Autor: Eduardo Fagundes

  • Sensores wireless para medir temperatura e umidade em data centers

    Uma solução para monitorar a temperatura e umidade dos data centers é usar sensores wireless. Essa solução permite centralizar a monitoração de todos os espaços dos prédios, especialmente do data centers que são grandes consumidores de energia e precisam ter temperaturas e umidade controladas. Ocorre que muitas instalações usam diferentes sistemas de automação (BAS – Building Automation System) que apresentam os dados de forma individualizada, dificultando o acompanhamento integrado. Ainda, alguns desses sistemas usam displays que precisam ser lidos e registrados em planilhas pelos técnicos de manutenção. A monitoração integrada através de sensores wireless permite a redução do PUE (Power usage effectiveness), métrica de eficiência energética dos data centers.

    Entre os benefícios dessa tecnologia estão a visualização do desempenho da refrigeração através de software, atender os requisitos de umidade da instalação, minimizar as medições manuais que requerem abertura de tampas do piso, identificar pontos críticos de temperatura, acompanhar o histórico das temperaturas, melhorar o desempenho das manutenções preventivas e acompanhar o PUE em tempo real.

    A figura abaixo mostra a localização dos sensores em um rack para equipamentos em um data center.

    figura-sensores-wireless-remotos-para-medicao-temperatura-e-humidade-v81

    Com a expansão do uso de sensores baseados em IoT (Internet of Things) é possível soluções de excelentes relação custo/benefício.

  • A atual politica de TI brasileira decretará o fim da indústria nacional

    A atual política de importação de bens e serviços, a não participação nas cadeias globais de valor (CGVs), a opção por focar o comércio internacional com parceiros latino-americanos e a não participação do Acordo de Tecnologia da Informação (ATI) decretarão o fim das empresas nacionais. Ao contrário de outros países latino-americanos (México, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai entre outros) que estão estabelecendo acordos bilaterais e aderindo a acordos de comércio internacionais, como a Aliança do Pacífico, o Brasil continua adotando políticas protecionistas com o falso argumento de incentivar a indústria nacional. O fato é que essa política está nos distanciando do nível de competitividade internacional e tirando, completamente, as oportunidades de crescimento da indústria nacional.

    O Brasil perdeu uma posição no ranking mundial do Global Competitiveness Index, publicado pelo Fórum Econômico Mundial em 2015, caindo da 56º para 57º de um total de 144 posições. Em outro índice criado pelo Banco Mundial, o Logistics Performance Index (LPI), o Brasil se comparado a outros países da América Latina, aparece atrás de Chile, México e Argentina. Nosso fraco sistema educacional, ranqueado em 126º entre todos os países, é apontado com um problema por não conseguir capacitar os trabalhadores da forma necessária ao mercado de trabalho.

    Deixar de participar das cadeias globais de valor (CGV) é um risco enorme. Os principais benefícios para quem participa das CGVs são: i) aumento das taxas de crescimento econômico; ii) aumento da inovação e produtividade das empresas; iii) atração de novos investimentos; iv) melhoria de processos, governança e capacitação em novas competências; v) modernização do parque industrial e sofisticação da matriz funcional; e vi) aumento do comércio de bens e serviços. Atualmente, o Brasil em 53 países, ocupa a antepenúltima posição, atrás de Argentina e África do Sul, com um índice de inserção nas cadeias globais de 33%.

    O Brasil não é signatário do Acordo de Tecnologia da Informação (ATI), acordo que elimina tarifas aduaneiras de computadores e acessórios, semicondutores e equipamento para sua fabricação, aparelhos de telecomunicação, aparelhos e instrumento de medida, partes e componentes, com o objetivo de aumentar o comércio e a difusão desses bens. Atualmente, entre os 159 membros da OMC (Organização Mundial do Comércio), 78 participam do ATI, correspondendo a 90% do produto interno bruto (PIB) dos membros da OMC.

    O ATI se diferencia dos demais acordos por beneficia todos os setores da economia, acentua o crescimento e permite a criação de novos produtos. Isso tem fortes implicações sobre a competitividade da economia. Se eliminássemos as restrições às importações de computadores, reduzindo o preço interno, isso estimularia o uso mais intensivo da tecnologia da informação, elevando nossa produtividade e diminuindo os custos e os preços de produtos e serviços. Com isso, todo o processo produtivo se tornaria mais lucrativo. O resultado seria equivalente ao de uma desvalorização real da taxa de câmbio.

    Embora alguns países latino-americanos não sejam signatários do ATI, como o Chile e Uruguai, estabeleceram acordos comerciais com os principais países exportadores. O México adotou uma liberalização unilateral dos produtos de tecnologia da informação por meio do programa ATI-plus, incluindo produtos adicionais aos do ATI.

    O Brasil adota uma política de incentivo a produção doméstica por meio da combinação de tarifa aduaneira e isenção parcial dos impostos indiretos – IPI, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Programa de Integração Social e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (PIS-COFINS). Em contrapartida, as empresas beneficiadas por esses incentivos devem investir 4% do seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento local.

    Para exemplificar, com esses benefícios, um PC produzido no Brasil tem uma proteção nominal contra importações de aproximadamente 50%, o que penaliza os compradores locais. Neste calculo, a tarifa aduaneira é de 16%, contribuindo com apenas um terço da proteção total, enquanto o restante é proporcionado pela isenção dos impostos indiretos.

    As empresas globais que operam no Brasil estão alinhadas com as tecnologias e práticas de negócios internacionais, pois em outros países elas têm acesso fácil e com preços competitivos as novas tecnologias da informação. Ao contrário, a indústria nacional tem difícil acesso às novas práticas de negócios por não participar das cadeias globais de valor e pelo alto custo das tecnologias de informação.

    Esse cenário seria minimizado se pelo menos tivéssemos custos mais acessíveis às tecnologias da informação, permitindo a sofisticação de nossos processos e redução de custos de produção, abrindo novas oportunidades de negócios internos e externos.

    Se não houver uma mudança na politica de tecnologia da informação no Brasil estaremos decretando o fim da indústria nacional.

  • A vulnerabilidade dos sistemas legados está nas pessoas

    foto-desenvolvedor-v81

    Desenvolver sistemas corporativos não é fácil e nem barato. Mais complexo fica quando migramos um sistema legado desenvolvido há muitos anos e com manutenções corretivas e evolutivas pouco documentadas. Devido a isso, muitas empresas assumem o risco de manter os sistemas legados, alegando que em time que esta ganhando não se mexe e, talvez o mais importante, economizando um bom dinheiro.

    Entretanto, um fator que pouco se avalia é necessidade de manter pessoal especializado em tecnologias ultrapassadas, tanto de hardware como de software, para dar suporte aos sistemas legados. A questão não é apenas de treinamento, mas ter experiência nas tecnologias utilizadas no passado. Isso não se adquire após uma sessão de treinamento, mas sim pelos acertos e erros ao longo de anos.

    Muitas tecnologias são cinquentenárias, como é o caso dos mainframes da IBM, e obviamente, uma grande parcela de profissionais que trabalharam no passado desenvolvendo e operando esses sistemas já estão aposentados ou morreram.

    Podemos até tornar essas tecnologias atraentes para os jovens por oferecer salários compensadores, porém temos que ter paciência e assumir alguns erros por falta de experiência.

    Com isso, a vulnerabilidade dos sistemas aumenta de forma exponencial, tanto pela falta de suporte de sistemas operacionais e hardware antigo como pela inexperiência dos jovens programadores. Essa escala de riscos atinge um ponto que pode parar a operação da empresa por uma falha irrecuperável.

    Essa situação se agrava em localidades onde a mão de obra especializada é escassa e existe uma forte dependência de pequenos fornecedores.

    A melhor estratégia é monitorar a capacidade de manutenção dos sistemas legados usando os seguintes parâmetros:

    • Existência de suporte do fornecedor da tecnologia
    • Número de profissionais capacitados na tecnologia
    • Evolução dos salários dos profissionais que dominam essa tecnologia
    • Número de falhas do sistema legado
    • Tempo de indisponibilidade dos processos de negócios por falha nos sistema legados
    • Necessidade de novas funcionalidades dos processos de negócio e esforço de implantação nos sistemas legados
    • Custo de treinamento para capacitar novos profissionais nas tecnologias dos sistemas legados
    • Custo de implantação de sistemas para substituir os sistemas legados.

    Uma migração de sistemas não se faz de um dia para o outro, requer planejamento e recursos financeiros e humanos e, parceiros confiáveis. Se não existir planejamento a empresa terá pelo menos dois custos altos, um pela paralisação dos processos de negócios e outro pela urgência de implantação do novo sistema. Com certeza, devido à pressão e prazo curto o novo sistema não será bem implantado e gerará muitos problemas.

    Concluindo, a melhor alternativa é manter um cronograma de atualização tecnológica e monitoração dos fatores que influenciam o desempenho dos sistemas.

     

  • Como será a liderança nas empresas no futuro?

    foto-jovens-em-reuniao-v81

    Uma pesquisa encomendada pela Saba Software entrevistou 1.000 profissionais de Recursos Humanos e mostrou que 47% acreditam não ter talentos capazes de suprir a carência de executivos de gestão em suas empresas. Dos funcionários entrevistados apenas 11% aspiram um cargo de C-Level. Esses números preocupam porque os atuais executivos da geração Baby Boomer, nascidos na década de 50 e 60, estão se aposentando. Em contraste, quando perguntado aos funcionários da geração Y se eles se consideram líder, 68% afirmaram que sim. Ao que parece, os jovens tem uma boa percepção do que é ser líder e como podem contribuir com a organização. Ter liderança na empresa é a capacidade de influenciar outras pessoas, gerenciar conflitos e capacidade de execução. E isso, não está ligado a cargos de chefia (sic).

    Diferente dos Baby Boomers, os jovens das gerações Y e X, esses últimos nascidos nos anos 80, não pretendem ficar mais de uma década em uma empresa. Eles buscam empresas que valorizem seu trabalho e oriente-os no seu desenvolvimento pessoal. Os cursos atuais de liderança, muitos orientados para Baby Boomers, não cumprem mais seu papel de formação. Os jovens querem aprender da mesma forma que consomem informações da Google, Facebook, Twitter, YouTube e Netflix. Ou seja, acessam quando precisam e dispõem de tempo.

    Se existe uma mudança de comportamento dos jovens perante o trabalho, está em curso um processo de aposentadoria dos mais experientes e o tempo médio de permanência na empresa é menor que uma década, como será a liderança nas empresas no futuro? Ou melhorando a pergunta, como serão as empresas no futuro?

    Embora não tenha uma bola de cristal, aposto na liderança situacional. Ou seja, lideres com habilidades especificas para situações especificas. Por exemplo, quando a empresa precisa desenvolver seu planejamento estratégico deverá contar com líderes com habilidades de visão de longo prazo aguçada, capacidade de análise e criação e seleção de cenários prospectivos. Já o processo de implantação da estratégia serão necessários líderes com foco no resultado definido e capacidade, habilidade de gerenciar conflitos e remover paradigmas. Uma vez implantada a estratégia, entra em cena líderes com perfil para tocar os processos e lidar com a mão de obra operacional.

    Uma organização baseada em lideranças situacionais aloca recursos por demanda, reduzindo as despesas operacionais e permite trabalhar com os melhores profissionais do mercado. Esse modelo de organização reduz os riscos do turnover de pessoal e atende as expectativas dos jovens de desafios constantes.