O desafio não é ter dados para análise e sim quem as fará

Em tempos de crise econômica e novos entrantes roubando parcelas de participação de mercado, a saída é usar intensivamente inteligência nos negócios. Conhecendo o comportamento dos consumidores é possível criar estratégias para focar no que é importante e ser mais eficaz. Um anúncio no Google Adwords pode ser mais eficiente do que ficar ligando para consumidores sem conhecer seu perfil. Devemos acompanhar a evolução dos clientes e oferecer produtos e serviços alinhados a cada momento de sua vida. Ferramentas de BI (Business Intelligence) e Big Data são excelentes para descobrir tendências e comportamentos dos consumidores. Hoje com a abundância de dados disponível, usando redes sociais ou dados públicos, é possível montar uma excelente estrutura de inteligência de mercado. Entretanto, o grande desafio é encontrar as pessoas certas para fazer essas análises.

Sabemos que as pessoas possuem dominâncias cerebrais (analíticas, experimentais, controladoras e relacionais) que se bem usadas aumentam, significativamente, a produtividade pessoal e das equipes. Também sabemos que as pessoas possuem filtros que as impedem de enxergar e interpretar algumas informações. Obviamente, para analisar o significado dos dados é necessária qualificação em estatística e conhecimento do negócio.

Uma pesquisa sobre alfabetização mostrou que hoje o Brasil tem 4% de analfabetos, porém se unirmos aqueles que só sabem ler o letreiro dos ônibus, esse número chega a 27%. Dos 73% que sabem ler e escrever, 65% tem algum nível de dificuldade. Com isso, sobrou 8% dos brasileiros que tem os melhores índices de alfabetização. Os profissionais que se destacam estão nas áreas de comunicação, artes e cultura com 26% e administração pública com 18%. As áreas de saúde e educação os índices também são bons, porém deveriam estar no topo da lista.

Dada a escassez de profissionais qualificados para análises, só as grandes empresas acabam tendo condições para montar estruturas eficientes de inteligência de mercado, com ferramentas apropriadas. Isso acaba reduzindo as chances das pequenas e médias empresas de aperfeiçoar suas técnicas de relacionamento com os clientes e vendas.

A falta de tempo das pessoas reduz a eficácia das pesquisas de campo tradicionais. Outro dia na saída de uma loja de material de construção fui convidado a responder uma pesquisa, declinei depois de saber que levaria mais de 10 minutos.

As ferramentas e os dados estão disponíveis, muitas vezes com softwares gratuitos e os dados estão disponíveis nas redes sociais, dados sobre os seguidores da página da sua empresa no Facebook, por exemplo. Dados públicos do IBGE e dos órgãos públicos também, inclusive garantidos pela Lei de Acesso a Informação.

O que temos que pensar é em um novo modelo de negócio de quem tem as ferramentas e capacidade de análise para suprir essa carência da maioria das pequenas e médias empresas, que cá entre nós é um tremendo mercado a ser explorado.

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