Porque as fusões e aquisições falham e como se prevenir

Em 2015, foram mais de US$3.8 trilhões em M&A (Mergers & Acquisitions) de empresas, superando o recorde de 2007 e os executivos buscam mais aquisições em 2016. Esse é um processo que atinge todos os mercados. As empresas brasileiras são alvos potenciais para aquisições devido à crise financeira que assola o país e da desvalorização da moeda. Nesses processos o grande desafio é a implementação depois do negócio fechado. Existem diferentes abordagens para consolidar as operações entre processos de fusões e aquisições. Pesquisas indicam que 80% dos negócios de M&A falham em não atingir os resultados esperados.

Primeiro vamos entender a diferença entre fusão e aquisição. Um processo de fusão é quando duas ou mais empresas decidem consolidar suas operações para operarem no mesmo mercado com poderes equivalentes, normalmente criando uma nova empresa. Um processo de aquisição é quando uma empresa compra a outra.

Um processo de fusão é mais difícil porque durante a implantação disputa-se quais as práticas de negócios que devem ser adotadas, diferente de uma aquisição onde o comprador impõe suas práticas. Tipicamente, os critérios de análise para seleção são: percentual de lucratividade; flutuação das ações no mercado; e, avaliações gerenciais.

Uma coisa que sabe nos bastidores é quem ganha dinheiro com M&A são os investidores que vendem suas ações quando o negócio é fechado. Existem vários motivos para o negócio falhar, entre eles: valor do negócio acima do valor de mercado; estratégia ruim; falha na avaliação do potencial financeiro do negócio; e, falta de previsão das mudanças no mercado.

Um fator que muitas vezes é esquecido nos processos de M&A é a reação dos empregados das empresas. Uma ilusão é achar que todos irão enxergar oportunidades de crescimento profissional e mais empoderamento no novo negócio. Ao contrário, muitos só enxergam vulnerabilidades e assumem um comportamento negativo, levando muitas vezes a cometerem atos de sabotagem. Existe aumento do turnover (mudança de empresa) que pode chegar a 60% na maioria dos casos e aumento dos casos de doenças por estresse e absenteísmo.

Tipicamente, o fator “pessoas” é o que define o sucesso de um processo de M&A. Entre os principais fatores estão: subestimar as dificuldades de combinar as culturas; subestimar os problemas de transferência de competências; desmotivação dos empregados; saída de pessoal chave na organização; consumir muito mais energia que o planejado; falta de definições claras de responsabilidade; falha no gerenciamento de conflitos; foco muito grande nos processos internos, negligenciando os clientes e os aspectos externos.

Participei de vários processos de Mergers & Acquisitions, entre eles o da Autolatina, joint-venture entre a Ford e a Volkswagen no Brasil e Argentina e aquisição de empresas pela Ford, como no Complexo Industrial de Camaçari e das operações da Land Rover, Volvo e Jaguar. São nítidas as diferenças entre uma operação de fusão e aquisição.

Em uma fusão tudo deve ser negociado e gera insegurança em ambos os lados. Em um processo de aquisição você impõe suas regras. Em ambos os casos deve existir uma absorção das culturas e procurar extrair o melhor de cada uma.

Para melhorar as chances de sucesso segue algumas recomendações:

  • Gaste mais tempo no processo de avaliação (due diligence) para entender melhor os aspectos culturais de cada organização;
  • Exija maior envolvimento do pessoal de recursos humanos;
  • Conduza uma auditoria cultural antes de implantar uma mudança de processo;
  • Garanta que a comunicação flua em todos os níveis para engajar todos os empregados na integração de processos;
  • Implemente mecanismos para medir o estresse dos empregados;
  • Seja honesto e transparente no processo de seleção dos empregados que ficarão na empresa;
  • Gerencie bem os aspectos de competência e treinamento dos empregados para evitar redundâncias, que acabam gerando insegurança.

Sem um bom planejamento e avaliação inicial de processos de M&A as chances de não atingir as expectativas são grandes.

4 comentários em “Porque as fusões e aquisições falham e como se prevenir”

  1. Em janeiro de 2016, as fusões e aquisições no Brasil movimentaram R$10 bilhões. Foram fechados 52 negócios (anunciados e concluídos), representando uma queda de 39% em relação a janeiro de 2015. Os maiores negócios foram a aquisição da divisão de preservativos da Hypermarcas pela Reckitt Benckiser por R$675 milhões e a venda de 100% da Pantanal Energética pela EDP Energias do Brasil por R$390 milhões. O segmento de Internet e tecnologia forma os que mais registraram operações no mês passado, entre fundos de investimentos em participação – private equity – e em capital de risco – venture capital – com 18 operações realizadas. Para quem planeja no longo prazo, as empresas brasileiras são um ótimo negócio. Escassez de dinheiro interno e externo (alguns fundos saíram do Brasil devido ao rebaixamento do grau de investimento) e a desvalorização do Real (uma das moedas que mais desvalorizou no mundo).

    1. De: Disqus [mailto:notifications@disqus.net]
      Enviada em: quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016 13:32
      Para: eduardo.mayer@efagundes.com
      Assunto: Re: Comment on Porque as fusões e aquisições falham e como se prevenir

      “Em janeiro de 2016, as fusões e aquisições no Brasil movimentaram R$10 bilhões. Foram fechados 52 negócios (anunciados e concluídos), representando uma queda de 39% em relação a janeiro de 2015. Os maiores negócios foram a aquisição da divisão de preservativos da Hypermarcas pela Reckitt Benckiser por R$675 milhões e a venda de 100% da Pantanal Energética pela EDP Energias do Brasil por R$390 milhões. O segmento de Internet e tecnologia forma os que mais registraram operações no mês passado, entre fundos de investimentos em participação – private equity – e em capital de risco – venture capital – com 18 operações realizadas. Para quem planeja no longo prazo, as empresas brasileiras são um ótimo negócio. Escassez de dinheiro interno e externo (alguns fundos saíram do Brasil devido ao rebaixamento do grau de investimento) e a desvalorização do Real (uma das moedas que mais desvalorizou no mundo).”

      Settings

      A new comment was posted on Efagundes.com

      _____

      This comment is awaiting moderator approval.

      _____

      Eduardo Fagundes

      Em janeiro de 2016, as fusões e aquisições no Brasil movimentaram R$10 bilhões. Foram fechados 52 negócios (anunciados e concluídos), representando uma queda de 39% em relação a janeiro de 2015. Os maiores negócios foram a aquisição da divisão de preservativos da Hypermarcas pela Reckitt Benckiser por R$675 milhões e a venda de 100% da Pantanal Energética pela EDP Energias do Brasil por R$390 milhões. O segmento de Internet e tecnologia forma os que mais registraram operações no mês passado, entre fundos de investimentos em participação – private equity – e em capital de risco – venture capital – com 18 operações realizadas. Para quem planeja no longo prazo, as empresas brasileiras são um ótimo negócio. Escassez de dinheiro interno e externo (alguns fu ndos saíram do Brasil devido ao rebaixamento do grau de investimento) e a desvalorização do Real (uma das moedas que mais desvalorizou no mundo). 11:32 a.m., Thursday Feb. 25 | Other comments by Eduardo Fagundes

      Moderate this comment by email

      Email address: eduardo.mfagundes@gmail.com | IP address: 201.87.145.132
      Reply to this email with “Delete”, “Approve”, or “Spam”, or moderate from the Disqus moderation panel.

      _____

      You’re receiving this message because you’re signed up to receive notifications about activity on threads authored by emfagundes.
      You can unsubscribe from emails about activity on threads authored by emfagundes by replying to this email with “unsubscribe” or reduce the rate with which these emails are sent by adjusting your notification settings.

  2. Em janeiro de 2016, as fusões e aquisições no Brasil movimentaram R$10 bilhões. Foram fechados 52 negócios (anunciados e concluídos), representando uma queda de 39% em relação a janeiro de 2015. Os maiores negócios foram a aquisição da divisão de preservativos da Hypermarcas pela Reckitt Benckiser por R$675 milhões e a venda de 100% da Pantanal Energética pela EDP Energias do Brasil por R$390 milhões. O segmento de Internet e tecnologia forma os que mais registraram operações no mês passado, entre fundos de investimentos em participação – private equity – e em capital de risco – venture capital – com 18 operações realizadas. Para quem planeja no longo prazo, as empresas brasileiras são um ótimo negócio. Escassez de dinheiro interno e externo (alguns fundos saíram do Brasil devido ao rebaixamento do grau de investimento) e a desvalorização do Real (uma das moedas que mais desvalorizou no mundo).

    1. De: Disqus [mailto:notifications@disqus.net]
      Enviada em: quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016 13:48
      Para: eduardo.mayer@efagundes.com
      Assunto: Re: Comment on Porque as fusões e aquisições falham e como se prevenir

      “Em janeiro de 2016, as fusões e aquisições no Brasil movimentaram R$10 bilhões. Foram fechados 52 negócios (anunciados e concluídos), representando uma queda de 39% em relação a janeiro de 2015. Os maiores negócios foram a aquisição da divisão de preservativos da Hypermarcas pela Reckitt Benckiser por R$675 milhões e a venda de 100% da Pantanal Energética pela EDP Energias do Brasil por R$390 milhões. O segmento de Internet e tecnologia forma os que mais registraram operações no mês passado, entre fundos de investimentos em participação – private equity – e em capital de risco – venture capital – com 18 operações realizadas. Para quem planeja no longo prazo, as empresas brasileiras são um ótimo negócio. Escassez de dinheiro interno e externo (alguns fundos saíram do Brasil devido ao rebaixamento do grau de investimento) e a desvalorização do Real (uma das moedas que mais desvalorizou no mundo).”

      Settings

      A new comment was posted on Efagundes.com

      _____

      This comment is awaiting moderator approval.

      _____

      Eduardo Fagundes

      Em janeiro de 2016, as fusões e aquisições no Brasil movimentaram R$10 bilhões. Foram fechados 52 negócios (anunciados e concluídos), representando uma queda de 39% em relação a janeiro de 2015. Os maiores negócios foram a aquisição da divisão de preservativos da Hypermarcas pela Reckitt Benckiser por R$675 milhões e a venda de 100% da Pantanal Energética pela EDP Energias do Brasil por R$390 milhões. O segmento de Internet e tecnologia forma os que mais registraram operações no mês passado, entre fundos de investimentos em participação – private equity – e em capital de risco – venture capital – com 18 operações realizadas. Para quem planeja no longo prazo, as empresas brasileiras são um ótimo negócio. Escassez de dinheiro interno e externo (alguns fu ndos saíram do Brasil devido ao rebaixamento do grau de investimento) e a desvalorização do Real (uma das moedas que mais desvalorizou no mundo). 11:47 a.m., Thursday Feb. 25 | Other comments by Eduardo Fagundes

      Moderate this comment by email

      Email address: eduardo.mfagundes@gmail.com | IP address: 201.87.145.132
      Reply to this email with “Delete”, “Approve”, or “Spam”, or moderate from the Disqus moderation panel.

      _____

      You’re receiving this message because you’re signed up to receive notifications about activity on threads authored by emfagundes.
      You can unsubscribe from emails about activity on threads authored by emfagundes by replying to this email with “unsubscribe” or reduce the rate with which these emails are sent by adjusting your notification settings.

Deixe uma resposta