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  • A Globalização Revisada

    Orquestrar a inovação e o desenvolvimento de novos mercados são fatores críticos de sucesso para as empresas nos dias atuais. Já foi a época em que as empresas globais desenvolviam produtos de forma centralizada e os distribuíam para o mercado internacional. Hoje, o sucesso está em identificar uma inovação em um mercado e usá-la em mercados similares em outras regiões. Muitas inovações desenvolvidas em países emergentes, adequadas à realidade local, estão sendo utilizadas em países desenvolvidos criando novos mercados nesses países.

    O velho ditado brasileiro “se é bom para os Estados Unidos é bom Brasil” já não vale mais. Temos que transformá-lo em “o que é bom para o Brasil é bom para um novo mercado nos Estados Unidos”. Querer competir no exterior com produtos em mercados já estabelecidos é um erro em minha opinião. Devemos buscar mercados similares aos nossos e desenvolver novos mercados nessas regiões. Isso aumentará a produção da nossa indústria e a exportação. Trará uma redução dos custos de produção que poderá desenvolver novos mercados no país.

    O professor Vijay Govindarajan, em seu livro “Reverse Innovation”, descreve o fenômeno que inovações desenvolvidas em países pobres estão sendo adotadas em países ricos criando novos mercados. É errado afirmar que os produtos de mercados emergentes são de baixa qualidade, eles foram desenvolvidos para a realidade local com funcionalidades e custos apropriados. O que se descobriu é que esses produtos podem ser comercializados em países ricos em mercados onde os produtos já estabelecidos não tinham penetração por serem de difícil utilização e caros. Produtos mais simples de operar e mais baratos podem ser utilizados por mais pessoas e com o tempo esses produtos acabam perturbando os mercados já estabelecidos.

    As empresas mais atentas a essas mudanças no mercado global já descentralizaram seus centros de pesquisa e desenvolvimento para criar produtos orientados aos mercados locais e passam a localizar outros mercados de características similares para comercializar esses produtos, orquestrando a distribuição e produção de novos produtos.

    No Brasil, participei do lançamento do Ecosport da Ford, uma SUV de valor mais baixo que as importadas que criou um novo mercado de pessoas que desejavam uma SUV, porém não tinham acesso devido ao de alto custo. O Ecosport teve sucesso no México, Argentina e outros países com mercados similares. A próxima onda no mercado automobilístico será o lançamento no Brasil do carro de US$2.000 indiano. Esse carro deve criar um novo mercado para pessoas com poder aquisitivo similar aos indianos.

    Beth Comstock, vice-presidente da GE, comentou que existem três elementos importantes na pesquisa e desenvolvimento de produtos de forma descentralizada: liderança, recursos e accountability (ser responsável). A GE é famosa por sua capacidade de se reinventar constantemente combinando eficiência e skill. Seus produtos são reorientados para diferentes mercados para atender as expectativas e realidade dos mercados locais.

    Veja a entrevista de Vijay Govindarajan da Dartmouth College e Beth Comstock da GE no evento The Economist’s Ideas Economy: Innovation 2012. Interessante os exemplos das próteses de pernas para elefantes na Tailândia e do fiasco da Kellogg’s na Índia.

  • Uma ciência para construir times de alto desempenho

    Segundo o professor Alex “Sandy” Pentland do MIT a boa comunicação dentro e fora das equipes é o fator chave para o seu desempenho. Ele apontou três elementos chaves que afetam a comunicação nas equipes: energia, engajamento e exploração. Sendo a formação de equipes uma ciência é possível ensinar as pessoas a superarem obstáculos e tornarem as equipes altamente produtivas.

    O professor desenvolveu um badge (crachá) para capturar mais de 100 pontos de dados por minuto sobre o comportamento de comunicação individual, medindo a interação entre as pessoas, o tom de voz, seus diálogos, os gestos, a capacidade para escutar e de interromper e até mesmo os níveis de extroversão e empatia. Esse processo é conhecido como sociometria.

    Comparando os dados individuais dos membros de uma equipe é possível identificar seu padrão de comunicação e avaliar o seu desempenho.  Um dado interessante observado é que o raciocínio e talento individual pouco contribuem para o sucesso do grupo. Isso mostra que para formar uma equipe vencedora além da inteligência e realizações individuais é necessário avaliar seu padrão de comunicação quando elas estiverem reunidas. Isso determinará se a equipe terá sucesso.

    O primeiro fator que afeta a comunicação é a energia na interação entre as pessoas. A forma mais valiosa é comunicação face a face, depois a comunicação por telefone e videoconferência, embora a comunicação fique prejudicada com muitos participantes. A pior forma de comunicação é por e-mail e mensagens de texto.

    O segundo fator é o engajamento das pessoas da equipe, refletindo na distribuição de energia entre os membros da equipe. Se todos os membros tiverem energia relativamente igual, o engajamento será extremamente forte. Quando alguns membros têm muita energia e outros não a equipe não funciona.

    O terceiro fator é a exploração, que é como os membros das equipes se engajam fora de suas equipes, ou seja, é a interação entre membros de diferentes equipes.

    Criar um ambiente para as pessoas se socializarem é extremamente importante. Alguns estudos do professor mostraram que mais de 50% das mudanças positivas nos padrões de comunicação ocorreram em situações sociais. Quando se fala em situações sociais não significa promover eventos sociais, mas sim criar condições dentro ou fora da empresa para as pessoas se comunicarem de maneira informal, como mais lugares para o “cafezinho”.

    Os padrões de comportamento são extremamente importantes em projetos de inovação. A fase inicial do programa de inovação que desenvolvo nas empresas é motivar a plena comunicação e engajamento entre as pessoas e as equipes. (veja http://bit.ly/I5R6r0)

    O professor imagina um cenário onde todos os funcionários de uma empresa passassem a utilizar os badges para capturar informações e a partir de tecnologias de Big Data encontrar os padrões de comunicação da empresa e trabalhar para a sua melhoria.

    Veja a entrevista com o professor Alex “Sandy” Pentland do MIT para a Harvard Business Review.

  • Encontre o sucesso aprendendo com os equívocos

    Para se aprender com os equívocos e criar projetos de sucesso é preciso ariscar. Infelizmente, poucas empresas já estabelecidas e com mercados bem definidos e lucrativos apostam em projetos inovadores que embutem um certo risco. Normalmente, são empresas pouco tolerantes a equívocos. Entretanto, é testando novos produtos e criando práticas de negócios alternativos é que se aprende e se encontra o sucesso.

    Evitei utilizar a palavra erro para não criar confusão com falha. Gosto do conceito de equívoco que diz que é uma decisão, uma ação ou um julgamento que resulta em algo menor que o esperado com as informações que se tinha até aquele momento.

    Quando se trabalha com inovação para mercados pouco conhecidos é difícil prever os resultados. Se adotarmos os mesmos conceitos de sucesso para mercados conhecidos e produtos de inovação de sustentação podemos nos equivocar e abortar projetos de inovação que poderão alcançar o sucesso.

    Por essa razão é importante ter um processo de avaliação diferenciado para projetos inovadores, criando métricas diferentes das estabelecidas pela empresa. Um exemplo típico é a taxa de retorno de um investimento (ROI). Tentar aplicar o ROI para produtos inovadores pode levar a um equívoco, pois poderá não identificar outras oportunidades em novos mercados que possam ser exploradas.

    Algumas empresas criam operações desvinculadas da empresa estabelecida para lançar produtos inovadores, principalmente com tecnologia disruptiva. Existe a terceirização da inovação, empresas que são criadas para desenvolver inovações disruptivas com financiamento de capital de risco, que mais tarde são absorvidas pelas empresas estabelecidas. Alguns financiamentos de risco são realizados pelas empresas já estabelecidas.

    Para se aprender com os equívocos é necessário criar um ambiente diferenciado que reconheça as pessoas que tentam acertar e aprendem com seus equívocos. Para isso é necessário criar novos conceitos de avaliação de resultados.

    Veja a entrevista de Paul J. H. Schoemaker sobre o seu livro “Brilliant Mistake”.

  • Marissa Mayer, a mulher da Google.

    Essa reportagem sobre Marissa Mayer, Vice-presidente da Google, traz alguns pontos interessantes.

    Ela comenta que a tecnologia dos motores de busca para recuperação de informações ainda está na fase inicial, assim como a física em 1600 ou a biologia em 1800. A quantidade de informações cresce dramaticamente, em 1991 existiam 10 website, hoje existem 582 milhões. A formas de informação estão se multiplicando e a capacidade de pesquisa deve acompanhar as novas formas de mídia.

    O vídeo é a forma que mais cresce na Internet e os motores de pesquisa devem acompanhar esse tendência. A busca por voz, que não existia há alguns anos, agora representa quase 25%  em dispositivos Android. A partir de junho do ano passado, a Google recebe mais tráfego do Google Maps no celular do que no desktop.

    Um dos mais novos produtos da Google, lançado em novembro, traz a tecnologia de mapeamento para dentro de grandes varejistas e edifícios, incluindo o layout interno.

    Marissa comenta que gosta de trabalhar com pessoas inteligentes porque elas fazem você pensar em coisas mais difíceis. Seu desafio é trabalhar em assuntos que não está totalmente preparada, pois isso a motiva  e quando consegue finalizar e uma evidência que teve um grande avanço. Importante também, é trabalhar com pessoas que acreditam em você. Atualmente, Marissa Mayer é considerada uma das mulheres de negócios mais influentes do mundo.

    Assista a entrevista.