Autor: Eduardo Fagundes

  • Buscando o significado dos dados

    Mais de 80% dos dados de uma empresa não são estruturados. Isso engloba conversas telefônicas, mensagens de voz, e-mails, documentos eletrônicos, documentos em papel, imagens, páginas web, vídeo e centenas de outros formatos. Investem-se milhões de reais em sistemas para estruturar 20% dos dados e, muitas vezes, as decisões empresariais são tomadas apenas analisando os dados estruturados.

    Felizmente, as coisas estão mudando. As novas tecnologias de big data estão conseguindo capturar e converter os dados estruturados e não estruturados em informações úteis para as empresas. Baseado na análise de pentabytes de dados é possível identificar padrões e melhorar as tomadas de decisão.

    Dentro deste contexto, qual o perfil dos novos profissionais das empresas, incluindo os profissionais de TI. No modelo tradicional, os analistas de sistemas transformavam o mundo real em dados estruturados. No novo modelo, os analistas devem interpretar e buscar o significado dos dados para produzir informação útil para as empresas. O novo perfil de profissional deve ser criativo e flexível para perceber e entender o significado dos dados.

    A tecnologia de Big Data trará uma grande vantagem competitiva para as empresas que conseguirem dispor de grandes quantidades de dados para analisar, tecnologia e pessoal capacitado para entender o significado e padrões de dados. Essa tecnologia permite que os executivos vejam os fatos no para-brisa do carro e não mais pelo retrovisor.

    Big data é uma tecnologia revolucionária. Permitirá que as empresas criem novos produtos e aperfeiçoem os produtos atuais nos mercados que atuam. Por ser uma tecnologia nova e requerer grande poder computacional, gigantescos sistemas de armazenamento de dados e complexidade de uso, ela só está disponível para grandes empresas.

    As empresas que dominarem mais rapidamente essa tecnologia e enxergando a Internet como um grande repositório de dados, incluindo blogs e redes sociais, terá a oportunidade de descobrir padrões de comportamento em mercados onde não atuam. Com isso poderão desenvolver produtos e serviços para outros mercados desbancando as empresas já estabelecidas.

    Acredito que com o tempo essa tecnologia esteja acessível para outras empresas de menor porte com custos mais vantajosos. Entretanto, o grande desafio será preparar as pessoas para entender o significado dos dados, fazer as perguntas certas e tomar as decisões adequadas.

    Veja a entrevista com o Dr. Mike Lynch da Autonomy, empresa adquirida pela HP, que tem uma poderosa ferramenta de análise de dados estruturados e não estruturados.

  • Inovação disruptiva

    Aprenda mais sobre inovação: [ vídeos ]

    As empresas devem ter estratégias para a inovação em diferentes níveis: produto; segmento que atua; novos mercados; e, da própria empresa. Existem dois tipos de inovação: sustentação (evolutivo e revolucionário); e, a disruptiva. Algumas pessoas associam a inovação com a tecnologia, porém muitas vezes a tecnologia é apenas um meio para a inovação. As inovações evolutivas e revolucionárias não afetam os mercados existentes. A inovação disruptiva cria um novo mercado, aplicando um conjunto diferente de valores que de alguma forma afetará os mercados existentes. O desafio é prever quando uma inovação disruptiva irá afetar o seu mercado consumidor.

    A inovação disruptiva (melhor do que o termo tecnologia disruptiva) gera uma perturbação no mercado. As inovações de sustentação são tipicamente baseadas em tecnologia, enquanto as disruptiva são baseadas na comercialização. Por exemplo, o automóvel era uma tecnologia revolucionária, mas não era uma inovação disruptiva, pois não afetou o mercado dos veículos puxados a cavalo, pois eram caros demais e de produção limitada. A inovação disruptiva foi o modelo de produção em massa de automóveis idealizada por Henry Ford  tornou os automóveis baratos e acessíveis às pessoas que tinham veículos puxados a cavalo.

    A inovação disruptiva, termo cunhado por Clayton Christensen, descreve um processo pelo qual um produto ou serviço começa por aplicações simples, na parte inferior de um mercado e, progressivamente, se move para “acima do mercado”, acabando por deslocar ou eliminar concorrentes estabelecidos.

    Uma inovação disruptiva permite que uma população totalmente nova de consumidores tenha acesso a um produto ou serviço que foi historicamente apenas acessível aos consumidores de alto poder aquisitivo e com muita habilidade para usá-los.

    As características das empresas disruptivas, pelo menos em seus estágios iniciais, podem incluir: reduzir as margens brutas; mercado alvo menor; e, produtos e serviços mais simples que podem não parecer tão atraente como as soluções existentes, quando comparados com indicadores de desempenho tradicionais. Porém, com o tempo os produtos ou serviços são aperfeiçoados e ganham novos mercados.

    As empresas já estabelecidas em determinados mercados tendem a inovar mais rápido do que a mudança de comportamento de seus clientes, produzindo produtos ou serviços caros demais e até inconvenientes para muitos clientes. Isso ocorre porque essas empresas estão apenas perseguindo a “inovação de sustentação”, tentando perpetuar o sucesso histórico de seus produtos. Entretanto, acabam deixando a porta aberta para novas empresas disruptiva.

    A ideia corrente é uma empresa é boa quando seus produtos superam, tecnologicamente, seus concorrentes. Christensen e seus colegas mostraram que essa ideia está errada. Eles mostraram que as boas empresas estão, geralmente, cientes das inovações, mas o seu ambiente de negócios não permite implantá-las, porque não são suficientemente rentáveis no início e o seu desenvolvimento perde recursos para as inovações sustentáveis.

    Christensen define uma inovação disruptiva como soluções tecnologicamente simples, usando componentes de prateleira em uma arquitetura de produto mais simples que os existentes. Os produtos têm menos recursos que os oferecidos aos clientes de mercados estabelecidos, embora muitos deles fossem raramente utilizados.  As inovações disruptivas oferecem um pacote diferente de atributos validos para mercados emergentes e sem importância nos mercados estabelecidos.

    A indústria de computadores sofreu várias ondas de inovação disruptiva. A primeira foi a substituição dos mainframes por minicomputadores. A segunda onda, a substituição dos minicomputadores por computadores pessoais. A terceira onda está começando com os tablets. Os sistemas operacionais também estão provocando novas perturbações no mercado. As tecnologias de virtualização e computação em nuvem (Cloud Computing) estão provocando mudanças no mercado, permitindo que várias aplicações somente disponíveis para grandes empresas possam ser utilizadas por pequenas e médias empresas.

    Assista a entrevista com Clayton Christensen para a Harvard Business.

  • A inovação é o principal motivo para a transformação de RH

    A área de recursos humanos deve criar contextos organizacionais para fomentar a criatividade e inovação dos funcionários, contratar certo e aperfeiçoar as pessoas para o crescimento e transformação dos negócios em linha com a estratégia da empresa.  Estamos vivendo uma época entusiasmante, marcada pela luta entre a sociedade executiva que morre e a sociedade criativa que se afirma, segundo Domenico de Masi.

    As barreiras organizacionais desencorajam o esforço de desafiar o obvio, criam resistência às mudanças, cultiva o medo do risco, alimentam as picuinhas burocráticas, provocam a falta de gratificação aos inovadores, inibem os gerentes capazes de desencavar e implementar ideias novas. Segundo Peter Ducker, a criatividade não anda escassa, o que acontece é que a maioria das organizações se esforça para acabar com ela.

    Dentro desse contexto, acredito que a principal motivação para a transformação das áreas de recursos humanos é a busca da criatividade e inovação nas empresas.

    David Ulrich, um dos mais renomados gurus de recursos humanos e liderança, expõe em seu livro “HR Transformation” que existem quatro fases para executar um plano de transformação: O motivo; o que esperar; como fazer; e, quem irá fazer. Segundo Ulrich, o processo de transformação deve ser integrado e amplo. Implementar apenas algumas “boas práticas” de negócios não é o suficiente para garantir a transformação. (veja o vídeo de David Ulrich sobre seu livro).

    Em minha opinião, o principal motivo para a transformação é a inovação para garantir que a empresa tenha entropia suficiente para criar novos cenários de negócios e a capacidade de executar a estratégia para atingir os objetivos empresariais no curto, médio e longo prazo.

    O resultado esperado são produtos e serviços inovadores de larga aceitação para os atuais clientes e capazes de atrair novos clientes de outros mercados, dentro de um clima organizacional propicio para a criatividade e inovação. Isso envolve atrair e reter os melhores talentos do mercado, ajudar a criar condições para escutar seus anseios e ideias e com critério e transparência executar as melhores propostas.

    A execução da estratégia de transformação é o maior desafio. Planejamento, disciplina, liderança e autoridade para remover os obstáculos culturais são os fatores críticos de sucesso. A alta direção da empresa deve oferecer apoio incondicional ao líder do processo. O esforço será recompensado com o surgimento de uma organização de alta performance.

    A pessoa que for indicada para executar o plano deve, em primeiro lugar, estar no mesmo nível hierárquico dos principais executivos da empresa. Isso irá evitará que outras prioridades prejudiquem o projeto. A pessoa escolhida deve ter forte liderança e influência na organização. Deve ter foco e capacidade acima da média para executar projetos desafiadores.

    A inovação é a chave para a sustentabilidade organizacional.

  • A crescente influência do Social-commerce

    Social-commerce envolve o uso de mídias sociais através da Internet para ajudar na compra e venda de produtos e serviços. É fato que a recomendação de amigos tem grande influência na decisão de compras. Através de ferramentas de colaboração, como fóruns de discussão, os usuários de redes sociais publicam comentários e pedem conselhos de pessoas de confiança para orientá-los nas compras. Algumas ferramentas permite fazer ranking de produtos onde os melhores classificados ganham poder sobre outros.

    Atualmente, as empresas não podem deixar de monitorar as redes sociais para acompanhar os comentários publicados sobre sua marca e reagir, imediatamente, em caso de comentários negativos.

    Uma manifestação de social-commerce é uma mania de adolescentes americanas que depois de um dia de compras fazem comentários dos produtos e serviços adquiridos e seus preços, conhecido como haul video ou video hauling. Raramente, esses vídeos fazem comentários negativos sobre as marcas. No final de 2010, quase 250 mil vídeos desse gênero tinha sido publicados no YouTube. Alguns vídeos atingem dezenas de milhões de visitas. Muitos adolescentes e adultos (principalmente mulheres) narram compras de cosméticos, acessórios e sapatos. Elizabeth “Blair” Fowler, através do seu canal no YouTube recebeu mais de 140 milhões de visitas até 2010.
    [ http://bit.ly/GVMRw1 ]

    A Heineken produziu uma divertida série de vídeos para o YouTube que recebeu milhares de visitas, mesmo daqueles que não apreciam cerveja participaram.
    [ http://bit.ly/HenIBY ]

    Uma iniciativa inédita na área de social-commerce foi o serviço da KLM, empresa área holandesa, que reúne amigos do Facebook e contatos no Linkedin em seus voos – KLM Meet & Seat [ http://bit.ly/Hes4cn ]. Outra iniciativa da KLM foi descobrir as preferências de alguns passageiros e oferecer um presente relacionado antes do embarque.

    As empresas estão descobrindo que podem se aproximar de seus consumidores através de ações de social-commerce e ganhar, gradativamente, vantagem competitiva. Um cuidado necessário é definir novas métricas para avaliar o resultado dessas campanhas de marketing. Não podemos utilizar as métricas “antigas” para negócios inovadores, pois corremos o risco de acabar com o negócio antes de conseguir os primeiros resultados positivos.

    Tamanho é o impacto do Facebook nas redes sociais que existem algumas referências de f-commerce, facebook-commerce, porém é mais serviço que oferece ferramentas de social-commerce. Entretanto, devido ao grande número de usuários passa a ter forte influência no mercado.

    Segue um vídeo resumido o Web Expo Fórum de 2012 com alguns depoimentos sobre social-commerce, incluindo minha participação.