Pequenas e Médias Empresa é disruptiva

    As práticas que as pequenas e médias (PME) adotam para suas informações podem ser disruptivas para as grandes empresas. A tendência é que as PME adotem cada vez mais soluções SaaS (Software as a Services) para gerenciar suas informações. Não tem o menor sentido investirem em soluções locais e dedicadas de gestão da informação quando estão disponíveis no mercado soluções robustas operadas por grandes fornecedores de sistemas de informação, tais como SAP, Microsoft, Totovs, Google ente outras. Essas soluções em ambiente Cloud Computing trazem muito mais segurança que as soluções locais, pelo simples fato que esse é o negócio dos fornecedores de software.

    O que vemos nas grandes empresas são investimentos cada vez maiores em segurança da informação e processos de governança de TI. Quando mais processos, mais burocracia interna. Cada vez que uma auditoria interna ou externa detecta uma falha nos processos, novos controles internos são implantados. Isso torna a operação do negócio complexa e cara. No tempo, podemos comparar os procedimentos internos das grandes empresas ao conjunto de leis de países ineficientes.

    A questão é se concentrar no que é mais importante. No final do dia, o que as empresas precisam controlar é o acesso às informações por pessoas autorizadas, dentro do conceito “Need to Know”. Cada funcionário deve ter acesso aquelas informações que são necessárias para a execução de suas atividades dentro da empresa. Quando mudam de posição seus acessos devem ser reconfigurados.

    Resumindo, as práticas adotadas pelas PMEs de gestão da informação em ambientes Cloud Computing são disruptivas para as grandes empresas. Para as grandes empresas soluções SaaS são fatores de eficiência, redução da burocracia e aumento da margem de lucro. O maior desafio é mudança de paradigma dos executivos das grandes empresas. Para empresas familiares é uma opção. Para as empresas de capital aberto uma questão de respeito com dinheiro dos acionistas.

  • Quando sua fábrica mudará para o Paraguai?

    Mantendo as condições atuais do custo de energia, qualificação profissional e estrutura de impostos, a que pergunta é quando sua empresa mudará para o Paraguai? O Paraguai é o país de maior crescimento econômico da América Latina nos últimos 40 anos, com média de 7,2% anual entre 1972-2011. Tem a menor carga tributaria das Américas desde 1970 (8% do PIB) legislação trabalhista favorável e flexível, onde 70% da população têm menos de 35 anos de idade. A moeda mais estável do continente, o Guarani, tem 70 anos de existência. Sem hiperinflação, com mercado totalmente aberto, cambio livre desde 1989, baixa divida externa (8% do PIB) e baixo endividamento público (6% do PIB) e com reservas internacionais suficientes para cobrirem 105% da divida externa total. O custo da energia é 63% mais barata que o Brasil. A exemplo que ocorreu com o México e os Estados Unidos, onde as empresas americanas se instalaram em território mexicano para produzir para o mercado americano, o mesmo fenômeno deve ocorrer por aqui.

    O Paraguai faz divisa com os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, do tamanho deste último. A porcentagem da população urbana é de 56,7%. Os habitantes concentram-se nas principais cidades do país, como Assunção, Ciudad del Este, San Lorenzo e Fernando de La Mora. A taxa de natalidade é elevada — cada mulher tem em média 3,8 filhos. A taxa de mortalidade infantil é moderada e gira em torno de 26 por mil. A expectativa de vida é de 68,5 anos para homens e de 73 anos para mulheres.

    A desindustrialização brasileira é um fato. Em 2012 nossa produção foi inferior à de 2008. A indústria no Brasil perdeu seu poder de eixo dinâmico da economia. A indústria automobilística brasileira, motor da economia, tem comprado cada vez mais autopeças de fábricas instaladas no Paraguai. O IBGE mostra que nunca foram tão elevados os investimentos de brasileiros no Paraguai.

    Os locais preferidos pelos brasileiros são os arredores da capital Assunção e, principalmente, a fronteira com o Paraná no “triângulo” formado por Hernandarias, Presidente Franco e Ciudad del Este. Os setores mais visados são autopeças, confecções, calçados e plásticos. Na maior parte dos casos, a estratégia é a mesma: os insumos são importados da China, a manufatura é feita no Paraguai e o produto é vendido no Brasil. Está se tornando cada vez mais comum marcas conhecidas como Buddemeyer, Penalty, Adidas e Fila serem vendidas por aqui com etiquetas “made in Paraguai”.

    Esse cenário cria boas oportunidades para a instalação de data center. Custo de energia baixo, mão de obra barata para as operações básicas de manutenção e operação local e monitoramento remota a partir dos atuais centros de controle e monitoração.

    Obvio que como brasileiros, temos que reverter essa situação. Para isso temos que investir em inovação, geração independente de energia, produtividade e qualificação profissional. Por outro lado, temos que manter nossas empresas vivas para cumprir o seu papel social. Sucumbir em um ambiente desfavorável não é inteligente.

  • Redefinindo a indústria brasileira

    O Brasil continua bem na foto e ainda atrai investimentos do exterior. Entretanto, a política de sustentação que o governo está adotando pode nos complicar no futuro.

    Nossa péssima infraestrutura de transporte, a baixa qualificação  e alto custo da mão-de-obra, o forte intervencionismo do governo que gera incertezas e o alto custo da energia vêm, gradativamente, desestimulando os investimentos.

    Os incentivos para o pleno emprego e manutenção do consumo vem causando sérios prolemas para a indústria e para a inflação. O mecanismo é simples: o mercado de trabalho aquecido eleva os salários; O setor de serviços, protegido da concorrência externa, repassa o custo dos salários para os preços, que eleva a inflação. As empresas competem pelos trabalhadores mais qualificados, que pressiona a alta de salários e os custos da indústria. Como a indústria não consegue repassar o aumento de seus custos, devido a concorrência dos produtos importados, ocorre a queda da competitividade e a redução dos investimentos.

    Nossa indústria tem que investir na transformação de seus negócios, criando um novo portfólio de negócios com projetos de inovação. Investir para competir com produtos fabricados na Ásia inibe enxergar oportunidades de novos negócios para os consumidores brasileiros.

    Insisto em dizer que toda empresa precisa desenvolver um portfólio de novos negócios para apoiar o seu crescimento identificando novos produtos e novos mercados. Um movimento coordenado pelas associações de classe das empresas definindo com o governo as prioridades de investimentos irá redefinir o mercado para a indústria brasileira.