Social Manufacturing: a inovação disruptiva na indústria

O modelo colaborativo de desenvolvimento de produtos e manufatura não é novidade. As montadoras de automóveis e aviões praticam isso há décadas. A novidade é que as sofisticadas ferramentas de desenvolvimento estão disponíveis na Internet, no modelo de SaaS (Software as a Service) no ambiente de computação em nuvem. Isso permite que um empreendedor com o seu notebook possa desenvolver um produto, fazer um protótipo rápido através de uma impressora 3D, negociar componentes e preços com fornecedores online, contratar a produção, vender e distribuir seu produto para seus clientes que compraram através da Internet. O social manufacturing é democratização da indústria, uma inovação disruptiva na indústria.

Os processos de manufatura vêm evoluindo desde a época de Henry Ford. Passaram pela automação, a migração das fábricas para a Ásia e a digitalização.

A automação das fábricas com a introdução maciça de robôs reduziu o tempo de produção e qualidade dos produtos e trouxe mais segurança para os operários. A fábrica da Ford em Camaçari produz um carro a cada 84 segundos. Existem fábricas de automóveis na Europa que trabalham com as luzes apagadas.

Apesar de todo o processo de automação das fábricas, o baixo custo da hora/homem e outros aspectos econômicos na China, Índia e outros países asiáticos tornaram os custos de produção extremamente atraentes a ponto que as fábricas americanas e europeias transferem suas produções para esses países. Algumas empresas brasileiras também seguiram o mesmo caminho. A Ortopé do Rio Grande do Sul transferiu sua fábrica para a Índia para produzir para o mercado brasileiro. Esse movimento gerou desemprego nos países ocidentais.

A situação está mudando, o valor da hora/homem na China está crescendo e algumas restrições de infraestrutura e distribuição estão tornando a produção mais cara. O presidente americano Barack Obama está incentivando as empresas trazerem suas produções de volta. Já se observa o retorno de algumas fábricas, talvez não pelo pedido do presidente, mas por um novo movimento da manufatura, a necessidade de estar perto do cliente para produzir produtos customizados.

Provavelmente, a produção em massa continue na Ásia. Ao longo dos últimos anos foram criadas condições para produção em larga escala. Por exemplo, a Foxconn emprega 1,2 milhão de funcionários que fabricam os principais equipamentos de consumo do mundo, tais como iPad, iPhone, Kindle, PlayStation 3, Wii e Xbos 360. Os empregados trabalham em condições severas a ponto de em 2010 acontecer várias tentativas de suicídios com 14 mortes. Para criar melhores condições, os salários dos empregados foram aumentados para US$298.9 por mês.

A produção customizada tem escala menor e exige processos diferenciados de produção. Essa característica traz a necessidade de localizar a produção próxima dos consumidores, minimizando custos de logísticas e produção em menor escala.

A digitalização no desenvolvimento e na manufatura reduz o tempo de lançamento de produtos. Do design a distribuição, a digitalização melhorou os processos. Os novos modelos de computação em nuvem e novos serviços disruptivos com custo baixo e funcionalidades suficientes para o desenvolvimento de produtos alavacam novas inovações disruptivas em escala exponencial. Uma dessas inovações é o social manufacturing, modelo de negócio que permite pequenos empreendedores desenvolver novos produtos com simplicidade e custo baixo. Além das impressoras 3D, que a partir de um bloco esculpem praticamente qualquer peça a partir de projetos desenvolvidos com software disponíveis na nuvem, outros serviços que tem serviços online podem ser contratados para a criação de uma empresa totalmente digital.

Para viabilizar uma operação de social manufacturing é necessário um ambiente colaborativo com empresas especializadas em várias áreas: engenharia; componentes; produção; vendas; distribuição; e, relacionamento com clientes. Essas empresas devem possuir serviços online que possam ser integrados a outros serviços da cadeia produtiva.

Esse modelo cria excelentes oportunidades para o desenvolvimento de novos serviços disruptivos nas empresas, quebrando os paradigmas da produção convencional.

Assista o vídeo com Paul Markillie, editor de inovação da revista The Economist.

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