Autor: Eduardo Fagundes

  • Quando sua fábrica mudará para o Paraguai?

    Mantendo as condições atuais do custo de energia, qualificação profissional e estrutura de impostos, a que pergunta é quando sua empresa mudará para o Paraguai? O Paraguai é o país de maior crescimento econômico da América Latina nos últimos 40 anos, com média de 7,2% anual entre 1972-2011. Tem a menor carga tributaria das Américas desde 1970 (8% do PIB) legislação trabalhista favorável e flexível, onde 70% da população têm menos de 35 anos de idade. A moeda mais estável do continente, o Guarani, tem 70 anos de existência. Sem hiperinflação, com mercado totalmente aberto, cambio livre desde 1989, baixa divida externa (8% do PIB) e baixo endividamento público (6% do PIB) e com reservas internacionais suficientes para cobrirem 105% da divida externa total. O custo da energia é 63% mais barata que o Brasil. A exemplo que ocorreu com o México e os Estados Unidos, onde as empresas americanas se instalaram em território mexicano para produzir para o mercado americano, o mesmo fenômeno deve ocorrer por aqui.

    O Paraguai faz divisa com os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, do tamanho deste último. A porcentagem da população urbana é de 56,7%. Os habitantes concentram-se nas principais cidades do país, como Assunção, Ciudad del Este, San Lorenzo e Fernando de La Mora. A taxa de natalidade é elevada — cada mulher tem em média 3,8 filhos. A taxa de mortalidade infantil é moderada e gira em torno de 26 por mil. A expectativa de vida é de 68,5 anos para homens e de 73 anos para mulheres.

    A desindustrialização brasileira é um fato. Em 2012 nossa produção foi inferior à de 2008. A indústria no Brasil perdeu seu poder de eixo dinâmico da economia. A indústria automobilística brasileira, motor da economia, tem comprado cada vez mais autopeças de fábricas instaladas no Paraguai. O IBGE mostra que nunca foram tão elevados os investimentos de brasileiros no Paraguai.

    Os locais preferidos pelos brasileiros são os arredores da capital Assunção e, principalmente, a fronteira com o Paraná no “triângulo” formado por Hernandarias, Presidente Franco e Ciudad del Este. Os setores mais visados são autopeças, confecções, calçados e plásticos. Na maior parte dos casos, a estratégia é a mesma: os insumos são importados da China, a manufatura é feita no Paraguai e o produto é vendido no Brasil. Está se tornando cada vez mais comum marcas conhecidas como Buddemeyer, Penalty, Adidas e Fila serem vendidas por aqui com etiquetas “made in Paraguai”.

    Esse cenário cria boas oportunidades para a instalação de data center. Custo de energia baixo, mão de obra barata para as operações básicas de manutenção e operação local e monitoramento remota a partir dos atuais centros de controle e monitoração.

    Obvio que como brasileiros, temos que reverter essa situação. Para isso temos que investir em inovação, geração independente de energia, produtividade e qualificação profissional. Por outro lado, temos que manter nossas empresas vivas para cumprir o seu papel social. Sucumbir em um ambiente desfavorável não é inteligente.

  • Redefinindo a indústria brasileira

    O Brasil continua bem na foto e ainda atrai investimentos do exterior. Entretanto, a política de sustentação que o governo está adotando pode nos complicar no futuro.

    Nossa péssima infraestrutura de transporte, a baixa qualificação  e alto custo da mão-de-obra, o forte intervencionismo do governo que gera incertezas e o alto custo da energia vêm, gradativamente, desestimulando os investimentos.

    Os incentivos para o pleno emprego e manutenção do consumo vem causando sérios prolemas para a indústria e para a inflação. O mecanismo é simples: o mercado de trabalho aquecido eleva os salários; O setor de serviços, protegido da concorrência externa, repassa o custo dos salários para os preços, que eleva a inflação. As empresas competem pelos trabalhadores mais qualificados, que pressiona a alta de salários e os custos da indústria. Como a indústria não consegue repassar o aumento de seus custos, devido a concorrência dos produtos importados, ocorre a queda da competitividade e a redução dos investimentos.

    Nossa indústria tem que investir na transformação de seus negócios, criando um novo portfólio de negócios com projetos de inovação. Investir para competir com produtos fabricados na Ásia inibe enxergar oportunidades de novos negócios para os consumidores brasileiros.

    Insisto em dizer que toda empresa precisa desenvolver um portfólio de novos negócios para apoiar o seu crescimento identificando novos produtos e novos mercados. Um movimento coordenado pelas associações de classe das empresas definindo com o governo as prioridades de investimentos irá redefinir o mercado para a indústria brasileira.

  • O que você acha de pagar R$10 apenas para visitar uma loja?

    É isso que uma loja na Austrália está cobrando das pessoas para caminhar dentro da loja. Grandes varejistas como Walmart, Best Buy e Target, cadeia de lojas americanas, já começam a pensar em adotar essa estratégia. Essa mudança é para combater o “showrooming”, uma prática onde uma pessoa se dirige a uma loja física para conferir os produtos antes de fazer a compra online por um preço menor.

    Uma pesquisa da ForeSee Results, cerca de 70% dos consumidores usam um smartphone em uma loja física para pesquisar os preços dos produtos. O relatório mostra que 24% dos consumidores praticam o “showrooming” e que 40% compram do concorrente.

    Aqui no Brasil algumas lojas cobram mais caro pelos produtos comprados na loja física do que na loja virtual. Um exemplo é a FastShop. Certa vez fui comprar um smartphone na loja física depois de consultar o preço na loja virtual (prática conhecida como Webrooming) e o preço estava maior. Questionei o vendedor o porquê da diferença e ele comentou que era o preço do atendimento personalizado. No final, comprei o produto pelo preço da loja virtual. Entretanto, os menos avisados pagariam mais caro.

    Para combater o “showrooming” a rede de lojas americana Target anuncia que seu plano de vendas corresponde aos preços das principais lojas virtuais. Ou seja, garante que o cliente comprará o produto pelo menor preço. Essa prática já é utilizada aqui no Brasil. A maioria das lojas físicas acaba cedendo nas negociações quando o cliente mostra um preço menor em lojas virtuais, exceção aos preços do Mercado Livre e BuscaPé.

    As Casas Bahia iniciaram uma campanha interessante. Você compra um determinado produto e ganha o direito de comprar outro de menor valor com um desconto agressivo. Ou seja, a compra de dois produtos acaba saindo mais barata.

    Uma forma valiosa de chamar a atenção dos consumidores é via Marketing de Localização, como o Apple Passbook e o Google Wallet. Quando você tem um “pass” e estiver passando próximo de uma loja física você notificado de uma promoção pelo smartphone. O recurso que a Google tem hoje de identificar que você visitou uma loja virtual e depois intensificar os anúncios dessa loja quando você estiver navegando em outros sites que publicam anúncios da Google, poderá ser estendido para o marketing de localização.

    Por outro lado, as lojas virtuais também sofrem com a prática do Webrooming, ou seja, seus preços apenas servem de referência para os consumidores comprarem nas lojas físicas, onde podem retirar o produto imediatamente. Algumas lojas virtuais estão montando lojas físicas e outras buscam promoções diferenciadas para incentivas a venda.

    Resumindo, o acesso fácil a informações de preços usando smartphones nas compras está transformando a maneira de comprar. Os consumidores estão cada vez mais no comando e cabem as lojas, tanto virtuais como físicas, se adaptarem a esse novo estilo de vendas.

  • Novas fontes de energia substituem o petróleo

    Já é oficial, o boom do xisto betuminoso (gás de xisto) americano está atingindo o mundo, segundo relatório da AIE – Agência Internacional de Energia. O petróleo que antes era enviado para os Estados Unidos agora está sendo enviado para outras países. Um ponto interessante, segundo a Agência, é que a maior parte da nova produção de petróleo mundial nos últimos cinco anos ocorreu fora dos países da Opep – Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

    As ondas de choque provocadas pelo produção de gás de xisto e petróleo leve (como o do pré-sal) estão sendo sentidas no mercado global. Os países árabes e, provavelmente, a Venezuela são os mais atingidos por essas transformações. Desta forma, a produção de combustível e outros derivados de petróleo se voltam para a América do Norte (EUA e Canadá) e o pré-sal brasileiro.

    Os maiores produtores de xisto betuminoso são a China, EUA e Argentina. Nosso vizinho já está pronto para produzir energia usando o gás de xisto. Isso irá baratear, significativamente, o custo da sua energia e poderá ser um grande fator de atratividade de investimentos internacionais. Lembrando, também, que o novo governo do Paraguai irá desenvolver sua indústria usando como atrativo a energia barata da sua parte da Usina de Itaipú.

    O Brasil têm a 10º maior reserva de xisto betuminoso do mundo. Temos um grande número de termoelétricas operadas com gás natural, que a princípio, podem utilizar o gás de xisto sem necessidade de grandes modificações e impacto na eficiência. O governo planeja para o final de 2013 fazer os primeiro leilões das reservas de xisto betuminoso.

    Além disso, a produção de energia renovável no Brasil vem  evoluindo rapidamente focadas em energia eólica e fotovoltaica. O aumento de plantas de geração faz que os custos dos equipamentos fiquem mais baratos. Importante, também, são os incentivos do governo para o setor de energia renovável e para as empresas que optarem pelo seu uso. A geração distribuída resolve o sério problema da nossa infraestrutura de transmissão, pois estando próximas das fontes consumidoras o risco de blackout diminui.

    Resumindo, o Brasil tem um enorme potencial de geração de energia através das atuais e novas fontes de energia que irão baratear os custos de produção da indústria e atrair novos investimentos para o país. A questão principal é direcionar os investimentos e os incentivos para programas eficazes de geração de energia renovável.