Categoria: inovação

  • A necessidade de reinvenção dos serviços de telecomunicações

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    A conexão de redes privadas de dados usando servidores de nomes de domínios (DNS) para identificar serviços em diferentes redes foi uma grande evolução nas telecomunicações, criando o conceito de Internet. Porém, a grande revolução foi os serviços criados usando o conceito e a infraestrutura da Internet. A primeira e grande inovação foi o Skype, serviço gratuito de comunicação de voz que além de conectar milhões de pessoas no mundo criou um novo conceito para a telefonia mudando o comportamento das pessoas. A Netflix mudou o conceito de assistir filmes na televisão. O WhatsApp mudou o conceito de comunicação entre usuários de celulares. O Twitter mudou o conceito de jornalismo com informações instantâneas. O Facebook mudou a forma de relacionamento entre as pessoas. Tudo isso graças a infraestrutura dos provedores de telecomunicações que investiram bilhões de dólares na aquisição de licenças púbicas, equipamentos, softwares complexos e pessoas especializadas, além de terem se comprometido em contrato com várias metas de inclusão social com o governo. Entretanto, quem ganha dinheiro de forma exponencial são as empresas que criam aplicativos usando quase que gratuitamente a infraestrutura dos provedores de telecomunicações. Antes protagonistas, agora coadjuvantes no cenário tecnológico.

    O ciclo de mudança de comportamento dos consumidores está quase se concluindo. Ainda existe pessoas que usam os serviços tradicionais de telefonia, assistem canais abertos e serviços de televisão por assinatura convencionais. Ainda existem empresas que mantém serviços 0800 e números de telefones locais para atendimento aos seus clientes, gerando enormes custos operacionais tanto para elas como para seus clientes. Imagine o custo total de telefone que os clientes pagam para acessar serviços dos bancos, cartões de crédito e serviços de televisão por assinatura. Concluindo esse ciclo, os provedores de telecomunicações poderão entrar em colapso se não se reinventarem.

    Os grandes provedores já se deram contam disso e estão operando seus próprios serviços de streaming de vídeo, televisão por assinatura e serviços de Data Centers. Porém, são serviços copiados do mercado e altamente vulneráveis como modelo de negócio.

    O aluguel da rede de telefonia móvel para outras empresas criarem serviços móveis virtuais (MVNO) maximiza o uso da rede, porém abre novas oportunidades de serviços para novos entrantes com aplicações OTT (over the top). Um exemplo é a empresa de seguros Porto Seguro que criou uma MVNO e usa para monitorar o comportamento dos motoristas na direção e localização dos veículos.

    Os provedores de telecomunicações devem fortalecer seus atributos de valor únicos, como proximidade aos clientes e garantia de serviço (QoS) da sua rede. Assistir o Netflix pela Internet pode ser prejudicado pelo alto tráfego da Internet, uma chamada do WhatsApp pode ter voz metalizada dependendo do tráfego, a imagem do Skype pode congelar dependendo da qualidade da rede. Todos esses problemas podem ser resolvidos com o uso de aplicativos próprios “dentro da rede” do provedor de telecomunicações. Entretanto, para isso se viabilizar a qualidade do atendimento deve ser premium.

  • A Convergência da IT e OT (Operational Technology)

    As tecnologias de Big Data e Internet of Things (IoT) transformarão o chão de fábrica e a operação das empresas. O Big Data é capaz de integrar sistemas proprietários SCADA, software de monitoração e supervisão de controladores remotos, e permitir análises e correção de erros em tempo real (self-healing). Os sistemas proprietários serão substituídos por dispositivos IoT que enviarão dados em intervalos de milissegundos para análise em tempo real usando Big Data. Essas tecnologias, associadas às tecnologias de comunicação de dados, permitirão o controle total das operações de uma empresa.

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    Não existem dúvidas que os sistemas corporativos (ERP) irão migrar para ambientes de computação em nuvem (Cloud Computing). Os próprios fornecedores de software para ERP estão migrando seus ambientes para Cloud Computing e criando novos serviços para assegurar sua robustez e alta disponibilidade, o MCaaS, Managed Cloud as a Services. A SAP está certificando vários parceiros para operar os sistemas em Cloud Computing para seus clientes. Esses sistemas poderão ser executados em qualquer data center, com segurança, utilizando as melhores práticas de gestão, incluindo planos de contingência (DRP).

    Entretanto, operar em tempo real processos complexos de manufatura do chão de fábrica requer proximidade do processamento e uma rede local confiável, redundante e sem latência. Por maior que tenham sido os avanços na área de telecomunicações, ainda existem pontos de vulnerabilidade importantes quando analisamos uma WAN (Wide Area Network), uma rede de longa distância. Como, por exemplo, o rompimento de uma fibra ou falha em um equipamento crítico de rede.

    Neste contexto, os data center industriais localizados dentro das plantas de manufatura ou de centros de distribuição são componentes chaves para a eficiência e operação dos processos. Arisco dizer que a complexidade da sua arquitetura e de seus sistemas são maiores que dos ambientes de sistemas corporativos.

    Em sistemas de missão-crítica, como os sistemas de chão de fábrica (shop-floor), não existe margem para erros. Uma transação com defeito pode danificar os produtos ou colocar a vida de trabalhadores em risco. Se o dispositivo de controle de pressão de uma caldeira não for acionado corretamente existe o risco de explosão.

    A complexidade das plantas de manufatura e a necessidade de operação ininterrupta (24×7) exigem processos altamente automatizados, sem interferência humana. Esse ambiente de processamento requer profissionais com profundos conhecimentos de processos de manufatura, engenharia de produto, robótica, automação, arquitetura de sistemas de missão-crítica e data centers industriais. O que difere da formação tradicional de programadores e analistas de sistemas, normalmente, orientados a processos corporativos.

    Essa necessidade acabou criando outra organização de TI dentro da empresa, conhecida como OT (Operational Technology), muitas vezes não reconhecida pela TI Corporativa e vista como uma organização paralela e não oficial. Entretanto, acordos de convivência entre IT e OT sempre funcionaram, pois a OT era quase que apartada da TI corporativa.

    Entretanto, o cenário agora mudou. A OT precisa adotar práticas de segurança cibernéticas mais sofisticas devido a alta automação dos processos e tem que adotar tecnologias de Big Data, IoT e ferramentas analíticas sofisticadas para análise de dados em tempo real. Por outro lado, as informações do chão de fábrica em tempo real são essencial para a TI Corporativa no relacionamento com clientes e processos de logística.

    Esse é o momento da integração da IT/OT nas organizações. Essa integração construíra sistemas de monitoração e controle sofisticados como o apresentado na figura abaixo, com a integração de sistemas SCADA e de dispositivos IoT em Big Data para análise em tempo real. A metodologia de melhoria contínua Six-Sigma assume um novo patamar, sendo possível o uso de grandes quantidades de dados para suas análises e definição de novos processos.

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    A convergência de IT/OT trás novas e amplas possibilidades de inovação, eficiência organizacional, redução de custos e satisfação dos clientes.

    Um componente novo nesse ambiente é a autoprodução de energia a partir de fontes renováveis. Os custos e a escassez de energia para atender as demandas das fábricas e, ao mesmo, tempo reduzir as emissões de gases do efeito estufa está viabilizando a construção de plantas de geração exclusivas para atender as fábricas e outros prédios das empresas. Como fez o grupo Honda que criou a Honda Energy do Brasil, investindo R$100 milhões em um parque eólico de 27MW em Xangri-Lá (RS) para abastecer sua fábrica no Sumaré e reduzindo a emissão de 2,2 mil toneladas de CO2 por ano (veja a foto abaixo). A energia é gerada no Rio Grande do Sul e através das linhas de transmissão do sistema integrado brasileiro chega até São Paulo.

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    Trabalhei durante 20 anos na indústria automobilística na área de TI e nos últimos 10 anos dedicados à indústria de energia. Sou professor de Big Data, Engenharia de Software e Gestão de Risco na pós-graduação da Universidade Mackenzie (SP) e professor de Projetos de Socioambientais do MBA da FIAP (SP). Como consultor, trabalho em projetos de IT/TO usando os conceitos e tecnologias apresentadas neste artigo.

  • Inovação disruptiva, a solução para a indústria nacional

    Infelizmente, os indicadores mostram a primarização da nossa economia, ou seja, nossa indústria está regredindo e o agronegócio se consolida como o principal motor de exportação. A crise que assola o Brasil provocado, segundo alguns especialistas, pela dosagem equivocada de subsídios a indústria e ao forte incentivo ao consumo desestabilizou a economia. Essa crise chegou no momento onde a economia internacional começa a se recuperar e pega nossa indústria sem capacidade de competir no cenário internacional. Isso nos tira das grandes cadeias globais de fornecimento, deixando nossa indústria isolada do resto do mundo. O problema é agravado pelos altos impostos de importação de máquinas e equipamentos. O cenário dos nossos parceiros tradicionais, exceção dos Estados Unidos, não é muito animador. A Argentina e Venezuela estão em crise e nossos vizinhos na América Latina estão fazendo acordos bilaterais para impulsionar suas economias. O Chile e Peru aderiram ao acordo Trans-Pacífico de livre comércio. O Uruguai adota políticas mais flexíveis para empresas internacionais usando sua ZPE (zona de processamento de exportações) e o Paraguai atrai novos investimentos com energia barata gerada em Itaipu. A boa notícia é que ainda temos um mercado de mais de 200 milhões de habitantes, consumidores que experimentaram o prazer do consumismo e urgência em aumentar a produtividade no campo com melhorias na infraestrutura para escoar a produção e novas tecnologias para o agronegócio.

    Concordando com esse cenário, a única alterativa para a nova indústria é investir em inovações disruptivas. É necessário reinventar os produtos para substituir os itens importados de alto custo com funcionalidades similares de baixo custo.

    A redução da capacidade de compra dos consumidores cria uma enorme demanda reprimida por itens de consumo do mercado internacional. Ofertas similares de baixo custo, certamente, encontrarão consumidores dispostos a comprar.

    Sei que é uma solução amarga, pois estaremos adotando um modelo que Japão, China e Coréia do Sul usaram décadas atrás e se mostrou eficiente no longo prazo. A Índia vem praticando esse modelo há algum tempo e os primeiros resultados começam a aparecer. Talvez, a Índia devesse ser o nosso principal parceiro tecnológico.

    Temos uma grande vantagem que os países que adotaram essa estratégia não tiveram. Nossa indústria de tecnologia da informação está bem avançada, permitindo embarcar tecnologias de conectividade nos produtos, Internet of Things por exemplo, reduzindo a diferença de funcionalidades dos produtos mais sofisticados.

    Sugiro que ao invés de ficarmos esperando uma solução milagrosa do governo para sairmos da crise, os empresários deveriam se unir para definir uma estratégia disruptiva para a nossa indústria.

  • A atual politica de TI brasileira decretará o fim da indústria nacional

    A atual política de importação de bens e serviços, a não participação nas cadeias globais de valor (CGVs), a opção por focar o comércio internacional com parceiros latino-americanos e a não participação do Acordo de Tecnologia da Informação (ATI) decretarão o fim das empresas nacionais. Ao contrário de outros países latino-americanos (México, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai entre outros) que estão estabelecendo acordos bilaterais e aderindo a acordos de comércio internacionais, como a Aliança do Pacífico, o Brasil continua adotando políticas protecionistas com o falso argumento de incentivar a indústria nacional. O fato é que essa política está nos distanciando do nível de competitividade internacional e tirando, completamente, as oportunidades de crescimento da indústria nacional.

    O Brasil perdeu uma posição no ranking mundial do Global Competitiveness Index, publicado pelo Fórum Econômico Mundial em 2015, caindo da 56º para 57º de um total de 144 posições. Em outro índice criado pelo Banco Mundial, o Logistics Performance Index (LPI), o Brasil se comparado a outros países da América Latina, aparece atrás de Chile, México e Argentina. Nosso fraco sistema educacional, ranqueado em 126º entre todos os países, é apontado com um problema por não conseguir capacitar os trabalhadores da forma necessária ao mercado de trabalho.

    Deixar de participar das cadeias globais de valor (CGV) é um risco enorme. Os principais benefícios para quem participa das CGVs são: i) aumento das taxas de crescimento econômico; ii) aumento da inovação e produtividade das empresas; iii) atração de novos investimentos; iv) melhoria de processos, governança e capacitação em novas competências; v) modernização do parque industrial e sofisticação da matriz funcional; e vi) aumento do comércio de bens e serviços. Atualmente, o Brasil em 53 países, ocupa a antepenúltima posição, atrás de Argentina e África do Sul, com um índice de inserção nas cadeias globais de 33%.

    O Brasil não é signatário do Acordo de Tecnologia da Informação (ATI), acordo que elimina tarifas aduaneiras de computadores e acessórios, semicondutores e equipamento para sua fabricação, aparelhos de telecomunicação, aparelhos e instrumento de medida, partes e componentes, com o objetivo de aumentar o comércio e a difusão desses bens. Atualmente, entre os 159 membros da OMC (Organização Mundial do Comércio), 78 participam do ATI, correspondendo a 90% do produto interno bruto (PIB) dos membros da OMC.

    O ATI se diferencia dos demais acordos por beneficia todos os setores da economia, acentua o crescimento e permite a criação de novos produtos. Isso tem fortes implicações sobre a competitividade da economia. Se eliminássemos as restrições às importações de computadores, reduzindo o preço interno, isso estimularia o uso mais intensivo da tecnologia da informação, elevando nossa produtividade e diminuindo os custos e os preços de produtos e serviços. Com isso, todo o processo produtivo se tornaria mais lucrativo. O resultado seria equivalente ao de uma desvalorização real da taxa de câmbio.

    Embora alguns países latino-americanos não sejam signatários do ATI, como o Chile e Uruguai, estabeleceram acordos comerciais com os principais países exportadores. O México adotou uma liberalização unilateral dos produtos de tecnologia da informação por meio do programa ATI-plus, incluindo produtos adicionais aos do ATI.

    O Brasil adota uma política de incentivo a produção doméstica por meio da combinação de tarifa aduaneira e isenção parcial dos impostos indiretos – IPI, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Programa de Integração Social e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (PIS-COFINS). Em contrapartida, as empresas beneficiadas por esses incentivos devem investir 4% do seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento local.

    Para exemplificar, com esses benefícios, um PC produzido no Brasil tem uma proteção nominal contra importações de aproximadamente 50%, o que penaliza os compradores locais. Neste calculo, a tarifa aduaneira é de 16%, contribuindo com apenas um terço da proteção total, enquanto o restante é proporcionado pela isenção dos impostos indiretos.

    As empresas globais que operam no Brasil estão alinhadas com as tecnologias e práticas de negócios internacionais, pois em outros países elas têm acesso fácil e com preços competitivos as novas tecnologias da informação. Ao contrário, a indústria nacional tem difícil acesso às novas práticas de negócios por não participar das cadeias globais de valor e pelo alto custo das tecnologias de informação.

    Esse cenário seria minimizado se pelo menos tivéssemos custos mais acessíveis às tecnologias da informação, permitindo a sofisticação de nossos processos e redução de custos de produção, abrindo novas oportunidades de negócios internos e externos.

    Se não houver uma mudança na politica de tecnologia da informação no Brasil estaremos decretando o fim da indústria nacional.